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GRITO
Virgilio
(Tradução de Maria José Limeira)
Somente o amor, dizem-me, somente amar,
que por amor Cristo morreu crucificado
e então aconselharam-me sacrifício,
que é doar-se sem esperança,
e seguir doando-se,
ainda quando não reste mais nada,
apenas a dor que se segue, depois de tanto,
e grito agora;
que ninguém já não me escuta,
que não sou Cristo;
não espero o Céu,
que o que desejo, só e simplesmente,
é alguém que diga que me ama,
que me olhe dentro dos olhos e compreenda
que sou apenas humano e nada mais,
que não sou nada
só os fracassos de outras vidas,
que sou meu pai, minha mãe
e meus avós,
que estou mais perto do chão do que do céu
e que tenho todo este amor que ninguém quer
esvaindo-se em minhas veias lentamente.Grito
Solo el amor me dicen solo el amor
que por amor el Cristo murió crucificado
y entonces me dijeron sacrificio
que es el dar y el no esperar
y seguir dando
aun cuando ya no queda nada
solo el dolor que sigue ahí, después de tanto
y grito ahora ¡
que nadie ya me escucha
Que no soy Cristo ¡
No espero el cielo
Que lo que quiero es solo y simplemente
alguien que me diga que me quiere
que me mire a los ojos y comprenda
que soy un hombre nomás
que no soy nada
Hecho con deshechos de otras vidas
que soy mi padre soy mi madre
mis abuelos
que estoy mas cerca de ese suelo que del cielo
Y que tengo todo ese amor que nadie quiere
secándose en mis venas lentamente
virgilio
MESTRE
Vejam, amigos & amigas, como é bonito o trabalho que a gente realiza na internet. Este é o filho da grande Poetisa Matilde Malba Swann (já falecida), me pedindo autorização para divulgar a tradução de um poema da mãe dele, num livro que ele está escrevendo sobre ela. Um abraço, saludos, e saibam que eu estou felicíssima. E é claro que concedi autorização. Maria José Limeira.
..........
hola maria.
te acuerdas de mi? soy uno de los hijos de matilde alba swann. necesito pedirte permiso para incorporar la traducción del poema maestro (mestre), de tu autoria, en una biografia de matilde que estoy escribiendo a partir de sus poemas ineditos. le intercalo poemas consagrados, anecdotas y opiniones.
tambien quisiera pedirte algunas pocas lineas resumiendo tu opinión sobre su poesia o su forma de escribir.
gracias
RicardoMESTRE
(Tradução: Maria José Limeira)
Mestre,
Hoje te mando meu filho pequenino.
Hoje te mando meu coração à escola.
Entrego-o a ti,
na poesia de seus primeiros passos,
na cautela de seus primeiros medos.
Espanto alado,
para que lhe ensines
a face das letras e o milagre de luz
da palavra.
Liberdade,
quero que seja
sua primeira letra no caderno.
Parecerá de inicio um garrancho,
ele haverá de saber
embelezá-la.Depois,
quero que aprenda a dizê-la ao homem
e a escrevê-la.
Homem e Liberdade,
profundidade e vôo, a dimensão essencial
da existência.
Terra nova e coração marcado,
tu espargirás nele
a retidão, e a sonora voz para o futuro.
Envio-te meu pequeno, mestre,
ao teu mel e à tua luz um homem novo.
Raiz de ciência
seu destino se abre em ti,
mostra-lhe um mundo de verdade e compreensão,
mestre.
A semente do amor nasce mais fácil
na tenra idade
do lúdico.
Matilde Alba Swann
(Com um filho pequeno debaixo do braço)MAESTRO
Maestro,
hoy te mando mi niño más pequeño.
Hoy te mando mi corazón al banco.
Te lo entrego,
en la poesía de sus primeros pasos,
en la cautela de sus primeros miedos.
Asombro en ala,
para que tú le enseñes
el rostro de las letras, y el milagro de luz
de la palabra.
Libertad,
quiero que sea
su primera leyenda en el cuaderno.
Parecerá al comienzo un garabato,
él habrá de saber
embellecerla.
quiero que aprenda a pronunciar al hombre
y a escribirlo.
Hombre y libertad,
hondura y vuelo, la dimensión cabal
de la existencia.
Tierra nueva y corazón de surco,
tú sembrarás en él
el trazo recio, y la sonora voz para el futuro.
Te lo envío, maestro,
a tu miel y a tu luz un hombre nuevo.
Raíz de ciencia,
su destino abre en tí,
muéstrale un mundo de verdad y comprensión,
maestro.
La semilla de amor prende tan fácil,
en la estación temprana
de los juegos.
Matilde Alba Swann
(Con un hijo bajo el brazo- 1991)
Um texto de Cíntia Melo
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este texto lindo de Cíntia Melo, “Serpente do desejo” é, inegavelmente, um Senhor Poema, com todas as letras, e não pode ser confundido com prosa, como vemos acontecer na maioria dos textos que encontramos na Net.
