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Meu perfil BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher |
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Nasci palavra e vivo emoção.
Sem eira nem beira.
Uso e abuso das palavras
de Childe Hassam:
a arte deve agradar
mais às emoções
do que ao intelecto.
Quando escrevo
dou vazão às minhas emoções
e sentimentos.
Não à minha racionalidade.
Aí mora meu prazer.
Nel Meirelles
http://www.falapoetica.blogger.com.br/
Você sabe por que haikais não são haikais?
Sabe por que um texto pornográfico pode ser erótico?
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Saludos!
Maria José Limeira
FOLHETINS ABOIOS URBANOS
zémaria / Maria José Limeira
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Aboio Urbano Nº 01
Um velho poeta sertanejeano
há trinta anos na cidade desgarrado
toda tardezinha leva poemas, seu gado
para pastar capim, palma e sonhos.
(zémaria)
..........
ABOIO SUBURBANO
Maria José Limeira
Casal de velhos.
Lua cor-de-rosa.
Uns escaravelhos.
Rostos famosos.
Um par de aliança
de ouro-dezoito.
Riso de criança.
Lata de biscoito.
Nas imagens da TV
aparece tudo.
Menos você.
No Mac Donalds
Na fila do Mac Donalds
ela lembrou o meu nome
após o tempo passado
quando sertanesejamos
e me disse, bem baixinho:
- Zé, nós fomos semvergonhos.
E eu abooei, em silêncio:
- Ó, mundo velho sem dono!
(zémaria)
..........
NO SHOPPING-CENTER
Maria José Limeira
Tanta vitrine bonita.
Tanta mulher bem-vestida.
Tudo, enfim, parece dita.
Com tanta união ungida.
Mas, falta cheiro de mato.
Sol aqui não vai raiar.
Não tem água de regato.
E cadê cerca pra pular?Maria José Limeira
Minha cidade era lugar pequeno.
Na esquina, a padaria.
Quase vizinho, o mercadinho.
O cabeleireiro, mais adiante.
A igreja, na praça.
Missa aos domingos, de graça.
O Clube das Mães
funcionava na escola,
onde os filhos estudavam.
As reuniões obedeciam à hora.
Todas as mães eram zelosas
e dengosas.
Faziam comidas gostosas
que alimentavam a todos,
sem distinção.
Ao redor da mesa na cozinha,
conversas e risadas.
Fofocas!
Na panela de Nossa Senhora,
havia arroz e feijão
para alimentar comadres,
compadres
e quem mais chegasse,
até que a vida simples
passasse, passasse,
passasse...
Como foi que eu vim parar
na feérica Paris,
de odisséia homérica,
sem meu antigo gosto de mel,
se a única vantagem
que vale a pena aqui
é a Torre Eiffel?
O que não experimentares,
não cuides que o sabes bem.
(Pontes de Miranda)
in “À margem do Direito”.
Rio de Janeiro.
Livraria Francisco Alves.
1912
TUDO QUE MORRE VIVE!
Maria José Limeira
(Para Rosângela Aliberti)
Quando estou triste, bisonha,
assim meio-pé-de-chulé,
procuro a lua que sonha,
como quem quer e não quer.
Quando a raiva me toma
e a dor é furibunda,
mastigo bolinho-de-goma:
tanto emerge quanto afunda.
Quando adeus definitivo
traça o nunca e o jamais,
teço em bordado o crivo,
como só eu sou capaz.
Quando esperança esvazia
e a fé morre mais cedo,
faço da noite meio-dia
e da paixão, meu segredo.
Quando começo é fim
e o fim não recomeça,
escrevo um verso pra mim
e outro pra Aníbal Beça...
ABRINDO ESPAÇO PARA ROSÂNGELA ALIBERTI:
Maria-Maria...
A vida é breve
com ou sem tercetos
para quem preza o ser meio-são.
Quanto aos versos
quem sou eu prá dizer
que lindos eles não são...?!
