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Meu perfil BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher |
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PALAVRAS QUE CONSOLAM...
Maria José Limeira
É bom
quando a pessoa se deita
à noite para dormir
e fica brincando
com o sexo do parceiro,
ainda que não funcione mais...
FOLHETINS DOS MORCEGOS ANÔNIMOS - 4
(Joaquim Evónio - Maria José Limeira)
Dedicados a Edgar Allan Poe
...........
PLANANDO
joaquim evónio
Uma noite fui à praia
mas não sabia nadar
ao pousar sobre as areias
já não consegui voar...
Chamei um aerotáxi
para me pôr a planar!
ES-VOA-ÇANTE
Maria José Limeira
Voa,
meu verso,
voa.
Vai
acima do telhado.
Plana
sobre João Pessoa.
Meu poema
amor-frustrado..
Meu verso
triste,
fado...
FOLHETINS DOS MORCEGOS ANÔNIMOS -3
(Joaquim Evónio / Maria José Limeira)
Dedicados a Edgar Allan Poe
...........
ENCONTRO
joaquim evónio
no morcegal infinito
aonde um dia cheguei
encontrei os meus amigos
aqueles que cá deixei
com muitas saudades deles
não parti e lá fiquei
não sabia o que queria
ainda hoje não sei
MORCEGOS ESVOAÇANTES
Maria José Limeira
A noite é dos insones.
O dia, de quem trabalha.
A noite e os telefones
são baralho que embaralha.
De dia, durmo contente.
De noite, olho aberto.
De dia, vida pungente.
De noite, amor incerto...
FOLHETINS DOS MORCEGOS ANÔNIMOS - 2
(Joaquim Evónio / Maria José Limeira)
Dedicados a Edgar Allan Poe
..........
AVARIA MORCEGAL
joaquim evónio
Tropecei no ar,
fui ao oculista:
Não era da vista
mas sim do radar...
ALEGRIA ABISMAL
Maria José Limeira
A noite é dona do medo.
A hora passa ligeiro.
Quanto mais quero, mais cedo.
Amor só presta inteiro.
No tempo, o mais soturno
é que quando sol clareia
se acaba meu ar noturno
e não tem mais lua cheia...
FOLHETINS DOS MORCEGOS ANÔNIMOS - 1
(Joaquim Evónio / Maria José Limeira)
Dedicados a Edgar Allan Poe
..........
ENCANTAMENTO
joaquim evónio
A minha fada encantou-me
sou morcego
nunca durmo
também não acordo
incerteza
de quem não sabe o que quer
ARREBATAMENTO
Maria José Limeira
Naquela casa vazia,
o morcego estertorava.
Enquanto ele morria,
minha dor mais se agravava.
Não era mais passarinho
que minha alma buscava.
No lençol branco de linho
era o morcego que eu amava.
E quando ele foi embora,
o vazio se intensificou.
Morcego marcava a hora
e meu relógio parou.
AO LONGO DAS COISAS QUE PERDI
Maria José Limeira
Quando dia vem raiando, não abro portas, nem quero saber de sol nascente.
Quando chega manhã, espreito pelas frestas da janela quintais de sonhos, onde minh’alma foi enterrada.
A maior tragédia da minha vida foi ouvir o primeiro não.
Os sim(s) restantes não tiveram muita importância.
Quando a gente perde esperança logo cedo, leva pela vida adiante espectro do que foi, que não nos deixa dormir.
Um suspiro fere mais do que silêncio e palavra.
À luz do dia, noite se desencanta.
Enquanto parte do mundo dorme, a outra se transforma e morre.
Felicidade não é possível quando é preciso enterrar cadáveres.
Liberdade não tem sentido se, para alcançá-la, deve haver derramamento de sangue.
Em meio a escombros, há uma flor nascendo e um pássaro, que ainda canta.
História: pedaço do que fomos vai contar futuro incerto vivido por pessoas que não mais existirão.
Ao longo das coisas que perdi, restou apenas a palavra amor registrada num pedacinho de papel roto e deteriorado. Como número de telefone de alguém não-identificado.
Na hora da morte, não sei a quem entregarei meu adeus.
Se é verdade que meu nome será lembrado, quem vai escrevê-lo?
Quando dia amanhece, escuridão ainda permanece dentro de mim.
Quem sou eu para querer ser feliz?
(Do livro “Crônicas do amanhecer”).
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
SEXO SOBRE A CRUZ
Coloco-te, nela, de cabeça para baixo...
No lugar dos braços, as pernas...
Chupo-te, Chupo-te!
