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BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher


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Nasci palavra e vivo emoção.

Sem eira nem beira.

Uso e abuso das palavras

de Childe Hassam:

a arte deve agradar

mais às emoções

do que ao intelecto.

Quando escrevo

dou vazão às minhas emoções

e sentimentos.

Não à minha racionalidade.

Aí mora meu prazer.

 

Nel Meirelles

http://www.falapoetica.blogger.com.br/



- Postado por: Zezé Limeira às 03h14 AM
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CONVITE

 

Você sabe por que haikais não são haikais?

Sabe por que um texto pornográfico pode ser erótico?

 

Visite:

http://oficinaliteraria.zip.net

 

Venha participar de nossos debates.

Para entrar em nossa Lista de Discussão

mande email em branco para:

oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br

 

Saludos!

Maria José Limeira

 



- Postado por: Zezé Limeira às 02h52 AM
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FOLHETINS ABOIOS URBANOS

 zémaria / Maria José Limeira

 ----------

 

 Aboio Urbano Nº 01

 

 Um velho poeta sertanejeano

 há trinta anos na cidade desgarrado

 toda tardezinha leva poemas, seu gado

 para pastar capim, palma e sonhos.

 (zémaria)

.......... 

 

ABOIO SUBURBANO

Maria José Limeira

 

Casal de velhos.

Lua cor-de-rosa.

Uns escaravelhos.

Rostos famosos.

Um par de aliança

de ouro-dezoito.

Riso de criança.

Lata de biscoito.

Nas imagens da TV

aparece tudo.

Menos você.



- Postado por: Zezé Limeira às 02h35 AM
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Aboios urbanos - 2

No Mac Donalds

 

Na fila do Mac Donalds

ela lembrou o meu nome

após o tempo passado

quando sertanesejamos

e me disse, bem baixinho:

- Zé, nós fomos semvergonhos.

E eu abooei, em silêncio:

- Ó, mundo velho sem dono!

(zémaria)

..........

 

NO SHOPPING-CENTER

Maria José Limeira

 

Tanta vitrine bonita.

Tanta mulher bem-vestida.

Tudo, enfim, parece dita.

Com tanta união ungida.

Mas, falta cheiro de mato.

Sol aqui não vai raiar.

Não tem água de regato.

E cadê cerca pra pular?

- Postado por: Zezé Limeira às 01h50 AM
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A PANELA DE NOSSA SENHORA

Maria José Limeira

 

Minha cidade era lugar pequeno.

Na esquina, a padaria.

Quase vizinho, o mercadinho.

O cabeleireiro, mais adiante.

A igreja, na praça.

Missa aos domingos, de graça.

O Clube das Mães

funcionava na escola,

onde os filhos estudavam.

As reuniões obedeciam à hora.

Todas as mães eram zelosas

e dengosas.

Faziam comidas gostosas

que alimentavam a todos,

sem distinção.

Ao redor da mesa na cozinha,

conversas e risadas.

Fofocas!

Na panela de Nossa Senhora,

havia arroz e feijão

para alimentar comadres,

compadres

e quem mais chegasse,

até que a vida simples

passasse, passasse,

passasse...

 

Como foi que eu vim parar

na feérica Paris,

de odisséia homérica,

sem meu antigo gosto de mel,

se a única vantagem

que vale a pena aqui

é a Torre Eiffel?

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h20 PM
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O que não experimentares,

não cuides que o sabes bem. 

(Pontes de Miranda)

 

in “À margem do Direito”.

Rio de Janeiro.

Livraria Francisco Alves.

1912



- Postado por: Zezé Limeira às 08h45 PM
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TUDO QUE MORRE VIVE!

Maria José Limeira

 

(Para Rosângela Aliberti)

 

Quando estou triste, bisonha,

assim meio-pé-de-chulé,

procuro a lua que sonha,

como quem quer e não quer.

 

Quando a raiva me toma

e a dor é furibunda,

mastigo bolinho-de-goma:

tanto emerge quanto afunda.

