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Mais Folhetins das portas fechadas

INVASÃO CONSENTIDA

José Nunes

 

Nem toda invasão é guerra,

Nem todo tiro é de força;

Eu tiro a roupa da moça;

Co'amor invado sua terra.

 

 

TERRA PRODUTIVA

Maria José Limeira

 

Quando terra é produtiva,

o sem-terra não invade.

Quando a mulher é Diva,

quando parte, vem saudade.

 

 

FACHADA

Rogério Santos

 

O umbral de nossa casa

Todos dizem ser tão belo

Mas nunca o olhei de fora

Por falta de um bom chinelo

 

 

DESCALÇA NO PARQUE

Maria José Limeira

 

Meus pés tocando a relva

sentiram peles e pêlos.

Na floresta de minha selva,

lancei meus gritos-apelos.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h28 AM
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SENILIDADE

Um texto de Iosif Landau

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este texto “Senilidade”, de Iosif Landau, é de uma beleza extraordinária, na medida em que mistura reflexões, memórias, e muita saudade. Os versos são livres.

Embora alinhado como Poema, pode ser lido também como Prosa. Conta uma história.

A linguagem é simples e escorrida. Há riqueza de detalhes nas metáforas. Revela um autor de fina sensibilidade, que maneja bem o Português, sem lapsos de digitação e/ou revisão.

Embora use linguagem comum, a combinação de palavras enriquece o texto, dá-lhe ritmo, musicalidade e dramaticidade.

O autor é conhecido na internet e tem livro publicado. Seu desempenho na Prosa também é excelente, pelo que tivemos a honra de conhecer, militando juntos em listas de discussão do egroups.

Este texto “Senilidade”, de Iosif Landau, é um mundo! Vai buscar na Natureza as respostas que o ser humano procura para se realizar em plenitude. 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h00 PM
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SENILIDADE

Iosif Landau

 

quando minha vista cansou e não conseguia mais dormir,

passava a noite tentando desvendar no escuro

as cores dos quadros enfileirados no pé da cama,

 

uma floresta azul celeste,

um mar verde púrpuro,

um sol tricolor, areia cor de areia,

 

e em noite de chuva eu abria janela

e cuspia pra lua e xingava a rua,

 

e quando amanhecia eu escolhia uma camisa branca

(todas eram brancas) e me abotoava de baixo para cima,

de cima para baixo tentando casar as fileiras,

 

e depois me consolava pensando na Linda Batista

e ficava feliz por saber que todas as plantas

traziam consigo o verde clorofila,

 

e quando ela depois de me servir o café

limpava a casa com uma vassoura de piaçaba

eu permanecia mais do que devia

no vão da porta da cozinha,

e repetia sem cessar meu mantra preferido:

“acredito no que vejo mesmo que eu não veja nada”

 

e as vezes apanhava do armário o meu smoking cansado,

o vestia e colocava na lapela um cravo

só para me lembrar do meu tempo de casado,

 

e em algumas noite com lua (muito poucas) eu ia a rua

e debaixo de um poste iluminado

conversava com minha namorada

agitando os braços, movendo os lábios,

tentando lembrar-me do nome dela,

 

e eu sentia a noite nos abraçar,

a via sorrir na escuridão,

xale azul cobrindo a cabeça,

pedra azul no dedo,

flor azul entre os lábios,

 

nosso quarto azul entre as estrelas

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h54 PM
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Folhetins das portas fechadas - 1

FOLHETINS DAS PORTAS FECHADAS

(Vários autores)

..........

 

ESPEREI TANTO

Carlos Assis

 

dentro

mas você não apareceu

então fui tomar um banho

----------

 

EU CHOREI TANTO

Maria José Limeira

 

Bati na porta fechada.

Você não abriu.

Não respondeu.

Bati na porta do vizinho.

Ele enxugou minhas lágrimas.

E foi uma noite e tanto!

 

  

SOLUÇÃO I

André Chalom

 

bati na porta

ninguém abriu

entrei e te encontrei

enforcada no chuveiro

 

que  é que eu ia fazer?

pedi uma pizza

e te enterrei no quintal  

  

 

PORTA QUE FECHA E NÃO ABRE

Maria José Limeira

 

Quando porta está fechada,

a gente bate de leve.

Fechadura está travada.

Faz muito frio na neve...

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 05h12 AM
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Folhetins das portas fechadas - 2

 SOLUÇÃO II

André Chalom

 

bateu de leve e não deu?

então arromba essa porta!

a fechadura cedeu

e você entra, andando torta  

 

 

NÃO-VIOLÊNCIA

Maria José Limeira

 

Em toda guerra, invasão.

Em toda força, um tiro.

Em todo tapa, agressão.

Em toda vitória, Piro.

 

  

 

ENTRE EU E VOCÊ

Carlos Assis

 

existem muitas portas

algumas de madeira

ornamentadas

outras de vidro

transparente  

  

 

OLHO NO VIDRO

Maria José Limeira

 

Em madeira, vedação.

O vidro é transparente.

Há porta no coração

que só se enxerga com lente

..........

Fonte:

Comunidade “Poesias & Letras"

www.orkut.com/

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 05h07 AM
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Outras respostas aos meus "Folhetins da Censura"

DIFICULDADE
André Chalom

difícil mesmo é viver
onde se permite pensar
vendo tanta gente morrer
e a tristeza não se acabar


VAMOS CENSURAR TRISTEZA
Maria José Limeira

Censuremos  ai que dor.
Tristeza, longe de nós.
Não à Guerra, Sim ao Amor.
Das calças, eu quero o cós!


CHEGA DE CENSURA!
FeLiPe   Rosa

enquanto há censura
não pode chegar aos ouvidos
que a coisa está dura
qualquer que seja o sentido.



PROIBIÇÃO
Maria José Limeira

Não toque na minha lira.
Não invada meu pomar.
O mundo gira que gira.
Até um dia se acabar.



ERÓTICO OU PORNOGRÁFICO?
Maria José Limeira

Que importa a diferença?
Quem quer saber de Inglês?
Com Censura ninguém pensa.
O que vale é o Português!




- Postado por: Zezé Limeira às 03h50 AM
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Mais respostas aos meus "Folhetins da Censura"

QUEM TEM JACU TEM MEDO

Marco Bastos

 

Quem tem jacu em casa,

dizem mesmo que tem medo.

Quando chove o bicho vaza,

e buraco não é brinquedo.

 

---------- 

 

GATO ESCALDADO

Maria José Limeira

 

Pobre gato escaldado.

Não pode ver água fria.

Torturado por soldado,

troca noite pelo dia...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h29 AM
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Respostas aos meus "Folhetins da Censura"

LIDA A TROVA ATREVIDA

Marco Bastos

 

Você é mesmo boa na trova.

Enuncia, demonstra e prova.

Troveja, o raio cai na censura;

Trava a trova a treva escura.

 

 

VERSO TORTO

Maria José Limeira

 

Escrevi meu verso torto.

Mas tampei meu orificio.

Para não cair no horto

das trevas do Santo Ofício.

 

 

 

CORTES & CORTES

André Chalom

 

ditadura acabou, e a censura de uma figa

mas continuamos "cortando" à beça!

a censura prévia, minha amiga,

já acontece em nossa cabeça

 

é por isso que a gente

tem que gritar.

se esgoelar na rua,

com motivo ou não.

grita primeiro,

depois você pensa.  

  

 

POESIA NÃO TEM FRONTEIRA

Maria José Limeira

 

Poesia é ampla, irrestrita.

Sua bandeira é içada.

Ora reza e é contrita.

Depois, rasga madrugada...

 

 

VIVA A LIBERDADE!

Maria José Limeira

 

É difícil governar

na ampla Democracia.

É mais fácil censurar

e escurecer luz do dia.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h38 AM
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Folhetins da Censura - 1

FOLHETINS DA CENSURA,

DA AUTO-CENSURA

E DA CENSURA-PRÉVIA

Maria José Limeira

 

(A todas as pessoas que sentem saudade da Ditadura Militar)

..........

 

PALAVRÕES

Maria José Limeira

 

Vagina, palavra feia.

Quanto a pênis, nem se fala.

Peito, lugar que incendeia,

grita e também se cala.

 

 

ALHOS COM BUG & ALHOS

Maria José Limeira

 

Tem gente que se confunde

com poesia pornográfica.

Pensa que amor é des-bunde

e dor é esferográfica.

 

 

CORTEM-LHE A CABEÇA!

Maria José Limeira

 

A doença é passageira.

O remédio mata e cura.

Música é “Mulher rendeira”.

Corte no texto, censura.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h30 AM
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Folhetins da Censura - 2

SE AS PESSOAS

SE OLHASSEM

NO ESPELHO...

Maria José Limeira

 

Se todo mundo enxergasse

a si mesmo e se visse,

descobriria que a face

é de Mané, não de Alice.

 

 

PISANDO EM OVOS

Maria José Limeira

 

Vou andar pé-ante-pé.

Evitar espinho que fura.

Só vou até onde der,

onde não houver censura.

 

 

DOURANDO A PÍLULA

Maria José Limeira

 

Minha terra é geográfica.

Minha pílula queima e doura.

É melhor ser pornográfica

do que posar de censora.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h25 AM
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Opinião do Professor Ivaldo Gomes sobre "Meus contos cruéis"'

Recebi do Professor Ivaldo Gomes, e repasso, com meus agradecimentos. Saludos. Maria José Limeira.

----------

 

Maria José,

Seja bem vinda ao reduto dos idealistas e porque não dizer malditos. Risos.

Chute o pau da barraca e vamos em frente. No mínimo o que temos a perder é mudar o mundo. Aliás o mundo sempre foi mudado para melhor por pessoas que insanamente procuraram o novo. Chega de ficarmos repetindo a mesmice dos outros. Já temos eunucos intelectuais demais. Já temos aderentes demais. Viva a sua, a nossa e a vossa liberdade.

Aos conservadores, retrógrados de todos os naipes, vendilhões de templos e consciências alheias, que mofarão no lixo da história, um aviso: estamos a postos!

Nem todos os DAS e cargos de (des)confiança salvarão os medíocres. Pois suas idéias não contem justiça. Eis ai o ato falho desses politiqueiros de plantão. Especialistas em construção de castelos de cartas, onde a areia escorre entre os dedos e os sonhos se reúnem na madrugada das consciências tramando a revolução. Abra o peito e diga: aqui estou. Viva, cheia de graça e pronta pra luta. Sempre. Seja bem vinda a Sociedade dos Poetas Putos (Grande Carlos Aranha!). Aqueles que não fazem concessão alguma a mediocridade desses dias. Olhemos o longe, os sonhos, as virtudes e a força de nosso povo. Sejamos duros e doces, como dizia o poeta das revoluções.

(R)evoluções sempre. Cotidianamente apaixonados pelas mudanças. 

Um cheiro, Ivaldo Gomes

 



- Postado por: Zezé Limeira às 05h29 AM
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Meus contos cruéis - 1

MEUS CONTOS CRUÉIS

 Maria José Limeira

 

 Prezados e Prezadas. Deixem-me defender, um pouco,  meus Contos Cruéis. Antes que me "fritem" e me comam

 como tira-gosto.