Subo para teu umbigo
Cheiro, lambo, mordo
Mordo tua barriguinha
Subo para os teus seios
Beijo-os, beijo-os, beijo-os!
Chupo, chupo, chupo!
Mordo de leve o teu mamilo
Mordo teu mamilo de leve
Vou para teu lindo rosto
Paro com meus olhos juntos aos teus
Olho os teus olhos
Olho-os profundamente
Percebo, combinam com os teus cabelos!
Beijo tua boca intensamente
Trocamos as línguas
Beijamo-nos
Fazemos sexo sobre a cruz
Penetro-te, excito-te...
Excitas-me
Espero teu gozo
Gozamos juntos
Beijo novamente tua boca
Abraço-te forte e profundo
Pego no teu seio esquerdo
Para sempre...
Eduardo Gomes
24/02/2003
www.egomes.com.br
FALAR VERDADE É PRECISO
Maria José Limeira
Duro ou macio.
Submisso ou altaneiro.
Não existe coisa
melhor neste mundo
do que homem.
Na cama!
Quando eu tinha dezesseis ela devia ter vinte e cinco. Era fim de tarde, era sábado, era julho quando conheci o Segredo, um filhote de escorpião vermelho que ela criava dentro de uma caixa de fósforos vazia, em cima da mesa da cozinha. Queria beber um pouco de vodka antes da festa de quinze anos da minha namorada. Ela tinha de sobra e eu ainda nem tinha dançado uma valsa. Ela prometeu ser a primeira e me ensinar sem rir. Notando um certo espanto, cuidadosa, abriu a mão e retirou o bicho da caixa. Olhou fundo nos meus olhos e fechou os dedos em volta, cuidando para não machucar o filhotinho. Sorriu um mistério. Misteriosa levou a mão à boca e ficou assim, parada, de costas para o fogão sujo, me encarando como encaram aqueles que conhecem o segredo da coragem. Prometi-lhe um beijo de língua se ela tivesse coragem de engolir. Sorriu. Abriu a mão e engoliu o Segredo num impulso único, sem mastigar.
- Agora me beija.
Fui embora. Jamais beijaria a boca de uma mulher porca como ela.
Ismael Caneppele
www.pro-seco.blogger.com.br
PERGUNTA INQUIETANTE
Maria José Limeira
Olhando homem que passa,
com seus pêlos e afins,
eu penso em minha desgraça:
-De que tamanho é a coisa
que ele esconde entre as pernas
dentro da calça jeans?
DIZEM QUE FELICIDADE EXISTE
Maria José Limeira
Ouvi dizer que há lua.
Estrelas rútilas giram revoltas,
sacudindo o céu.
Pássaros cruzam os ares.
A terra dorme
e amanhece.
Tardes são fagueiras
e manhãs, gloriosas.
Na boca,
o gosto é firmamento,
o sal é doce
e o sol, zangão.
Ouvi dizer que há dias insones
e noites perdizes.
Dizem que o Paraíso existe,
morada de todos os felizes.
Então, diga-me
-diga-me!-
por que é que
eu tenho de viver,
ao contrário,
no meu inferno,
particular e único,
longe de você?
DICEN QUE LA FELICIDAD EXISTE
Maria José Limeira
(Traducción: E. Antonio Torres Glez)
Escuché decir que hay luna.
Estrellas relucientes que giran revueltas,
sacudiendo el cielo.
Pájaros que cruzan los aires.
La tierra duerme
y amanece.
Las tardes son ternura
y las mañanas, gloriosas.
En la boca,
el gusto es firmamento,
dulce la sal
y zángano, el sol.
Escuche decir que hay
días insomnes
y noches perdidas.
Dicen que el Paraíso existe,
morada de todos los felices.
Entonces, dígame
-¡dígame!-
¿por qué es que
tengo que vivir
en lo contrario,
en mi infierno,
particular y único,
tan lejos de usted?
FOLHETINS DA CHUVA
Maria José Limeira
Olho grade da janela.
Contemplo mundo que passa.
Vejo cavalo sem sela
trotando à chuva que grassa.
Quem está fora ali fica.
Aqui dentro, sai fumaça.
Chuva forte alambica.
O que mais dói é desgraça.
Olhando assim pela grade,
não sou eu alma penada.
Prendi amor e saudade.
É cativa a madrugada.
Pingo de chuva escorre.
Céu cabe dentro da mão.
Passarinho está de porre
por amor que não lhe dão.
Olho tempo e vejo chuva.
Mundo está na prisão.