 

Quando adeus definitivo

traça o nunca e o jamais,

teço em bordado o crivo,

como só eu sou capaz.

 

Quando esperança esvazia

e a fé morre mais cedo,

faço da noite meio-dia

e da paixão, meu segredo.

 

Quando começo é fim

e o fim não recomeça,

escrevo um verso pra mim

e outro pra Aníbal Beça...



- Postado por: Zezé Limeira às 09h03 PM
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ABRINDO ESPAÇO PARA ROSÂNGELA ALIBERTI:

 

Maria-Maria...

A vida é breve

com ou sem tercetos

para quem preza o ser meio-são.

Quanto aos versos

quem sou eu prá dizer

que lindos eles não são...?!

No meio de um mar de ´achismos´

há Marias que são o que são.

Posso não ter Maria no nome,

mas não perco a noção.

Marias têm de tudo um pouco.

Porém nunca deixarão de ser o que são.

Há certos Saludos...

que nunca me surpreenderão

Marias-Marias são ´anssim´ mesmo.

Tem certos tipos de ´Muézinhas´

´qui´ nunca tem ´jeitcho´... não

pois então: -

Se ´ocê´ me diz que teus versos

são lindos assino embaixo

Aceitou meu beijo?

te devolvo com gosto

´Daquele Abraço.´

Rosangela_Aliberti SAMPA, 18.IV.05

Rosangela Aliberti | rosangelaliberti@yahoo.com.br

| www.recantodasletras.com.br |  18/04/2005 02:39

..........

 

Saludos, Rosângela Linda!

Maria José Limeira

- Postado por: Zezé Limeira às 11h47 AM
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(CACOS, RESTOS & MEMÓRIAS)

Maria José Limeira

 

Para Roberto Di Maio

 

Dei-lhe flores açucaradas.

Ofereci-me em doses chãs

e closes.

Pelos cantos dos muros,

encontrei você,

entre dobras e vincos

amassados.

O que pude juntar de mim

juntei:

(cacos, restos & memórias)

Ofertei-me em face dupla.

Mas eu era mais dor 

que alegria.

Tinha mais sofrimento

do que gozo

no olhar que eu lhe devia.

Você abriu a porta.

Foi embora.

Não por culpa sua.

É que havia muita luz

lá fora...



- Postado por: Zezé Limeira às 10h41 PM
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FOLHETINS DOS LIXOS VIRTUAIS

Maria José Limeira

..........

 

ESCONDENDO O LIXO

Maria José Limeira

 

Debaixo do tapete

da sala,

cão raivoso espuma

e rosna,

no silêncio

atravessado pela bala.

 

 

BANHO DE LUZ

Maria José Limeira

 

Toda nudez

carrega o sonho

- do chuveiro à cama -

em bandeja de prata.

 

 

ALTA ANSIEDADE

Maria José Limeira

 

Vício de roer unhas

revela estado de tensão

que vai dos pés

ao coração.

 

 

VIA-MAIL

Maria José Limeira

 

Na longa carta que recebi,

havia apenas uma palavra essencial:

adeus.

O resto era derivação.

 

 

NÃO SE ESCONDA DE MIM

Maria José Limeira

 

Você pode mudar

de roupa e de nome.

Não adianta.

Eu conheço seu olhar.

- Postado por: Zezé Limeira às 04h28 AM
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Lixos virtuais - 2

ÚLTIMA CENA

Maria José Limeira

 

Lambeu prato frio.

Uivou à meia-noite.

Caiu no mundo vazio.

Adormeceu.

Deixou de ser

Julieta ou Romeu...

 

 

PASSADO

Maria José Limeira

 

Página virada.

Espaço em branco.

Nas horas mortas

da madrugada,

cancro.

 

 

FACA DE DOIS GUMES

Maria José Limeira

 

Na luz do final

do corredor,

sombra esconde

garras do predador.

 

 

HIPOCRISIA

Maria José Limeira

 

O que as palavras dizem

os gestos des-mancham,

des-lancham,

des-mentem...