 Nos últimos dois anos, escrevi uns cinco livros. Desde  crônicas, a poemas, contos, pesquisas históricas, e

 mais alguma coisa que foi publicada em  antologias,  que perdi de vista. Sou muito desorganizada como

 escritora. É mais fácil saber onde estão os emails  inquietantes que recebo na internet, por exemplo, do

 que localizar meus primeiros livros publicados, ou um  texto que escrevi ontem.

 Os contos cruéis expressam uma nova postura na minha  literatura.

 Estou cansada do meu romantismo besta e idiota.

 Farta de ser "boazinha", e pateticamente meiga e  melodramática.



- Postado por: Zezé Limeira às 05h16 AM
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Meus contos cruéis - 2

 Não conto as vezes em que cedi passagem a pessoas de  mau-caráter, somente para não brigar com elas, ou por

 educação, ou por achar que não valia a pena.

 Decidi ocupar meu lugar agora, e não vou mais cedê-lo  a cabras safados que encontrei pelo caminho.

 Brigarei agora. Gritarei alto. Darei esbregues.

 Baterei com força em cima da mesa.

 Eu não quero mais firmar compromisso com a idiotice.

 Os "Contos cruéis" são o lado negro da minha  literatura. Meu rompimento radical com o

 bom-comportamento, e a submissão.

 Eu não preciso mais ficar procurando um lugar ao sol,  ou pretendendo me afirmar, como escritora e ser

 humano. Tenho livros e livros publicados. Dei minha  contribuição ao mundo. O que quero agora é só me

 divertir um pouco, viajar por esse mundão a fora,  conhecer Países e pessoas interessantes. Acho que eu

 mereço o presente que estou me dando. Não tenho  satisfação a dar a mais ninguém. Eu mereço minha

 liberdade agora e minha anarquia particular.  Pronto. Está explicado.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 05h11 AM
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Meus contos cruéis - 3

 

 Resolvi escrever um livro zangado, "Contos cruéis", e

 dedicá-lo às seguintes pessoas de triste memória:

 

 Aos juizes togados de todas as Comissões de Inquisição  do mundo;

 Aos que defendem o Amor como Teoria Literária e, na  prática, usam a Política do Ódio;

 Aos adeptos do Preconceito e Discriminação;

 Aos defensores do Latifúndio Improdutivo e das  Oligarquias;

 Aos Reacionários Assumidos:

 Aos Burocratas;

 Aos Retrógrados;

 Aos que exercem a Traição como norma de vida;

 Aos cães hidrófobos que mordem as mãos que os  alimentam;

 Às cobras que criei e tentaram inocular em mim seu  veneno mortal, na tentativa de me marginalizar;

 Aos que me usaram como trampolim para subir na vida e,  quando imaginaram que não precisavam mais de mim, me  jogaram fora, como objeto descartável;

 Aos praticantes da Política de Curral;

 Aos que rodam em torno do próprio umbigo, como Perus,  e jamais voarão como Águias;

 Aos Medíocres;

 Aos que usam atos de força para calar a Oposição;

 Aos que têm o Alcorão como princípio e negam que  Cristo nasceu;

 Aos Caçadores e Cassadores de Bruxas;

 Aos Falsos Moralistas;

 Aos Sepulcros Caiados;

 Aos Amigos Ursos;

 Aos Opressores

 

 e a mim mesma,

 por ter sobrevivido...

 

 (Maria José Limeira é escritora e doce jornalista  democrática de João Pessoa-PB)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 05h00 AM
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FOLHETINS DE NOSSAS DORES

Maria José Limeira

 

A dor do outro indefere.

Minha dor é muito mais.

A dor que o outro transfere

finge que vai e não faz.

 

A dor alheia é banal.

Não chega a tanto doer.

Minha ceia é mais frugal.

Minha dor começa em D.

 

A dor do amigo emociona.

Minha dor tem mais sofrer.

A dor do outro é lona.

Minha dor tem ponto G.

 

Não se juntam duas dores

para mexer-se o pudim.

Por mais dorido que fores,

não doerás tanto assim.

 

Minha dor é triste e só.

A tua é atrapalho.

Minha dor ressoa em dó.

A tua é ato falho.

 

É melhor chorar sozinho.

Enganar dor traiçoeira.

Tua dor é descaminho.

A minha é cachoeira.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h46 AM
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Mais depoimentos sobre a minha humilde pessoa:

Luiz de Aquino: Maria Limeira, nome de árvore de fruta doce; flor de gente, e doce mais!

Lembro-me demais de nossos poucos momentos em João Pessoa, setembro 2001. Estar contigo, menina Maria Poeta Limeira, é sentir presença, carinho, amizade, poesia...

Saudade tanta! 1/25/2005

..........

 

Hilton Júnior: Demorou mas chegou!!! Querida Maria,

Apesar de não nos conhecermos pessoalmente e há tão pouco tempo, você fez eu ver a poesia e a vida de forma diferente.

Agradeço.

Gosto muito de saber que você está por perto.

Abraços

..........

Fonte:

www.orkut,com/

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h37 AM
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Mais respostas aos meus "Folhetins da cueca zorba" - 1

QUE RAIOS!

José Nunes

 

Ela chegou descabelada,

Jogou a chave sobre a mesa,

Tirou o tubinho preto amassado

E foi direto para a cama.

Não quis o chá que a vó trazia;

Fechou os olhos rumo aos sonhos

E nem ouviu quanto a mãe perguntou

Que raios fazia de cueca Zorba! 

 

 

SÓ PARA HOMENS

Maria José Limeira

 

Tem tanta gente com fome

e tanto macho abusado.

Cueca zorba é pra homem

e não pra dor de veado!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h42 PM
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Mais respostas aos meus "Folhetins da cueca zorba" - 2

CORNO

André Chalom

 

Atrás da minha cama

Uma Zorba amarela

Eu só uso branca

Que cueca era aquela???  

 

 

CORNA

Maria José Limeira

 

Nos braços que não abri.

Nas pernas que não fechei.

Um rastro de sangue vi.

Eu não sei mais o que sei...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h39 PM
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Mais respostas aos meus "Folhetins da cueca zorba" - 3

LAMENTO

Betinho Aristheu

 

Oh! Triste constatação!

Não uso cueca Zorba

O meu pinto balanceia

Dentro da "samba-canção"

 

 

CAI NO CHÃO E SE ACABA

Maria José Limeira

 

Pinto em cueca antiga

não vai poder ser piaba.

Quando sobe, Deus castiga.

Quando desce, é mangaba.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h35 PM
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Mais respostas aos meus "Folhetins da cueca zorba" - 4

 INTIMIDADES ÍNTIMAS

José Nunes

 

Trocamos intimidades

E também as peças íntimas,

A minha Zorba ela levou;

Eu, o nada que ela usava...  

 

 

PODER DA POESIA

Maria José Limeira

 

Zorba-filme, zorba-verso.

Zorba-grego, zorba-zeus.

Nas rimas que tergiverso

quem pode mais que meus eus?

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h22 PM
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Mais respostas aos meus "Folhetins da cueca zorba" - 5

27CM

André Chalom

 

Todo dia se benzia

Toda noite ela chorava

A coisa ali, quando crescia

Doía que nem mamangava! 

 

 

QUANTO MEDE?

Maria José Limeira

 

Não sei se é de bom tamanho.

Não sei se a largura é boa.

Vista esta cueca zorba

pra não gripar na garoa.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h18 PM
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CONSTATAÇÃO

Maria José Limeira

 

Descobri

qual a coisa mais certa

deste mundo:

-Eu não vou mais ser feliz.

 

 

DISPOSIÇÃO

(Carlos Assis)

 

Toda manhã

Espero algo de bom

Arranjar dinheiro

Encontrar você

Esta é a minha felicidade

 

 

IN-FELICIDADE

Maria José Limeira

 

Se ser feliz fosse fácil,

não teríamos que enfrentar,

no dia a dia,

o Serasa,

o SPC,

as contas

de água,

luz

e telefone...

 

DESEJOS MENTIROSOS

(Carlos Assis)

 

Sem dinheiro

Sem sorte no jogo

Sem amor

Sou poeta

Tenho o coração

Duro

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h37 AM
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RIO DE JANEIRO

Maria José Limeira

 

Naquela segunda-feira

de Carnaval,

minha dor desfilava

na avenida,

dançando e cantando,

fantasiada de mestre-sala

e  porta-bandeira.

Como se nada tivesse acontecido...

 

 

NA PORTA DO BANHEIRO

(Carlos Assis)

 

Com a toalha enrolada

Ela me olhava despreocupada

Mexia nos cabelos molhados

E eu como um palhaço

Meio sem graça

Imóvel, sem ar

Com ela queria dançar

O seu corpo apertar

 

 

NÚPCIAS

Maria José Limeira

 

Na noite de núpcias,

é muito difícil entender

o que fazer primeiro:

A noiva deve cantar?

Noivo tem que ficar nu?

Não seria melhor

que ambos se deitassem na cama,

cada um para o seu lado,

e dormissem sossegados?

 

FOGO DE PAIXÃO

(Carlos Assis)

 

Sendo homem

Nada devo falar

Apenas pegar

A carne e amar

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h31 AM
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NEW YORK

Maria José Limeira

 

Lá do alto

do décimo-terceiro andar,

olhei para baixo.

Vi minha solidão passando

feliz da vida,

na Quinta Avenida.

 

 

FREGUESIA DO Ó

(Carlos Assis)

 

De manhã, a neblina

Cobre as antenas das casas,

As ruas sinuosas

E os eucaliptos do colégio

Nas sombras

Parecem gigantes

Esvoaçantes

Esperando o sol

 

 

NADA MAIS IMPORTA

Maria José Limeira

 

Quando a gente está só,

o que menos interessa

é saber

que depois da morte

todo mundo vira pó...

 

A ESCURIDÃO É PARA SEMPRE

(Carlos Assis)

 

Da esquina para a outra ponta

Minuto a minuto

Beijo a beijo

Me sinto seu

Duro como um tijolo

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h25 AM
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DISCAGEM DIRETA À DISTÂNCIA

Maria José Limeira

 

Acontecem coisas

na madrugada.

Uma das mais irritantes

é que a Telemar resolve

fazer manutenção,

na rede telefônica,

justamente no momento

em que aquela pessoa

decide, finalmente,

dizer que me ama...

 

 

DDD

(Carlos Assis)

 

Mexo na papelada

Tento ficar sem sono

Esperando a madrugada

Para fazer um interurbano

Mas nunca sei o que falar

E para quem ligar

 

 

DISCAGEM DIRETA INTERNACIONAL

Maria José Limeira

 

Tentei me casar

com o noivo japonês.

Mas o  fuso horário

não permitiu.

Enquanto lá era dia,

eu aqui dormia.

Desse jeito,

era impossível saber

se daríamos certo na cama...

 

VIA INTERNET

(Carlos Assis)

 

Reuno a força

Que nem sei de onde vem

Faço do olhar

Um punhal feroz

Vontade de atravessar seu peito

Rasgar sua carne

Ver o sangue nas mãos

E lhe dar um beijo

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h18 AM
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LINHA OCUPADA

Maria José Limeira

 

Para quem

eu tentaria telefonar

se estivesse morrendo

de overdose?

 

 

LINHA CORTADA

(Carlos Assis)

 

O numero de Deus busquei

Na lista não encontrei

Para o CVV tentei ligar

Mas como sinal não havia

Palavrão falei

 

ARREPENDIMENTO DE ÚLTIMA HORA

Maria José Limeira

 

O que alguém deve fazer,

entre o chão e o ar,

depois que se joga

do décimo terceiro andar?

