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PALAVRAS QUE CONSOLAM...

Maria José Limeira

 

É bom

quando a pessoa se deita

à noite para dormir

e fica brincando

com o sexo do parceiro,

ainda que não funcione mais...

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h20 PM
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Parceria - Joaquim Evónio / Maria José Limeira - 4

FOLHETINS DOS MORCEGOS ANÔNIMOS - 4

(Joaquim Evónio - Maria José Limeira)

Dedicados a Edgar Allan Poe

...........

 

PLANANDO

joaquim evónio

 

Uma noite fui à praia

mas não sabia nadar

ao pousar sobre as areias

já não consegui voar...

 

Chamei um aerotáxi

para me pôr a planar! 

 

 

ES-VOA-ÇANTE

Maria José Limeira

 

Voa,

meu verso,

voa.

Vai

acima do telhado.

Plana

sobre João Pessoa.

Meu poema

amor-frustrado..

Meu verso

triste,

fado...



- Postado por: Zezé Limeira às 10h21 PM
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Parceria - Joaquim Evónio / Maria José Limeira - 3

FOLHETINS DOS MORCEGOS ANÔNIMOS -3

(Joaquim Evónio / Maria José Limeira)

Dedicados a Edgar Allan Poe

...........

 

ENCONTRO

joaquim evónio

 

no morcegal infinito

aonde um dia cheguei

encontrei os meus amigos

 

aqueles que cá deixei

 

com muitas saudades deles

não parti e lá fiquei

 

não sabia o que queria

ainda hoje não sei

 

 

MORCEGOS ESVOAÇANTES

Maria José Limeira

 

A noite é dos insones.

O dia, de quem trabalha.

A noite e os telefones

são baralho que embaralha.

De dia, durmo contente.

De noite, olho aberto.

De dia, vida pungente.

De noite, amor incerto...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h15 PM
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FOLHETINS DOS MORCEGOS ANÔNIMOS - 2

  (Joaquim Evónio / Maria José Limeira)

 

Dedicados a Edgar Allan Poe

..........

 

AVARIA MORCEGAL

joaquim evónio

 

Tropecei no ar,

fui ao oculista:

Não era da vista

mas sim do radar...

 

 

ALEGRIA ABISMAL

Maria José Limeira

 

A noite é dona do medo.

A hora passa ligeiro.

Quanto mais quero, mais cedo.

Amor só presta inteiro.

No tempo, o mais soturno

é que quando sol clareia

se acaba meu ar noturno

e não tem mais lua cheia...



- Postado por: Zezé Limeira às 10h08 PM
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Parceria - Joaquim Evónio / Maria José Limeira - 1

FOLHETINS DOS MORCEGOS ANÔNIMOS - 1

  (Joaquim Evónio / Maria José Limeira)

 

Dedicados a Edgar Allan Poe

..........

 

ENCANTAMENTO

joaquim evónio

 

A minha fada encantou-me

sou morcego

 

nunca durmo

também não acordo

 

incerteza

de quem não sabe o que quer

 

 

ARREBATAMENTO

Maria José Limeira

 

Naquela casa vazia,

o morcego estertorava.

Enquanto ele morria,

minha dor mais se agravava.

Não era mais passarinho

que minha alma buscava.

No lençol branco de linho

era o morcego que eu amava.

E quando ele foi embora,

o vazio se intensificou.

Morcego  marcava a hora

e meu relógio parou.

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h00 PM
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AO LONGO DAS COISAS QUE PERDI

Maria José Limeira

 

Quando dia vem raiando, não abro portas, nem quero saber de sol nascente.

Quando chega manhã, espreito pelas frestas da janela quintais de sonhos, onde minh’alma foi enterrada.

A maior tragédia da minha vida foi ouvir o primeiro não.

Os sim(s) restantes não tiveram muita importância.

Quando a gente perde esperança logo cedo, leva pela vida adiante espectro do que foi, que não nos deixa dormir.

Um suspiro fere mais do que silêncio e palavra.

À luz do dia, noite se desencanta.

Enquanto parte do mundo dorme, a outra se transforma e morre.

Felicidade não é possível quando é preciso enterrar cadáveres.

Liberdade não tem sentido se, para alcançá-la, deve haver derramamento de sangue.

Em meio a escombros, há uma flor nascendo e um pássaro, que ainda canta.

História: pedaço do que fomos vai contar futuro incerto vivido por pessoas que não mais existirão.

Ao longo das coisas que perdi, restou apenas a palavra amor registrada num pedacinho de papel roto e deteriorado. Como número de telefone de alguém não-identificado.

Na hora da morte, não sei a quem entregarei meu adeus.

Se é verdade que meu nome será lembrado, quem vai escrevê-lo?

Quando dia amanhece, escuridão ainda permanece dentro de mim.

Quem sou eu para querer ser feliz?

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.



- Postado por: Zezé Limeira às 09h24 PM
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SEXO SOBRE A CRUZ

 

Coloco-te, nela, de cabeça para baixo...

No lugar dos braços, as pernas...

Chupo-te, Chupo-te!

Subo para teu umbigo

Cheiro, lambo, mordo

Mordo tua barriguinha

 

Subo para os teus seios

Beijo-os, beijo-os, beijo-os!

Chupo, chupo, chupo!

Mordo de leve o teu mamilo

Mordo teu mamilo de leve

 

Vou para teu lindo rosto

Paro com meus olhos juntos aos teus

Olho os teus olhos

Olho-os profundamente

Percebo, combinam com os teus cabelos!

 

Beijo tua boca intensamente

Trocamos as línguas

Beijamo-nos

Fazemos sexo sobre a cruz

 

Penetro-te, excito-te...

