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Grito - Virgilio - Em Português

GRITO

Virgilio

 

(Tradução de Maria José Limeira)

 

Somente o amor, dizem-me, somente amar,

que por amor Cristo morreu crucificado

e então aconselharam-me sacrifício,

que é doar-se sem esperança,

e seguir doando-se,

ainda quando não reste mais nada,

apenas a dor que se segue, depois de tanto,

e grito agora;

que ninguém já não me escuta,

que não sou Cristo;

não espero o Céu,

que o que desejo, só e simplesmente,

é alguém que diga que me ama,

que me olhe dentro dos olhos e compreenda

que sou apenas humano e nada mais,

que não sou nada

só os fracassos de outras vidas,

que sou meu pai, minha mãe

e meus avós,

que estou mais perto do chão do que do céu

e que tenho todo este amor que ninguém quer

esvaindo-se em minhas veias lentamente.

- Postado por: Zezé Limeira às 11h50 PM
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Grito - Virgilio - Em Espanhol

Grito

 

Solo el amor me dicen solo el amor

que por amor el Cristo murió crucificado

y entonces me dijeron sacrificio

que es el dar y el no esperar

y seguir dando

aun cuando ya no queda nada

solo el dolor que sigue ahí, después de tanto

y grito ahora ¡

que nadie ya me escucha

Que no soy  Cristo ¡

No espero el cielo

Que lo que quiero  es solo y simplemente

alguien que me diga que me quiere

que me mire a los ojos y comprenda

que soy un hombre nomás

que no soy nada

Hecho con deshechos de otras vidas

que soy mi padre soy mi madre

mis abuelos

que estoy mas cerca de ese suelo que del cielo

Y que tengo todo ese amor que nadie quiere

secándose en mis venas lentamente

 

virgilio 

Marzo de 2005

- Postado por: Zezé Limeira às 11h43 PM
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Matilde Alba Swann - Boa notícia

MESTRE

Vejam,  amigos & amigas, como é bonito o trabalho que a gente realiza na internet. Este é o filho da grande Poetisa Matilde Malba Swann (já falecida), me pedindo autorização para divulgar a tradução de um poema da mãe dele, num livro que ele está escrevendo sobre ela. Um abraço, saludos, e saibam que eu estou felicíssima. E é claro que concedi autorização. Maria José Limeira.

..........

 

hola maria.

te acuerdas de mi? soy uno de los hijos de matilde alba swann. necesito pedirte permiso para incorporar la traducción del poema maestro (mestre), de tu autoria,  en una biografia de matilde que estoy escribiendo a partir de sus poemas ineditos. le intercalo poemas consagrados, anecdotas y  opiniones.

tambien quisiera pedirte algunas pocas lineas  resumiendo tu opinión sobre su poesia o su forma de escribir.

gracias

Ricardo

- Postado por: Zezé Limeira às 01h43 AM
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Matilde Alba Swann - Em Português-1

MESTRE

 

(Tradução: Maria José Limeira)

 

Mestre,

Hoje te mando meu filho pequenino.

Hoje te mando meu coração à escola.

 

Entrego-o a ti,

na poesia de seus primeiros passos,

na cautela de seus primeiros medos.

 

Espanto alado,

para que lhe ensines

a face das letras e o milagre de luz

da palavra.

 

Liberdade,

quero que seja

sua primeira letra no caderno.

 

Parecerá de inicio um garrancho,

ele haverá de saber

embelezá-la.

- Postado por: Zezé Limeira às 01h36 AM
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Matilde Alba Swann - Em Português-2

Depois,

quero que aprenda a dizê-la ao homem

e a escrevê-la.

 

Homem e Liberdade,

profundidade e vôo, a dimensão essencial

da existência.

 

Terra nova e coração marcado,

tu espargirás nele

a retidão, e a sonora voz para o futuro.

Envio-te meu pequeno, mestre,

ao teu mel e à tua luz um homem novo.

 

Raiz de ciência

seu destino se abre em ti,

mostra-lhe um mundo de verdade e compreensão,

mestre.

A semente do amor nasce mais fácil

na  tenra idade

do lúdico.

 

Matilde Alba Swann

(Com um filho pequeno debaixo do braço)

- Postado por: Zezé Limeira às 01h32 AM
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Matilde Alba Swann - Em Espanhol-1

MAESTRO

 

 

Maestro,

hoy te mando mi niño más pequeño.

Hoy te mando mi corazón al banco.

 

Te lo entrego,

en la poesía de sus primeros pasos,

en la cautela de sus primeros miedos.

 

Asombro en ala,

para que tú le enseñes

el rostro de las letras, y el milagro de luz

de la palabra.

 

Libertad,

quiero que sea

su primera leyenda en el cuaderno.

 

Parecerá al comienzo un garabato,

él habrá de saber

embellecerla.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h29 AM
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Matilde Alba Swann - Em Espanhol-2

Después,

quiero que aprenda a pronunciar al hombre

y a escribirlo.

 

Hombre y libertad,

hondura y vuelo, la dimensión cabal

de la existencia.

 

Tierra nueva y corazón de surco,

tú sembrarás en él

el trazo recio, y la sonora voz para el futuro.

Te lo envío, maestro,

a tu miel y a tu luz un hombre nuevo.

 

Raíz de ciencia,

su destino abre en tí,

muéstrale un mundo de verdad y comprensión,

maestro.