 

ABRINDO AS ASAS

(Carlos Assis)

 

Se flutua não é carne

Se afunda não é pluma

Faço uma oração leve

O chão se aproxima

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h12 AM
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PREOCUPAÇÃO

Maria José Limeira

 

Eu só queria saber

por que as pessoas

me usam

como bode expiatório.

Deve ser por causa

dessa minha cara

de virgem...

 

 

DESPREOCUPAÇÃO

(Carlos Assis)

 

Quando a pessoa não sabe, mente

E a chuva parece não saber

Mas a terra espera a semente

Antes do fruto nascer

 

 

RE-ENCARNAÇÃO

Maria José Limeira

 

O que nasce frutifica.

O que morre pode voltar.

Mas caroço de manga

não pode virar semente

de maracujá...

 

DENTRO DO CAIXÃO

(Carlos Assis)

 

Preparo a volta

Olhando uma vitrine

Escolho o cor

Enquanto o verme infame

Desce pela boca

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h08 AM
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ORDEM E CONTRA-ORDEM

Maria José Limeira

 

Na ordem do Universo,

a palavra em primeiro lugar.

Em seguida, vem o homem.

A mulher não tem onde se sentar.

A direita do Deus-Pai

está sempre ocupada.

 

 

ORDEM E DESORDEM

(Carlos Assis)

 

No Caos verdadeiro

A luz vem primeiro

Em seguida vem a mulher

Ver a bagunça

Ela tem lugar por herança

No colo do Criador

 

 

EXCESSO DE ORDEM & POUCA OBEDIÊNCIA

Maria José Limeira

 

Na ordem natural

das coisas,

o que está adiante

não fica atrás.

Rei pressupõe vassalos.

Cada escravo tem seu preço.

Valores da vida humana

são banais...

 

 

FRUTO DO HOMEM

(Carlos Assis)

 

A natureza escolhe o forte

Sem amor nem sorte

A pancada fere

Deixa a carne obediente

E voz calada

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h03 AM
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CORPO EM CHAMAS

Maria José Limeira

 

Este corpo é meu: seios, mãos, curvas.

O uso que faço do meu corpo não pode ser regulamentado por decreto.

Minha criatividade não merece castigo.

Tenho direito a dizer Não.

Recuso-me ao vazio como prêmio.

Não sou obrigada a amar meus agressores.

Sou gente: preciso de Poesia.

Quero adormecer tranqüila, à noite, sabendo que minha missão no mundo será cumprida.

Não cederei meu lugar a ninguém pela força.

Uso a linguagem dos animais. Quem quiser que me entenda.

Vou procurar minha turma selvagem

A coragem é irmã-gêmea do medo.

Quando sentir dores, gritarei.

Tenho que gritar também quando gozo

Meu olhar brilha na escuridão.

Mesmo cansada e ferida, continuarei lutando.

Quero ser única, e não multidão.

Embora fogo seja alegria, pode ser também destruição.

Roubarei os direitos que me forem negados.

Sou inocente, e não ingênua.

Se desistir, perderei contato comigo mesma.

Não cumprirei proibições.

Não chorarei sentada, num canto, sozinha.

Não lamentarei o inexorável.

Irei à luta, mesmo enxergando apenas o que as lágrimas deixam ver.

Não me contentarei com migalhas.

Quero-me íntegra.

O mar que guardo dentro de mim é tão grandioso e

intenso que seu nome é outro: liberdade.

A Terra gira ao redor do coração.

Só existe sombra quando luz é réstia.

Saber demais é o primeiro sinal de velhice.

Quando a alma se congela, o corpo morre.

Meu corpo fala várias línguas.

Por trás de cada rosto pálido há um corpo em chamas.

Será preciso milagre para fazer corpo levitar.

Para que caia, basta apenas empurrão.

Somente uma pessoa me ama de verdade, sem impor condições: eu.

Toda vez que tento rabiscar a palavra amor, o que aparece escrito no papel é solidão.

Quando corpo se cansa de esperar por alguém que não vem mais, o melhor a fazer é deitar-se, dormir e sonhar...

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”)

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h31 AM
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Um poema bonito de Clevane Pessoa

CALCINHAS PARA TIRAR

(De Clevane Pessoa de Araújo Lopes, numa homenagem à ousada e grande Poeta Yeda Schmaltz,que da outra dimensão deve estar a escandalizar os anjos)

 

Depois de passar um bom tempo

escolhendo , com apaixonado olhar

a prever delírios, calcinhas rendadas,

vermelhas cavadas,

sensuais e sedosas,

depois perfumadas

com água de rosas,

percebo que parecem

uma bela borboleta

para cobrir a rosa

da espécie

"Príncipe Negro"

onde o vermelho

é muito escuro

e seu botão bem rosado...

Essa cobertura leve e ousada

vestida apenas para ser tirada

é uma estratégia feminina

para a guerra de "uns" e de " ais"

que acontece entre lençóis,

no tálamo...

 

 

 

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h52 AM
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Respostas aos meus versinhos "Pergunta inquietante" - 1

Limeira eis a onda de versos que vc causou com esse "poemeto risual" perfeito...

abrs:

clevane pessoa

..........

PERGUNTA INQUIETANTE

Maria José Limeira

 

Olhando homem que passa,

com seus pêlos e afins,

eu penso em minha desgraça:

-De que tamanho é a coisa

que ele esconde entre as pernas

dentro da calça jeans?

Maria José Limeira

-----------------------------

 

 Resposta irreverente

 

Nunca entendi a dúvida,

Que percebo, não deveria haver.

Sou suficiente grande?

Do tamanho que devo ser?

Mas qual valor importa,

Sabedor da linguagem,

Talvez seja minha língua

O valor da sua verdade.

(José Carlos Cavalcante

J C Cavalcante

 

Amiga Limeira:

já vi olhar de freira,

muito olhar guloso,

para o misterioso

volume entre coxas...

Indagações roxas.

desejos vermelhos,

da cuca aos artelhos.

Pudor amarelo,

mesclado de anelo...

Mas o Zé está certo:

Na hora "H",decerto,

não importa tanto

tamanho do santo

tamanho de andor:

fazer bem amor

é mesmo o que vale,

se de Amor se fale..

Rrss

Clevane Pessoa

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h11 PM
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Respostas aos meus versinhos "Pergunta inquietante" - 2

Sabendo Que!!!

Schyrlei Pinheiro

 

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

PRÁ QUEM SABE CRESCER.

HOMEM NÃO É JUMENTO,

"ELE" SABE O QUE FAZER,

AFLORA NOS SENTIMENTOS,

AUMENTANDO O PRAZER.

----------------

 

Sabendo Que!!!

Eire –

 

Num tô insinuando nada...

O volume nada indica,

E o tamanho também não...

É o jeitinho que se aplica

Que dá a tal da empolgação.

 

O carro que é muito grande,

Às vezes é até uma praga,

Por mais que o pobre demande,

Nem sempre encontra uma vaga.

Enquanto isso o  menorzinho

Mais fácil de manejar,

Sempre encontra o seu jeitinho

De na garagem entrar.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h06 PM
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Respostas aos meus versinhos "Pergunta inquietante" - 3

E ali embaixo vai a minha, que pinto à minha maneira... sobre usos e costumes, de orgãos outrora destinados ao tato e paladar...

Beijos poeroticos,

Marcial

 

NA HORA DO APERTO

Marcial Salaverry

 

Na hora do aperto,

para evitar algum desacerto,

pinto o quadro exato,

pois é apenis

uma questão a ser levantada

entre os membros ativos...

E se o membro estiver passivo,

não é preciso ter medo,

nem deixá-lo morrer à míngua,

pois tanto o dedo,

como a língua,

sabiamente usados,

deixam o Ponto G saciado...

E depois, uma conversa oral

pode deixá-lo normal,

firme e ereto,

e com efeito direto...

 

11/01/2005

 

 

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Cá pra nós

eu tambem acho

que tamanho

nao é documento

mas bem que gosto

sentir crescer

em leve movimento

a coisa desajeitada

começando a endurecer.

( Ridamar Batista)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h56 PM
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Resposta aos meus "Folhetins da cueca zorba"

LAMENTO
Betinho Aristheu

Oh! Triste constatação!
Não uso cueca Zorba
O meu pinto balanceia
Dentro da "samba-canção"



 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h12 AM
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Folhetins sensuais - 1

FOLHETINS SENSUAIS

Maria José Limeira

..........

 

DESTINO

Maria José Limeira

 

Quem irradia

desejo sexual

nunca mais vai ter

sossego na vida.

 

 

BOM MESMO É AMAR

Maria José Limeira

 

Quem é bom de cama

chupa, aperta,

estica, range,

ofega...

Não constrange.

 

 

CONSELHO DE AMIGA:

Maria José Limeira

 

Faça por seu homem

o que ele não faz

por você:

-Chupe-o!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h38 PM
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Folhetins sensuais - 2

SENTIMENTO SEXUAL

Maria José Limeira

 

O sexo olha,

deseja,

ressoa,

sente,

cheira,

toca,

e troca.

Tem gosto de bom-bom,

caramelo

e chocolate.

 

 

JUNTOS

Maria José Limeira

 

Homem & mulher

na cama:

curto-circuito,

faíscas.

Estouro!

 

 

NÃO AO SILÊNCIO

Maria José Limeira

 

Não fique calada.

Na hora do gozo,

suspire, grite, esperneie.

Bata com a cabeça

na parede,

para o parceiro saber

que você o ama.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h24 PM
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Folhetins da cueca zorba - 1

FOLHETINS DA CUECA ZORBA

Maria José Limeira

..........

 

CLIQUE!

Maria José Limeira

 

Dentro da cueca zorba,

há um pássaro

(indiscreto)

que, na hora certa,

canta e voa.

 

 

QUAC-QUAC

Maria José Limeira

 

O mais interessante

na cueca zorba

é que, na meia transparência

do seu resguardo,

rasga o hímen da noite

com urina, esperma

e gritos...

 

 

VITRINE

Maria José Limeira

 

Todo homem que usa

cueca zorba

tem a cara

do cantor Daniel

depois que perdeu o amigo.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h08 PM
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Folhetins da cueca zorba - 2

PROPAGANDA

Maria José Limeira

 

A cueca zorba

tem tudo a ver

com aquele passarinho

(treloso)

que faz “piu”.

 

 

ALARME

Maria José Limeira

 

Há uma abertura

estratégica

na cueca zorba:

saída de emergência

no provável aviso

de incêndio.

 

 

COM QUE ROUPA?

Maria José Limeira

 

Calcinha feminina,

cueca masculina,

roupas de baixo

e de cima:

não valem nada

na hora nua do beijo.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h03 PM
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DEPOIMENTOS SOBRE A MINHA HUMILDE PESSOA:

 

Edson Veiga Júnior: A Zezé Limeira foi a primeira pessoa na Internet a puxar a cadeira e dizer: "senta aqui menino, faze disto a tua casa". Mas não me deixou ficar nem cinco minutos acomodado, foi logo logo recitando-me um poema esbaforido e dizendo, com um leve empurrãozinho: "vai, menino, vai e cresça, mas jamais se esqueça que sou tua madrinha". 