Excitas-me

Espero teu gozo

Gozamos juntos

Beijo novamente tua boca

Abraço-te forte e profundo

 

Pego no teu seio esquerdo

Para sempre...

 

Eduardo Gomes

24/02/2003

www.egomes.com.br

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h06 PM
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FALAR VERDADE É PRECISO

Maria José Limeira

 

Duro ou macio.

Submisso ou altaneiro.

Não existe coisa

melhor neste mundo

do que homem.

Na cama!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h51 PM
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Um texto bonito, de Ismael Caneppele

Quando eu tinha dezesseis ela devia ter vinte e cinco. Era fim de tarde, era sábado, era julho quando conheci o Segredo, um filhote de escorpião vermelho que ela criava dentro de uma caixa de fósforos vazia, em cima da mesa da cozinha. Queria beber um pouco de vodka antes da festa de quinze anos da minha namorada. Ela tinha de sobra e eu ainda nem tinha dançado uma valsa. Ela prometeu ser a primeira e me ensinar sem rir. Notando um certo espanto, cuidadosa, abriu a mão e retirou o bicho da caixa. Olhou fundo nos meus olhos e fechou os dedos em volta, cuidando para não machucar o filhotinho. Sorriu um mistério. Misteriosa levou a mão à boca e ficou assim, parada, de costas para o fogão sujo, me encarando como encaram aqueles que conhecem o segredo da coragem. Prometi-lhe um beijo de língua se ela tivesse coragem de engolir. Sorriu. Abriu a mão e engoliu o Segredo num impulso único, sem mastigar.

- Agora me beija.

Fui embora. Jamais beijaria a boca de uma mulher porca como ela.

 

Ismael Caneppele

www.pro-seco.blogger.com.br

 

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h08 PM
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PERGUNTA INQUIETANTE
Maria José Limeira

Olhando homem que passa,
com seus pêlos e afins,
eu penso em minha desgraça:
-De que tamanho é a coisa
que ele esconde entre as pernas
dentro da calça jeans?



 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h05 PM
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Dizem que felicidade existe - Em Português

DIZEM QUE FELICIDADE EXISTE

Maria José Limeira

 

 Ouvi dizer que há lua.

Estrelas rútilas giram revoltas,

sacudindo o céu.

Pássaros cruzam os  ares.

A terra dorme

e amanhece.

 

 Tardes são fagueiras

e manhãs, gloriosas.

Na boca,

o gosto é firmamento,

o sal é doce

e o sol, zangão.

 

Ouvi dizer que há dias  insones

e noites perdizes.

Dizem que o Paraíso existe,

morada de todos os felizes.

 

 Então, diga-me

-diga-me!-

por que é que

eu tenho de viver,

ao  contrário,

no meu inferno,

particular e único,

longe de você?

 

 

- Postado por: Zezé Limeira às 12h35 PM
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Dizem que felicidade existe - Em Espanhol

DICEN QUE LA FELICIDAD EXISTE

Maria José Limeira

 

(Traducción: E. Antonio Torres Glez)

 

Escuché decir que hay luna.

Estrellas relucientes que giran revueltas,

sacudiendo el cielo.

Pájaros que cruzan los aires.

La tierra duerme

y amanece.

 

Las tardes son ternura

y las mañanas, gloriosas.

En la boca,

el gusto es firmamento,

dulce la sal

y zángano, el sol.

 

 Escuche decir que hay

 días insomnes

y noches perdidas.

Dicen que el Paraíso existe,

morada de todos los felices.

 

 Entonces, dígame

-¡dígame!-

¿por qué es que

tengo que vivir

en lo contrario,

en mi infierno,

particular y único,

tan lejos de usted?



- Postado por: Zezé Limeira às 12h29 PM
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FOLHETINS DA CHUVA
Maria José Limeira

Olho grade da janela.
Contemplo mundo que passa.
Vejo cavalo sem sela
trotando à chuva que grassa.

Quem está fora ali fica.
Aqui dentro, sai fumaça.
Chuva forte alambica.
O que mais dói é desgraça.

Olhando assim pela grade,
não sou eu alma penada.
Prendi amor e saudade.
É cativa a madrugada.

Pingo de chuva escorre.
Céu cabe dentro da mão.
Passarinho está de porre
por amor que não lhe dão.

Olho tempo e vejo chuva.
Mundo está na prisão.
Talvez cela seja turva.
Não sei se cinza ou carvão.

Chuva respinga do céu.
Do lado de cá, o chão.
No meu dedo, frio anel.
Ao meu lado, solidão.





- Postado por: Zezé Limeira às 09h04 AM
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VERSOS FÚNEBRES

Maria José Limeira

 

Silêncio, mudez nos ares.

Na esquina, um negro véu.

Calam-se os cantares.

Há um deserto no céu.

Tristeza, vazio nos mares.

Em cada sina, um vão.

Há copos cheios nos bares.

Trem vagueia sem vagão.

 

Assombro, campeia noite.

Gato dorme no quintal.

Na carne, o fundo açoite.

Na tumba fria, o cal.

Quando o amor se dissolve,

todo o mundo sente e cala.

Uma lágrima revolve,

no aço do fio da bala.

 

O que foi não volta mais.

Verso antigo tomba e jaz...

 

 

(Do livro “Todos os seres”)



- Postado por: Zezé Limeira às 08h19 AM
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Uma homenagem ao bom amigo Anibal Beça

TEUS OLHOS DE GRANDE MAR
Maria José Limeira

(Ao amigo Aníbal Beça)


Poeta de largas asas e longos vôos.
Homem completo. Alma serena.
O que dizes se escreve.
O que vem de ti me atinge.
Tens horizontes esculpidos
no teu olhar de grande mar.
Arrastas rios e desbravas terras.
Deságuas e lavras.
Uma parte de ti sonha.
Por outro lado, me devoras.
És carne - hombre! -
e alma e mente e corpo inteiro.
De-vir, des-vão,
definitivamente belo e eterno,
ainda que passageiro.