La semilla de amor prende tan fácil,

en la estación temprana

de los juegos.

 

 Matilde Alba Swann

 (Con un hijo bajo el brazo- 1991)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h26 AM
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SERPENTE DO DESEJO

Um texto de Cíntia Melo

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este texto lindo de Cíntia Melo, “Serpente do desejo” é, inegavelmente, um Senhor Poema, com todas as letras, e não pode ser confundido com prosa, como vemos acontecer na maioria dos textos que encontramos na Net.

Tem metáforas, musicalidade, ritmo, dramaticidade, e arredonda no final, como todo bom texto.

Este texto é uma verdadeira festa, oásis num campo áspero, íngreme e seco numa rede  árida que vem servindo de  depósito de espermas (oooppsss!) de falsa poesia com pecha de vanguarda em que foi transformado o cyberespaço.

A autora tem o que dizer e sabe como fazê-lo.

Escreve uma Poesia delicada e simples que não precisa de palavras difíceis e salamaleques para se realizar.

Como conteúdo, é uma delícia.

Como forma, um primor.

Conheço os textos desta autora e sei que está construindo uma obra.

Eis algumas coisinhas que gostei neste poema:

“... meus dedos ébrios”

 

“nas tórridas águas de nós dois”

 

“baila a dança cega do amor”

 

“tuas mãos sedentas

das mais levianas carícias”

 

“Posso explodir

de saudade de ti,”

 

... e por aí vai...

 

Por tudo isto, é um texto quente, sóbrio, cheio de nuances e mistérios, a sensualidade explodindo a todo momento, sem se deixar conhecer...

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)

- Postado por: Zezé Limeira às 03h13 AM
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Serpente do Desejo

 

Ah! Meu amor,

ao tomar-te outra vez

entre meus dedos ébrios

sentiria essa fúria louca,

até tocar teus lábios

e atingir o céu de tua boca.

 

Como serpente do desejo

rastejaria para me saciar

e expelir o veneno latente,

na tempestade que me afoga,

nas tórridas águas de nós dois,

quero-te ainda mais.

 

Teu corpo,

extensão do meu,

como se fosse um só,

a mesma água,

o mesmo vento

molha e seca de veneno.

 

Entregue-se às minhas presas,

baila a dança cega do amor

até eu te sentir em mim,

nossas pernas se enroscando,

e eu sussurrando para ti

roucos gritos de prazer.

 

Ah! Meu amor,

sonho à noite contigo,

com tuas mãos sedentas,

das mais levianas carícias,

as mais exploradoras,

ousadas e sôfregas.

 

Posso explodir

de saudade de ti,

pois o sangue pulsa

e nas noites estreladas,

percebo-me molhada

sob uma lua orvalhada.

 

Sinto desejos intrigantes,

de teus lábios me explorarem

numa louca fome de mim

e eu devorar-te por inteiro

cada parte do teu peito

de uma forma sensual.

 

Quanta vontade

de te deixar invadir-me,

sondar os âmagos

mais insanos do meu ser,

e fazer-te conhecer

o meu mistério.

(Cintia Melo - 2001)



- Postado por: Zezé Limeira às 03h08 AM
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...E A PELEJA CONTINUA:

 

Eu não sou cabra; sou bode;

com barbicha, fome e cio.

Quem quer saber quem mais pode?

meu verso é de compadrio.

(José Dervil)

 

 

Quem for bode tome tento.

Sendo cabra, que se veja

(da peste, fique ao relento).

Se de paz, tome cerveja.

(Maria José Limeira)

- Postado por: Zezé Limeira às 08h28 PM
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A peleja - Continuação

Mazé, pra mim, é uma amiga;

Se tem dono, eu já me afasto.

Não quero saber de briga,

Mulher, já tenho pro gasto;

(José Dervil)

 

 

Dervil só quer conversar.

Tirar prosa inocente.

Não precisa se afastar

e nem arrancar o dente.

(Maria José Limeira)

- Postado por: Zezé Limeira às 08h22 PM
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A peleja - Continuação

Mas não de mia propriedade

nem de posse; jamais tive.

pois tenho como verdade

que, no amor, todos são livres.

(José Dervil)

 

 

Mulher não é latifúndio

que se divide em lotes.

Poesia não tem gerúndio.

Precisa apenas de motes.

(Maria José Limeira)

- Postado por: Zezé Limeira às 08h19 PM
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A peleja - Continuação

Assim, se ambos quisermos,

- o que difícil será -

amor faremos, sem termo,

e ocê não impedirá.

(José Dervil)

 

 

Se é pra fazer amor,

comece logo a cantar.

Mas não rime flor-e-dor,

que isto é comum-lugar.

(Maria José Limeira)

- Postado por: Zezé Limeira às 08h14 PM
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A peleja - Continuação

nem com inglês, prefácio ou gume.

Vou pra cama não mandado,

e nem movido a queixume

tipo “marido-ultrajado”.

(José Dervil)

 

 

Todo marido ultrajado

uma história triste conta.

Todo conto mal-contado

em pés-de-barro se monta.

(Maria José Limeira)

- Postado por: Zezé Limeira às 08h11 PM
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A peleja - Continuação

Portanto, Haroldo Barboza,

Não sei que rumo tomar:

Se de amigo e boa prosa

Ou se te mando pastar.