- Postado por: Zezé Limeira às 04h22 AM
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Anjos nus

Rosangela_Aliberti

 

Um animal que beija

reside em nós

S-u-A-v-E-M-e-n-t-E...

...........

 

Amiga, sei que você

não é lá ´mucho´ fã

de tercetos

mas quer saber?

Gosto docê

assim mesmo  :)

..........

 

Prezados. Prezadas. Vejam que mensagem bonita acima recebi via internet, de Rosângela, e faço questão de respondê-la de público:

Rosângela. Não é que eu não goste de tercetos. Na verdade, eu tenho verdadeira ojeriza a eles.

Mas, acato todos as amizades que fiz na malfadada lista dos tercetos, que continuaram, e continuam, me procurando, dizendo que não podem mais viver sem meus textos lindos.

Isto prova, cara amiga, que amizade verdadeira não há terceto neste mundo que consiga destruí-la.

Um abraço, saludos, e continue me enviando suas mensagens lindas, que serão bem recebidas. Maria José Limeira, emocionadíssima!

- Postado por: Zezé Limeira às 02h42 AM
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EU ME CATO.

LOGO, ME ACHO.

Diego Remus

 

ora oscilo, ora sincopo,

ora solapo, ora tangiverso.

ora converto, ora acoplo.

ora contento, ora desalento.

 

ora bolas.

...........

 

Fonte:

www.tramavirtual.com.br/efedefrete

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h54 AM
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CAMONIADO

João Andrade

 

(Para Maria José Limeira)

 

Amor é afago de monturo,

é uma face voltada para o passado

e outra para o escuro.

 

Amor é foco de conflito,

é verme almejando o infinito,

é um démodé que nunca sai de moda.

 

O amor, senhoras e senhores, é foda!



- Postado por: Zezé Limeira às 05h57 PM
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Polêmica: O direito de criticar

Estou importando este debate de nossa Oficina Literária no Orkut, por achá-lo da maior importância para todos nós, escritores. Saludos. Maria José Limeira.

----------

Uma dúvida me assalta! 6/4/2005 19:16

Ainda com muita dificuldade de navegar neste inquietante Orkut, lanço uma dúvida para vocês me ajudarem:

1.O que é que torna uma pessoa apta a refletir sobre um texto ou julgá-lo?

2.Os leitores têm esse direito?

3.Ou devemos simplesmente ler os textos dos poetas e esquecê-los, sem nenhuma reflexão?

Aguardo respostas.

Saludos.

Maria José Limeira.

..........

  

8/4/2005 13:43

O que torna uma pessoa apta a refletir sobre um texto é unicamente sua capacidade de pensar. Refletir, para mim, é deter-me sobre um texto e experenciar o que ele me trás de extase ou de inquietação, de melancolia ou de excitação. Assim, refletir é um ato totalmente empírico. Me sinto pronta para isso.

Quanto a julgar, é preciso antes saber se o que se está julgando é a qualidade técnica do texto. Se for, é preciso que se domine os conhecimentos específicos, para não se falar bobagens. Não me sinto pronta para isso.

Tenho problemas com "jugamentos" inespecíficos. É que gosto ou não de textos, muito mais pelo que eles me dizem do que por qualquer outro critério.

Beijos saludos (Plágio)  - (Solange)

..........

  

respostas fáceis 8/4/2005 18:01

1. Ser alfabetizado. É justamente para isso que as pessoas aprendem a ler: para lerem e exercitarem seu espírito crítico quanto ao conteúdo do que leram, na medida da capacidade de cada um. 

2. O artigo 5º, inciso IV, da nossa Constituição Federal que diz que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"(lembrete aos covardes do ORKUT).

Todavia, no exercício do sagrado direito constitucional acima lembrar sempre que há, também outro sagrado direito constitucional, previsto no inciso V, do mesmo artigo, que reza que "é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem" (lembrete aos corajosos sem medida do ORKUT). 

