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ALGUÉM, SE NÃO VIERES

Luiz de Aquino

 

Eu preciso que me olhes nos olhos

e decifres a angústia

que te atrai e me tortura.

 

Eu preciso te dizer certas coisas

que se calaram em mim quando te vi

na manhã imprevista

e indecisa,

mas dizer estas coisas custa ânsias

incontroláveis.

 

Eu preciso de vez que te chegues a mim

e não me digas bom-dia

e nem me cobres os dias e noites

da nossa ausência.

 

Eu preciso de alguém

que converse comigo

no amanhecer.

..........

Fonte:

http://www.luizdeaquino.na-web.net/

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h56 PM
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FOLHETINS DAS TREVAS

Maria José Limeira

 

Eu me lembro do escuro.

De quando fechava os olhos

e contava estrelas.

De como a cabeça doía

no avanço da madrugada,

e só depois do caso passado

conseguia dormir.

Com a luz do sol

em pequenas explosões.

 

Eu me lembro da estação escura,

onde esperei você tantas vezes.

De como o trem avançava

com aquele grande holofote

pegando fogo e resfolegando.

E você não vinha.

Você não chegava nunca.

Eu adormecia enrolada em lágrimas

com a máquina do trem

dando pinotes dentro de mim.

 

Como era triste aquela espera.

Como era escura a noite

na estação vazia.

Como eram amargos os meus dias.

E como doía a ausência...

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h07 AM
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UMA VIAGEM

Otávio Coral

 

no abismo dos olhos

no labirinto dos mistérios

no aconchego dos gestos

no breve suspiro

vou-me esvaindo cônscio

num mergulho de paixão

 

 

UMA PAISAGEM

Maria José Limeira

 

No horizonte devassado,

na esquina misteriosa,

no grande beijo roubado,

na flor que se chama rosa,

há um gesto em explosão,

um futuro retardado,

uma dor no coração

de um amor hoje-passado...

 

 

PROXIMIDADE

Otávio Coral

 

um frêmito de espanto

explode num doce murmúrio

soprado pela distante voz

  a luz da memória ilumina a ausência

 

 

DISTÂNCIA

Maria José Limeira

 

Tão perto e tão distante.

Parece um sonho desfeito,

abrasado pelo instante

dos lençóis onde me deito...

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h59 AM
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QUANDO MAMÃE SE TRANSFORMAR

Conto de Ademar Ribeiro

 

                     Na minha casa, ninguém se entende. Desde os tempos do útero, e, já, de muito antes (de quando nem ao menos estávamos programados, mas que guardamos no nosso mais remoto inconsciente), que engendramos uma família de mísero estigma e odiosa subserviência aos pés do mundo, lá fora, esmagador.

                    A minha mãe, temo, teria assassinado minha irmã com veneno no fundo do copo, no auge da sua vocação religiosa,  porque Maria (era o nome da minha irmã ) só cantava hinos da sua autoria, e Mamãe tinha interesse em vender barato o pouco que era nosso, e que em casa todos deixassem entrar fácil o que vinha de fora, em forma de esmolas disfarçadas do vizinho rico, Seu Mac Donald, que morava uma quadra acima da nossa vila.

                    Depois que Maria morreu, eu debandei de vez, porque em casa era ela a única pessoa que entendia das coisas por si mesma, com pureza e sem distorções, e sem nunca ter freqüentado escola; a única, além de mim, que tinha vergonha na cara. Os meus outros irmãos eram todos espertinhos, mais ou menos sem moral, ladrões e cúmplices entre si (embora minha mãe nunca tivesse propriamente roubado,  deixou-os render-se ao dinheiro e adotar todo tipo de tacanhice para consegui-lo) .   