(José Dervil)

 

 

Ora, mas vamos, que venha.

Toda estrada tem fim.

Toda fogueira tem lenha.

Toda casa tem jardim.

(Maria José Limeira)

- Postado por: Zezé Limeira às 08h08 PM
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A peleja - Continuação

Só sei que em rimas não brigo,

Que é de paz minha poesia;

Se é querela, eu não prossigo

O diál’go nem mais um dia.

(José Dervil)

 

 

Se é de paz, fique frio.

Se é Poesia, tem rima.

Se é de baixo, tem cio.

Se é poder, é de cima.

(Maria José Limeira)

- Postado por: Zezé Limeira às 08h02 PM
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A peleja - Continuação

Percebi passada a hora

relendo a querela inteira

que a maria a ti adora

e a briga era brincadeira.

(José Dervil)

 

 

Amor só se faz a dois.

Solidão é morte lenta.

Guerra fica pra depois.

Melhor tomar água benta.

(Maria José Limeira)

- Postado por: Zezé Limeira às 07h58 PM
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A peleja - Continuação

Desculpe-me então, poeta;

selemos boa amizade,

deixemos as escopetas,

louvemos a liberdade!

(José Dervil)

 

 

Falou bonito e disse.

Deixe essa briga pra lá.

Poesia não tem crendice.

É melhor cama esquentar.

(Maria José Limeira)

- Postado por: Zezé Limeira às 07h52 PM
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OFICINA LITERÁRIA

Nossos textos passados a limpo.

Polêmicas.

Críticas sinceras.

Debates acirrados e brigas.

 E, principalmente, diálogo.

Você também pode participar.

http://oficinaliteraria.zip.net

oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br

Saludos!

Maria José Limeira

 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h44 PM
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O desafio continua

Quando o assunto é Limeira

Entro no papo sem ser chamado

Mesmo sem ter conhecimento

Se o cabra Dervil é invocado.

(Haroldo P. Barboza)

 

 

Se o assunto é Barboza,

coisa ganha novo rumo.

A flor tem nome de rosa

e o sexo ganha prumo.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h27 AM
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Mais desafio - Continuação

Fique o poeteiro de plantão

Atento a qualquer investida

Pois a fofa Maria Limeira

É minha prefaciadora preferida.

(Haroldo P. Barboza)

 

 

Prestem atenção vocês

que o caso é de ciúme.

Haroldo fala Inglês.

O verso dele tem gume.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h20 AM
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Mais desafio - Continuação

Prezo que este papo virtual

Não termine mal dando cana

Se tudo fluir corretamente

Mandarei os dois pra cama (separadas).

(Haroldo P. Barboza)

 

 

Haroldo, muito obrigada

pela boa intenção.

Mas em cama separada

a dormida é sem tesão.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h16 AM
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A resposta de Ricardo Pisoler à minha "Serenata psicótica", que lhe dediquei. Saludos. Maria José Limeira.

..........

Serenática psicotrópica (r.pisoler)

 

Eis que da lua um cão fugido

pôs-se enlouquecido para a terra a uivar.

As patas suas escavaram as crateras

onde estava enterrado seus ossos pro jantar.

 

Eis que na rua uma estrela cadente

caiu de repente nos fundos do bar.

Onde eu comia costela e tomava uma quente

e esse cachorro safado quis me enterrar.

 

Eis que a mardita me fez confusão

deixou minha mente perdida

e perdi a razão.

 

Dei com o porrete no cachorro,

mas quem rolou pelo morro

foi o poste da iluminação.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h39 PM
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SERENATA PSICÓTICA

Maria José Limeira

 

(Ao amigo Ricardo Pisoler)

 

Às grades do vigésimo-quinto andar

não chegam violões, cantos e cores.

Não adianta, pois, mais terra ou mar.

Estão mortas, enfim, todas as flores.

 

Bordejam exangues versos e canções,

caladas rimas e prostrados gestos.

O mais que podem primas e bordões

é masturbar o lixo e colher restos.

 

Os prédios altos varejam suicidas.

Portas fechadas estancam olhar desvão.

Guardam-se em gelo dores e feridas,

sombras insones do que foi coração.

 

Não cabe mais nem mesmo o vão vagido

numa canção dorida, melancólica.

Não sabe mais dizer se faz sentido

a voz da velha lua parabólica:

 

-Alô?  Alô!  Alô.  Alguém aí?

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h40 PM
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Qualquer semelhança com o Severino Paiva, Presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, terá sido mera coincidência. Saludos. Maria José Limeira.

..........

 

PENSAMENTO

Ricardo Pisoler

 

Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes...

Será o dia em que as rosinhas serão apenas flores,

garotinhos apenas criancinhas, genuínos apenas coisas verdadeiras.

Martas voltarão a ser bichinhos de pele felpuda,

e serra apenas um acidente geográfico ou uma ferramenta.

Genro apenas o marido da filha, neves apenas flocos congelados de água

e lula um molusco melequento marinho.

Ah! ... e Severino apenas o porteiro do prédio.

 

Bom dia a todos.

..........

Fonte:

Lista Oficina Literária do Yahoogrupos

oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h30 PM
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MARIAS

Maria José Limeira

 

Toda Maria

tem um nome

que se estende

na palma da mão:

início,

fim

e recomeço.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h08 AM
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Desafio

Apresento-me e professo minha fé

(José Dervil / Maria José Limeira)

 

 

Gente, aqui faço poesia

Num tou cantando ninguém

Este vate idade tem

Pra fugir de aleivosia

(José Dervil)

 

 

Quem faz Poesia tem tudo.