3. fica desnecessário responder a essa última indagação, em virtude do teor da resposta contina do item 2. 

saudações acadêmicas.

(José Nunes)

..........

  

Refletir... Julgar... 9/4/2005 00:10

Prezados. Estamos numa Oficina Literária. Vamos colocar os pontos nos ii... Ainda não estou satisfeita com as respostas. Solange fez diferença entre "refletir" e "julgar"... Quando eu reflito sobre um texto, eu julgo, de acordo com as ferramentas de que disponho... Neste sentido, julgar é o que mais fazemos no dia-a-dia sobre todas as coisas... Isto não tem nada demais. Vamos adiante refletir sobre a resposta do colega José Nunes. Saludos. Maria José Limeira.

...........

  

Direito de resposta 9/4/2005 00:17

Ao amigo José Nunes, um lembrete: Refletir sobre um texto, ou "julgá-lo", como queira, dá processo de danos morais? E o que seria dos grandes críticos de arte em geral e de literatura em particular? Estamos falando aqui de "boa educação" e não de "ofensa", amigo, vamos com calma. Podemos conversar? Sem ofensa, sobre este assunto? Com todo respeito! Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Zezé Limeira às 01h33 PM
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CYBERPERSONAGENS

Maria José Limeira

 

(Para Wellington Pereira)

 

Nossos longos cabelos

se desmancham

em cima do teclado

úmido de lágrimas...

 

Nossos olhos

são resets

piscando

piscando

piscando...

 

(E quando não gosto,

deleto!)

..........

 

Maria,

Fico comovido com o seu poema. Isto é ter talento. As minhas provocações é para nos libertar desta prisão virtual que o nosso querido Mariano nos legou. Mas te mando um monte de beijos.

Atenção! Contistas paraibanos!

Abaixo os trópicos frasais dos rendez-vous virtuais!

Vamos sentir em carne e osso o texto nosso de cada dia.

Salve as irmãs Limeira!

Wellington Pereira

..........

Fonte:

Lista Clube dos Contistas-PB



- Postado por: Zezé Limeira às 01h15 PM
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DRÁCULA PASSOU POR AQUI

Maria José Limeira

 

Nas quatro paredes do quarto, há um grito que não ressoa, escondido nos lençóis.

Drácula passou por aqui, sem deixar rastros.

O lado negro da pessoa verdadeira começa na ladeira e termina no final do beco sem saída, onde está escrito Stop.

O canto da sereia esconde segredos e diz onde os sonhos morrem.

Toda vez que nasce o verso, um poeta sobrevive.

Na eternidade, o futuro mal começou.

A boca da noite é silente, como os umbrais da beleza.

Todas as leis do Direito se equilibram em linhas tortas.

Todo falso moralista tem uma esposa de fachada e uma amante de reserva, escondida nos fundos da loja.

Quem apontar dedo-duro pra denunciar amigos pode ter certeza: um dia, chegará sua vez.

A solidão não gosta de ninguém.

Por mais que se faça, muito ainda falta fazer.

Sexo usado é como chiclete em boca de pobre. Quanto mais se mastiga, mais dura.

Se verdade incontestável existisse, Século XXI seria Idade Média.

O máximo que Comissão de Inquisição de caça às bruxas consegue é ser engraçada.

É melhor ser pornográfica, do que ser chamada de censora, já dizia o Papa João Paulo II, o tal Wotyla, que Deus o tenha.

Toda vez que americano perde a guerra, faz um filme.

Deve ser por isso que o vampiro da noite nunca morre.

Quarto, cama, lençóis de linho, mesa, banho, cadeiras, sala, televisor, computador, cozinha completa, terraço amplo, carro na garagem e piscina. Pra que tudo isto se a gente precisa somente de ombro amigo onde encostar a cabeça, à noite, e adormecer tranqüila?

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.



- Postado por: Zezé Limeira às 12h37 AM
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GEOGRAFIA DA ÁRVORE

Um livro de José Félix

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Falar sobre o Poeta José Félix é dizer Poesia com responsabilidade.