                    Quando Maria morreu  (não sei bem se morreu, sua voz ainda hoje me corta) houve um lance muito sutil, com que estou certo de não me ter enganado: ninguém chorou de verdade, lamentou, convicto, ou procurou investigar a causa, como sempre se faz. Ou,  se o fizeram, que fizeram, concluíram que o pozinho no fundo do copo de Maria era talco (talco, imaginem...talco).  Nunca vou poder me esquecer das caras dos meus irmãos mais velhos e menores à beira do caixão (da família toda, que era enorme)  refletindo o estado de frieza que a minha mãe lhes incutira contra a desditada Maria, todas as horas dos seus dias, e que naquele momento tentavam disfarçar com patética encenação. Se não me engano, até vi o lábio da Velha a tremer, como querendo sorrir, quando o caixão saiu, e, outra vez, no cemitério, quando baixou à tumba.

                    E muito embora ela ainda conserve, passados vários anos, retrato da menina em lugar de destaque, na parede da sala, não esquecendo as flores nas datas certas e até usando hinos de Maria no coral da igreja, quando ela toca em seu nome, eu percebo um rilhar de dentes por trás da boca carnuda e cusparenta. E se ainda menciona Maria, não é, não me engano, por saudade ou por outro qualquer atributo humano, mas por questões diplomáticas com a vizinhança e o pessoal da paróquia.

                   Porque Maria, quisesse ou não Mamãe, conquistou seu espaço por todo o bairro, entre outros membros de outras famílias mais evoluídas. Deixou de fora o que merecia estar de fora e foi ao encontro do que quis, alastrando-se mesmo a despeito do ódio da Velha e da indiferença da maioria dos seus. Sua única e maior fraqueza, ou coragem suprema, terá sido deixar-se matar. Bem que podia ter-se disfarçado até hoje, como eu, o bastante para presenciar o dia em que Mamãe vai se transformar, ou morrer, também, como morre, aos poucos, de podre.    

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h55 PM
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TORMENTAS

Alan de Bennet

Betinho Aristheu

Zé Ferino

Maria José Limeira

 

 

 

Numa tosca e velha canoa

atravesso as minhas tormentas

com a ventania na proa.

(Alan de Bennet)

 

 

Nas sarnas que mundo deu.

Nos piolhos do apogeu.

Nas bobinas enroscadas.

Sob escadas cruentas.

Ventos fortes.

Comida tosca

e vida velha.

Tormentas!

 (Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h42 AM
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Minhas tormentas espanto

com u’a garrafa de cachaça,

uma mulher e um recanto.

(Betinho Aristheu)

 

 

Quanto mais homem aparece

mais a vida entontece.

Não há garrafa de cana

que dê jeito.

Amor que queima o peito

mais que sopa de polenta.

Tormenta!

(Maria José Limeira)

 

 

Minha turmenta é todo dia:

Ter qui enchê  minha barriga

e dividir c’as lunbriga

(Zé Ferino)

 

 

Se vida fica azeda.

Se morte é coisa certa.

Quando coração aperta

e roupa já não me senta,

já sei.

Tormenta!

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h38 AM
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POEMAS EM CONTA-GOTAS

Diracy Vieira 

POEMAS A CONTRA-GOSTO

Maria José Limeira

..........

 

FOLIÃO

Diracy Vieira

 

Na imensidão do nada,

o desejo toma corpo e fantasia

e se dispersa na avenida.

 

 

DISPERSÃO

Maria José Limeira

 

Quando nada é mais

do que contudo,

desejo-alegoria

é carro de fantasia.

Enguiça e pára

no desfile

em avenida.

Atropela vida.

 

 

NATUREZA VIVA

Diracy Vieira

 

A janela aberta

o olho mirando outro olho

réstias de sol

vazando imagem a dentro,

imaculada paixão fotográfica.

 

 

VIVER & MORRER

Maria José Limeira

 

Ao pôr-do-sol,

resto de luz tremelica

no estertor.

Quando anoitece,

clarão ainda se despede

no último grito

de quem morre e vive...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h36 AM
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INSÓLITO

Diracy Vieira

 

Devora-me

a língua culta

e a saliva afoita

a boca

de estrelas incandescentes.