Quem não faz fica sem nada.

O verso é bom escudo

pra enfrentar madrugada.

(Maria José Limeira)

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h56 AM
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Desafio - continuação

Não é poesia concreta

Foco a versão, não o fato;

Ultrapassando os sessenta

Só posso ser abstrato

(José Dervil)

 

 

Mesmo se concreta for,

Poesia não tem problema.

Verso simples tem mais cor.

Verso cantado é cinema.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h51 AM
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Desafio - continuação

Concretos há mais estreitos

mais largos, de toda idade...

mas fêmea concret‘cidade

Eu abstraio. É o jeito...

(José Dervil)

 

 

Poesia não tem idade.

Nem tem endereço certo.

Pode ser campo ou cidade.

Sendo longe, está mui perto.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h46 AM
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Pros cêis, da comunidade,

Muito prazer: Zé Dervil.

Mas não vão fazer maldade

De me rimar com... com... digamos... ponte que partiu, eh eh eh

(José Dervil)

 

 

Chegue mais perto, senhor.

Se aprochegue sem medo.

Seja lá quem você for,

nos conte o seu segredo.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h42 AM
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Desafio - continuação

Aguardo, então, dos amigos

Todo tipo de resposta

Só peço que não me digam

Que meus versos são uma... uma... isto... que deles ninguém gosta.

(José Dervil)

 

 

A resposta aí está:

Aceite nossa amizade.

Rima boa é bom rimar

sem que a gente se enfade.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h38 AM
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Desafio - continuação

 

Tô saindo, gente boa

sigo em frente, levo amor

levo a lira e o que ela sôa

levo o lero e o riso atoa

Eu parto, e PARTO SEM DOR

 

Ninguém se mede por idade.

Se fosse jovem, melhor.

O que vale é identidade

da rima de lua e sol.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h33 AM
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SAL

Gisele

 

Do sal das lágrimas carrego a descrença

vivo em buscas desesperadas

que nem mesmo sei quais

sou diferente

mas não sei como sou  

metade inconstância

metade desilusão

despedaçada

não sei se grito

ou calo 

 

Fonte:

http://www.silenciopoesias.blogspot.com

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h53 PM
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UMBRAL

Maria José Limeira

 

A porta entreaberta

em que me fecho.

O pisca-pisca alerta.

O mais não deixo.

A ponte em que me estendo

erguendo braços.

O ser-não-ser não-sendo

os meus enlaços...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h10 PM
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GESTOS

Maria José Limeira

 

Ensaio novos gestos.

Tento primeiros passos.

A vida é um deserto

e alguns oásis...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h11 AM
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MULHER-PÁSSARA

Maria José Limeira

 

A fêmea tanto mergulha

quanto alcança o vôo alto.

Arruma tudo que entulha

e solta voz no asfalto.

Seu maior poder:

ser fecundada em pleno vôo.

Aterrissa de repente

para o des-galhe...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h08 AM
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Desafio

DESAFIO:

SÓ COM RUGE E BATOM.

(Marco Bastos / Maria José Limeira)

 

Lá vou eu aqui sarado,

mais tarado que o cão.

você tem mãos mesmo de fada

pra sarar um coração.

(Marco Bastos)

 

 

Mão de fada acaricia.

Mão incerta é nervosa.

Sexo é bom à luz do dia.

Toda flor se chama Rosa.

(Maria José Limeira)

 

 

mas vara pra mim é vara

mesmo de fada, não gosto não.

coice pra mim é de mula,

e mula não me acende o rojão.

(Marco Bastos)

 

 

Se for catucar o Cão,

não o faça com vara curta.

Pode estourar um rojão

e a sua doença surta.

(Maria José Limeira)

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h55 PM
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Desafio - continuação

entendo o que você fala

de umbigo, poço e coração.

vou cuidar do meu pescoço

e deixar na agulha uma bala.

(Marco Bastos)

 

 

Quem guarda bala na agulha

a tendência é usá-la.

Todo pombinho arrulha

e diz amor quando fala.

(Maria José Limeira)

 

sou homem e não brinquedo.

anta também, não sou não.

se não canto não sou mudo,

não sou também quedo não.

(Marco Bastos)

 

 

Quem brinca com homem arrisca.

Com mulher, a coisa muda.

Quem fica zangado cisca.

Quem sofre tem dor aguda.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h49 PM
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Desafio - Continuação

 

eu só canto quando eu quero.

e só mulher de ruge e batom

se bicho feio vier não espero.

mulher feia não entra no tom.

(Marco Bastos)

 

 

Verso, só do coração.

Ninguém rima obrigado.

Mulher bonita, tesão.

Homem feio é soldado.

(Maria José Limeira)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h38 PM
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Bom dia, Maria Limeira. como sempre seus versos tão bonitos. beijo. Marco.

 

QUEDA E ROJÃO.

Marco Bastos.

 

Eta mundão velho sem porteiras,

gente sem coração !!!.

Quem abre assim desse jeito

o peito com tanta emoção,

mal sabe que desanda o meu coração,

toda vez que me deparo extasiado,

com mulher, amor e canção.

 

Gente toma tento e juízo.