Talvez cela seja turva.
Não sei se cinza ou carvão.
Chuva respinga do céu.
Do lado de cá, o chão.
No meu dedo, frio anel.
Ao meu lado, solidão.
Maria José Limeira
Silêncio, mudez nos ares.
Na esquina, um negro véu.
Calam-se os cantares.
Há um deserto no céu.
Tristeza, vazio nos mares.
Em cada sina, um vão.
Há copos cheios nos bares.
Trem vagueia sem vagão.
Assombro, campeia noite.
Gato dorme no quintal.
Na carne, o fundo açoite.
Na tumba fria, o cal.
Quando o amor se dissolve,
todo o mundo sente e cala.
Uma lágrima revolve,
no aço do fio da bala.
O que foi não volta mais.
Verso antigo tomba e jaz...
(Do livro “Todos os seres”)
TEUS OLHOS DE GRANDE MAR
Maria José Limeira
(Ao amigo Aníbal Beça)
Poeta de largas asas e longos vôos.
Homem completo. Alma serena.
O que dizes se escreve.
O que vem de ti me atinge.
Tens horizontes esculpidos
no teu olhar de grande mar.
Arrastas rios e desbravas terras.
Deságuas e lavras.
Uma parte de ti sonha.
Por outro lado, me devoras.
És carne - hombre! -
e alma e mente e corpo inteiro.
De-vir, des-vão,
definitivamente belo e eterno,
ainda que passageiro.
SIMPLESMENTE SIMPLES
Jurandir Argôlo
(Singela homenagem a Maria José Limeira)
encontraste-me antes de mim
tu e teus sonhos
e não sabias...
mesmo voando dificuldades
alcançaste liberdades
voando pássara
descompromissada com modismos
maquiados egoísmos
da sociedade que empurra
próprias invontades.
sobre as nuvens
sonhos completaram-se
sensaçando ao universo
palavras intempestivas d'amor.
enconstraste-me passageira sim
mas, não anônima,
porquanto teus cantos
ecoaram (ecoam) mantos
desgovernando corações
lotados de paixões encruadas
almas mal amadas
que em ti encontraram
fôlego para novos sonhos.
duras trilhas incalaram-te
no cair por terra de tabus...
nem a fome
nem a sede
nem o frio
impediram-te de continuar
e, no final da linha, me achar,
descobrindo que não há vazios...
(Janeiro/2001)
Al gran ser humano que es la señora Maria José Limeira
Homenaje a una poeta amiga.
A Maria José Limeira con afecto
Conozco una mujer centella
que atraviesa las paredes con su alma
camina con pisada de hoja verde
revuelve el universo en cada paso
a ritmo de volcán, de manantiales
destila los tesoros encontrados
para hacernos beber de sus acopios
mujer multiplicada en si misma
que puede aparecer en una hoja
en el canto adormecido de una palma
en limpio amor de la cigarra
en las escamas de un pez
o en las plumas de palomas
es una mujer alegre
vestida de huracán y de caminos
con rostro de humildad y bellos sueños
de amaneceres claros
de pan bien repartido
su risa tiene arpegios de cometa
de crisálida, de tomeguines, de vientos
su encanto estriba en el valor
de amiga y centinela fiel,
del desvelo que la acredita en su tiempo.
Maria Eugenia Caseiro© Julio/2/04
HOMENAGEM A UMA POETA AMIGA
Maria Eugenia Caseiro
(Tradução: Maria José Limeira)
Ao grande ser humano que é a Senhora Maria José Limeira
Homenagem a uma Poeta amiga.
A Maria José Limeira com afeto
Conheço uma mulher-centelha
que atravessa as paredes com sua alma,
deixa rastros leves de folha verde
revoluciona o Universo em cada passo
Em ritmo de vulcão e mananciais
destila os tesouros encontrados
para fazer-nos beber de sua abundância.
Mulher multiplicada em si mesma
que tanto pode surgir em uma folha
como no canto adormecido de uma palma,
ou no puro amor da cigarra
ou nas escamas de um peixe
e, quem sabe, na plumagem das pombas.
É uma mulher alegre
vestida de furacão e de caminhos,
com rosto de humildade
e belos sonhos
de amanheceres deslumbrantes
de pães distribuídos.
Seu sorriso tem arpejos de cometa
de crisálida, de raios e ventos.
Seu encanto reside em seu valor
de amiga e sentinela fiel
do desvelo que a confirma em seu tempo.
RESGATE
Maria José Limeira
Dá-me a capa do mundo, talvez ilha.
