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Meu perfil BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher |
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INVASÃO CONSENTIDA
José Nunes
Nem toda invasão é guerra,
Nem todo tiro é de força;
Eu tiro a roupa da moça;
Co'amor invado sua terra.
TERRA PRODUTIVA
Maria José Limeira
Quando terra é produtiva,
o sem-terra não invade.
Quando a mulher é Diva,
quando parte, vem saudade.
FACHADA
Rogério Santos
O umbral de nossa casa
Todos dizem ser tão belo
Mas nunca o olhei de fora
Por falta de um bom chinelo
DESCALÇA NO PARQUE
Maria José Limeira
Meus pés tocando a relva
sentiram peles e pêlos.
Na floresta de minha selva,
lancei meus gritos-apelos.
SENILIDADE
Um texto de Iosif Landau
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este texto “Senilidade”, de Iosif Landau, é de uma beleza extraordinária, na medida em que mistura reflexões, memórias, e muita saudade. Os versos são livres.
Embora alinhado como Poema, pode ser lido também como Prosa. Conta uma história.
A linguagem é simples e escorrida. Há riqueza de detalhes nas metáforas. Revela um autor de fina sensibilidade, que maneja bem o Português, sem lapsos de digitação e/ou revisão.
Embora use linguagem comum, a combinação de palavras enriquece o texto, dá-lhe ritmo, musicalidade e dramaticidade.
O autor é conhecido na internet e tem livro publicado. Seu desempenho na Prosa também é excelente, pelo que tivemos a honra de conhecer, militando juntos em listas de discussão do egroups.
Este texto “Senilidade”, de Iosif Landau, é um mundo! Vai buscar na Natureza as respostas que o ser humano procura para se realizar em plenitude.
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).
SENILIDADE
Iosif Landau
quando minha vista cansou e não conseguia mais dormir,
passava a noite tentando desvendar no escuro
as cores dos quadros enfileirados no pé da cama,
uma floresta azul celeste,
um mar verde púrpuro,
um sol tricolor, areia cor de areia,
e em noite de chuva eu abria janela
e cuspia pra lua e xingava a rua,
e quando amanhecia eu escolhia uma camisa branca
(todas eram brancas) e me abotoava de baixo para cima,
de cima para baixo tentando casar as fileiras,
e depois me consolava pensando na Linda Batista
e ficava feliz por saber que todas as plantas
traziam consigo o verde clorofila,
e quando ela depois de me servir o café
limpava a casa com uma vassoura de piaçaba
eu permanecia mais do que devia
no vão da porta da cozinha,
e repetia sem cessar meu mantra preferido:
“acredito no que vejo mesmo que eu não veja nada”
e as vezes apanhava do armário o meu smoking cansado,
o vestia e colocava na lapela um cravo
só para me lembrar do meu tempo de casado,
e em algumas noite com lua (muito poucas) eu ia a rua
e debaixo de um poste iluminado
conversava com minha namorada
agitando os braços, movendo os lábios,
tentando lembrar-me do nome dela,
e eu sentia a noite nos abraçar,
a via sorrir na escuridão,
xale azul cobrindo a cabeça,
pedra azul no dedo,
flor azul entre os lábios,
nosso quarto azul entre as estrelas
FOLHETINS DAS PORTAS FECHADAS
(Vários autores)
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ESPEREI TANTO
dentro
mas você não apareceu
então fui tomar um banho
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EU CHOREI TANTO
Maria José Limeira
Bati na porta fechada.
Você não abriu.
Não respondeu.
Bati na porta do vizinho.
Ele enxugou minhas lágrimas.
E foi uma noite e tanto!
SOLUÇÃO I
André Chalom
bati na porta
ninguém abriu
entrei e te encontrei
enforcada no chuveiro
que é que eu ia fazer?
pedi uma pizza
e te enterrei no quintal
PORTA QUE FECHA E NÃO ABRE
Maria José Limeira
Quando porta está fechada,
a gente bate de leve.
Fechadura está travada.
Faz muito frio na neve...
SOLUÇÃO II
André Chalom
bateu de leve e não deu?
então arromba essa porta!
a fechadura cedeu
e você entra, andando torta
NÃO-VIOLÊNCIA
Maria José Limeira
Em toda guerra, invasão.