 

 

MIGALHAS

Maria José Limeira

 

Quando eu estava

com fome,

engoli as últimas

estrelas

do meu sonho.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h30 AM
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ESCOLHAS

Um texto de Belvedere Bruno

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este poema curto (curtíssimo) é um texto-relâmpago, literalmente, com o poder arrasador de um relâmpago

verdadeiro. Este poema, no meu parco entendimento, tem o mesmo poder de um palavrão, quando a gente se irrita e, de braços dados com a tal gota-dágua, explode. É surpreendente, do início ao fim, com uma solução

altamente criativa.

Conheço os textos dessa autora, que se sai muito bem na prosa, com o mesmo poder de concisão.

Mas, este poema aqui, sinceramente... Se ela nunca tivesse escrito nada, ou encerrasse aqui sua

trajetória, este poema, para mim, valeria como obra-completa.

A palavra tugúrio nunca foi usada, pelo menos que eu saiba, com tanta propriedade.

Eu posso comparar o texto aos belos escritos de Mário Quintana, que sabia usar a ironia como ninguém para

derrubar seus adversários e os problemas de sua vida.

Era curto e grosso, e sem mais delongas.

Esta minha humilde opinião. 

----------

 

Escolhas

 

Belvedere

  

Festival e tanto

de notícia ruim...

pra me distrair

pego  um dicionário,

abro uma página,

escolho uma palavra.

-tugúrio-

..........

Fonte:

oficina_literária-subscribe@yahoogrupos.com.br

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h04 AM
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ODORES
Maria José Limeira

Esses papéis velhos
que os ventos do passado
espalham no caminho
são flores.
Cujo perfume amargo
me sufoca.



- Postado por: Zezé Limeira às 01h57 AM
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TODOS OS SENTIDOS NOS TEXTOS DE CÁRMEN NEVES

Maria José Limeira

 

Recebi pelo correio convencional o livro de poemas “Pensando em ti...”, de Cármen Neves.

Li-o com interesse e emoção.

São textos inquietantes, enfocando o erotismo, tema dos mais difíceis, que a autora trata com todo respeito e com a maior seriedade.

Os poemas de Cármen Neves escorrem como água de riacho, numa simplicidade comovente, sem se importar com obstáculos.

Não conheço a autora pessoalmente, pois milhares de quilômetros separam o pobre Estado da Paraíba, onde resido, de Santa Catarina, onde ela mora.

Mas, isto não impede de observar que ela escreve como fala, e seus textos contam histórias.

Histórias que descrevem a nova Mulher exigindo o espaço que lhe é de direito. Nua, na cama. Ora submissa, ora dominadora, mas sempre presente.

A apresentadora da obra, Claudete Lucyk, diz que a Poesia de Cármen Neves “pouco tem de técnica, porque não é este o objetivo”.

Eu acrescento: o que falta em técnica, sobra em sentimento.

O que interessa no livro é a revelação dos sentidos e a coragem de dizer abertamente o que a maioria esconde.

Mesmo abordando tema difícil, a autora não se perde em exaltações e escândalos. Sua postura é tranqüila, de quem sabe das coisas, transmitindo-a simplesmente, sem mais delongas, como lições de vida.

O mais interessante no livro de Cármen Neves é que os poemas formam um conjunto compacto, permitindo ao leitor apreendê-los um a um, ou no todo.

Há palavras-chave que funcionam como traços de ligação, página a página: pele, olhos, boca, ouvidos, nariz, garganta, coxas, sexos, homem e mulher, como expressões de todos os sentidos do erotismo, em plena realização.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h48 PM
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Todos os sentidos - 2

Como exemplos, cito alguns trechos dos poemas de Neves:

 

“Quero devorar-te com os olhos, com

as mãos e com a boca”.

 

“Cada segundo que passa, sinto meu corpo exalar

um desejo incontrolado por ti”.

 

“O toque de tuas mãos másculas, em minha pele

macia, libera o desejo que está em todo o meu ser”.

 

“Ficaste totalmente ao meu comando e pude usar

minhas mãos, boca, pernas, seios, em teu corpo ereto”.

 

“O desejo em nossos olhos é cristalino”.

 

“Por um instante, senti teu cheiro de homem”.