- Postado por: Zezé Limeira às 07h47 AM
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Uma homenagem do querido amigo Jurandir Argôlo

SIMPLESMENTE SIMPLES

Jurandir Argôlo

 

(Singela homenagem a Maria José Limeira)

 

encontraste-me antes de mim

tu e teus sonhos

e não sabias...

mesmo voando dificuldades

alcançaste liberdades

voando pássara

descompromissada com modismos

maquiados egoísmos

da sociedade que empurra

próprias invontades.

 

sobre as nuvens

sonhos completaram-se

sensaçando ao universo

 palavras intempestivas d'amor.

 

enconstraste-me passageira sim

mas, não anônima,

porquanto teus cantos

ecoaram (ecoam) mantos

desgovernando corações

lotados de paixões encruadas

almas mal amadas

que em ti encontraram

fôlego para novos sonhos.

 

duras trilhas incalaram-te

 no cair por terra de tabus...

nem a fome

nem a sede

nem o frio

impediram-te de continuar

e, no final da linha, me achar,

descobrindo que não há vazios...

 

(Janeiro/2001)



- Postado por: Zezé Limeira às 06h56 PM
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Uma homenagem da amiga Mariu Caseiro - Em Espanhol

Al gran ser humano que es la señora Maria José Limeira 

Homenaje a una poeta amiga.

A Maria José Limeira con afecto

 

 

Conozco una mujer centella

que atraviesa las paredes con su alma

camina con pisada de hoja verde

revuelve el universo en cada paso

 

a ritmo de volcán, de manantiales

destila los tesoros encontrados

para hacernos beber de sus acopios

 

mujer multiplicada en si misma

que puede aparecer en una hoja

en el canto adormecido de una palma

en limpio amor de la cigarra

en las escamas de un pez

o en las plumas de palomas

 

es una mujer alegre

vestida de huracán y de caminos

con rostro de humildad y bellos sueños

de amaneceres claros

de pan bien repartido

 

su risa tiene arpegios de cometa

de crisálida, de tomeguines, de vientos

su encanto estriba en el valor

de amiga y centinela fiel,

del desvelo que la acredita en su tiempo.

 

Maria Eugenia Caseiro© Julio/2/04



- Postado por: Zezé Limeira às 03h55 PM
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Uma homenagem da amiga Mariu Caseiro - Em Português

HOMENAGEM A UMA POETA AMIGA

Maria Eugenia Caseiro

 

(Tradução: Maria José Limeira)

 

 

Ao grande ser humano que é a Senhora Maria José Limeira

 

Homenagem a uma Poeta amiga.

A Maria José Limeira com afeto

 

Conheço uma mulher-centelha

que atravessa as paredes com sua alma,

deixa rastros leves de folha verde

revoluciona o Universo em cada passo

 

Em ritmo de vulcão e mananciais

destila os tesouros encontrados

para fazer-nos beber de sua abundância.

 

Mulher multiplicada em si mesma

que tanto pode surgir em uma folha

como no canto adormecido de uma palma,

ou no puro amor da cigarra

ou nas escamas de um peixe

e, quem sabe, na plumagem das pombas.

 

É uma mulher alegre

vestida de furacão e de caminhos,

com rosto de humildade

e belos sonhos

de amanheceres deslumbrantes

de pães distribuídos.

 

Seu sorriso tem arpejos de cometa

de crisálida, de raios e ventos.

Seu encanto reside em seu valor

de amiga e sentinela fiel

do desvelo que a confirma em seu tempo. 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h36 PM
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RESGATE

Maria José Limeira

 

Dá-me a capa do mundo, talvez ilha.

Faz bandeira do meu vestido de algodão; da calcinha pura-seda; da blusa que dispo e visto; da saia-rodada; dos sapatos cheios de lama; das minhas meias úmidas, e dos pedaços que sobraram de mim.

Desfralda-me!

 

Dilacera minha amplidão.

Faz céu das terras por onde andei; de todo o sonho que sonhei; dos retalhos que ficaram para trás; dos fragmentos esparsos que larguei pelo caminho; dos raios em que me espargi; do meu grito anterior; do meu bem-te-vi.

Abre-me!

 

Dá-me beijos úmidos.

Faz inferno do sexo que me consola; do amor que foi  embora; das noites que não dormi; de quando me perdi; de todas as coisas malditas que acreditei e descri; e de como ainda estou aqui.

Queima-me!

 

Consola-me do quanto que sofri.

Recolhe a dor; enfeita-me, como se eu fosse  primeiro amor, numa tarde qualquer de abril, e deixa minhas tardas lágrimas repousadas em teu ombro.

Deita-me!

 

Abafa meus soluços no anoitecer.

Transforma meus olhos insones em amanhãs; deixa passar as tempestades que afundaram meu barco em alto mar; faz meu destroço brilhar na madrugada, e ensina-me o novo amanhecer.

Resgata-me!

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”)

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h08 PM
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Ciranda dos Putos da Vida - 3

FOLHETINS PUTOS DA VIDA - 3

(Vários autores)

AI, AI, AI...
Maria José Limeira

É terceto-besteirol.
Macaco fora do galho.
É ator em atrapalho.
Confusão e mais mangalhos.
Escova já sem as cerdas.
Ai, ai, ai... Caralho!
Quantas merdas!