É falar de diálogo, de ética, e de preocupação do escritor com o seu tempo.

É fundir autor e obra numa única entidade.

É discorrer sobre o óbvio, quando o assunto é Amizade.

Porque José Félix é o amigo que aprendemos a amar e respeitar, ao longo do tempo. E os olhos da amizade fazem muito mais que ver quando se trata de Poesia. Esta ponte nos coloca bem íntimos e próximos, apesar da distância física que nos separa.

Foi, portanto, como amiga, que li “Geografia da árvore (a reinvenção da memória)”, livro de Félix recebido através de correio convencional.

Não sou crítica profissional.

Tudo que posso dizer sobre o livro é somente isto: é lindo, como produto acabado, capa, textura do papel, diagramação, organização gráfica e coordenação editorial.

Como Poesia, é impecável.

A Poesia de Félix é como um pássaro em pleno vôo: sereno, impermeável, elegante, misterioso e indecifrável.

Sobretudo, é a Poesia da palavra usada no timbre certo e no lugar que lhe cabe, cheia de honra e dignidade.

Este Poeta constrói sua Poesia a partir de um passado que começou em Luanda, Angola, sua terra natal, e vai beber nas fontes do Tejo português, onde pesca textos de uma singularidade admirável, fazendo uma Literatura nova, enxuta, concisa, sem perder o seu “sentir telúrico”, como bem o diz José António Gonçalves (JAG) no prefácio da obra, e acrescenta:

“O percurso desta Poesia é revestido também de uma sensível viagem pela memória, em cuja reinvenção se debruça o autor”.

Árvore é símbolo de raiz e sinônimo de pés-no-chão.

Casa é seu sub-produto e extensão, sinônimo de seguridade.

Estes dois temas, que se completam nos poemas de Félix, formam um conjunto onde não faltam sutilezas, reflexões e, sobretudo, linguagem.

- Postado por: Zezé Limeira às 12h29 AM
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Geografia da árvore - Cont.

Eis alguns exemplos do poder de José Félix como Poeta:

 

vi-te abril a encostar os olhos

nas faldas das ondas

e assim distraidamente ausente

perscrutavas a existência na geometria

das mágoas

(A justificação das águas)

 

 

tenho uma ponte em perspectiva

e incendeio as velas de margem a margem

enquanto as gaivotas poisam nas escamas do rio

(Uma ponte em perspectiva)

 

 

há uma casa e um país à deriva

e o idioma possível é a infância

dos objetos na arqueologia

das estruturas.

(O idioma possível)

 

o nome é a sombra do que somos.

(O nome)

..........

 

FÉLIX, José Nascimento. Geografia da árvore (a reinvenção da memória). Múchia Publicações Lda. Portugal, 2003.



- Postado por: Zezé Limeira às 12h23 AM
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CARTA AO AMIGO COMO SE ASSIM FOSSE

Em memória do Poeta José António Gonçalves (JAG), falecido em 29 de março de 2005.

 

Maria José Limeira

 

Querido JAG:

Aqui em minha cidade, bem longe, as primeiras chuvas começam a cair.

Os pássaros dormem cedo.

A lua está de porre.

As crianças caçam tanajuras.

As pipas adormecem lá em cima, junto às nuvens, onde desmaiam e morrem.

No intervalo, o sol boceja.

É mais difícil andar nas ruas salpicadas de sombrinhas, capas e galochas, coisas cheirando a guardados, quase esquecidas, que a gente desencava de ano em ano.

Há terrenos baldios, onde as cobras sacolejam seus cocares, após longo período de sono, e rastejam em busca da comida  já escassa.

Parecem serpentinas coloridas atravessando estradas e avenidas, onde trafegam moribundas, atropeladas pelos faróis dos carros.

Os campos vicejam.

Vamos vivendo, desde que você partiu.

Vi quando você foi embora, num rastro de luz, batendo as asas – morcego ou pássaro – e mergulhou no azul.