Se é beleza como essa tão grande,

me avisa antes de dar o prejuízo.

Lembram não da história da mãe

que no lugar do gato subiu no telhado?

Pois eu sou assim, aqui pego fogo,

quando no céu, vai ainda o rojão.

 

rs.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h55 PM
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QUEDA & COICE

Maria José Limeira

 

Quando sexo é rojão

e  umbigo é um poço,

como faz o coração

pra ultrapassar o fosso?

 

Todo amor cai e levanta

e novamente se estende.

Todo animal é anta

e toda luz se acende.

 

Nem todo gato é pelúcia.

Todo homem é brinquedo.

Nem toda mulher é Lúcia.

Toda pena é degredo.

 

Todo verso tem canção.

Todo amor é passageiro.

Todo Deus inclui um Cão.

Todo corpo tem seu cheiro.

 

Sexo de mulher é flor.

No homem, se chama vara.

Todo verso tem langor.

Ora mata  e ora sara.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h51 PM
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VENTO & CURVA

Maria José Limeira

 

Onde vento faz a curva

houve grande explosão.

Minha vista ficou turva.

Em seguida, escuridão.

 

Na curva do vento, luz.

No turvo das águas, lodo.

Na panela tem cuscuz.

Do pedaço quero o todo.

 

Quando amo, faz clarão.

Quando não amo, vazio.

No ódio, tem solidão..

Na raiva, curto pavio...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h08 AM
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ALEGORIA

Maria José Limeira

 

Quando perna se enrosca,

o corpo dança dobrado.

Tomar pinga em birosca

é melhor que bom-bocado.

 

Gozo a dois é mais sublime.

Gozar sozinho é horror.

Corpo só é quase crime.

Acompanhado, é amor.

 

Quando sexo se anima,

vê estrela onde não há.

Quem já gozou sai de cima.

Quem não gostou sai pra lá.

 

Em todo amor há lua.

Em todo céu tem azul.

Quem fica no meio da rua

vê o cruzeiro do sul.

 

Quem não quer fazer viagem

não vai arrumar a mala.

Quem é sozinho vê visagem.

Quem agride leva bala.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h03 AM
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QUEDAR-SE

Maria José Limeira

 

Quando cai a manhã,

inda vejo as flores

tremeluzindo ao sol,

abrindo e fechado bocas.

Sedentas e ofegantes.

 

Ao passar da tarde,

as crianças brincam

nas calçadas

e os velhos arrastam pés

cansados.

 

Ao cair da noite,

eu procuro você

nas esquinas do tempo,

nos corredores vazios

da minha lembrança.

 

Quando chega a madrugada,

converso com meu silêncio,

no vazio que você me legou.

Uma palavra maldita

chamada Amor...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h59 AM
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VIÉS

Maria José Limeira

 

No olhar enviesado,

transverso à linha do trem,

há um verso inacabado

onde não passa ninguém...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h55 AM
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A CASA ENFEITIÇADA

Maria José Limeira

 

Era uma família pobre: o casal e dois filhos adolescentes.

Moravam num casebre, na periferia da cidade.

Um dia, coisas estranhas começaram a acontecer ali.

A partir da meia-noite – diariamente – os vizinhos ouviam o alarido.

As telhas eram retiradas de cima da casa e jogadas contra as pessoas. Facas e talheres flutuavam no ar. Vidros se quebravam. Os móveis eram arrastados por forças estranhas. Gritos, gemidos e lamentos atravessavam a noite.

No dia seguinte, as pessoas estavam feridas, com as costas cortadas à faca.

Os donos da casa se queixavam aos vizinhos, diziam que aquilo era “coisa do demônio”, e a casa estava “enfeitiçada”. Os dois filhos adolescentes, também feridos, diziam não aguentar mais aquela situação.

O caso virou notícia no jornal e na TV, atraindo gente curiosa de todos os lados.

A casa foi visitada por representantes de alguns segmentos da sociedade.

Macumbeiros, filósofos, psicólogos e religiosos de todas as igrejas se ofereceram para dar uma explicação racional sobre o fenômeno.

E choveram ajudas materiais para aquela família desvalida, que morava num barraco sem condição, e não tinha o que comer.

Mas, os repórteres da TV fizeram a reportagem e, antes de se retirarem – sem aviso– instalaram mini-câmeras escondidas na casa, para filmar em primeira mão o que acontecia no lugar, quando os tais espíritos do Mal atacassem, nas caladas da noite.

E assim, a verdade foi descoberta.

Eram as próprias pessoas que se cortavam umas às outras à faca, na maior tranquilidade, e destelhavam a casa, sacudiam objetos de um canto a outro.

Os gritos e gemidos que emitiam e o arrastar de móveis faziam parte da encenação, para dar um sentido de realidade à farsa que acontecia por trás da porta fechada.

Descoberta a fraude, e quando perguntadas por que agiam assim, explicaram que o objetivo era sensibilizar as autoridades e ganhar uma casa nova do Governo, pois o casebre onde moravam não oferecia o conforto que desejavam.

A única vantagem que auferiram, realmente, com o prodigioso feito foi ficarem mal-vistos pelos vizinhos.

O caso verídico aconteceu num bairro pobre da cidade de João Pessoa, na Paraíba.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h19 PM
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NOTÍCIA POST-MORTEM

Maria José Limeira

 

Ao longo do seu leito terminal,

o corpo fede, trauma rarefeito.