 

“Neste exato momento, estarei aos teus pés

ajoelhada e inteiramente submissa, sentindo toda

a tua masculinidade em minha boca”.

 

A novidade é que, sem intenção de mostrar erudição, e usando a linguagem mais simples, sem retoques ou enfeites, a autora consegue prender a atenção, da primeira à última página. Como caixinha mágica, que surpreende a cada instante, com um gostinho de venha mais.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h43 PM
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FOLHETINS DOS PÁSSAROS LIVRES

Maria José Limeira

..........

 

POMBO-CORREIO

Maria José Limeira

 

Cada pássaro

em vôo-livre no espaço

é um beijo de amor

que Deus pousa em mim.

..........  

   

Depressa...

Voa depressa !

 

Pairei !

Parabéns !

(F. Luiz Botti)

……….

 

ACIMA DAS NUVENS BRANCAS

Maria José Limeira

 

Pairei acima do vento.

Nuvens brancas, me perdi.

Fui andar, perdi assento.

Te olhei, fiz que não vi.

 

 

BUMBO  

André Chalom

   

bombo-correio

voa depressa

vai explodir

o meu amor  

  

 

BOMBA-RELÓGIO

Maria José Limeira

 

Quando bomba explodiu,

no meio da multidão,

minha calcinha

caiu no chão.

Toda suja de sangue!

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h35 AM
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UMA VELA PARA DEUS
OUTRA PARA O DIABO
Maria José Limeira

Para Samuel Silva (Sam)

A Deus mandei uma vela.
Mas o Diabo me pegou.
O ódio é quem me desvela.
Mas também gosto do amor.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h24 AM
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Parabéns para quem corre da carranca do carimbo, caramba!

(Edison Veiga Jr.)

 

 Dormi hora e meia. No meu sonho tinha um revólver verde e quase enferrujado com o qual eu matava todas as pessoas chatas.Matei-me.

                                                        ***

 Um dos gnomos acordou bravo e chutou o microfone do repórter de tevê que  tentava entrevistá-lo já há três dias e fazia plantão em frente ao manicômio.

 Era dou-me-em-gol mas para ele todos os dias eram segundas-fúrias. O  repórter insistia que eram terças-férias ou, no mínimo, quartas-frias.

 - Quinta-fora! Hoje é quinta-fora!

 Eu ficava no meu canto, torcendo pra que todos os dias inclusive hoje  fossem mesmo é sextas-folgas. Mas era sabido.

Todo ano era coelhinho-da-páscoa-que-trazes-pra-mim. E a gnomidade louca

corria se esconder os ovos para que os ovos se mostrassem espertos rápidos e encontrassem os gnomos primeiro. Aí cada ovo  se escondia onde antes houvera gnomo e a criançada

doida corria pra achar-comer ovo.

 Eu enganei um bobo na casca do ovo.

 Então.

 Lembro-me do meu bambu do qual brotei em sua ponta esquerda. Lembro que ele

era mamãe e me contava historinhas pra boi e gnomo dormir cor-de-abóbora. O boi ficava cor-de-burro-quando-foge mas eu sempre de-abóbora. Diabo borá.

 Não acredito em aniversários

                                                        ***

 Sabe por que chato matei-me? Porque Ana dá o cu. Porque o ânus é seu.

Porque licor de anis é bebida de gnomo. Porque anus voam feito urubus. Porque os anais da história não guardam memória. Porque  animais!

 Porque aniversário.

                                                        +++

Edison Veiga Jr é de Taquarituba, cursa jornalismo na Unesp-Bauru, já publicou e/ou participou de diversos livros/coletâneasde poesia/prosa e magia. Tem um blog na net(Um

espirro:http://www.un_espirro.blogspot.com/) e muitos projetos na cabeça.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h34 AM
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LIBIDIHOUSE

Lau Siqueira



ancorado
nas alamedas escancaradas
das tuas coxas
mergulho
na contemplação
do teu corpo nudo

entrar em você é o mundo

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h03 AM
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Ainda sobre meus Folhetins

zezé, gosto do que você escreve e digo que é poesia, sim. você tem uma tendência forte para o chamado poema-piada, imortalizado por muitos modernistas. só que o seu, vai mais para o lado erótico.

beijos, poeta.