No meio de um mar de ´achismos´
há Marias que são o que são.
Posso não ter Maria no nome,
mas não perco a noção.
Marias têm de tudo um pouco.
Porém nunca deixarão de ser o que são.
Há certos Saludos...
que nunca me surpreenderão
Marias-Marias são ´anssim´ mesmo.
Tem certos tipos de ´Muézinhas´
´qui´ nunca tem ´jeitcho´... não
pois então: -
Se ´ocê´ me diz que teus versos
são lindos assino embaixo
Aceitou meu beijo?
te devolvo com gosto
´Daquele Abraço.´
Rosangela_Aliberti SAMPA, 18.IV.05
Rosangela Aliberti | rosangelaliberti@yahoo.com.br
| www.recantodasletras.com.br | 18/04/2005 02:39
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Saludos, Rosângela Linda!
Maria José Limeira(CACOS, RESTOS & MEMÓRIAS)
Maria José Limeira
Para Roberto Di Maio
Dei-lhe flores açucaradas.
Ofereci-me em doses chãs
e closes.
Pelos cantos dos muros,
encontrei você,
entre dobras e vincos
amassados.
O que pude juntar de mim
juntei:
(cacos, restos & memórias)
Ofertei-me em face dupla.
Mas eu era mais dor
que alegria.
Tinha mais sofrimento
do que gozo
no olhar que eu lhe devia.
Você abriu a porta.
Foi embora.
Não por culpa sua.
É que havia muita luz
lá fora...
FOLHETINS DOS LIXOS VIRTUAIS
Maria José Limeira
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ESCONDENDO O LIXO
Maria José Limeira
Debaixo do tapete
da sala,
cão raivoso espuma
e rosna,
no silêncio
atravessado pela bala.
BANHO DE LUZ
Maria José Limeira
Toda nudez
carrega o sonho
- do chuveiro à cama -
em bandeja de prata.
ALTA ANSIEDADE
Maria José Limeira
Vício de roer unhas
revela estado de tensão
que vai dos pés
ao coração.
VIA-MAIL
Maria José Limeira
Na longa carta que recebi,
havia apenas uma palavra essencial:
adeus.
O resto era derivação.
NÃO SE ESCONDA DE MIM
Maria José Limeira
Você pode mudar
de roupa e de nome.
Não adianta.
Eu conheço seu olhar.ÚLTIMA CENA
Maria José Limeira
Lambeu prato frio.
Uivou à meia-noite.
Caiu no mundo vazio.
Adormeceu.
Deixou de ser
Julieta ou Romeu...
PASSADO
Maria José Limeira
Página virada.
Espaço em branco.
Nas horas mortas
da madrugada,
cancro.
FACA DE DOIS GUMES
Maria José Limeira
Na luz do final
do corredor,
sombra esconde
garras do predador.
HIPOCRISIA
Maria José Limeira
O que as palavras dizem
os gestos des-mancham,
des-lancham,
des-mentem...Anjos nus
Rosangela_Aliberti
Um animal que beija
reside em nós
S-u-A-v-E-M-e-n-t-E...
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Amiga, sei que você
não é lá ´mucho´ fã
de tercetos
mas quer saber?
Gosto docê
assim mesmo :)
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Prezados. Prezadas. Vejam que mensagem bonita acima recebi via internet, de Rosângela, e faço questão de respondê-la de público:
Rosângela. Não é que eu não goste de tercetos. Na verdade, eu tenho verdadeira ojeriza a eles.
Mas, acato todos as amizades que fiz na malfadada lista dos tercetos, que continuaram, e continuam, me procurando, dizendo que não podem mais viver sem meus textos lindos.
Isto prova, cara amiga, que amizade verdadeira não há terceto neste mundo que consiga destruí-la.
Um abraço, saludos, e continue me enviando suas mensagens lindas, que serão bem recebidas. Maria José Limeira, emocionadíssima!EU ME CATO.
LOGO, ME ACHO.