VIDA DE PUTA
líria porto

vivo por certo do avesso
confesso só dei mau passo
amasso a vida na cama
recebo troco de macho

não posso não devo eu sei
porém nada tenho a fazer
eu dei e vendi e emprestei
tudo que eu tinha por baixo

sou de domínio público
acostumem-se ao fato


VIDA DE LUTA
Maria José Limeira

Devolvi cordão de ouro.
cartas, palavras e tudo.
Você virou mau agouro
e punhal pontiagudo.
Só me restaram no após
a solidão e o confete,
nesta langorosa voz
de uma Núbia Lafayete...


SEU PRAZER OU O DINHEIRO DE VOLTA
Salvino Pires

Gosto da Líria por isso,
esculacha de uma vez,
alguém diz uma besteira
ela já devolve três.
Se considera uma puta,
deve ser bem competente
qualidade garantida,
deixa o cliente contente.


Ô POVO ASSUMIDO!
Maria José Limeira

Quando freguês está contente,
paga o amor em dobrado.
Mas, quando a noite é caliente,
é melhor dançar um fado.
Pois transar com estudante
é matéria de alto risco.
Ou vira grilo falante
ou vai virar um petisco.



VIDA DE PURA
líria porto

no verso faço e aconteço
na rima eu tiro a saia
na vida eu juro mereço
nem uso tomara-que-caia

sou mulher à moda antiga
faço debaixo dos panos
tudo que vem à cabeça
os pecados... eu espano


É MELHOR SE DECIDIR
Maria José Limeira

Ou bem vira pura e santa,
ou solta as frangas de vez.
Quem não pode vira anta.
E assim espanta o freguês!








- Postado por: Zezé Limeira às 06h08 PM
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Ciranda dos Putos da Vida - 2


FOLHETINS PUTOS DA VIDA - 2

(Vários autores)

UAI !... NÃO ENTENDI...
Salvino Pires

O assunto mudou de rumo,
e caminhou pra outro lado
falou em rabo de saia
eu fico todo assanhado.
Beijo roubado, beijo dado,
sabor baton, sabor cereja,
pra esquentar os amassos,
põe também sabor cerveja.

O PRIMEIRO GOLE
Maria José Limeira

Em matéria de bebida,
só vou com boa cachaça.
Na ladeira, sou descida.
Na chaminé, sou fumaça.


TÔ ENTENDENDO
José Carlos Cavalcante

Assunto assim eu aceito,
mais aproveita o poeta calado.
Desde que tenha proveito,
O beijo que se tenha roubado.



VEM DEVAGAR, VISSE?
Maria José Limeira

Moreno se me quiseres,
terás que vir de mansinho.
Pois se pulo fatal deres,
morrerás a meio caminho.


AGORA SÓ VOU FAZER MERDA
Betinho Aristheu

É fazendo merda que se aduba a vida!
Então caguemos mais. Um pinico cheio
Quem sabe alguém que ache belo o feio
Venha aplaudir e nos dar guarida

Pois que fazer merda já é profissão
Veja nas revistas, leia nos jornais
assista aos programas da televisão.
Só faz sucesso quem é incapaz!

Pois agora eu só vou fazer merda!
Não renega os seus quem herda,
Não farei mais versos em vão

Rasgarei tudo que eu já escrevi
e recomeçarei feliz ora daqui
A minha nova obra: O Cagalhão



- Postado por: Zezé Limeira às 06h01 PM
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Ciranda dos Putos da Vida - 1

FOLHETINS PUTOS DA VIDA
  (Vários autores)
..........

PUTO DA VIDA
Betinho Aristheu

Não digas que não sirvo para nada.
Me conheço, me contemplo.
Sei que sirvo de mau exemplo!


PUXA! QUE VIDA!
Maria José Limeira

Como exemplo, sou fracasso.
Na família, ovelha negra.
Em todo amor, eu me faço.
Na vida, eu fujo à regra.
Na escola, fui capeta.
Nos versos, somente arranho.
Comigo ninguém se meta,
hoje, ontem ou de antanho!


IMPUTO A VIDA
José Carlos Cavalcante

Não digas qual modelo me serve.
Não te vejo nem te contemplo.
Sou eu quem dá o exemplo.


PUXA! MAS QUE BARRA!
Maria José Limeira

Meus pontos de referência
mudam com a circunstância.
Eu não busco mal-querência.
Nem me apetece ganância.
Sou da turma de S. Francisco.
Pra viver, pouco preciso.
Quem cultiva o que é cisco
termina louco ou liso.


E DAÍ?
Salvino Pires

Tudo bem, meu verso é torto,
é feio e tem defeito.
Gol roubado ou de pênalti,
vale gol do mesmo jeito


ÊÊPA RAPAZ!!!
Maria José Limeira

Gol roubado não vale nada.
Deixa o time em maus lençóis.
O que vale na madrugada
é beijo roubado, e a sós!!
Quanto mais gente na raia,
mais os times acham bom.
Beijo de rabo de saia
deixa a marca do batom.



- Postado por: Zezé Limeira às 05h52 PM
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Analisando texto de João Andrade - Metamorfase

METAMORFASE
Um texto de João Andrade

(Análise crítica)

Maria José Limeira

Não sei se parece comigo.
Não sei se é como Leminski.
Só sei que adorei (é simplesmente divino!) este texto lindo do nosso amigo João Andrade, “Metamorfase”.
Este autor, cuja produção venho acompanhando há tempos, na Internet, cresce a cada dia que passa, e vai construindo, devagar e sempre, uma obra íntegra, enxuta, e cheia de novidades.
Não foi por acaso, portanto, que amealhou dois prêmios, a um só tempo, em concursos literários promovidos em seu Estado, Rio Grande do Norte, recentemente.
Na sua humildade franciscana, o Poeta apressou-se em nos dar a alvissareira notícia (por telefone – obrigada, João Andrade!), atribuindo à nossa Oficina Literária o mérito dos seus prêmios, pois foi aqui, em primeiro lugar, que ele mediu a aceitação dos textos
que mandou para os concursos. (O mérito é todo seu, querido João Andrade, pois você é um grande Poeta!).
E, além de Poeta, é também um belíssimo Prosador...
Saludos a todos los Poetas latino-americanos. Arriba!