Toda vez que me perco em garatujas, seja em verso, seja em prosa, mergulho no universo outrora doce de minhas reminiscências e imagino a Zezé Limeira olhando para minhas letrinhas desaprumadas. Às vezes tenho um medo danado de decepcioná-la! 9/10/2004

........... 

    Fausto Rodrigues Valle: Falar sobre Maria José Limeira é difícil e fácil ao mesmo tempo. Como escritora, acho que tem a escrita mais límpida e pura que conheço. Encanta-me a sua irreverência e a sua coragem de dizer as coisas (às vezes eufemisticamente) que devem ser ditas. Amiga de todas as horas.

Além de tudo, foi quem "viu" que escrevo contos, estimulando-me a publicar o meu primeiro livro de contos. É minha madrinha literária, para meu orgulho. Gosto de Maria José, sem restrições.  09.08.2004

.......... 

Roberto Di Maio: Doce Limeira:  

Já reparou nesses "testimonials" do Orkut? Ninguém tem defeito! Todos são ma-ra-vi-lho-sos! E nota-se que quem dá o testemunho segue o sábio conselho de dizer coisas e calar as outras.  

Eu, você sabe, não sou assim. E digo com todas as letras: Maria pode até ter todos os defeitos do mundo, mas a gente simplesmente não tem como não gostar dela.

..........

Dirá Vieira: Há tempos que te devo um testemunhal. Não me surpreendo com o teu grande entrosamento na internet e com o seu poder de comunicação. Maria, você é fantástica e eu tenho orgulho de aprender com você tudo o que tenho aprendido, como interagir com as pessoas, como respeitá-las, como dá a elas a importância que elas merecem. Você é uma pessoa que verdadeiramente se importa com a dor alheia. Sou apaixonada por você e pelo seu senso de humanidade e grande carinho pelas pessoas. Te admiro. Demais.

...........

Luciene Lima: Nao é a escrita direta que denota a clareza humana que toda pessoa deve demonstrar, a meu ver, que faz-me gostar de MLimeira. Mas, sua posiçao de mulher, e, acima de tudo, de ser humano. Tê-la como amiga, ainda que virtual, faz-me sentir como uma cidadã universal. Todos deveriam experimentar esse sentimento. Com MLimeira, isso se faz possivel.

.......... 

 

Prezados amigos. Eu sou a pessoa mais feliz da Internet. Sabiam? Os poetas já fizeram textos dedicados a mim. Eu já apareci nua em vários emails viróticos que atravessaram o mundo. Fui vítima de paixões arrasadoras, cortei corações e acabei casamentos... Moi, La Femme Fatale! Ah-ah. Obrigada, amigos! Saludos! Maria José Limeira.

 

Fonte:

www.orkut.com/

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h50 PM
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FOLHETINS DE SOL & LUA

Maria José Limeira

 

O santo do meu altar

tinha um sexo-petisco.

Ouvia pássaro cantar.

O seu nome era Francisco.

Filho do latifúndio,

despojou-se dos seus bens.

Fez discursos no gerúndio.

Mudou de roupa e de gens.

 

Ao invés de ódio infindo,

tomou amor para si.

Do feio fez tudo lindo.

Cantou música em mi.

Chamou o sol de irmão,

e a lua, de doce dama.

O bater do coração

dá as horas de quem ama.

 

 

E a comunhão foi tanta,

com a terra e o ser vivente,

que hoje quando se canta

sua oração comovente,

a Natureza em respeito

levanta as mãos para o céu,

e o que não tem mais jeito

muda o amargo em mel.

 

Soldado, diz a soldado:

baixa as armas, vem cantar.

Todo ser espoliado

um dia vai se juntar.

A bala que atinge cega.

Dor que esmaga vai passar.

Todo sofrimento é brega.

Toda música tem luar.

 

Enquanto se abrirem flores,

houver pássaro no infinito,

e alguém morrer de amores,

o meu santo vai ser mito.

Pois quem tem sol por amigo

e lua, por ser amado,

não ficará sem abrigo,

se esquentará do meu lado.

 

Soldado, diz ao comparsa:

transforma em rosa agora

a bala que mata e caça.

Joga indumentária fora.

O que Francisco falou

sobre esquecer e perdoar

já foi Outro quem ensinou.

E é tão fácil voar!...

 

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h25 PM
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Folhetins casamenteiros - Vários autores

FOLHETINS CASAMENTEIROS

(Vários autores)

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O MACHISTA

Hilton Junior

 

Mulher é boa

na cama, na mesa

Mulher que é boa

Quando nua é uma beleza

 

 

VINGANÇA DE MULHER

Maria José Limeira

 

Quando homem não presta,

a mulher fica com raiva.

Toda nudez cheira à festa

e todo cornudo é Paiva.

 

 

A FEMINISTA

Hilton Junior

 

Homem duro

Desejo com firmeza

Mas se não sobe

Ahh é uma tristeza

 

 

MACHÃO

Maria José Limeira

 

Por trás de todo machão

existe mulher bonita.

Quando um homem diz não

é que amoleceu a dita.

 

 

O TERAPEUTA

Hilton Junior

 

O casamento é dose

É sexo, é alegria

Mas na moleza

É casal na nostalgia

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h56 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

ROTINA QUE MATA

Maria José Limeira

 

O casamento só dura

até a lua-de-mel.

Depois, acaba doçura.

Fica beijo de papel.

 

 

VERDADEIRO MACHO

José Nunes

 

Com mulher boa transar

Até gay, às vezes, topa;

Uma mocréia encarar

Isso sim que não é sopa.  

  

 

MULHER & HOMEM

Maria José Limeira

 

Tem mulher que é mocréia.

E também tem homem ruim.

Ela não é Dulcinéa.

Ele é Anjo Serafim.

 

(Com um sexo desse tamanhinho!)

 

  

VERDADEIRO MACHO II

José  Nunes

 

Mas o macho verdadeiro

Topa qualquer atoleiro;

Mete a boca, cai na lama,

Tem buraco? Tá na cama!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h50 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

BURACO, HOMEM, MULHER E JIA!

Maria José Limeira

 

Onde há buraco há jia.

Se há homem, há mulher.

Mulher se chama Maria.

E todo homem é José!

 

NESSE FOLHETIM EU TAMBÉM ENTRO!

André  Chalom  

 

mulheres boas são todas

entrem ou saiam as modas

agachou e não é sapo...

sai da frente que eu papo

 

homem come depois da janta

esteja ocupado ou à toa

se nem guindaste alevanta

deve ser culpa da patroa  

  

 

VERDADEIRA FÊMEA

Maria José Limeira

 

A fêmea que se respeita

pega macho bom de bola.

Leva-o pra cama e deita

lambe-lhe ovos e caixola.

Quando mais tarde, porém,

macho infiel se mostra,

fêmea diz que vem e não vem,

entrega-o à "coisa nostra".

 

  

VERDADEIRO MACHO III

José Nunes  

 

Todo macho que se preza

Nenhuma mulher despreza;

As feias, principalmente,

Exercício para a mente.  

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h44 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

MOSTRE SUA MACHEZA!

Maria José Limeira

 

Todo ser que se diz macho

deve mostrar o que tem.

Banana só dá em cacho.

Quem bendiz não fica sem!

 

  

VERDADEIRO MACHO IV

José Nunes

 

Mulher bonita tem fila,

Custa caro, quer conforto;

A feia logo te asila

E não te larga nem morto.

 

 

HOMENS AOS MONTES!

Maria José Limeira

 

Deus fez machos a granel.

Mulheres são muito mais.

Quem tem homem está no céu.

Quem tem mulher perde paz.

 

 

TEIAS

André Chalom

   

algumas até têm teias

e eu acho isso até normal

que me desculpem as feias,

beleza é fundamental

 

mulher quando trai é piranha

homem que trai se gaba

mas ela tem palpos de aranha

e um dia a tua farra se acaba

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h39 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

HOMBRE!

Maria José Limeira

 

Homem bonito tem manha.

Dá o bote, esconde a unha.

Mulher tem somente xanha

que o cabra macho acunha...

 

 

CANTADAS

André Chalom

 

cantada de homem é esportiva

não importa dor ou mágoa

arma a rede, dá a linha

e pegando, joga n'água

 

 

AMOR, AMOR & AMOR

Maria José Limeira

 

Amor de mulher é canto.

Amor de homem, traiçoeiro.

Susto em mulher é espanto.

Todo homem é atoleiro.

 

 

O DIABO É MACHO!!!

Rogério Santos

 

Mulher feia dá em cacho,

É praga que não sossega.

Vive a procura de macho,

Morre e o diabo carrega

 

 

A (SA)FADA É FÊMEA

Maria José Limeira

 

Isto de feia não existe.

O que vale é o coração.

Todo ser que ama é triste.

A (sa)fada tem condão!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h34 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

VIVA A MULHER FEIA

Rogério Santos

 

Mulher é bicho matreiro

Ama somente o dinheiro

Por isso prefiro uma feia

Que põe algum na carteira

 

 

INDAGAÇÕES

Maria José Limeira

 

Pergunto a quem verseja,

que diga qual é o pó.

Quem assim quer assim seja.

Quem não quiser: tenha dó! 

  

 

O VERDADEIRO MACHO

Rogério Santos

 

Eu já vi rastro de cobra,

E couro de lobisomem:

-É o pé redondo da minha sogra!

-Esse meu sogro é muito homem!

 

 

UMAS & OUTRAS

Maria José Limeira

 

Mulher bonita encanta.

Homem feio: trambolhão.

Boca pintada: garganta.

Sexo mole: sem tesão.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h29 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

UM TRAGO

André Chalom

 

um amigo chega e insiste:

"de tão feia era um sapo do lago"

isso de feia não existe,

volta lá e dá mais um trago 

 

 

PIRIRI & PORORÓ

Maria José Limeira

 

Tome banho de xixi.

Quem for cachorro dê nó.

Pra rimar é piriri.

Mais uma vez: pororó!

 

 

VERDADEIRO MACHO V

José Nunes

 

Mulher feia não existe,

Nem mocréia ou trubufú;

Você é que logo desiste

Ou tomou pouca Pitú!

 

  

NADA COMO UM DIA ATRÁS DO OUTRO

Maria José Limeira

 

Quem se embriaga esquece.

Quem não esquece, também.

Quem sobe, um dia desce.

E fica só, sem ninguém

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h23 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

CABRA MACHO

André Chalom

 

na cidade, todas as feias

iam pra casa com ele

e voltavam tão satisfeitas!

que cabra macho era aquele!  

  

 

MENTIRAS

Maria José Limeira

 

Talvez fossem só bravatas.

Contasse poucas e loas.

Quando pisasse em baratas,

dissesse que eram leoas.

 

  

O VERDADEIRO MACHO V DO JOSÉ É UMA VERDADEIRA RESPOSTA PARA ESTE:

André Chalom

 

trubufú, cá não tem vez

se me vem mocréia, eu passo

e com orgulho, digo a vocês

como pouco, mas sou muito macho  

 

 

CUIDADO! CUIDADO!

Maria José Limeira

 

Mas quanto macho abusado

um lugar pode conter!

Com um sexo enferrujado,

os outros vão lhe comer!

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h14 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

PEGANDO CARONA NO TOM DO TÓPICO...

André Chalom

 

o que antes podia, já não pode

o imposto aumenta e aumenta

com isso, o homem explode

a mulher só se lamenta

 

 

ORAÇÃO CONTRA O DÍZIMO

Maria José Limeira

 

Se o imposto lhe pesa,

não reclame da mulher. 