O ontem-hoje que não tem mais jeito.

O ato transformado em funeral.

 

Horizontalidade, coisa exposta.

Seu nome inda em dor, jaze saudade.

Um dia já foi campo, hoje cidade.

A relva rasa e rala, funda encosta.

 

O branco do lençol e o alvo rosto.

Nas unhas, o inexorável eterno.

Nos pés, duro gelo, igual inverno.

Na boca, resto podre, baba e mosto.

 

Não há mais noite ou dia em sua história.

Não sente mais o chão em seu caminho.

Não há mais vida-a-dois, mas um sozinho

Não mais vai-se dizer se foi escória.

 

O que foi vário e terno, agora frio.

O que foi doce e tenro, hoje no fim.

O que foi sempre não, agora sim.

O que foi coração está vazio.

 

A lua antes alegre, agora triste.

A alma escureceu, não há recados.

O corpo em sutura, entre brocados.

A carne mesmo assim inda resiste.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h12 PM
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EUTANÁSIA

Dira Vieira

 

O telefone tocou no meio da noite. Ele chorava do outro lado do fio. Ela ouvia sem dizer uma palavra. Ele pintou cobras e lagartos, ela engoliu todos os sapos. Ao final, ele disse que a amava. E ela, que já não agüentava a linha cruzada, desligou-se. Foi isso que a fez desligar a vida. Meu amor, me perdoe. Foi engano.

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Fonte:

http://madamemin.zip.net/

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h40 AM
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DEIXEM O MONSTRINHO AÍ

Conto de Ademar Ribeiro

 

(Para Maria José Limeira)

                                

                          Esse monstrinho vai ser muito bom, se continuar sempre assim como está, desde que chegou, na pontinha da cadeira, que mal respira. Pode ser até que não seja totalmente monstro, aceite uma coleira. Ou, quem sabe, seja um príncipe com quem me casarei e terei muitos filhos. Ou, ainda, que me sirva por toda a vida, sem se dar conta da própria monstruosidade.

                          Mas parece que esse monstro é um tanto monstruoso mesmo, não entendo bem o seu olhar. Serei, para ele, monstruosa? Pois é que, de repente, rosnou, mostrou-me os dentes de um jeito como eu não gostaria de ver. Tem que ser olhado com mais cuidado.

                          Deverei inclinar um pouco mais a cabeça de lado, para vê-lo melhor, ou ele, ao contrário, entortar-se um pouco mais para ser visto? Não sei, não... Esse monstro, parece, esconde um príncipe dentro de si, ou vice-versa.

                          Ou não é nada disso. Devo ter comido pesado, ontem à noite ( não o esperava para hoje), tomado muito uísque, muita cerveja, fumado demais. Deve ser obra da minha mente vê-lo tão enviesado, a gente nunca sabe quando vai se deparar com o que sempre temeu ou esperou. Mas, não sei não...esse monstro me parece algo despropositado.

                         Eu acho que esse monstro ( esse monstro, não, esse mondrongo )  não é monstro mesmo. Como ainda posso duvidar de que é um príncipe – que é belo, peludo, tem dentes enormes, orelhas caídas, puro sangue? Monstro seria se cheirasse bem, tivesse olhos compreensivos, jeito bondoso. Mas já tem alguns dias que só quer me comer, que sopra fumaça o tempo todo pelas ventas e vai ficando igualzinho a todos nós: dedura, maquina, trambica, finge não ver, cala quando deve falar. Quero crer que sua estranheza é apenas por fora, que no íntimo é tão burro quanto qualquer um de nós. Poderia até chegar ao cúmulo de nos trair a todos, de cuspir no nosso copo d´água ou aliar-se à turma do outro planeta.

                         Seria mais seguro que nunca nos tivesse aparecido. Se ao menos pudéssemos prendê-lo numa caixa de fósforos, determinar de que lado é sua frente ou suas costas, de onde lhe sai a cabeça e onde começa o rabo... A gente quase pode jurar que já é capaz de tudo, como nós : de mentir com naturalidade, roubar com perfeição, fornicar com o mesmo sexo, usar disfarces mil. Mas não se pode confiar. Vai que esteja fazendo uma obra paralela de destruição, esclarecendo as coisas à socapa, iluminando nossa cidade soturna, difundindo entre nós a dúvida, enquanto nos distraímos a investigá-lo. Por isso acho melhor não investigar mais: _”Não vai mesmo adiantar, não é mesmo ?!”

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h50 AM
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Vamos ver se o conquistamos, apesar do muito tempo perdido em vão. Seja ele o que ou quem for, não será pior que nós, nem tão corrosivo em colaborar na degradação do mundo. E quem sabe ainda não poderemos fazer dele um seguro aliado ocupando um posto de confiança nas nossas perfídias maiores? Não sei, não sei... Esse monstro - agora estou inclinada a pensar que é mesmo um monstro - é tão difícil, veio tumultuar, tanto, tudo...

                        Talvez fosse melhor deportá-lo, ou convencê-lo a partir, mas ainda assim seria perigoso. Parece frágil, mas já vão tantos anos e nunca se definiu, ou o definimos. Esse é o monstro mais teimoso com que já me deparei, por não me deixar odiá-lo. Nessa intenção já fiz de tudo, porém o príncipe dentro dele me acena, e hei de destruir dentro dele esse príncipe que não deixa que ele me coma.