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista
democrática de João Pessoa-PB).
..........

Metamorfase


Por pouco
não fiz de mim
alguém cheio
de
fases.

Hoje sou uno,
ou
quases.

(João Andrade)




- Postado por: Zezé Limeira às 05h42 PM
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Um poema ao meu doce amigo Ricardo Coutinho

FOLHETINS DA ESTRELA

Maria José Limeira

 

(Para Ricardo Coutinho)

 

Estrela, estrela minha.

Depois que sol irradia,

que o clarão já definha,

no leito da mãe é dia.

Mas, na densa noite escura,

estrela, tu és o ponto,

que me aquece e me cura,

na hora G do meu conto.

 

Contadora de sonhos e desejos,

andas ao largo, altaneira.

Tua luz é rastro de ensejos,

minha estrela mensageira.

Que quando ruge a tormenta,

ainda assim brilhas e piscas,

e em tua marcha lenta,

escreves, bordas e riscas.

 

Tua luz está nos meus trançados.

Tua voz ecoa no meu teto.

Teu saber se enleva em meus bordados,

e o teu ser é homem, embora feto.

És silêncio quando cantas.

És brado da voz altiva.

És os uivos das gargantas,

minha estrela cativa.

 

Minha estrela noturna.

Musa inspiradora do boêmio.

Mesmo em hora mais soturna,

ensaias o suspiro em oxigênio.

Estrela matutina, deusa do alvorecer.

Ainda que a ti mesma não te vejas,

sei que teu nome é Você,

que mesmo não sendo, sejas!

 

João Pessoa, 04-10-2004



- Postado por: Zezé Limeira às 01h18 PM
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Divulgando a Poesia de Eduardo Gomes

 

FLOR DE CARNE

 

Minha boca na tua flor.

Minha boca na tua carne.

Minha língua, teu sabor.

Meu sabor na tua língua.

 

Língua, flor, sabor, carne.

Lambo os lábios, lábios grandes, grandes lábios.

Meto a língua, roço a língua nos teus lábios.

Provo do teu néctar, transpasso-te por minha espada.

 

Tetas grandes, belas tetas, tetas lindas.

Grande bunda, a minha faca se farta.

Farto corpo, corpo carne, carne em flor.

 

Belo clítoris, boa língua, delicioso paladar.

Farto cheiro, cheiro doce, doce amor.

Boca farta, olhos lindos, bela flor.

 

Autor: Eduardo Gomes

Data: 15/06/2001

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Fonte:

www.egomes.com.br



- Postado por: Zezé Limeira às 12h41 AM
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Folhetins do sexo acima de tudo - 2

DE-FRENTE, DE-TRÁS, DE-LADO

Maria José Limeira

 

Quando idade se aproxima,

para uns a vida é mansa.

Outros caem lá de cima.

A vida é coisa que cansa.

Mas tem gente mais sabida

que não sabe o que é cansar.

Escolhe nova comida.

Sexo muda de lugar.

 

 

NO CARITÓ

Maria José Limeira

 

Andar arrumadinha.

Não soltar as frangas.

Não tirar os brincos.

Recusar convites.

Censurar palavrões.

É melhor começar

a transgredir

estas regrinhas.

Senão, vai ficar pra titia!

 

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h15 PM
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Folhetins do sexo acima de tudo - 1

SABEDORIA ANTIGA
Maria José Limeira

 

A melhor maneira 

de agradar a uma mulher

não é falar de amor

ou dizer-lhe que é bonita

e inteligente.

Mulher gosta mesmo

é de quem lambe as coisinhas

dela!...

 

 

NUANCES?

Maria José Limeira

 

Sutilezas.

Singelezas.

Pouco dígito.

Pra que isto?

 

Eu gosto é de sexo.

Explícito!

 

 

CLARIDADE & ESCURIDÃO

Maria José Limeira

 

Quando sexo de homem

está duro,

mundo claro fica escuro.

A gente embola na cama

e diz pra todo mundo ouvir:

-Ai, como é bom!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h09 PM
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Folhetins sombrios - 2

O PODER DAS SOMBRAS

Maria José Limeira

 

As sombras que me recorrem

são apenas as lembranças.

Voejam dentro do hoje

entre escolhos

e detritos

do que restou de mim...

 

 

GEMIDOS ÚMIDOS

Maria José Limeira

 

Da lama saem gemidos.

Na dor, o corpo volteia.

Da raiva surgem grunhidos.

Noite densa, lua cheia.

No fundo, lágrima triste.

Na superfície, revolta.

Um amor que não existe.

Uma prisão sem escolta...

 

 

DENTRO DA NOITE

Maria José Limeira

 

Quando o céu escurece,

uma nesga de sol

ainda insiste,

como se do outro lado do mundo,

houvesse luz.

 

 

ANIMAIS SOLITÁRIOS

Maria José Limeira

 

Zumbis são animais

solitários,

que vagam a esmo

dentro da noite,

recusando-se a morrer...

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h51 PM
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Folhetins sombrios - 1

 

 

 

SOMBRIO

Maria José Limeira

 

É tarde, o sol se pôs.

Entra a noite tardia.