Faz bandeira do meu vestido de algodão; da calcinha pura-seda; da blusa que dispo e visto; da saia-rodada; dos sapatos cheios de lama; das minhas meias úmidas, e dos pedaços que sobraram de mim.
Desfralda-me!
Dilacera minha amplidão.
Faz céu das terras por onde andei; de todo o sonho que sonhei; dos retalhos que ficaram para trás; dos fragmentos esparsos que larguei pelo caminho; dos raios em que me espargi; do meu grito anterior; do meu bem-te-vi.
Abre-me!
Dá-me beijos úmidos.
Faz inferno do sexo que me consola; do amor que foi embora; das noites que não dormi; de quando me perdi; de todas as coisas malditas que acreditei e descri; e de como ainda estou aqui.
Queima-me!
Consola-me do quanto que sofri.
Recolhe a dor; enfeita-me, como se eu fosse primeiro amor, numa tarde qualquer de abril, e deixa minhas tardas lágrimas repousadas em teu ombro.
Deita-me!
Abafa meus soluços no anoitecer.
Transforma meus olhos insones em amanhãs; deixa passar as tempestades que afundaram meu barco em alto mar; faz meu destroço brilhar na madrugada, e ensina-me o novo amanhecer.
Resgata-me!
(Do livro “Crônicas do amanhecer”)
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
FOLHETINS PUTOS DA VIDA - 3
(Vários autores)
AI, AI, AI...
Maria José Limeira
É terceto-besteirol.
Macaco fora do galho.
É ator em atrapalho.
Confusão e mais mangalhos.
Escova já sem as cerdas.
Ai, ai, ai... Caralho!
Quantas merdas!
VIDA DE PUTA
líria porto
vivo por certo do avesso
confesso só dei mau passo
amasso a vida na cama
recebo troco de macho
não posso não devo eu sei
porém nada tenho a fazer
eu dei e vendi e emprestei
tudo que eu tinha por baixo
sou de domínio público
acostumem-se ao fato
VIDA DE LUTA
Maria José Limeira
Devolvi cordão de ouro.
cartas, palavras e tudo.
Você virou mau agouro
e punhal pontiagudo.
Só me restaram no após
a solidão e o confete,
nesta langorosa voz
de uma Núbia Lafayete...
SEU PRAZER OU O DINHEIRO DE VOLTA
Salvino Pires
Gosto da Líria por isso,
esculacha de uma vez,
alguém diz uma besteira
ela já devolve três.
Se considera uma puta,
deve ser bem competente
qualidade garantida,
deixa o cliente contente.
Ô POVO ASSUMIDO!
Maria José Limeira
Quando freguês está contente,
paga o amor em dobrado.
Mas, quando a noite é caliente,
é melhor dançar um fado.
Pois transar com estudante
é matéria de alto risco.
Ou vira grilo falante
ou vai virar um petisco.
VIDA DE PURA
líria porto
no verso faço e aconteço
na rima eu tiro a saia
na vida eu juro mereço
nem uso tomara-que-caia
sou mulher à moda antiga
faço debaixo dos panos
tudo que vem à cabeça
os pecados... eu espano
É MELHOR SE DECIDIR
Maria José Limeira
Ou bem vira pura e santa,
ou solta as frangas de vez.
Quem não pode vira anta.
E assim espanta o freguês!
FOLHETINS PUTOS DA VIDA - 2
(Vários autores)
UAI !... NÃO ENTENDI...
Salvino Pires
O assunto mudou de rumo,
e caminhou pra outro lado
falou em rabo de saia
eu fico todo assanhado.
Beijo roubado, beijo dado,
sabor baton, sabor cereja,
pra esquentar os amassos,
põe também sabor cerveja.
O PRIMEIRO GOLE
Maria José Limeira
Em matéria de bebida,
só vou com boa cachaça.
Na ladeira, sou descida.
Na chaminé, sou fumaça.
TÔ ENTENDENDO
José Carlos Cavalcante
Assunto assim eu aceito,
mais aproveita o poeta calado.
Desde que tenha proveito,
O beijo que se tenha roubado.
VEM DEVAGAR, VISSE?
Maria José Limeira
Moreno se me quiseres,
terás que vir de mansinho.
Pois se pulo fatal deres,
morrerás a meio caminho.
AGORA SÓ VOU FAZER MERDA
Betinho Aristheu
É fazendo merda que se aduba a vida!
Então caguemos mais. Um pinico cheio
Quem sabe alguém que ache belo o feio
Venha aplaudir e nos dar guarida
Pois que fazer merda já é profissão
Veja nas revistas, leia nos jornais
assista aos programas da televisão.