É preciso muita reza.

E seja o que Deus quiser!

  

 

COISA DE PORCO

Luis Eduardo  Veloso Garcia

 

MULHER FEIA NÃO EXISTE

FOI VOCÊ QUE BEBEU POUCO

MESMO ASSIM AINDA INSISTEM

QUE BEBIDA É COISA DE PORCO

BEBIDA SALVA CASAMENTO

TRANSFORMA EM PARAÍSO O TORMENTO

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h09 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

PORCO CHAUVINISTA

Maria José Limeira

 

Todo porco chauvinista

come depressa e arrota.

Toda mulher feminista

extrapola sua cota.

Homem pensa que é pavão

com seu rabinho balançado.

Mulher ouve o coração

e só o entrega ao amado.

 

 

MAMADO

André Chalom

 

aqui não tem mole, não

a gente, é tudo safado

homem que tem coração

ou tá grogue, ou é... mamado  

  

  

VENDO AS COISAS DO ALTO

Maria José Limeira

 

Olhando aqui de cima,

na Poesia eu me acabo.

E pra completar a rima:

homem só toma no rabo!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h04 AM
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Folhetins casamenteiros - continuação

VERDADEIRO MACHO VI (VENDO AS COISAS DE BAIXO)

José Nunes

 

 Já olhando aqui de baixo,

Sabendo do que não é,

Vejo muita mulher-macho

Querendo mijar em pé.

 

p.s.: neste ponto da batalha, é necessário um esclarecimento: estamos, eu, a Maria, o André e outros - benvindos amigos, brincando de nos degladiar com palavras, em nenhum momento dirigindo ou recebendo as ditas como pessoais, fique bem claro aos menos avisados. É só repente de respostas. Isso dito, continuemos.  

 

 

DESCONFIANÇA CONFIRMADA

Maria José Limeira

 

Bem que olhando do alto

desconfio de quem blefa.

Você, amigo, é contralto.

Não é José, é Josefa!

 

(ah-ah!)

  

 

PAPO FURADO

FeLiPe  Rosa  

 

Esse papo de feiúra

é apenas mais um jogo

não passa de loucura

bom macho não nega fogo.

 

 

DIFÍCIL AGUENTAR

Maria José Limeira

 

São tantos homens acesos.

Só uma dama se aduba.

Como guentarei tais pesos

nesta inquietante suruba?

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h53 AM
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Folhetins casamenteiros - Final

O TERCEIRO DEDO

FeLipe Rosa

 

E se mulher o acha feio

saiba que é só cu doce

mostre-lhe o dedo do meio

e acabe com sua pose.     

  

 

DESMUNHECANDO...

Maria José Limeira

 

Tem homem mais que sisudo.

Inda pensa que é menino.

Quando sabe que é chifrudo,

desmunheca e fala fino! 

 

 

RECUSAS

Maria José Limeira

 

Por aqui há tantas moças,

laços de fita enfeitados.

Nenhuma quer lavar louças

de tantos machos tarados

 ..........

 Fonte:

Comunidade “Poesias & Letras”

www.orkut.com/

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h48 AM
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Uma parceria delicada

TUCA & EU

(Tuca Kors / Maria José Limeira)

..........

 

e_koan_do

(Tuca)

 

concerto

sem conserto

é o meu coração

 

 

ECO-ANDAR

Maria José Limeira

 

Coração não tem conserto.

Está todo espedaçado.

Quando dá aquele aperto,

acabou café-coado!

 

 

compondo

(Tuca)

 

conserto

sem concerto

é o meu coração

 

 

DE-COMPONDO

Maria José Limeira

 

Quando concerto termina,

coração não faz mais eco.

Já tomou estricnina

e deu um tréco!

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h45 AM
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Um mini-conto de Dôra Limeira

POR TODOS OS SÉCULOS

Dôra Limeira

 

Antes de você adentrar meu quarto, um vento forte e morno anunciou que você estava chegando. Preparei-me com banhos de cheiro. Coloquei perfume em todo o meu corpo. Dei uma arrumada nos cabelos, deixando-os soltos para que você se excitasse mais. Puxei mais para baixo o decote da blusa. Tranquei a porta do quarto por dentro. E deitei-me. 

Quando você entrou pela minha janela aberta, fechei os olhos e me abandonei. Senti seu hálito perto do meu rosto, suas mãos apalpando meu colo, a ponta dos dedos buscando meus seios.       

      Ah, vampiro devasso. Você me abraçou tanto, tanto. Eu não precisei abrir os olhos. Bastou-me sentir seu corpo. Quando você ferrou os dentes caninos no meu pescoço, soltei um gemido tão lancinante, que os astros interromperam suas trajetórias no firmamento e indagaram-se entre si: "- Quem estaria tão feliz assim?" Ah, meu vampiro ternamente perverso, guardemos nosso segredo sob uma enorme pedra, por baixo de sete capas. E, quando tudo estiver consumado, gargalhemos. A essa altura, meus dentes caninos também já estarão salientes, minha língua será de fogo, minha boca semelhante a uma fornalha. 

E seguiremos juntos a rota do infinito. Per omnia saecula.

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www.doralimeira.e1.com.br



- Postado por: Zezé Limeira às 10h07 PM
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Um texto bonito de Carlos Edu

RETORNO PROIBIDO

Carlos Edu

 

Minha melhor companheira de viagem até agora foi uma borboleta. Ela ficou quieta nos primeiros três mil quilômetros, ali dentro do seu casulo. Depois ganhou asas, me olhou e voou. Já deve estar no seu destino. Eu ainda estou aqui, pesado de tanta estrada. 

É verdade, também várias mulheres viajaram comigo e hoje eu sei do destino de cada uma delas: todas longe do meu peito.

 

 

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h04 PM
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VELHA LENDA FAMILIAR
Maria José Limeira

Era uma comunidade de loucos. Somente um bom.
Um dia, uma das tias olhou-se nas águas turvas da lagoa, e disse:
-Com quantos braços, ante-braços, pernas e entre-pernas se conserta um  coração?
E não sobrou ninguém (que eu saiba, não!) para contar a história.
Ou sobrou?

 



(Do livro "Crônicas do amanhecer").
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João
Pessoa-PB.



- Postado por: Zezé Limeira às 07h41 PM
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BEIJO DOCE
Maria José Limeira

Nos lábios entreabertos
cabem caramelo e bombom
e um sexo prateado
(duro!)
meio sujo de batom...

 


 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h37 PM
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VELHA HISTÓRIA DE FAMÍLIA
Maria José Limeira

Para Odete dos Santos

Eram numerosos filhos e nenhum louco.
Até que um dos tios, olhando-se ao espelho, constatou:
-Puxa. Como eu sou feio!
Não agüentou.
Depois disso, outros filhos nasceram, se casaram, procriaram, povoaram a cidade.
Mesmo assim, ninguém mais suicidou-se na saudade.

(Do livro “Crônicas do amanhecer”)
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)


 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h29 AM
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Divulgando livro de Anisio Lage

Prezados amigos, 
 
Estou lançando o meu "TEMPO DE ARRAIA" na Internet. Sem dinheiro para bancá-lo e sem saco para buscar patrocínio achei melhor fazer desta maneira.
 

TEMPO DE ARRAIA é um pequeno álbum de recordações da cidade de Salvador do final dos anos cinqüenta até o início dos anos setenta, contendo crônicas sobre aspectos que desapareceram com o progresso e o crescimento urbano e, ilustrado com fotos da época. O livro fala do bonde, do trem, da Companhia de Navegação Baiana, da velha Rua Chile, dos velhos carnavais e outros aspectos que hoje só existem na memória dos moradores mais antigos.

 

Também relata fatos interessantes vividos por personagens anônimos, presenciadas pelo autor ou narrados pelos amigos que o ajudaram a compor este album.

 

Apreciaria ajuda de vocês no sentido de divulgá-lo e agradeceria a paciência de lê-lo e, se possível, criticá-lo. O endereço é http://geocities.yahoo.com.br/tempo_de_arraia (escrever tempo_de_arraia)

  

Anisio Lage

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h13 PM
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Um texto bonito de Geisa Nogueira Duarte

 

DOCE AMARGA QUIMERA

Geisa Nogueira Duarte

 

O que é esse vazio que rasga minha carne e me faz  revirar na cama em noites  insones?

Que deixa minhas mãos frias a tocar em desespero um corpo imaginário?

Que ardência abrasadora é essa que incendeia minha  pele queimando a dilacerar meus desejos, deixando meu sexo latente?

Quimera ter tantas mãos e braços e línguas para  satisfazer minha luxuria, meu gozo.

No ápice de meus delírios, contorcendo-me e me  esfregando,  pressinto meu orgasmo...Murcho e desgastado, de tão fingido e solitário.

Que vazio é esse que me entorpece e preenche minhas  noites sem você???

 

Fonte:

Comunidade “Contos eróticos”

www.orkut.com/

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h44 PM
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Um poema bonito de Linaldo Guedes

MITOLOGIA

(Linaldo Guedes, poema inédito)

 

qual olhar não saciaria sedes

mergulhando bocas e línguas

na fartura de tuas mamas

 

feito um rômulo e remo solitários

a sugar teus bicos sinuosos

- renascendo impérios em teus seios.

 

http://linaldoguedes.blog.uol.com.br/index.html

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h36 PM
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EROTISMO OU PORNOGRAFIA?

Maria José Limeira

 

Visitei a página, iniciei a leitura e não pude mais parar. Altamente  esclarecedor o texto que define, inclusive, as sutilezas que separam o Erotismo da Pornografia,  assunto que me interessa  sobremaneira.

Pois, em certo lugar, quando escrevi um poema com a palavra "pênis" esta simples palavra científica o moderador considerou "palavrão" e censurou meu texto lindo...  Deste tal lugar, aliás, fui expulsa sumariamente, pela Comissão de Inquisição de plantão, sob a acusação de ser “escritora imoral compulsiva”. (Com muita honra?)

O texto de Anderson Braga Horta cita um autor que conheci pessoalmente no Rio, o

José Santiago Naud. Ele morava em Brasilia, mas dava aulas de Literatura Portuguesa numa universidade americana. No momento em que nos conhecemos, ele estava de férias no Brasil. Eu conheço quase todos os livros de Santiago Naud, que me foram presenteados por ele mesmo.

Esta matéria belíssima salvei no meu word cansado, e o resultado foi este: 45 laudas que valem a pena!

Visitem a Página:

 

Anderson Braga Horta

 

 Erotismo e Poesia

 http://www.secrel.com.br/jpoesia/abh01.html

 

 Amar significa nutrir o outro com atenção.

 T.N. Hanh

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h32 PM
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Um texto bonito de Silvane Saboia

BOBA CINDERELA
A morte do príncipe encantado

Ainda lembro quando eu tinha 15 anos.
Eu deslizava pela vida como uma princesa
em sonhos mil esperando o meu galante amor...
Ele viria num cavalo branco
forte, corajoso e protetor.
Eu seria salva de todos os perigos e
raptada pelo seu trote rápido a passar por mim...
Me levaria para um lindo castelo
aonde eu seria a linda rainha, e ele o meu rei.
Hoje, acordando dia a dia
dispensei a fantasia, a alegria
dispensei até o cavalo
pro diabo o castelo,
quem paga as contas sou eu!
O príncipe não encontro
a princesa é quarentona
e toda aquela magia já morreu!!
rsssss

Silvane Saboia

 

 



 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h59 AM
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FOLHETINS LIRIAIS

Maria José Limeira

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BANDEIRA DE LUTA

Maria José Limeira

 

O lírio brota da terra.