Após o antes, depois.

Vida agora é nostalgia.

 

Em sombras nasce tristeza.

Dor é minha última reza.

Só há uma vela acesa,

e um amor que não me preza.

 

Noite assim mais se demora.

A madrugada se atrasa.

O cão que uiva lá fora

mais apaga minha brasa.

 

Na insônia, o verso chora.

Na solidão, não há jeito.

Quando amor vai embora,

deixa uma pedra no peito.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h42 PM
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ESTAÇÕES DA ALMA
Maria José Limeira

Lobos, coiotes e mulheres rebeldes têm destinos iguais.
A História saqueou, queimou e destruiu os redutos escondidos da mulher, para que ela agradasse aos outros, esquecendo-se de si própria.
Para se encontrar de novo, a alma feminina tem que cavar-se e cantar sobre os escombros.
Mulher tem que ter coragem para enfrentar os predadores.
Meu ser se alimenta de trovões e relâmpagos.
Milharais, girassóis e plantas selvagens estalam e conversam comigo na minha trilha.
Os regatos me lavam.
Sou artista.
Meu lugar no mundo é vagar a esmo.
Depois que o sol se põe, converso com a Natureza e ouço o farfalhar.
Conto estórias que os adultos não podem ouvir.
Toda morte é repentina.
Borboletas voam no alto da minha cabeça.
Vagalumes são jóias da noite e brilham como pulseiras enfeitiçadas.
A pele tem vida própria.
Abro meu espaço em árvores, cavernas, bosques e gavetas de armários.
Sou ampla, e o céu é meu lugar.
Danço na floresta.
Cato meu lixo interior, onde está o melhor de mim.
A palavra escrita é meu verdadeiro lar.
A perda é tão profunda quanto a beleza.
Sou ruptura.
Não caibo dentro das regras.
São sete os oceanos do universo onde navego.
Existe luz no meu abismo.
Nunca esqueço os motivos que me fizeram nascer e por que continuo vivendo.
Jamais me calarei enquanto estiver ardendo.
O que regula o estado do corpo humano é o coração.
Quando inicio uma viagem, vou até o fim. Ainda que sofra.
A função criadora fertiliza a aridez.
Meu território é a matilha. Minha linguagem é o sonho.
Saí de casa à procura de mim mesma e descobri, espantada, que o Eu mora dentro de mim.
Depois da noite e da treva, nasce a luz.
Sou fundo de poço, início dos tempos, lágrima, oceano e árvore.
Sou o verde no meio da neve, e clarão na paisagem dolorida da seca.
As histórias curam minhas dores.
A arte é feita de estações da alma.
Deixarei na terra um mapa detalhado de mim, para que outros encontrem o tesouro que me faz feliz.
Em cada fragmento de mim, existe a lembrança do todo.
O vento sopra no meu espírito.
Quando encontrei o sonho, meus ferimentos pararam de sangrar...

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)





- Postado por: Zezé Limeira às 02h22 AM
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Em Português

TAÇA VAZIA

Maria José  Limeira

 

No quarto, o travesseiro dorme mudo.

No chão, o lençol frio já esquece

que um dia você pra mim foi tudo.

O silêncio de hoje não me aquece.

 

Na sala, a mesa posta não convida.

É um lugar apenas para mim.

A voz já não responde nem revida.

Tanto faz dizer não ou mesmo sim.

 

As sombras percorrem os corredores.

A água do chuveiro é dura e fria.

Nos ossos cambaleiam novas dores.

Na taça, a bebida é meio vazia.

 

A ausência se alonga porta a  fora.

Ganha ruas, avenidas e vielas.

O mar disse adeus e foi embora.

As calçadas são apenas passarelas.

 

O mundo todo, paisagem dolorida.

Todo o universo já perdeu sentido.

A mesma coisa, morte ou mesmo vida.

Todo grito  é, dor e mais gemido...

 

(Do livro "Todos os seres")

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h58 PM
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Em Espanhol

TAZA VACÍA

Maria José Limeira 

(Traducción: E. Antonio Torres Glez)

 

 En el cuarto, la almohada duerme en silencio.

En el suelo, la sábana ha olvidado

que un día usted fue todo para mí

El silencio de hoy no me calienta

 

En la sala la mesa servida no convida

Con apenas un lugar para mí

La voz ya no responde ni replica.

Da lo mismo decir no que decir sí

 

Las sombras recorren los corredores

El agua de la ducha es dura y fría

En los huesos zigzaguean nuevos dolores

En la taza la bebida  está medio vacía

 

La ausencia se alarga puerta afuera

Gana calles avenidas callejas

El mar dice adiós y fue ahora.

Las calzadas son apenas pasarelas.

 

El mundo todo es paisaje dolorido

Todo el universo ya perdió sentido

La misma cosa,  muerte ó vida.

Todo igual, grito, dolor más gemido...

 

(Del libro "Todos los seres")

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h53 PM
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Folhetins eróticos de Maria José Limeira (2)

INSACIÁVEL

Maria José Limeira

 

Quem goza uma vez,

goza duas e três.

Não se esquece jamais.

Perde paz.

Pede sempre mais!

 

 

SEGREDO DE ALCOVA

Maria José Limeira

 

Vibrar corpos.

Emitir pulsações.

Nada disso adianta.

Sexo começa na mente.

 

 

RAY CONNIFF ORQUESTRA E CORO

Maria José Limeira

 

Música que corpo

de homem emite

é mais vibrante

do que orquestra

de Ray Conniff

em dia de festa.

 

 

PRINCÍPIOS DO PRAZER

Maria José Limeira

 

Quando ele está excitado,

fica ofegante.

Seus músculos enrijecem.