                        Estou tão oca, tão cansada. Nem sei mais se quero devorá-lo ou ser comida por ele. Mas que ele nos foi sempre um prato muito apetitoso, deixou-nos a todos, fêmeas e machos, o tempo todo de água na boca, lá isso nem se discute. Quem quiser que desista dele, mas eu, não. Deixem o monstrinho aí, que eu já estou quase gozando.

 

 

- Postado por: Zezé Limeira às 08h47 AM
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MORTE SÚBITA

Maria José Limeira

 

Foi tão de repente

que enquanto teus passos

ressoavam ainda

ao redor da casa,

o féretro desfilava

na rua

ao som de um samba

quadrado...

 

 

EU DIGO SE...

Maria José Limeira

 

Se terceto fosse gente,

palavra fosse poesia,

toda dor que a gente sente

seria noite, e não dia...

 

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h53 AM
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DEPOIS DE TUDO

Maria José Limeira

 

Depois do sexo, o sono.

Depois do amor, saudade.

Depois da fuga, abandono.

Depois do campo, cidade.

 

 

OS CAMINHOS DO CORAÇÃO

Maria José Limeira

 

Quando a pessoa morre,

fica em cima da pedra,

em estado de abandono.

Quando a perícia lhe abre

o peito,

só vê músculos,

sangue coagulado,

um mundo parado.

Um cão sem dono...

 

 

VAZIO

Maria José Limeira

 

Quando olhei ao redor,

e vi que perdera tudo,

meu coração virou pó,

e meu verso ficou mudo.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h50 AM
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O QUE RÓI-RÓI

Maria José Limeira

 

A dor que poema dói

vale mais que teorema.

Na matemática o que soe

é muito mais que dilema.

 

 

BIG-BIN

Maria José Limeira

 

Afastei buchos alados.

Disse não, querendo sim.

Trilhas sonoras dos fados

ressoam em meu big-bin.

 

A barba de molho coça.

O cabelo se arrepia.

Quem planta revira roça.

Quem costura agulha enfia.

 

 

LÍNGUAS & BOCAS

Maria José Limeira

 

As bocas são sugadoras.

As linguas são descobertas.

Caixas secretas, pandoras.

Os bons preços são ofertas.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h48 AM
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MINHA POESIA

Maria José Limeira

 

A Poesia que eu faço

é puro divertimento.

Do cigarro quero maço.

Da vida, nenhum tormento.

 

 

PENAS QUE TE QUERO VENHAS

Maria José Limeira

 

As penas que a mim me queiras

são dores, não valem a pena.

Escorregam-me pelas beiras.

Derrubam-me em última cena.

 

 

DORES DE POETA

Maria José Limeira

 

Entre uma e outra prosa,

um poema me visita.

Um é cravo. Outro, rosa.

E todos me deixam aflita.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h41 AM
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BORBOLETAS AZUIS

Maria José Limeira

 

Borboletas da ilusão.

Voam a esmo

em feliz amplidão.

Apaixonadas pelos cravos

que só lhes dizem: - Não

 

 

MÁS-PALAVRAS

Maria José Limeira

 

Ao invés de feliz-paz,

uma frase inquietante

feria o livro na estante:

adeus para nunca mais...

 

 

DE-FLORES

Maria José Limeira

 

O mal que bem-que-te-quis

não cheira, mal-de-raiz.

Perfume de flor em rosa:

nem tudo que cheira goza!

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h38 AM
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PROTEÇÃO LEGAL DO SEGREDO

Odilon de Lima Fernandes

(Procurador Federal aposentado)

 

O segredo, denominação popular para facetas da intimidade, recebe, atualmente, proteção constitucional pelos enunciados dos incisos V e X do Art. 5º da Constituição Federal.

A Carta Política de 1988 apenas consagrou o Direito à Intimidade que, antes, já era amparado quando se interpretava o dispositivo legal pertinente à inviolabilidade do domicílio assegurada nos diplomas legais anteriores, inviolabilidade da  correspondência, segredo profissional e outros.

Os Arts. 150 e 151 do Código Penal, bem como o Art. 162 do mesmo Diploma Legal amparavam, já há considerável tempo, o segredo doméstico, o segredo da correspondência e o segredo documental e profissional.

O manto protetor do segredo passava também pelos Arts. 153 e 154 do Código Penal, que encontravam no Art. 150 da Constituição Federal anterior o respaldo a estabelecer limites quanto a pulsões do amor, do poder, do dinheiro, da notoriedade e de outras razões que se prestam a levar os homens a traições e indiscrições.

Podemos dizer, portanto, que hoje mais do que nunca encontra-se institucionalizado o respeito pela vida privada, bem como o direito de estar só, como dizia Paulo José da Costa Júnior, na sua obra “O Direito de Estar Só: Tutela Penal da Intimidade”.

No decurso do tempo, o Legislador, na busca pela consolidação do Regime Democrático, da dignidade humana, corolário da Constituição em vigor, buscou em primeiro lugar, criar instrumentos legais para impedir que, a serviço das pulsões acima, terceiros encetem ou desenvolvam atividades vislumbrando conhecer, descobrir e utilizar, em seu benefício ou de outrem, particularidades da vida privada de qualquer pessoa.

Aí repousam as razões da existência dos vários dispositivos legais como os referidos, entre outros, que protegem a vida particular.