Diego Remus
ora oscilo, ora sincopo,
ora solapo, ora tangiverso.
ora converto, ora acoplo.
ora contento, ora desalento.
ora bolas.
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Fonte:
www.tramavirtual.com.br/efedefrete
João Andrade
(Para Maria José Limeira)
Amor é afago de monturo,
é uma face voltada para o passado
e outra para o escuro.
Amor é foco de conflito,
é verme almejando o infinito,
é um démodé que nunca sai de moda.
O amor, senhoras e senhores, é foda!
Estou importando este debate de nossa Oficina Literária no Orkut, por achá-lo da maior importância para todos nós, escritores. Saludos. Maria José Limeira.
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Uma dúvida me assalta! 6/4/2005 19:16
Ainda com muita dificuldade de navegar neste inquietante Orkut, lanço uma dúvida para vocês me ajudarem:
1.O que é que torna uma pessoa apta a refletir sobre um texto ou julgá-lo?
2.Os leitores têm esse direito?
3.Ou devemos simplesmente ler os textos dos poetas e esquecê-los, sem nenhuma reflexão?
Aguardo respostas.
Saludos.
Maria José Limeira.
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8/4/2005 13:43
O que torna uma pessoa apta a refletir sobre um texto é unicamente sua capacidade de pensar. Refletir, para mim, é deter-me sobre um texto e experenciar o que ele me trás de extase ou de inquietação, de melancolia ou de excitação. Assim, refletir é um ato totalmente empírico. Me sinto pronta para isso.
Quanto a julgar, é preciso antes saber se o que se está julgando é a qualidade técnica do texto. Se for, é preciso que se domine os conhecimentos específicos, para não se falar bobagens. Não me sinto pronta para isso.
Tenho problemas com "jugamentos" inespecíficos. É que gosto ou não de textos, muito mais pelo que eles me dizem do que por qualquer outro critério.
Beijos saludos (Plágio) - (Solange)
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respostas fáceis 8/4/2005 18:01
1. Ser alfabetizado. É justamente para isso que as pessoas aprendem a ler: para lerem e exercitarem seu espírito crítico quanto ao conteúdo do que leram, na medida da capacidade de cada um.
2. O artigo 5º, inciso IV, da nossa Constituição Federal que diz que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"(lembrete aos covardes do ORKUT).
Todavia, no exercício do sagrado direito constitucional acima lembrar sempre que há, também outro sagrado direito constitucional, previsto no inciso V, do mesmo artigo, que reza que "é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem" (lembrete aos corajosos sem medida do ORKUT).
3. fica desnecessário responder a essa última indagação, em virtude do teor da resposta contina do item 2.
saudações acadêmicas.
(José Nunes)
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Refletir... Julgar... 9/4/2005 00:10
Prezados. Estamos numa Oficina Literária. Vamos colocar os pontos nos ii... Ainda não estou satisfeita com as respostas. Solange fez diferença entre "refletir" e "julgar"... Quando eu reflito sobre um texto, eu julgo, de acordo com as ferramentas de que disponho... Neste sentido, julgar é o que mais fazemos no dia-a-dia sobre todas as coisas... Isto não tem nada demais. Vamos adiante refletir sobre a resposta do colega José Nunes. Saludos. Maria José Limeira.
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Direito de resposta 9/4/2005 00:17
Ao amigo José Nunes, um lembrete: Refletir sobre um texto, ou "julgá-lo", como queira, dá processo de danos morais? E o que seria dos grandes críticos de arte em geral e de literatura em particular? Estamos falando aqui de "boa educação" e não de "ofensa", amigo, vamos com calma. Podemos conversar? Sem ofensa, sobre este assunto? Com todo respeito! Saludos. Maria José Limeira.
Maria José Limeira
(Para Wellington Pereira)
Nossos longos cabelos
se desmancham
em cima do teclado
úmido de lágrimas...
Nossos olhos
são resets
piscando
piscando
piscando...
(E quando não gosto,
deleto!)