Os testículos ficam duros.

Ele arremete o pênis

compulsivo.

Eu recebo tudo

em meu endereço.

Com todo o prazer!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h22 PM
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Folhetins eróticos de Maria José Limeira: (1)

 

POSTO 24 HORAS

Maria José Limeira

 

Abaixo de cada umbigo,

há um parque de diversões.

Onde as pessoas entram

e não querem mais sair.

 

 

SOBREMESAS SEXUAIS

Maria José Limeira

 

Na banana empanada

da cartola do teu sexo,

tem doce,

caramelo,

goiabada.

Tem batida de limão.

Tem coração-suspiro

que bata-bate.

Chocolate!

 

 

CRESCE & DE-CRESCE

Maria José Limeira

 

Na hora de fazer sexo,

é melhor esquecer

preocupações.

Para não haver

de-créscimos.

 

 

SEXY

Tem sexo sólido,

líquido,

gasoso.

Mas, o que mais gosto,

pratico e aconselho

é o sexo oral.

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h44 PM
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DESOBEDIÊNCIA CIVIL

(Um texto de Maria José Limeira)

 

(Analisando)

 

Não precisaria ir até o fim dessa crônica de Maria José Limeira para perceber o que tem de lirismo e poeticidade nos recursos que a autora carrega em suas figuras de linguagem. São figuras sombreadas pelo oculto, pela melodia, como quem faz do imaginário, chão que se pisa, concreto.

 

A autora de ressente das amarras sociais que nos moldam em comportamentos que quase sempre nos impedem de voar mais alto, o que me faz lembrar do Simmel (que a Simone Maldonado, leitora e tradutora desse autor, poderia nos falar dele dentro dessa obra da Maria), no que trata do estrangeiro em terreno familiar.

 

É estar dentro de nossa própria casa, diante do banquete social que nos impõe mordarças e convenções que nos obriga a sermos sempre tão arurmadinhos e bonitinhos. É esse o grito social e profundamente sociológico que esse texto da Maria Limeira nos desperta. Um grito sociológico.

 

Na frase:"Todos os meus sangues escorrem até os pés", a Maria nos remete ao que chamamos de secreções humanas tão banidas e malditas que escondemos no mundo social. É claro que a autora chama de "sangues" no plural, criando um plural pro sangue, mas que se refere às secreções que escondemos das pessoas, mas que faz parte do corpo, do ser, dos nossos

segredos, mas que também é vida, e a vida que escorre, já que sangue, é biblicamente falando, a vida.

 

É o poeta(sic) que se desamarra e se solta, mas que permanece preso na gaiola de ouro, à mercê das convenções, mesmo que reaja e se debata.

Seria um auto retrato dessa autora, que tem como marca sua irreverência poética e de vida, diante das regras sociais. É o poeta que menospreza o convencional e ousa falar sozinho, em exílio, como "bicho cabeça", como extraterrestre, estrangeiro em sua própria casa. É um manifesto poético-literário que nos assombra e nos inquieta diante da reflexiva irreverência social da autora e das figuras de linguagem que cria e que tomam corpo próprio, saindo por aí, enquanto ela, a autora, apenas olha de dentro de sua gaiola social.

 

O nosso corpo, esse não tem como passar pelas frestas da gaiola, mas a criação, essa voa solta, e vai onde quer chegar. É um excelente texto.

 

Dira Vieira

.



- Postado por: Zezé Limeira às 01h17 PM
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DESOBEDIÊNCIA CIVIL

Maria José Limeira

 

Eu não vou obedecer a ninguém, sem antes ouvir minha alma.

Meu corpo não pode ser regulamentado por Decreto.

Não vou deixar que punam meu espírito criativo e minha curiosidade.

Sobrevivo numa cultura perversa. E, mesmo assim, sonho!

Não roubarei o que já me pertence.

Quero ser criança também.

Desistir de mim mesma? Jamais!

Respeitarei as normas, depois de discuti-las.

Quero o remédio adequado, e não um paliativo, para consertar minha asa quebrada.

Pessoa simpática é aquela a quem foram arrancadas as garras.

Congelar-se antes da morte é morrer duplamente.

Devemos pedir desculpas pelo lugar que ocupamos?

Se quiserem trazer-me de volta do exílio onde me refugio, dêem-me ternura e carinho.

Toda palavra tem poder.

Mulher, se você nunca foi chamada de mal-comportada, insubmissa, desafiadora, rebelde e indisciplinada, não desanime. Ainda é tempo!

Quem admira apenas um tipo de beleza não observa ao redor.

A função da gaiola dourada é o cativeiro.

A fome nos impede de pensar.

Tenho o direito de errar. Quantas vezes puder!

Quando estou presa, luto pela liberdade.

Todos os meus sangues escorrem até os pés.

Quando meu desejo pela alma se agudiza, abro todas as comportas.

Para que serve a Lei injusta, se não for transgredida?

 

(Do livro "Crônicas do amanhecer").

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista de João Pessoa-PB.

 

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h07 PM
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AS LISTAS DE DISCUSSÃO EM DEBATE

Maria José Limeira

Aviso aos amigos e amigas que estou abandonando, até segunda ordem, todas as Listas de Discussão. Permanecerei apenas nas Listas onde sou Moderadora: nesta Alameda Santo Antonio, e na nossa Oficina Literária. Não posso abrir mão, contudo, das Listas Bolivianas, onde sou cadastrada, e onde Poetas da Língua Hispânica me ensinam somente coisas bonitas. Esclareço que continuo recebendo inúmeros convites para participar de Listas. Não os aceito mais. Pois, para mim, as Listas de Discussão estão sob suspeita, e até arrisco algumas indagações em torno delas, pedindo aos amigos que me ajudem a esclarecê-las.