Em toda força, um tiro.
Em todo tapa, agressão.
Em toda vitória, Piro.
ENTRE EU E VOCÊ
Carlos Assis
existem muitas portas
algumas de madeira
ornamentadas
outras de vidro
transparente
OLHO NO VIDRO
Maria José Limeira
Em madeira, vedação.
O vidro é transparente.
Há porta no coração
que só se enxerga com lente
..........
Fonte:
Comunidade “Poesias & Letras"
QUEM TEM JACU TEM MEDO
Marco Bastos
Quem tem jacu em casa,
dizem mesmo que tem medo.
Quando chove o bicho vaza,
e buraco não é brinquedo.
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GATO ESCALDADO
Maria José Limeira
Pobre gato escaldado.
Não pode ver água fria.
Torturado por soldado,
troca noite pelo dia...
LIDA A TROVA ATREVIDA
Marco Bastos
Você é mesmo boa na trova.
Enuncia, demonstra e prova.
Troveja, o raio cai na censura;
Trava a trova a treva escura.
VERSO TORTO
Maria José Limeira
Escrevi meu verso torto.
Mas tampei meu orificio.
Para não cair no horto
das trevas do Santo Ofício.
CORTES & CORTES
André Chalom
ditadura acabou, e a censura de uma figa
mas continuamos "cortando" à beça!
a censura prévia, minha amiga,
já acontece em nossa cabeça
é por isso que a gente
tem que gritar.
se esgoelar na rua,
com motivo ou não.
grita primeiro,
depois você pensa.
POESIA NÃO TEM FRONTEIRA
Maria José Limeira
Poesia é ampla, irrestrita.
Sua bandeira é içada.
Ora reza e é contrita.
Depois, rasga madrugada...
VIVA A LIBERDADE!
Maria José Limeira
É difícil governar
na ampla Democracia.
É mais fácil censurar
e escurecer luz do dia.
FOLHETINS DA CENSURA,
DA AUTO-CENSURA
E DA CENSURA-PRÉVIA
Maria José Limeira
(A todas as pessoas que sentem saudade da Ditadura Militar)
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PALAVRÕES
Maria José Limeira
Vagina, palavra feia.
Quanto a pênis, nem se fala.
Peito, lugar que incendeia,
grita e também se cala.
ALHOS COM BUG & ALHOS
Maria José Limeira
Tem gente que se confunde
com poesia pornográfica.
Pensa que amor é des-bunde
e dor é esferográfica.
CORTEM-LHE A CABEÇA!
Maria José Limeira
A doença é passageira.
O remédio mata e cura.
Música é “Mulher rendeira”.
Corte no texto, censura.
SE AS PESSOAS
SE OLHASSEM
NO ESPELHO...
Maria José Limeira
Se todo mundo enxergasse
a si mesmo e se visse,
descobriria que a face
é de Mané, não de Alice.
PISANDO EM OVOS
Maria José Limeira
Vou andar pé-ante-pé.
Evitar espinho que fura.
Só vou até onde der,
onde não houver censura.
DOURANDO A PÍLULA
Maria José Limeira
Minha terra é geográfica.
Minha pílula queima e doura.
É melhor ser pornográfica
do que posar de censora.
Recebi do Professor Ivaldo Gomes, e repasso, com meus agradecimentos. Saludos. Maria José Limeira.
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Maria José,
Seja bem vinda ao reduto dos idealistas e porque não dizer malditos. Risos.
Chute o pau da barraca e vamos em frente. No mínimo o que temos a perder é mudar o mundo. Aliás o mundo sempre foi mudado para melhor por pessoas que insanamente procuraram o novo. Chega de ficarmos repetindo a mesmice dos outros. Já temos eunucos intelectuais demais. Já temos aderentes demais. Viva a sua, a nossa e a vossa liberdade.
Aos conservadores, retrógrados de todos os naipes, vendilhões de templos e consciências alheias, que mofarão no lixo da história, um aviso: estamos a postos!