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Maria,
Fico comovido com o seu poema. Isto é ter talento. As minhas provocações é para nos libertar desta prisão virtual que o nosso querido Mariano nos legou. Mas te mando um monte de beijos.
Atenção! Contistas paraibanos!
Abaixo os trópicos frasais dos rendez-vous virtuais!
Vamos sentir em carne e osso o texto nosso de cada dia.
Salve as irmãs Limeira!
Wellington Pereira
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Fonte:
Lista Clube dos Contistas-PB
DRÁCULA PASSOU POR AQUI
Maria José Limeira
Nas quatro paredes do quarto, há um grito que não ressoa, escondido nos lençóis.
Drácula passou por aqui, sem deixar rastros.
O lado negro da pessoa verdadeira começa na ladeira e termina no final do beco sem saída, onde está escrito Stop.
O canto da sereia esconde segredos e diz onde os sonhos morrem.
Toda vez que nasce o verso, um poeta sobrevive.
Na eternidade, o futuro mal começou.
A boca da noite é silente, como os umbrais da beleza.
Todas as leis do Direito se equilibram em linhas tortas.
Todo falso moralista tem uma esposa de fachada e uma amante de reserva, escondida nos fundos da loja.
Quem apontar dedo-duro pra denunciar amigos pode ter certeza: um dia, chegará sua vez.
A solidão não gosta de ninguém.
Por mais que se faça, muito ainda falta fazer.
Sexo usado é como chiclete em boca de pobre. Quanto mais se mastiga, mais dura.
Se verdade incontestável existisse, Século XXI seria Idade Média.
O máximo que Comissão de Inquisição de caça às bruxas consegue é ser engraçada.
É melhor ser pornográfica, do que ser chamada de censora, já dizia o Papa João Paulo II, o tal Wotyla, que Deus o tenha.
Toda vez que americano perde a guerra, faz um filme.
Deve ser por isso que o vampiro da noite nunca morre.
Quarto, cama, lençóis de linho, mesa, banho, cadeiras, sala, televisor, computador, cozinha completa, terraço amplo, carro na garagem e piscina. Pra que tudo isto se a gente precisa somente de ombro amigo onde encostar a cabeça, à noite, e adormecer tranqüila?
(Do livro “Crônicas do amanhecer”).
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
Um livro de José Félix
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Falar sobre o Poeta José Félix é dizer Poesia com responsabilidade.
É falar de diálogo, de ética, e de preocupação do escritor com o seu tempo.
É fundir autor e obra numa única entidade.
É discorrer sobre o óbvio, quando o assunto é Amizade.
Porque José Félix é o amigo que aprendemos a amar e respeitar, ao longo do tempo. E os olhos da amizade fazem muito mais que ver quando se trata de Poesia. Esta ponte nos coloca bem íntimos e próximos, apesar da distância física que nos separa.
Foi, portanto, como amiga, que li “Geografia da árvore (a reinvenção da memória)”, livro de Félix recebido através de correio convencional.
Não sou crítica profissional.
Tudo que posso dizer sobre o livro é somente isto: é lindo, como produto acabado, capa, textura do papel, diagramação, organização gráfica e coordenação editorial.
Como Poesia, é impecável.
A Poesia de Félix é como um pássaro em pleno vôo: sereno, impermeável, elegante, misterioso e indecifrável.
Sobretudo, é a Poesia da palavra usada no timbre certo e no lugar que lhe cabe, cheia de honra e dignidade.
Este Poeta constrói sua Poesia a partir de um passado que começou em Luanda, Angola, sua terra natal, e vai beber nas fontes do Tejo português, onde pesca textos de uma singularidade admirável, fazendo uma Literatura nova, enxuta, concisa, sem perder o seu “sentir telúrico”, como bem o diz José António Gonçalves (JAG) no prefácio da obra, e acrescenta:
“O percurso desta Poesia é revestido também de uma sensível viagem pela memória, em cuja reinvenção se debruça o autor”.