Tem metáforas, musicalidade, ritmo, dramaticidade, e arredonda no final, como todo bom texto.
Este texto é uma verdadeira festa, oásis num campo áspero, íngreme e seco numa rede árida que vem servindo de depósito de espermas (oooppsss!) de falsa poesia com pecha de vanguarda em que foi transformado o cyberespaço.
A autora tem o que dizer e sabe como fazê-lo.
Escreve uma Poesia delicada e simples que não precisa de palavras difíceis e salamaleques para se realizar.
Como conteúdo, é uma delícia.
Como forma, um primor.
Conheço os textos desta autora e sei que está construindo uma obra.
Eis algumas coisinhas que gostei neste poema:
“... meus dedos ébrios”
“nas tórridas águas de nós dois”
“baila a dança cega do amor”
“tuas mãos sedentas
das mais levianas carícias”
“Posso explodir
de saudade de ti,”
... e por aí vai...
Por tudo isto, é um texto quente, sóbrio, cheio de nuances e mistérios, a sensualidade explodindo a todo momento, sem se deixar conhecer...
Serpente do Desejo
Ah! Meu amor,
ao tomar-te outra vez
entre meus dedos ébrios
sentiria essa fúria louca,
até tocar teus lábios
e atingir o céu de tua boca.
Como serpente do desejo
rastejaria para me saciar
e expelir o veneno latente,
na tempestade que me afoga,
nas tórridas águas de nós dois,
quero-te ainda mais.
Teu corpo,
extensão do meu,
como se fosse um só,
a mesma água,
o mesmo vento
molha e seca de veneno.
Entregue-se às minhas presas,
baila a dança cega do amor
até eu te sentir em mim,
nossas pernas se enroscando,
e eu sussurrando para ti
roucos gritos de prazer.
Ah! Meu amor,
sonho à noite contigo,
com tuas mãos sedentas,
das mais levianas carícias,
as mais exploradoras,
ousadas e sôfregas.
Posso explodir
de saudade de ti,
pois o sangue pulsa
e nas noites estreladas,
percebo-me molhada
sob uma lua orvalhada.
Sinto desejos intrigantes,
de teus lábios me explorarem
numa louca fome de mim
e eu devorar-te por inteiro
cada parte do teu peito
de uma forma sensual.
Quanta vontade
de te deixar invadir-me,
sondar os âmagos
mais insanos do meu ser,
e fazer-te conhecer
o meu mistério.
(Cintia Melo - 2001)
...E A PELEJA CONTINUA:
Eu não sou cabra; sou bode;
com barbicha, fome e cio.
Quem quer saber quem mais pode?
meu verso é de compadrio.
(José Dervil)
Quem for bode tome tento.
Sendo cabra, que se veja
(da peste, fique ao relento).
Se de paz, tome cerveja.
(Maria José Limeira)Mazé, pra mim, é uma amiga;
Se tem dono, eu já me afasto.
Não quero saber de briga,
Mulher, já tenho pro gasto;
(José Dervil)
Dervil só quer conversar.
Tirar prosa inocente.
Não precisa se afastar
e nem arrancar o dente.
(Maria José Limeira)Mas não de mia propriedade
nem de posse; jamais tive.
pois tenho como verdade
que, no amor, todos são livres.
(José Dervil)
Mulher não é latifúndio
que se divide em lotes.
Poesia não tem gerúndio.
Precisa apenas de motes.
(Maria José Limeira)Assim, se ambos quisermos,
- o que difícil será -
amor faremos, sem termo,
e ocê não impedirá.
(José Dervil)
Se é pra fazer amor,
comece logo a cantar.
Mas não rime flor-e-dor,
que isto é comum-lugar.
(Maria José Limeira)nem com inglês, prefácio ou gume.
Vou pra cama não mandado,
e nem movido a queixume
tipo “marido-ultrajado”.
(José Dervil)
Todo marido ultrajado
uma história triste conta.
Todo conto mal-contado
em pés-de-barro se monta.
(Maria José Limeira)Portanto, Haroldo Barboza,
Não sei que rumo tomar:
Se de amigo e boa prosa
Ou se te mando pastar.
(José Dervil)
Ora, mas vamos, que venha.
Toda estrada tem fim.
Toda fogueira tem lenha.
Toda casa tem jardim.
(Maria José Limeira)Só sei que em rimas não brigo,
Que é de paz minha poesia;
Se é querela, eu não prossigo
O diál’go nem mais um dia.
(José Dervil)
Se é de paz, fique frio.
Se é Poesia, tem rima.
Se é de baixo, tem cio.
Se é poder, é de cima.
(Maria José Limeira)Percebi passada a hora
relendo a querela inteira
que a maria a ti adora
e a briga era brincadeira.