Linaldo  Guedes

..........

 

 maria.

o poema é coice.

pétala partida-parida

na fresta dos dentes.

arregaço.

cutucão no meio da carne.

o poema é:

 

mario cezar

www.mariocoivara.blog.uol.com.br

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h37 PM
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ESCREVER

Maria José Limeira

 

Escrever é dar um tiro no escuro.

É fazer foto do etéreo e do devir.

É ver flores, onde só há monturo.

É ir embora e dizer: Estou aqui.

 

Escrever é para-sempre e o agora.

É quando parte sentir que inda ficou.

É rir de tudo e calar alma que chora.

É jogar com afinco, e nenhum gol.

 

Escrever é rimar o que não rima.

É fazer verso que não vai ser lido.

É lá de baixo gritar: Estou em cima. 

 

Escrever é o eterno e o fugaz.

É ver  na coerência o sem-sentido.

É ir embora e ainda olhar pra trás...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h10 PM
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Sobre meu blog e meus folhetins

Minha doce Maria

Lá estive a ver teu blog, muito bem feito, diga-se, parabéns.

Do que vai pelas opiniões, cada qual tem lá o seu parecer.

Escrever para mim, não tem lá preocupações com os ditames

destes ou daqueles, pois entendo que escrever é passar adiante

aquilo que vai tocando o coração de cada um.

Certo ou errado, tanto faz.

Dentro das normas literárias ou não, tanto faz.

Mas nada pode impedir o prazer de escrever.

Mesmo que tenhamos um único leitor, aquele que leva nossos olhos.

Caso tenhamos alguns mais, ...

Aprecio o seu trabalho com muito gosto.

Um grande beijo,

 

LUIZ CARLOS LOPES

(Peixão89)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h02 PM
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A PERGUNTA É A SEGUINTE:

 

Estive conversando ontem, por telefone, com meu amigo Ademar Ribeiro,  que está frequentando meu blog todo dia. Ele fez críticas ferrenhas aos meus "folhetins", achando que não são "Poesia". Disse que, apesar de tudo,  são "engraçados". Mas, não são poesia. Ademar é um crítico ferrenho muito zangado. E a opinião dele é muito importante para mim, justamente pela sinceridade e honestidade que ele usa para dizer as coisas, sem

rodeios.

O que vocês acham?

Meus folhetins não são poesia?

Ou são?

Saludos.

Maria José Limeira.

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h39 AM
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A pergunta é: - Roberto Di Maio

Doce Limeira: 

A primeira definição de poesia que se encontra num dicionário é "arte  de escrever em verso". Não basta, portanto, escrever em verso - isso qualquer um pode fazer, até com rima e métrica. Há que ter arte. Sem arte, ou um mínimo de arte, temos um texto com a forma de poema, mas sem a sua alma, a poesia, porque só a arte entende e pode traduzir a poesia em versos, ou em qualquer outra forma de expressão por isso mesmo chamada de artística.

Se alguém, no bar da esquina, diz "Eu gosto de buceta cabeluda", ninguém dirá que o sujeito é um poeta - a menos que tenha bebido tanto quanto ele.

Será que teríamos uma opinião diferente se a declaração fosse feita em versos? Por exemplo:

 

Eu gosto de

buceta...

cabeluda!

 

Só se confundirmos poesia com maneirismo.

Infelizmente, a ninguém interessam as nossas experiências pessoais, os nossos anseios individuais. Quando lemos um poema queremos experiências que possamos partilhar. Como diz José Paulo Paes (Poesia Erótica em Traduçao, introdução):

"Pois a arte faculta reviver, no plano imaginário, o essencial do que se viveu ou se aspirou a viver no plano do real: outrossim, graças à persuasividade da forma artística (e não apenas documental) em que afeiçoa as suas vivência memoráveis, o poeta permite que as partilhemos com ele como se fossem nossas."