Houvera entre nós uma imensidão de águas verdes, a partir do farol, na Praia do Cabo Branco, de onde eu poderia avistar a África, numa linha reta consumida pelo horizonte.

O que nos separa hoje é muito mais.

E, no entanto, JAG, o Tejo fica beeemm aliii...

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”)

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB. 



- Postado por: Zezé Limeira às 04h51 AM
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Racconto - Virgilio - Em Português

 

RE-CONTO

Virgilio

 

(Tradução de Maria José Limeira)

 

Para Maria José Limeira,

com afeto e agradecimento

 

Agora, depois de tanto tempo,

quando a solidão

toma conta

de minh’alma,

nestas noites

de lânguidos intranqüilos,

pergunto a mim mesmo

se valeu a pena

amar como eu amei

desesperado.

Deixar de ser eu mesmo

e converter-me em sombra.

Viver um outro

renunciando a tudo.

Perder dignidade e orgulho

implorando amor

como um mendigo,

tal qual um cão

famélico e vagabundo

e  ter depois,

como prêmio e galardão,

o desprezo total

que me golpeara 

machucando-me a alma

e em minha face

a vergonha

que navega na lembrança.

Que não era eu,

mas eu o fui.

Que dúvida cabe,

se eu estava só e apaixonado?

- Postado por: Zezé Limeira às 12h27 AM
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Racconto - Virgilio - Em Espanhol

RACCONTO

 

Para Maria José Limeira,

con afecto y agradecimiento

 

Aun ahora después de tanto tiempo

cuando la soledad

sitia mi alma

en esas noches

de desvelos lentos

me pregunto a mi mismo

si es que alcanza

el amar como ame

desesperado

Dejar de ser

y convertirse en sombra

Vivir en otro

renunciando a todo

Dejar de lado dignidad y orgullo

solicitando amor

como un mendrugo

cual un perro

hambriento y callejero

y después  como premio y corolario

el desprecio total

que me golpeara

magullándome el alma

y en la cara

la vergüenza

que viaja en el recuerdo

Que no era yo

y lo fui

Que duda cabe?

tan solo por estar enamorado

 

  virgilio  marzo 2005

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h21 AM
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BIOGRAFIA
Maria José Limeira (Ferreira) nasceu em João Pessoa-PB, Brasil, fez curso (incompleto) de Filosofia Pura na UFPB. Presa, em 1964, pelas forças da repressão, no Quartel do 15RI, abandonou seus estudos superiores,auto-exilando-se nas cidades do Rio e São Paulo, onde conviveu com os escritores Aguinaldo Silva, Vinicius de Moraes, Assis Brasil, José Edson Gomes. Conheceu, no Rio, o poeta português e crítico literário Arnaldo Saraiva, da cidade do Porto, que dedicou a ela seu livro ""Encontros/Des-encontros, amizade que perdura até hoje. Retornou à Paraíba nos anos 70, quando ingressou no Jornalismo, começando como repórter até chegar a ocupar cargos de Direção em diversos jornais, inclusive no semanário "O Momento", que ajudou a fundar...

Livros publicados:
"Margem", "Aldeia virgem além", "As portas da cidade ameaçada", "O lado escuro do espelho" (contos); "Olho no vidro"(novelas) e "Luva no grito" (romance). Escreveu também peças teatrais, como "Os maloqueiros", "O transplante" e "O alcoólatra". A peça "Os maloqueiros" recebeu Menção Honrosa em concurso de âmbito nacional promovido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte-MG. Atualmente, escreve um livro de "Memórias".

Outros textos inéditos:
"Contos da escuridão" (contos), "Todos os seres" (poemas longos), "Crônicas do amanhecer" (crônicas). Foi uma das fundadoras, na Paraíba, do Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA-Pb), num esforço conjunto com outras entidades pela promulgação da anistia ampla, geral e irrestrita no Brasil. Atualmente reside em João Pessoa-PB.
Quer entrar em contato comigo? Então escreva:
Email: mlimeira_blog@yahoo.com.br