(José Dervil)
Amor só se faz a dois.
Solidão é morte lenta.
Guerra fica pra depois.
Melhor tomar água benta.
(Maria José Limeira)Desculpe-me então, poeta;
selemos boa amizade,
deixemos as escopetas,
louvemos a liberdade!
(José Dervil)
Falou bonito e disse.
Deixe essa briga pra lá.
Poesia não tem crendice.
É melhor cama esquentar.
(Maria José Limeira)OFICINA LITERÁRIA
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Críticas sinceras.
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E, principalmente, diálogo.
Você também pode participar.
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Saludos!
Maria José Limeira
Quando o assunto é Limeira
Entro no papo sem ser chamado
Mesmo sem ter conhecimento
Se o cabra Dervil é invocado.
(Haroldo P. Barboza)
Se o assunto é Barboza,
coisa ganha novo rumo.
A flor tem nome de rosa
e o sexo ganha prumo.
(Maria José Limeira)
Fique o poeteiro de plantão
Atento a qualquer investida
Pois a fofa Maria Limeira
É minha prefaciadora preferida.
(Haroldo P. Barboza)
Prestem atenção vocês
que o caso é de ciúme.
Haroldo fala Inglês.
O verso dele tem gume.
(Maria José Limeira)
Prezo que este papo virtual
Não termine mal dando cana
Se tudo fluir corretamente
Mandarei os dois pra cama (separadas).
(Haroldo P. Barboza)
Haroldo, muito obrigada
pela boa intenção.
Mas em cama separada
a dormida é sem tesão.
(Maria José Limeira)
A resposta de Ricardo Pisoler à minha "Serenata psicótica", que lhe dediquei. Saludos. Maria José Limeira.
..........
Serenática psicotrópica (r.pisoler)
Eis que da lua um cão fugido
pôs-se enlouquecido para a terra a uivar.
As patas suas escavaram as crateras
onde estava enterrado seus ossos pro jantar.
Eis que na rua uma estrela cadente
caiu de repente nos fundos do bar.
Onde eu comia costela e tomava uma quente
e esse cachorro safado quis me enterrar.
Eis que a mardita me fez confusão
deixou minha mente perdida
e perdi a razão.
Dei com o porrete no cachorro,
mas quem rolou pelo morro
foi o poste da iluminação.
Maria José Limeira
(Ao amigo Ricardo Pisoler)
Às grades do vigésimo-quinto andar
não chegam violões, cantos e cores.
Não adianta, pois, mais terra ou mar.
Estão mortas, enfim, todas as flores.
Bordejam exangues versos e canções,
caladas rimas e prostrados gestos.
O mais que podem primas e bordões
é masturbar o lixo e colher restos.
Os prédios altos varejam suicidas.
Portas fechadas estancam olhar desvão.
Guardam-se em gelo dores e feridas,
sombras insones do que foi coração.
Não cabe mais nem mesmo o vão vagido
numa canção dorida, melancólica.
Não sabe mais dizer se faz sentido
a voz da velha lua parabólica:
-Alô? Alô! Alô. Alguém aí?
Qualquer semelhança com o Severino Paiva, Presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, terá sido mera coincidência. Saludos. Maria José Limeira.
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PENSAMENTO
Ricardo Pisoler
Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes...
Será o dia em que as rosinhas serão apenas flores,
garotinhos apenas criancinhas, genuínos apenas coisas verdadeiras.
Martas voltarão a ser bichinhos de pele felpuda,
e serra apenas um acidente geográfico ou uma ferramenta.
Genro apenas o marido da filha, neves apenas flocos congelados de água
e lula um molusco melequento marinho.
Ah! ... e Severino apenas o porteiro do prédio.
Bom dia a todos.
..........
Fonte:
Lista Oficina Literária do Yahoogrupos
oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br
MARIAS
Maria José Limeira
Toda Maria
tem um nome
que se estende
na palma da mão:
início,
fim
e recomeço.
Apresento-me e professo minha fé
(José Dervil / Maria José Limeira)
Gente, aqui faço poesia
Num tou cantando ninguém
Este vate idade tem
Pra fugir de aleivosia
(José Dervil)
Quem faz Poesia tem tudo.
Quem não faz fica sem nada.
O verso é bom escudo
pra enfrentar madrugada.
(Maria José Limeira)
Não é poesia concreta
Foco a versão, não o fato;
Ultrapassando os sessenta
Só posso ser abstrato
(José Dervil)
Mesmo se concreta for,
Poesia não tem problema.
Verso simples tem mais cor.
Verso cantado é cinema.
(Maria José Limeira)
Concretos há mais estreitos
mais largos, de toda idade...
mas fêmea concret‘cidade
Eu abstraio. É o jeito...
(José Dervil)
Poesia não tem idade.
Nem tem endereço certo.
Pode ser campo ou cidade.
Sendo longe, está mui perto.
(Maria José Limeira)