Ou seja, se alguém gosta ou não gosta de alguma coisa, isso é, do ponto de vista da arte, irrelevante. Mas se alguém sabe expressar esse sentimento de uma forma que desperte no leitor a sensação de estar vivendo a sua experiência, isso é arte.

Um abraço,

(Di Maio)

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h31 AM
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A pergunta é: - Dira Vieira

 

 

Maria, pense num assunto polêmico, o que é ou não poesia. Eu sempre te

disse que não gosto dos seus poemas, mas sou fã de suas crônicas. Acho

que na prosa você tem a sua parcela poética carregada de sua alma, de

uma forma que prende o leitor, cativa, faz refletir e é imbatível,

dentro de sua temática. Da poesia, eu não sou muito fã. Apesar de dar boas

risadas pelo seu sempre bom humor e capacidade de brincar com assuntos

ainda tão polêmicos, considerados tabus, e rodeados, por incrivel que

pareça a essas alturas do tempo, de preconceito, como a sexualidade

humana. 

Não sei ou não se é poesia. Eu não vejo como tal. Mas dos seus

improvisos e das suas trovas com os amigos, são perfeitos e eu tenho a maior

inveja pq n sei improvisar e nem fazer o "repente" que vc faz e por isso

te admiro muito.

Gosto quando vc troca trovas com os outros poetas. Mas esses curtinhos,

as vezes rimados, outras vezes de pé quebrado, eu nunca os olhei como

poesia, mas como brincadeiras suas com a palavra, pra bater na cara dos

que pensam que são e na verdade não são nada...

É o que penso.

(Dira Vieira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h54 AM
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A pergunta é a seguinte: - Hilton Júnior/André Chalom

Será?

O que é poesia para este seu amigo?

O que é poesia pra você, aliás o que é poesia para todos aqui?

Nada é mais deprimente que uma comunidade onde se propõe discutir poesia e os textos ter tópicos onde o único "post" é o do autor do texto.

Será que o que nós fazemos aqui é poesia??

Será que são palavras "engraçadas no papel"?

Eu acredito que é poesia sim, pode não ser a poesia que seu amigo espera, mas é. Nem precisa ser a melhor poesia pra ele. Mas mesmo assim não deixa de ser poesia.

POESIANELE!!!!!

Abração Maria.

Ahhh se alguém quiser um endereço de um lugar legal, legal mesmo. Limpinho e bonitinho eu vou ajudar...

http://massaraiete.zip.net

(Hilton Júnior)

..........

  

Vamos sempre rodar e rodar e rodar ao perguntar o que é poesia. Eu já nem me importo mais em o que seja poesia e o que seja arte. Mas isso é certamente porque eu não me vejo obrigado a fazer arte.

(André Chalom)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h47 AM
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A pergunta é a seguinte - José Nunes/Hilton Júnior

 

Ah...eu continuo me importando com o que seja poesia e arte. Porém, há algum tempo deixei de me importar tanto como o que os outros entendam ser poesia e arte. Talvez porque eu até ainda faça alguma arte...mas não para os outros.

(José Nunes)

   ..........

Vamos continuar?

Mas é importante nos situarmos para não sairmos fazendo bobagem. Sempre achei que o que fazemos aqui é poesia e, tem muita coisa boa.Tem algumas vezes que pisamos na bola. Arte é difícil de definir, mas se quisermos discutir poesia sem ficarmos rasgando seda temos que nos definir e lutar pelo nosso lugar ao sol. Conheci a Maria, grande poeta, assim numa ferrenha discussão sobre poesia. E o melhor é que nossas idéias não eram as mesmas, muito pelo contrário.

A poesia era uma m... mas a amizade e o respeito venceram a discussão e isso é que faz das coisas que fazemos importantes para nós mesmos.

Falei demais?

Abrações!!!!

(Hilton Júnior)

..........

Fontes:

oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br

Comunidade Oficina Literária

www.orkut.com/

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h41 AM
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FOLHETINS DE LAÇOS E LUAS

Maria José Limeira