O lírio é linda flor.

O lírio não faz a guerra.

Faz amor!...

 

 

PLAGIANDO LUIZ GONZAGA

Maria José Limeira

 

Eu plantei um lírio doce

no jardim da encruzilhada.

Por mais bonito que fosse,

não deu em nada!

 

 

OS TEMPOS MUDARAM

Maria José Limeira

 

É bom dizer o que quer

e não receber resposta.

Foi-se o tempo em que mulher

transava com quem não gosta.

 

 

COMEÇO, MEIO E FIM

Maria José Limeira

 

No lirial do jasmim.

No cordão umbilical.

O começo está no fim

da notícia de jornal.

 

 

CABRA SAFADO

Maria José Limeira

 

Cabra que é bom tem vergonha.

Cabra ruim só leva peia.

Mulher não presta enfadonha.

Aranha é quem tece teia.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h24 PM
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MARES NAVEGÁVEIS & RIOS-NÁUFRAGOS

Maria José Limeira

 

A terra foi fundada sobre mares e navegada em rios.

O homem-peixe é mais bonito quando se transforma em sereia.

Quem alcança o topo da montanha é capaz de viver o sermão que mudou o mundo.

Quando coração adoece, torna-se pequenino, e o corpo é apenas grão em repouso, no fundo do mar.

Quem dá um tapa na cara do adversário esquece que o outro lado da face é sombra.

Urna funerária que desce à cova germina esquecimento.

Dentro da noite, há uma enxurrada de lágrimas, e uma dor submersa vem à tona.

Ressurreição é transformar luto em dança.

Em tempo de angústia, a melhor resposta é o silêncio.

Um exército numeroso e bem armado é o primeiro sinal de que muitas pessoas vão morrer.

Os que rugem e rangem os dentes não se comunicam com palavras.

Amor tem vários sinônimos: céu aberto, nuvem branca, grande mar, montanha encantada, relva, rio, luz e vida.

Quando chega tempo de tristeza, o melhor a fazer é esconder-se debaixo da asa do passarinho.

Quem sonha cria verso e faz de conta.

Terra: quantos mares navegáveis, e quantos rios-náufragos.

Por trás daquela montanha, há mistérios que a noite revela e só os puros entendem.

Chorar é ensaiar espetáculo que não vai ser encenado.

Terra, peixe, água, mistérios, vazios, luzes e sombras... Tudo isto rima com Poesia.

Mas, quem disse que eu sei escrevê-la?

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h01 PM
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SEXO & ALMA

Maria José Limeira

 

Quando mulher perde alma

e homem não tem tesão,

quem é que fica mais triste:

o sexo ou o coração?

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h20 PM
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DOR ANTIGA

Maria José Limeira

 

A casa nosso abrigo foi, um dia,

na cama que gemia entre lençóis.

O quarto era noite e nos cobria.

O sono apascentava nossa voz.

 

A réstia nos beijava, era bruma.

O vento nos levava, era mar.

Areia nos deitava, era espuma.

Canção que nos tocava era luar.

 

A casa hoje-ruína tão sombria.

Da cama se esvaiu último pó.

A noite é tão triste e meio-vazia.

Do sono só guardei o restar-só.

 

O vento é acorde dissonante.

A sombra, o passado onde me enterro.

O quarto, fria tumba sobre o instante

da mágoa, dor antiga, grito, berro.

 

(Do livro “Todos os seres”)

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 06h51 PM
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Uma crítica ao texto "Onanista", de Carlos Santanna

ONANISTA

Um texto de Carlos Santanna

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este texto "Onanista" (é este o título?) de Carlos Santanna, é de uma  beleza exuberante, com imagens muito bonitas, em tom de lamento, o qual dá dramaticidade ao conteúdo. É muito difícil a gente encontrar um texto  assim escrito por um homem... Geralmente, são as mulheres as pessoas que mais choram e se lamentam...

O texto deste autor não tem nada de meloso, nem de água com açúcar,  como os que abundam na internet abordando este mesmo tema... É bem  latino-americano este texto. E muito original. Gostei muito.

Saludos, Poeta! 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h53 PM
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ONANISTA

(Carlos Santanna)

 

Não me iludo.

É simplesmente inútil fugir de nossos básicos

instintos. Delicio-me e torturo ao lembrar

todas as vezes que profanei seu corpo.

Sinto-me como um monge em auto-imolação

que clama à divina providência por

absolvição. Os dias passam e sem você, me

perco em delírios onanistas que me trazem

somente prazeres fugazes.

Sou um viciado .

Sinto-me como um viciado que procura

evitar a qualquer modo seu vício, pois sabe

que em seu prazer relativo encerra-se um

mal absoluto. Cada olhar seu é uma

provocação. Sinto meu corpo responder

involuntariamente a força de sua volúpia.

Seus movimentos comandam meus sentidos

que fotografam cada parte do seu corpo

como se estivessem registrando a mais pura

arte contemporânea. Sozinho, pronuncio seu

nome na vã tentativa de acalmar meu

desejo, e na completa impossibilidade de

novamente ter seus seios e quadris em

minhas mãos  me desespero

e choro.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h49 PM
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FALAR MAL É UM VÍCIO DOS REBELDES

Maria José Limeira

 

Ao contrário do que muita gente pensa, falar mal é uma grande terapia e vício das pessoas rebeldes.

Quando vou passando, que vejo alguém falando mal de alguma coisa, ou de alguém, paro para ouvi-la, e dou o maior apoio,  pois sei que ela está exercitando seu direito de protesto, seja contra quem for ou contra alguma injustiça.

As pessoas que falam mal são as mais lindas que conheço.

Por exemplo, a pessoa mais linda que conheço é um cara chamado Jesus Cristo, o qual falar mal de tudo e de todos foi a coisa mais produtiva que fez, e com isto mudou o mundo.

Ele começou criticando  o “olho por olho e dente por dente”, dizendo, ao contrário, “Amai-vos uns aos outros”...

Todo operário que se preza, na minha modesta opinião, tem obrigação de falar mal dos patrões, porque todo mundo sabe que nenhum patrão presta, pois ganha dinheiro em cima da miséria alheia.

Quando eu vejo uma pessoa submissa, elogiando textos ruins dizendo que prestam, corro para longe, porque sei que está mentindo e o que ela gostaria de dizer mesmo é que tal texto é uma M... Ah-ah!

Quando as pessoas elogiam alguma coisa ruim, dizendo que é boa , embora sabendo que não presta, é porque  estão interessadas em ganhar algo em troca, o que configura uma coisa horrorosa chamada “hipocrisia”.

As pessoas que falam mal são criativas, brilhantes, não estão satisfeitas com o status quo, e querem mudar o mundo para melhor.

O primeiro passo para a mudança está no “falar mal”.

Não se deve falar mal de ninguém, principalmente do Governo, a portas fechadas.

Deve-se ir às ruas e falar mal abertamente. Se possível, aos gritos!

Se ninguém falasse mal de ninguém, a vida humana nunca teria passado da Idade da Pedra.

Eu falo mal apenas de duas pessoas: de Deus e do Mundo.

Pois não vou agüentar injustiças calada!

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”)

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h27 AM
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FOLHETINS DO BOM TAMANHO

(Carlos Assis / Maria José Limeira)

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COMO AUMENTAR O SEU

Carlos Assis

 

a única coisa que realmente

aumenta  e também diminui

a autoconfiança de um homem

é uma mulher

 

 

DEIXE COMO ESTÁ

Maria José Limeira

 

Não precisa se preocupar.

Se ficar maior do que isto,

não vai caber.

Viu?

Assim como está

é de bom tamanho...

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h19 AM
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Análise crítica do poema "Balada para Vénus", de José António Gonçalves

BALADA PARA VÉNUS

Um texto de José António Gonçalves

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este poema, “Balada para Vênus”, de José António Gonçalves, é realmente Poema, na verdadeira acepção da palavra, e não pode ser confundido com Prosa.

Forma, conteúdo, imagens, etc., tudo contribui, neste texto, para torná-lo uma das mais belas peças que já vi em Língua Portuguesa.

Escrito num Português corretíssimo (de Portugal!), revela um autor cuidadoso com sua obra, conduzindo-a como autêntico Mestre, sem deixar-se contaminar pelos vícios dos “modismos” da época, onde abundam pseudo-escritores compondo garatujas sob a falsa

bandeira de “vanguarda”.

Este texto tem dignidade.

É obra de nível cultural acima de qualquer suspeita, na qual o autor parte de uma concepção antiga da “Vênus do Amor”, recriando-a na medida de seu próprio conceito de mundo.

Só mesmo um escritor de cultura européia teria condição de manipular este arquétipo com tanta sensibilidade, enriquecendo o texto com admirável erudição, sem cair em mesmice e lugar-comum.

Enquanto exprime a visão estática exterior de uma Vênus que é estátua, impessoal, fria e muda, descreve cenas que se passam no eu-narrador ao contemplá-la, humanizando-a.

É esta ação interior que dá vida ao texto, mais movimento, mais emoção e mais tudo que torna possível a este texto existir, tão bonito e comovente.

Este texto tem plasticidade.

Conta uma história.

É tão vibrante que poderia virar filme.

É um texto dramático e patético, onde a personagem principal não é o eu-enunciado, mas a Vênus que o autor recria, objeto de seu desejo...

Encontramos, enfim, um verdadeiro poeta.

Pássaro de longo vôo, cada vez mais raro na Internet!

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista

democrática de João Pessoa-PB, Brasil).

- Postado por: Zezé Limeira às 02h43 AM
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BALADA PARA VÉNUS

 

é tão cedo ainda e queria abraçar-te

deixando o tempo estático no contacto

dos corpos em repouso

 

ouço o rumorejar das ondas

de onde surges branca como uma nuvem

esculpida em marfim

disfarçada aos olhos dos homens

com a cor cansada da terra

 

vulcano sonha um sonho azul

igual ao dormir de todos os deuses

com as mãos de afrodite o seu pescoço

a formosura dos seios trémulos

encurvados como um rio de lava quente

a caminho do umbigo estremecido

na sua função de guarda da fronteira

onde se escondem os mais belos segredos

 

o amor encantou eneias e as muralhas romanas

roubando-me o lugar o sol iluminando

as pedras as aras as colunas os templos

os lábios que soletram rezas

a magia do teu nome aos ventos

 

o teu manto hoje é de madeira e esvoaça

como raiz esticando-se em direcção ao céu

desprendida de uma árvore com rosto de mãe

 

se tivesses braços afrodite vénus deusa

o teu abraço seria meu

 

José António Gonçalves

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h34 AM
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Os eróticos de Ricardo Mainieri

ERÓTICOS

 

1 - O sexo

é genital

(assim dizem as estruturas)

 

pero

otros orifícios

buscam o árduo ofício

de tornarem-se

oficiais.

..........

 

2 - Mulher

abre tuas

páginas

para que eu escreva

amor

dentro de ti.

..........

 

3 - tua pele chocolate

num corpo

de delito

 

fenda perfumada

onde derramo-me...