Só faz sucesso quem é incapaz!
Pois agora eu só vou fazer merda!
Não renega os seus quem herda,
Não farei mais versos em vão
Rasgarei tudo que eu já escrevi
e recomeçarei feliz ora daqui
A minha nova obra: O Cagalhão
FOLHETINS PUTOS DA VIDA
(Vários autores)
..........
PUTO DA VIDA
Betinho Aristheu
Não digas que não sirvo para nada.
Me conheço, me contemplo.
Sei que sirvo de mau exemplo!
PUXA! QUE VIDA!
Maria José Limeira
Como exemplo, sou fracasso.
Na família, ovelha negra.
Em todo amor, eu me faço.
Na vida, eu fujo à regra.
Na escola, fui capeta.
Nos versos, somente arranho.
Comigo ninguém se meta,
hoje, ontem ou de antanho!
IMPUTO A VIDA
José Carlos Cavalcante
Não digas qual modelo me serve.
Não te vejo nem te contemplo.
Sou eu quem dá o exemplo.
PUXA! MAS QUE BARRA!
Maria José Limeira
Meus pontos de referência
mudam com a circunstância.
Eu não busco mal-querência.
Nem me apetece ganância.
Sou da turma de S. Francisco.
Pra viver, pouco preciso.
Quem cultiva o que é cisco
termina louco ou liso.
E DAÍ?
Salvino Pires
Tudo bem, meu verso é torto,
é feio e tem defeito.
Gol roubado ou de pênalti,
vale gol do mesmo jeito
ÊÊPA RAPAZ!!!
Maria José Limeira
Gol roubado não vale nada.
Deixa o time em maus lençóis.
O que vale na madrugada
é beijo roubado, e a sós!!
Quanto mais gente na raia,
mais os times acham bom.
Beijo de rabo de saia
deixa a marca do batom.
METAMORFASE
Um texto de João Andrade
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Não sei se parece comigo.
Não sei se é como Leminski.
Só sei que adorei (é simplesmente divino!) este texto lindo do nosso amigo João Andrade, “Metamorfase”.
Este autor, cuja produção venho acompanhando há tempos, na Internet, cresce a cada dia que passa, e vai construindo, devagar e sempre, uma obra íntegra, enxuta, e cheia de novidades.
Não foi por acaso, portanto, que amealhou dois prêmios, a um só tempo, em concursos literários promovidos em seu Estado, Rio Grande do Norte, recentemente.
Na sua humildade franciscana, o Poeta apressou-se em nos dar a alvissareira notícia (por telefone – obrigada, João Andrade!), atribuindo à nossa Oficina Literária o mérito dos seus prêmios, pois foi aqui, em primeiro lugar, que ele mediu a aceitação dos textos
que mandou para os concursos. (O mérito é todo seu, querido João Andrade, pois você é um grande Poeta!).
E, além de Poeta, é também um belíssimo Prosador...
Saludos a todos los Poetas latino-americanos. Arriba!
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista
democrática de João Pessoa-PB).
..........
Metamorfase
Por pouco
não fiz de mim
alguém cheio
de
fases.
Hoje sou uno,
ou
quases.
(João Andrade)
FOLHETINS DA ESTRELA
Maria José Limeira
(Para Ricardo Coutinho)
Estrela, estrela minha.
Depois que sol irradia,
que o clarão já definha,
no leito da mãe é dia.
Mas, na densa noite escura,
estrela, tu és o ponto,
que me aquece e me cura,
na hora G do meu conto.
Contadora de sonhos e desejos,
andas ao largo, altaneira.
Tua luz é rastro de ensejos,
minha estrela mensageira.
Que quando ruge a tormenta,
ainda assim brilhas e piscas,
e em tua marcha lenta,
escreves, bordas e riscas.
Tua luz está nos meus trançados.
Tua voz ecoa no meu teto.
Teu saber se enleva em meus bordados,
e o teu ser é homem, embora feto.
És silêncio quando cantas.
És brado da voz altiva.
És os uivos das gargantas,
minha estrela cativa.
Minha estrela noturna.
Musa inspiradora do boêmio.
Mesmo em hora mais soturna,
ensaias o suspiro em oxigênio.
Estrela matutina, deusa do alvorecer.
Ainda que a ti mesma não te vejas,
sei que teu nome é Você,
que mesmo não sendo, sejas!
João Pessoa, 04-10-2004
FLOR DE CARNE