Nem todos os DAS e cargos de (des)confiança salvarão os medíocres. Pois suas idéias não contem justiça. Eis ai o ato falho desses politiqueiros de plantão. Especialistas em construção de castelos de cartas, onde a areia escorre entre os dedos e os sonhos se reúnem na madrugada das consciências tramando a revolução. Abra o peito e diga: aqui estou. Viva, cheia de graça e pronta pra luta. Sempre. Seja bem vinda a Sociedade dos Poetas Putos (Grande Carlos Aranha!). Aqueles que não fazem concessão alguma a mediocridade desses dias. Olhemos o longe, os sonhos, as virtudes e a força de nosso povo. Sejamos duros e doces, como dizia o poeta das revoluções.
(R)evoluções sempre. Cotidianamente apaixonados pelas mudanças.
Um cheiro, Ivaldo Gomes
MEUS CONTOS CRUÉIS
Maria José Limeira
Prezados e Prezadas. Deixem-me defender, um pouco, meus Contos Cruéis. Antes que me "fritem" e me comam
como tira-gosto.
Nos últimos dois anos, escrevi uns cinco livros. Desde crônicas, a poemas, contos, pesquisas históricas, e
mais alguma coisa que foi publicada em antologias, que perdi de vista. Sou muito desorganizada como
escritora. É mais fácil saber onde estão os emails inquietantes que recebo na internet, por exemplo, do
que localizar meus primeiros livros publicados, ou um texto que escrevi ontem.
Os contos cruéis expressam uma nova postura na minha literatura.
Estou cansada do meu romantismo besta e idiota.
Farta de ser "boazinha", e pateticamente meiga e melodramática.
Não conto as vezes em que cedi passagem a pessoas de mau-caráter, somente para não brigar com elas, ou por
educação, ou por achar que não valia a pena.
Decidi ocupar meu lugar agora, e não vou mais cedê-lo a cabras safados que encontrei pelo caminho.
Brigarei agora. Gritarei alto. Darei esbregues.
Baterei com força em cima da mesa.
Eu não quero mais firmar compromisso com a idiotice.
Os "Contos cruéis" são o lado negro da minha literatura. Meu rompimento radical com o
bom-comportamento, e a submissão.
Eu não preciso mais ficar procurando um lugar ao sol, ou pretendendo me afirmar, como escritora e ser
humano. Tenho livros e livros publicados. Dei minha contribuição ao mundo. O que quero agora é só me
divertir um pouco, viajar por esse mundão a fora, conhecer Países e pessoas interessantes. Acho que eu
mereço o presente que estou me dando. Não tenho satisfação a dar a mais ninguém. Eu mereço minha
liberdade agora e minha anarquia particular. Pronto. Está explicado.
Resolvi escrever um livro zangado, "Contos cruéis", e
dedicá-lo às seguintes pessoas de triste memória:
Aos juizes togados de todas as Comissões de Inquisição do mundo;
Aos que defendem o Amor como Teoria Literária e, na prática, usam a Política do Ódio;
Aos adeptos do Preconceito e Discriminação;
Aos defensores do Latifúndio Improdutivo e das Oligarquias;
Aos Reacionários Assumidos:
Aos Burocratas;
Aos Retrógrados;
Aos que exercem a Traição como norma de vida;
Aos cães hidrófobos que mordem as mãos que os alimentam;
Às cobras que criei e tentaram inocular em mim seu veneno mortal, na tentativa de me marginalizar;
Aos que me usaram como trampolim para subir na vida e, quando imaginaram que não precisavam mais de mim, me jogaram fora, como objeto descartável;
Aos praticantes da Política de Curral;
Aos que rodam em torno do próprio umbigo, como Perus, e jamais voarão como Águias;
Aos Medíocres;
Aos que usam atos de força para calar a Oposição;
Aos que têm o Alcorão como princípio e negam que Cristo nasceu;
Aos Caçadores e Cassadores de Bruxas;
Aos Falsos Moralistas;
Aos Sepulcros Caiados;
Aos Amigos Ursos;
Aos Opressores
e a mim mesma,
por ter sobrevivido...
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)
FOLHETINS DE NOSSAS DORES
Maria José Limeira
A dor do outro indefere.
Minha dor é muito mais.
A dor que o outro transfere
finge que vai e não faz.
A dor alheia é banal.
Não chega a tanto doer.
Minha ceia é mais frugal.
Minha dor começa em D.
A dor do amigo emociona.
Minha dor tem mais sofrer.
A dor do outro é lona.