 

Ricardo Mainieri 

  1/12/05

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h11 AM
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De José António Gonçalves, sobre meu poema "Pássaro"

Cabe-me a honra deste texto lindo de José António Gonçalves sobre meu Poema  “Pássaro"... (Valeu a pena relembrar meu amor esquecido, só para ganhar este elogio do meu amigo sempre lembrado). Saludos y gracias, Poeta! Maria José Limeira.

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Cara amiga Maria José Limeira,

é curioso como o tema das aves (que gosto tanto como do vocábulo pássaros) só por si, na sua simples evocação, transporta tanta fonte de uma inaudita dimensão poética (só à minha conta já lá vão - até nos títulos - dois livros: "Os Pássaros Breves", com posfácio de João Rui de Sousa, Átrio, 1995 e "Esquivas são as Aves", Funchal, 2001).

O Prof. António Fournier, da Universidade de Pisa, assim como a Drª. Regina de Castro e Abreu (professora liceal e investigadora na Madeira), estão, neste momento, a realizar estudos - autónomos e de incidência académica - sob a influência dessa tónica referencial na minha poesia.

Não podia, por isso, deixar de aqui deixar registo sobre este poema "Pássaro", um "pássaro-solidão" que tremeluz "meio-escuro" na sua proveniência do passado, memória de algum desgosto ou de um "amor não-esquecido". Muito bonito e pleno de ritmo e jorrando lirismo em todos os versos. Parabéns Maria José Limeira.

Beijos,

JAG

http://members.netmadeira.com/jagoncalves/

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h50 PM
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PÁSSARO

Maria José Limeira

 

Ah, pássaro!

Pássaro da minha tristeza.

Nem tudo foi beleza

em teu céu-imensidão.

Pássaro-solidão.

Em quantas cores pintaste

as grades que empinaste

ao meu redor.

Ave-arrebol.

Ora verde. Ora azul.

Dia. Noite.

Tão claro e cristalino.

Tão negro desatino.

Solitário vôo do meu deserto.

O céu era tão perto.

Cabiam em nossas mãos

nossos sins e nossos nãos.

 

E como tudo depois ficou longe

e incerto.

E como foi que alcançaste o topo.

E como cumpriste o teu escopo.

E como perdi penas e asas.

E minhas pernas ficaram rasas.

E como não pude mais

te acompanhar,

estou presa ao chão.

 

Pássaro proibido.

Amor não-esquecido.

És um ponto de luz

tênue,

quase-apagado,

tremeluzindo no horizonte

meio-escuro

do meu passado...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h42 PM
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CULPA

Maria José Limeira

 

O Narciso que me acusa

no espelho da hora

não é homem.

É senhora.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h31 PM
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AINDA ESTÁS COMIGO

Maria José Limeira

 

O dia, quando chega, quebra a resistência do meu corpo.

Estou partida em duas.

Uma, quer viver até o fim, embora a outra sofra.

Parte de mim eleva-se acima das querelas. Sonha.

A outra, morre arqueada sob o peso do Nada.

Não quero saber a quanto o dólar despencou ou subiu.

Ou quanto falta de amor para seguir a estrada.

Sou feliz.

Mas, um outro ser que desconheço joga-me na realidade, que é mesquinhez e saudade.

O diabo da torneira respinga dentro de mim e dá à minha vida a dimensão da tortura, da guerra que perdura, da difícil criatura que eu sou.

Por que sofro de asma?

Minha casa está fechada, enquanto o outro lado, o meu interior, enxerga o mundo.

O horizonte me recebe em bênçãos.

Por trás do monte há futuro.

O lado que abomino é escuro.

Há vida depois da morte?

Se houvesse eternidade, no leito que me incendeia, onde enterraria meu drama até que a noite chegasse?

Uma parte de mim, ama.

A outra, reclama.

Na minha rua, chove torrencialmente.

No meu desejo, faz sol.

Minhas mãos são calejadas.

Já meus pés andarilhos são caminheiros incansáveis, correndo atrás da beleza do arco-íris, que nunca ninguém alcançou.

O eterno me esmaga.

Um estúpido sentido de derrota diz-me que o adeus existe.

Mas, na minha cabeça, uma idéia brilha como diamante: ainda estás comigo, meu amor, ainda estás comigo.

Não foste embora.

Não és adeus.

Não és ausência.

Não és saudade.

Ainda estás comigo ainda estás comigo ainda estás comigo ainda estás comigo ainda está comigo ainda estás comigo ainda estás comigo...

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista

democrática de João Pessoa-PB.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h44 PM
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BOCA SANTA

 

A mulher é quem tem a boca santa,

a boca gostosa, a boca do desejo,

que me engole por completo,

não deixando nem os ovais de fora.

Boca santa, santa bocanhada. 

 

Autor: Eduardo Gomes

Data: 26/06/1999

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www.egomes.com.br

egomes11@terra.com.br

Tel.: 55 - 71 - 9121.5515

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h09 PM
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FUGA

Maria José Limeira

 

No meio da festa,

fugimos para o banheiro.

Fizemos sexo com água,

fezes,

urina,

cacos de sabonete,

e gosto de pasta de dentes.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h06 AM
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O MAIS INTERESSANTE

Maria José Limeira

 

(Para Linaldo Guedes)

 

Não importa se somos amados.

Ou não.

O mundo fica muito mais bonito

quando a gente ama.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h10 AM
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MÁGOAS, RESSENTIMENTOS E TUDO QUE NÃO PRESTA

Maria José Limeira

 

Carro que anda na frente dos bois é retrocesso.

Talvez por isto tenham dado outro destino aos bois.

No final do túnel, há uma luz irresponsável, que cada vez mais se distancia.

O que tem de gente magoada neste País  forma uma longa fila que vai desembocar no inferno.

Nem Sartre seria capaz de demovê-la.

Há um rosário de ressentimentos nas pessoas carentes de amor.

Esta reza preenche páginas inteiras de livros que Dostoievski escreveu, quando eu nem sonhava nascer.

No entanto, ele os escreveu pensando em mim...

Se todo erro fosse lição, eu já teria aprendido alguma coisa.

Toda dor tem o seu remédio: Vallium, Gardenal, Dolantina, Novalgina, Atroveran, Lexotan... etc.

Tem uma coisa no mundo pior do que ser Poeta: morrer de amor.

Ah, tristeza, tristeza!

Quantas mágoas acumulas num recipiente de tão pouca dimensão...

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.



- Postado por: Zezé Limeira às 02h14 AM
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Resposta que recebi aos meus versinhos Filosofia de pára-choques

Esta ousadia extraordinária eu recebi em resposta aos meus versinhos "Filosofia de pára-choques". Infelizmente, o autor (ou autora?) não assinou seu nome verdadeiro, preferindo usar um heterônimo. De qualquer modo, vale o destaque. E obrigada pela participação. Saludos. Maria José Limeira.

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Pegou-me pela estrada de polegar em riste pôs a mão em minha coxa elogiou meus seios tristes e meio atemorizada senti que estava molhada que outros elogios são potentes como uma ereção? acendi meu lado puta abri o cofre da calça e logo eu saboreava um vigoroso e lindo pau. Parou num motel de posto imprensou-me contra o encosto e vi voar, rasgadinha e molhada a minha calcinha. quase gozei nos seus dedos quase levei um beijo mas preferi ser soprada lambida, mordida, chupada e já em ponto de bala, montei e o deixei sem fala Enquanto gritava e gozava.

amazona da boléia | stuntho@hotmail.com |  09/01/2005 18:50

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h53 PM
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AO MEU PAI

Maria José Limeira

 

Pai,

você se lembra?

Eu estava bêbada.

Pedi-lhe para fazer amor

comigo.

Mostrei-lhe meus seios

adolescentes.

Você não topou.

Deu risada.

Esta sua filha de hoje,

lúcida,

penhoradamente,

lhe agradece!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h38 PM
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MUSO
Maria José Limeira

Não é seu olhar
derramado
que me inspira.
O que mais me comove
em você
é seu sexo empinado!




 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h34 PM
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Mais resposta aos meus versinhos Qualidades essenciais

SER VELHINHO
Hilton Junior

Ser velho não é certeza
De ter pau mole, nem vazio
Mulher que é boa tem destreza
De acender logo esse pavio.


- Postado por: Zezé Limeira às 04h09 PM
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Resposta aos meus versinhos Qualidades essenciais

UMA RESSALVA
Betinho Aristheu

Sem querer comprometer
a sutileza dos versinhos,
acho, Maria, que esqueceste
do pau mole dos velhinhos...



- Postado por: Zezé Limeira às 07h14 PM
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SEXO ANAL

Maria José Limeira

 

Na posição animal

-de quatro!-

o mundo fica

muito mais bonito.

 

 

FILOSOFIA DE PÁRA-CHOQUES

Maria José Limeira

 

O que é que eu vou fazer

com um poeta-intelectual,

se o motorista de caminhão

é que é bom de cama?

 

 

BEBÉ & TOMÉ

Maria José Limeira

 

Quando eu sou boca,

ele é sexo.

Quando eu sou cara,

ele é nexo.

Deve ser por isso

que a gente se entende.

 

 

QUALIDADES ESSENCIAIS

Maria José Limeira

 

Toda mulher

que se preza

tem que ser honesta,

trabalhadeira,

sensual.

Todo homem

tem que ser macho.

De pau duro! 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h07 PM
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Resposta aos meus umbrais da felicidade

PORTA FECHADA
Douglas Mondo

Fecha-se sim!
Quando o cérebro diz assim:
__Ai que dor de cabeça!
Pela porta não passa nem a cabeça.
Enfim!
 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h01 AM
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UMBRAIS DA FELICIDADE

Maria José Limeira

 

Há, entre as pernas,

uma porta escancarada

que leva ao paraíso.

Essa entrada

não se fecha nunca!

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h03 PM
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CERTFICADO DE GARANTIA

Maria José Limeira

 

Ao redor do mundo,

não há camada de ozônio

que nos resguarde.

O que sustenta

o desequilíbrio da Terra

é o precário tripé:

Adeus.

Solidão.

Saudade.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h48 PM
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Resposta ao Pássaro Ferido

PERPLEXIDADE

Clevane Pessoa

 

(Para Maria José Limeira)

 

 

Frêmito de asa ferida,

que não mais pode esticar...

Tiro, susto, foge a vida,

impossível de guardar..

 

A beleza colorida,

o sangue, a seda esgarçada,

após a queda incontida

em segundos, vira nada...

 

A voz  agora contida,

paga pela insensatez:

a canção já foi querida,

agora não tem mais vez...

 

E os olhinhos, que na lida,

triavam todo alimento,

já se fecham...comovida

dirijo-lhe o pensamento...

 

-Pareces, ave, com gente

"alvo" de bala "perdida"!

Que coisa mais incoerente,

no seu corpo achar guarida... 

 

(Belo Horizonte,02/01/2005) 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h28 PM
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FOLHETINS DO PÁSSARO FERIDO

Maria José Limeira

 

Ao amigo Mauro Cassane

 

Se há uma asa ferida

arrastando pelo chão,

com a outra a gente sonha

embalada na canção...

 

Bala perfura tímpano.

Pássaro no meio-fio

não ouve mais som de pífano.

Agoniza no vazio.

 

Entre ais e alguns suspiros, 

brilha em frestas de galho

o branco-neve dos lírios

que lhe serve de agasalho.