Árvore é símbolo de raiz e sinônimo de pés-no-chão.
Casa é seu sub-produto e extensão, sinônimo de seguridade.
Estes dois temas, que se completam nos poemas de Félix, formam um conjunto onde não faltam sutilezas, reflexões e, sobretudo, linguagem.Eis alguns exemplos do poder de José Félix como Poeta:
vi-te abril a encostar os olhos
nas faldas das ondas
e assim distraidamente ausente
perscrutavas a existência na geometria
das mágoas
(A justificação das águas)
tenho uma ponte em perspectiva
e incendeio as velas de margem a margem
enquanto as gaivotas poisam nas escamas do rio
(Uma ponte em perspectiva)
há uma casa e um país à deriva
e o idioma possível é a infância
dos objetos na arqueologia
das estruturas.
(O idioma possível)
o nome é a sombra do que somos.
(O nome)
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FÉLIX, José Nascimento. Geografia da árvore (a reinvenção da memória). Múchia Publicações Lda. Portugal, 2003.
Em memória do Poeta José António Gonçalves (JAG), falecido em 29 de março de 2005.
Maria José Limeira
Querido JAG:
Aqui em minha cidade, bem longe, as primeiras chuvas começam a cair.
Os pássaros dormem cedo.
A lua está de porre.
As crianças caçam tanajuras.
As pipas adormecem lá em cima, junto às nuvens, onde desmaiam e morrem.
No intervalo, o sol boceja.
É mais difícil andar nas ruas salpicadas de sombrinhas, capas e galochas, coisas cheirando a guardados, quase esquecidas, que a gente desencava de ano em ano.
Há terrenos baldios, onde as cobras sacolejam seus cocares, após longo período de sono, e rastejam em busca da comida já escassa.
Parecem serpentinas coloridas atravessando estradas e avenidas, onde trafegam moribundas, atropeladas pelos faróis dos carros.
Os campos vicejam.
Vamos vivendo, desde que você partiu.
Vi quando você foi embora, num rastro de luz, batendo as asas – morcego ou pássaro – e mergulhou no azul.
Houvera entre nós uma imensidão de águas verdes, a partir do farol, na Praia do Cabo Branco, de onde eu poderia avistar a África, numa linha reta consumida pelo horizonte.
O que nos separa hoje é muito mais.
E, no entanto, JAG, o Tejo fica beeemm aliii...
(Do livro “Crônicas do amanhecer”)
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
Virgilio
(Tradução de Maria José Limeira)
Para Maria José Limeira,
com afeto e agradecimento
Agora, depois de tanto tempo,
quando a solidão
toma conta
de minh’alma,
nestas noites
de lânguidos intranqüilos,
pergunto a mim mesmo
se valeu a pena
amar como eu amei
desesperado.
Deixar de ser eu mesmo
e converter-me em sombra.
Viver um outro
renunciando a tudo.
Perder dignidade e orgulho
implorando amor
como um mendigo,
tal qual um cão
famélico e vagabundo
e ter depois,
como prêmio e galardão,
o desprezo total
que me golpeara
machucando-me a alma
e em minha face
a vergonha
que navega na lembrança.
Que não era eu,
mas eu o fui.
Que dúvida cabe,
se eu estava só e apaixonado?RACCONTO
Para Maria José Limeira,
con afecto y agradecimiento
Aun ahora después de tanto tiempo
cuando la soledad
sitia mi alma
en esas noches
de desvelos lentos
me pregunto a mi mismo
si es que alcanza
el amar como ame
desesperado
Dejar de ser
y convertirse en sombra
Vivir en otro
renunciando a todo
Dejar de lado dignidad y orgullo
solicitando amor
como un mendrugo
cual un perro
hambriento y callejero
y después como premio y corolario
el desprecio total
que me golpeara
magullándome el alma
y en la cara
la vergüenza
que viaja en el recuerdo
Que no era yo
y lo fui
Que duda cabe?
tan solo por estar enamorado
virgilio marzo 2005
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