Minha dor tem ponto G.
Não se juntam duas dores
para mexer-se o pudim.
Por mais dorido que fores,
não doerás tanto assim.
Minha dor é triste e só.
A tua é atrapalho.
Minha dor ressoa em dó.
A tua é ato falho.
É melhor chorar sozinho.
Enganar dor traiçoeira.
Tua dor é descaminho.
A minha é cachoeira.
Luiz de Aquino: Maria Limeira, nome de árvore de fruta doce; flor de gente, e doce mais!
Lembro-me demais de nossos poucos momentos em João Pessoa, setembro 2001. Estar contigo, menina Maria Poeta Limeira, é sentir presença, carinho, amizade, poesia...
Saudade tanta! 1/25/2005
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Hilton Júnior: Demorou mas chegou!!! Querida Maria,
Apesar de não nos conhecermos pessoalmente e há tão pouco tempo, você fez eu ver a poesia e a vida de forma diferente.
Agradeço.
Gosto muito de saber que você está por perto.
Abraços
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Fonte:
QUE RAIOS!
José Nunes
Ela chegou descabelada,
Jogou a chave sobre a mesa,
Tirou o tubinho preto amassado
E foi direto para a cama.
Não quis o chá que a vó trazia;
Fechou os olhos rumo aos sonhos
E nem ouviu quanto a mãe perguntou
Que raios fazia de cueca Zorba!
SÓ PARA HOMENS
Maria José Limeira
Tem tanta gente com fome
e tanto macho abusado.
Cueca zorba é pra homem
e não pra dor de veado!
CORNO
André Chalom
Atrás da minha cama
Uma Zorba amarela
Eu só uso branca
Que cueca era aquela???
CORNA
Maria José Limeira
Nos braços que não abri.
Nas pernas que não fechei.
Um rastro de sangue vi.
Eu não sei mais o que sei...
LAMENTO
Betinho Aristheu
Oh! Triste constatação!
Não uso cueca Zorba
O meu pinto balanceia
Dentro da "samba-canção"
CAI NO CHÃO E SE ACABA
Maria José Limeira
Pinto em cueca antiga
não vai poder ser piaba.
Quando sobe, Deus castiga.
Quando desce, é mangaba.
INTIMIDADES ÍNTIMAS
José Nunes
Trocamos intimidades
E também as peças íntimas,
A minha Zorba ela levou;
Eu, o nada que ela usava...
PODER DA POESIA
Maria José Limeira
Zorba-filme, zorba-verso.
Zorba-grego, zorba-zeus.
Nas rimas que tergiverso
quem pode mais que meus eus?
27CM
André Chalom
Todo dia se benzia
Toda noite ela chorava
A coisa ali, quando crescia
Doía que nem mamangava!
QUANTO MEDE?
Maria José Limeira
Não sei se é de bom tamanho.
Não sei se a largura é boa.
Vista esta cueca zorba
pra não gripar na garoa.
CONSTATAÇÃO
Maria José Limeira
Descobri
qual a coisa mais certa
deste mundo:
-Eu não vou mais ser feliz.
DISPOSIÇÃO
(Carlos Assis)
Toda manhã
Espero algo de bom
Arranjar dinheiro
Encontrar você
Esta é a minha felicidade
IN-FELICIDADE
Maria José Limeira
Se ser feliz fosse fácil,
não teríamos que enfrentar,
no dia a dia,
o Serasa,
o SPC,
as contas
de água,
luz
e telefone...
DESEJOS MENTIROSOS
(Carlos Assis)
Sem dinheiro
Sem sorte no jogo
Sem amor
Sou poeta
Tenho o coração
Duro
RIO DE JANEIRO
Maria José Limeira
Naquela segunda-feira
de Carnaval,
minha dor desfilava
na avenida,
dançando e cantando,
fantasiada de mestre-sala
e porta-bandeira.
Como se nada tivesse acontecido...
NA PORTA DO BANHEIRO
(Carlos Assis)
Com a toalha enrolada
Ela me olhava despreocupada
Mexia nos cabelos molhados
E eu como um palhaço
Meio sem graça
Imóvel, sem ar
Com ela queria dançar
O seu corpo apertar
NÚPCIAS
Maria José Limeira
Na noite de núpcias,