Da mesma forma, a Legislação consagrada pela Norma Constitucional em vigor, antecedida por outras limitações legais, concede a todas as pessoas a proteção para que tenham condições de se defender da divulgação de segredos, mesmo que conhecidos de forma legítima pelo pretenso divulgador, por intimidade ou por eventuais confidências de que seja depositário.

Observe-se que, em um caso, se protege a vida íntima da invsão ilegítima, pressupondo-se a ocorrência da invasão à privacidade.

Na outra hipótese, inexiste a intrusão. O terceiro adquire a confiança do parceiro no dia a dia, adquirindo conhecimento das intimidades do outro de forma legítima, e este delito configura-se no momento em que surge o abuso da confiança de que foi depositário, divulgando as intimidades que obteve em revelações por, aparentemente, ser merecedor de confiança.



- Postado por: Zezé Limeira às 01h48 PM
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Fica claro, portanto, a existência de duas formas do ilícito de que se fala:

Numa, adquirem-se notícias da vida privada através da intrusão, da invasão da privacidade, de forma ilegítima.

Na outra situação, o terceiro obteve informações da vida privada do outro de forma legítima, como se disse, quer pela confidencia, quer com a observação cotidiana dos fatos que rodeiam a vítima, sendo ambas as condutas descritas ilegais, ilícitas, quando da invasão do domicílio (vida privada), havendo até mesmo o crime de invasão de domicílio, este no sentido amplo a representar a privacidade do cidadão.

O outro ilícito repousa na difusão das intimidades obtidas de forma legítima, mas que, com a divulgação, transforma-se em conduta delituosa prevista em lei.

Hoje, o texto constitucional é claríssimo, ao assegurar a proteção da intimidade, da vida privada, da imagem.

Pode-se dizer que o Direito pretérito já protegia o homem assegurando-lhe ou buscando assegurar-lhe privacidade. 

Porém, presentemente, é de extrema clarividência a Carta Magna ao assegurar proteção da intimidade e da divulgação não autorizada daquela intimidade que foi conquistada de forma legítima.

Concluiu-se por afirmar que, no fundo, o bem protegido é o mesmo, embora com pigmentações diferentes consistentes na maneira de se agredir.

É oportuno registrar que as supra-citadas prerrogativas – como nada no mundo da cultura –  não são absolutas, pois devem se subordinar ao interesse público, já que o Direito estabelece limites de conduta, a fim de possibilitar o bem comum, a vida social.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h45 PM
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O "XIS" DA QUESTÃO

Ademar Ribeiro

 

Se a resistência de um país é tida como terrorista

como então chamar o exército que a extermina?

Por acaso democrático-genocida?

 

 

O X e o Y

Maria José Limeira

 

O X do problema.

O Y da questão.

A fita, cinema.

A dor, coração.

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h54 AM
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QUATRO PAREDES

Maria José Limeira

 

(Para Eliane Stoducto)

 

No quarto, onde brilha a fantasia,

paredes guardam o cio e o ardor.

Na bruma, onde a noite prende o dia,

as redes tecem o frio e o clamor.

 

Na sala, onde a faca se perfila,

toalhas se estendem sobre a mesa.

Na falha, que se talha e se destila,

a vela se mantém com a luz acesa.

 

No átrio, onde o sol perde o prumo,

o largo estende a mão e tremelica.

Na seca, quando o fruto não tem sumo,

o álcool sai da terra e alambica.

 

Ao longo, onde o mar se faz sereia,

a linha do horizonte é mais-valia.

No céu, em toda nuvem há lua cheia.

Na dor, escuridão que arrepia.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h52 PM
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BIOGRAFIA
Maria José Limeira (Ferreira) nasceu em João Pessoa-PB, Brasil, fez curso (incompleto) de Filosofia Pura na UFPB. Presa, em 1964, pelas forças da repressão, no Quartel do 15RI, abandonou seus estudos superiores,auto-exilando-se nas cidades do Rio e São Paulo, onde conviveu com os escritores Aguinaldo Silva, Vinicius de Moraes, Assis Brasil, José Edson Gomes. Conheceu, no Rio, o poeta português e crítico literário Arnaldo Saraiva, da cidade do Porto, que dedicou a ela seu livro ""Encontros/Des-encontros, amizade que perdura até hoje. Retornou à Paraíba nos anos 70, quando ingressou no Jornalismo, começando como repórter até chegar a ocupar cargos de Direção em diversos jornais, inclusive no semanário "O Momento", que ajudou a fundar...

Livros publicados:
"Margem", "Aldeia virgem além", "As portas da cidade ameaçada", "O lado escuro do espelho" (contos); "Olho no vidro"(novelas) e "Luva no grito" (romance). Escreveu também peças teatrais, como "Os maloqueiros", "O transplante" e "O alcoólatra". A peça "Os maloqueiros" recebeu Menção Honrosa em concurso de âmbito nacional promovido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte-MG. Atualmente, escreve um livro de "Memórias".

Outros textos inéditos:
"Contos da escuridão" (contos), "Todos os seres" (poemas longos), "Crônicas do amanhecer" (crônicas). Foi uma das fundadoras, na Paraíba, do Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA-Pb), num esforço conjunto com outras entidades pela promulgação da anistia ampla, geral e irrestrita no Brasil. Atualmente reside em João Pessoa-PB.
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