 

Já no último momento,

na solidão mais atroz,

o seu canto agora é lento,

porque está perdendo a voz.

 

E antes do adeus final,

um olhar pelo que jaz

dá o último sinal

de que não vai cantar mais...



- Postado por: Zezé Limeira às 11h44 AM
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MINHA POESIA BÊBADA E SEM DESTINO

Maria José Limeira

 

Minha poesia é sem rima, não tem pé nem cabeça.

Imagino-a tropeçando por aí pela rua, bêbada e sem destino.

Se não tem cabeça, não é poesia. É mula de padre.

Mas, o que pode o padre fazer com uma mula assim?

Não tendo cabeça, não tem olhos.

Sendo assim, não pode enxergar o caminho.

É animal imprestável, portanto.

Mula, padre, poesia, destino, caminho...

O que tudo isto tem a ver comigo, a não ser que estou sozinha?

Estar sozinha é como perder todos os elos.

Ninguém tem razão para escolher a solidão, como eu fiz.

A mesa, onde apoio os braços, é, talvez, o maior exemplo de quem pode sobreviver sem o mínimo que seja.

Mesa já foi árvore derrubada, cujos troncos mutilados boiaram sobre as águas do rio, e se

deslocaram na direção da cidade, por entre ruídos de serras elétricas e homens insensatos.

Em seguida, como produto inacabado, foi carpintaria, roupa de pintura nova, vitrine de loja e descanso no meio da sala. Essa movimentação envolveu gente, trabalho, histórias e sonhos.

No meio da sala, agora, no entanto, é espectro calado.

Minha poesia é assim: bêbada, sem olhos, tateando na sombra, padre sem cabeça, mula sem padre ou mesa arte-final.

Minha poesia, sorumbática e calada, é animal imprestável, que não enxerga o caminho.

Meu texto é cansado, vítima da asma colérica, e sofre de ansiedade.

Ah, como eu admiro os grandes escritores, cujos poemas narram as voltas das borboletas em torno do mel das flores!

Eu queria dar luz à minha poesia, para que vibrasse, como o sino da matriz em dia de festa.

Queria uma poesia azul e branca, como o céu do Nordeste.

Que minha poesia cantasse a vida e encontrasse o amor.

E que esse amor fosse alegria, e não danação.

Em vez disso, quando os braços se apóiam sobre a mesa para escrever, vêm-me à lembrança o soturno céu da minha infância, o exílio em que mergulhei para escapar da dor, o primeiro amor de cuja perda nunca me recuperei, a casa de onde fui despejada, as separações que a vida me impôs, e todo o resto que me escapa e amarga.

Minha poesia é meio louca.

Parece a cabeça da mula que o padre perdeu.

Por isso sou sem destino, tristeza, solidão, árvore mutilada, cadáver insepulto, espectro de mim, sombra encostada nos muros ao sol, e fantasma no meio da noite.

Minha poesia nunca amanhece...

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”)

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB. 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h52 PM
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MEU CORPO

Ricardo Iribarren

 

(Tradução: Maria José Limeira)

 

Em meu baixo ventre

arroios de fogo

são festins de terra.

Correm a um crepúsculo sonhado

que nunca chega

enquanto animais sombrios

de olhos vidrados

passeiam nas margens com garras afiadas.

Peixes cristalinos saltam das águas

revestidos de amianto.

Meu corpo é um território

que só eu conheço.

 

Parado na grande protuberância

vejo rios  vermelhos

mares que percorrem

planícies imensas, os fulgores

em que às vezes rompo meus fêmures 

tentando alcançar um vulto

fantasmagórico  e abismal que se detém

insinuante

à porta da noite.

 

Agora

rompo minhas fronteiras

e me volto timidamente para a lua

que me olha com seus milhões de olhares

e devora meu coração

pausadamente.



- Postado por: Zezé Limeira às 10h05 PM
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NO DESERTO DO CORAÇÃO

Maria José Limeira

 

As ruas passam  apressadas pelas janelas fechadas.

Cheias de pernas, pés, braços, mãos abanando, gestos.

O mundo é imenso ventre abaulado, em gestação.

E quando os humanos se distanciam estrangulados no tempo, são as árvores que embalam meus pensamentos, desde o tenro caniço ao enorme baobá.

Também estes aram seus sentimentos altaneiros e orgulhosos.

Em seguida, como cena dramática de filme antigo, em reconstituição, no escuro laboratório, imersos na matéria química que lhes dá vida, todos morrem.

Fico então a sós.

Presa no deserto - ora morno, às vezes quente, talvez frio, ou para sempre gelado - que se chama coração.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h01 PM
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Parceria - Maria José Limeira / Haroldo P. Barboza

MOTEL AÉREO

Maria José Limeira

 

No espaço sideral,

como vou encaixar sexo

do meu eu-real

na indumentária

do parceiro ideal

cujo fecho embirrou? 

 

A LEVEZA DA ESPADA

Haroldo P. Barboza

 

Se no vácuo desta esfera

Tudo igualmente flutua

Como se peso não houvesse

Duro encaixar a minha na tua

Que não pode ficar nua.

   

QUANTA DIFICULDADE!

Maria José Limeira

 

Eu, lá em cima, no alto,

e você ao rés-do-chão,

sem poder dar nenhum salto

pra pegar meu coração.

(Como ficamos?) 

 

A LEVEZA DA ESPADA (2)

Haroldo P. Barboza

 

Pela lentidão de movimentos

Neste ambiente de ficção

Não adianta fazer força

Pois não existirá fricção

Nem mesmo na 5a. dimensão!

  Haroldo P. Barboza

  

ANJINHA TRISTE

Maria José Limeira

 

No meio da nave, vôo.

Como anja de uma asa só.

Você fica a ver navio

e pavio não funciona.

Pra ficar assim na lona,

é melhor a gente voltar

pra casa...

(Não acha?)

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h38 PM
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DECLÍNIO

Anísio Lage

 

Cedo vai-se a juventude

A torrente não é lerda

Cuidado! O mundo o ilude

E o saber não se herda

A vida começa aos quarenta?

Tal mentira não contenta

Ficar velho é uma merda

 

(Do livro “Divagações & Impropérios”)

http://geocities.yahoo.com.br/pau_de_sebo/



- Postado por: Zezé Limeira às 04h21 PM
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CORPO EM CHAMAS

Maria José Limeira

 

Este corpo é meu: seios, mãos, curvas.

O uso que faço do meu corpo não pode ser regulamentado por decreto.

Minha criatividade não merece castigo.

Tenho direito a dizer Não.

Recuso-me ao vazio como prêmio.

Não sou obrigada a amar meus agressores.

Sou gente: preciso de Poesia.

Quero adormecer tranqüila, à noite, sabendo que minha missão no mundo será cumprida.

Não cederei meu lugar a ninguém pela força.

Uso a linguagem dos animais. Quem quiser que me entenda.

Vou procurar minha turma selvagem

A coragem é irmã-gêmea do medo.

Quando sentir dores, gritarei.

Tenho que gritar também quando gozo

Meu olhar brilha na escuridão.

Mesmo cansada e ferida, continuarei lutando.

Quero ser única, e não multidão.

Embora fogo seja alegria, pode ser também destruição.

Roubarei os direitos que me forem negados.

Sou inocente, e não ingênua.

Se desistir, perderei contato comigo mesma.

Não cumprirei proibições.

Não chorarei sentada, num canto, sozinha.

Não lamentarei o inexorável.

Irei à luta, mesmo enxergando apenas o que as lágrimas deixam ver.

Não me contentarei com migalhas.

Quero-me íntegra.

O mar que guardo dentro de mim é tão grandioso e intenso que seu nome é outro: liberdade.

A Terra gira ao redor do coração.

Só existe sombra quando luz é réstia.

Saber demais é o primeiro sinal de velhice.

Quando a alma se congela, o corpo morre.

Meu corpo fala várias línguas.

Por trás de cada rosto pálido há um corpo em chamas.

Será preciso milagre para fazer corpo levitar.

Para que caia, basta apenas empurrão.

Somente uma pessoa me ama de verdade, sem impor condições: eu.

Toda vez que tento rabiscar a palavra amor, o que aparece escrito no papel é solidão.

Quando corpo se cansa de esperar por alguém que não vem mais, o melhor a fazer é deitar-se, dormir e

sonhar...

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”)

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)



- Postado por: Zezé Limeira às 03h40 PM
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EM CESARÉIA

Simone Carneiro Maldonado

 

          Sob os céus de Cesaréia tive orgasmos longos. Demorados e certeiros, inevitáveis, múltiplos. Depois de um uivo prolongado, aquele grito rouco espedaçado na garganta, a boca aberta, sugando avidamente o ar. Outro orgasmo me viria. E outro, e mais outro, como água corrente. Dali pra frente. A vida nunca mais será a mesma depois de um desses orgasmos. São realizações de um desejo que não se esgota nunca.Só um desejo múltiplo e infinito, insaciável em si, pode gerar orgasmos múltiplos, infinitos, insaciáveis em si. Espasmos intermitentes. Peixe fora d´água, mas ainda vivo e sem ensandecer. Meu corpo nu. Meu corpo torto, varado pela penetrante presença do prazer. Estremecendo cada vez menos, consciente e enlouquecida. Presente e fora dali, fora daqui, fora de lá. F´´ora. Estranha passante que recolhe a cabeça na ponta do pano que esconde sobretudo o rosto, os olhos, a boca, na ponta do pano escuro que nem xale chega a ser. Cobre o rosto mas descobre os ombros.

.......... 

Fonte:

http://jardinsdecoral.zip.net/index.html 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h28 PM
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BIOGRAFIA
Maria José Limeira (Ferreira) nasceu em João Pessoa-PB, Brasil, fez curso (incompleto) de Filosofia Pura na UFPB. Presa, em 1964, pelas forças da repressão, no Quartel do 15RI, abandonou seus estudos superiores,auto-exilando-se nas cidades do Rio e São Paulo, onde conviveu com os escritores Aguinaldo Silva, Vinicius de Moraes, Assis Brasil, José Edson Gomes. Conheceu, no Rio, o poeta português e crítico literário Arnaldo Saraiva, da cidade do Porto, que dedicou a ela seu livro ""Encontros/Des-encontros, amizade que perdura até hoje. Retornou à Paraíba nos anos 70, quando ingressou no Jornalismo, começando como repórter até chegar a ocupar cargos de Direção em diversos jornais, inclusive no semanário "O Momento", que ajudou a fundar...

Livros publicados:
"Margem", "Aldeia virgem além", "As portas da cidade ameaçada", "O lado escuro do espelho" (contos); "Olho no vidro"(novelas) e "Luva no grito" (romance). Escreveu também peças teatrais, como "Os maloqueiros", "O transplante" e "O alcoólatra". A peça "Os maloqueiros" recebeu Menção Honrosa em concurso de âmbito nacional promovido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte-MG. Atualmente, escreve um livro de "Memórias".

Outros textos inéditos:
"Contos da escuridão" (contos), "Todos os seres" (poemas longos), "Crônicas do amanhecer" (crônicas). Foi uma das fundadoras, na Paraíba, do Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA-Pb), num esforço conjunto com outras entidades pela promulgação da anistia ampla, geral e irrestrita no Brasil. Atualmente reside em João Pessoa-PB.
Quer entrar em contato comigo? Então escreva:
Email: mlimeira_blog@yahoo.com.br