1. Quem é o Moderador da Lista: um ditador, um déspota, um censor, um Poderoso Chefão, o Rei da Cocada Preta, ou um simples administrador, que concilia interesses, dá sentido aos conflitos e divergências, e encaminha debates?

2. Uma Lista pode funcionar apenas em função dos interesses do Proprietário, ou é um meio que os cadastrados utilizam para discutir idéias e debater problemas de cunho social e da comunidade literária?

3. Lista de Discussão Literária é um depósito de enxurradas de textos, sem discussão?

4. O mérito de uma Lista pode ser medido pela quantidade de cadastrados e pela quantidade de textos em circulação, sem discussão da qualidade?

5. Por que aceitar apenas elogios aos textos e rechaçar as críticas sinceras e honestas?

6. É proibida a livre expressão em Listas? Acredito que este assunto é do interesse de todos nós, que militamos em Listas de Discussão, e lutamos pela mudança de postura em relação a elas.

Aguardo respostas.

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).



- Postado por: Zezé Limeira às 12h47 PM
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Ainda que eu viva triste, canto

AINDA QUE EU VIVA TRISTE, CANTO

 

Maria José Limeira

 

 

 

Quem vê o teu sorriso no retrato

não sabe quanto dói reconhecê-lo.

Não cabe o fim da linha no novelo.

Nem crê que para mim inda és recato.

 

Quem vê do teu cabelo a fria mecha

não sabe a minha mão tal entrelaço.

Não cabe na lembrança um só abraço.

Nem crê de todo susto o que se vexa.

 

Quem vê a inútil face do instante

não sabe a quanto vai o meu apelo.

Nem crê que inda te amo, sol distante.

 

Quem vê teu garbo vil seguir adiante

não sabe quanto corta o duro gelo.

Nem crê que eu vivo triste, embora cante.

 

 25.12.2003



- Postado por: Zezé Limeira às 12h33 PM
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Iniciando...

Praia de Tabatinga em Jacumã - PB

Oficina Literária

Esse é um blog para divulgar o meu trabalho e dos meus amigos, das interações nas listas de discussões das quais sou moderadora ou apenas participante.

CERTIFICADO DE GARANTIA
Quadro I (Maria José Limeira)


Ao redor do mundo,
não há camada de ozônio
que nos resguarde.
O que sustenta
o desequilíbrio da Terra
é o precário tripé:
Adeus.
Solidão.
Saudade.


Quadro II (José Nunes)


E quando o homem tenta fugir
No Sputinik sonhado ontem,
O que menos conta é a falta
De ar, de gravidade, de tempo;
Porque no infinito, na noite eterna,
Vendo a Terra azul, o que mais sente é
Saudade,
Solidão,
Adeus.


Quadro III (Maria José Limeira)

Quando os males são de amor,
não adianta fugir.
Quando se conta só dor,
não vale mais o fingir.
Pois o vôo do condor
se apóia mal na cidade.
Solidão é só langor.
O resto é adeus e saudade.



SONS DO VENTO
Quadro I (Maria José Limeira)

Ermo da noite.
Latido de cão
parece chamado
de floresta
em rotas primitivas.
Terra.
Pedra.
Barro.
Feridas.


Quadro II (José Nunes)

Todo medo se concentra no desconhecido.
Os uivos decifrados mostram o rumo
E nos embrenhamos mata adentro.
Folhas.
Galhos.
Raios.
Incêndio.


Quadro III (Maria José Limeira)

Na decepção, o rumo
perde caminhos e trilhas.
As paredes não têm prumo
e mães perdem suas filhas.
Em selva de pedra a vida
não tem mais folhas ou galhos.
Homem enfrenta dura lida
e se perde em atrapalhos.



- Postado por: Zezé Limeira às 10h20 PM
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BIOGRAFIA
Maria José Limeira (Ferreira) nasceu em João Pessoa-PB, Brasil, fez curso (incompleto) de Filosofia Pura na UFPB. Presa, em 1964, pelas forças da repressão, no Quartel do 15RI, abandonou seus estudos superiores,auto-exilando-se nas cidades do Rio e São Paulo, onde conviveu com os escritores Aguinaldo Silva, Vinicius de Moraes, Assis Brasil, José Edson Gomes. Conheceu, no Rio, o poeta português e crítico literário Arnaldo Saraiva, da cidade do Porto, que dedicou a ela seu livro ""Encontros/Des-encontros, amizade que perdura até hoje. Retornou à Paraíba nos anos 70, quando ingressou no Jornalismo, começando como repórter até chegar a ocupar cargos de Direção em diversos jornais, inclusive no semanário "O Momento", que ajudou a fundar...

Livros publicados:
"Margem", "Aldeia virgem além", "As portas da cidade ameaçada", "O lado escuro do espelho" (contos); "Olho no vidro"(novelas) e "Luva no grito" (romance). Escreveu também peças teatrais, como "Os maloqueiros", "O transplante" e "O alcoólatra". A peça "Os maloqueiros" recebeu Menção Honrosa em concurso de âmbito nacional promovido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte-MG. Atualmente, escreve um livro de "Memórias".

Outros textos inéditos:
"Contos da escuridão" (contos), "Todos os seres" (poemas longos), "Crônicas do amanhecer" (crônicas). Foi uma das fundadoras, na Paraíba, do Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA-Pb), num esforço conjunto com outras entidades pela promulgação da anistia ampla, geral e irrestrita no Brasil. Atualmente reside em João Pessoa-PB.
Quer entrar em contato comigo? Então escreva:
Email: mlimeira_blog@yahoo.com.br