Meu perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher


Histórico:

- 01/02/2007 a 28/02/2007
- 01/08/2006 a 31/08/2006
- 01/07/2006 a 31/07/2006
- 01/06/2006 a 30/06/2006
- 01/05/2006 a 31/05/2006
- 01/04/2006 a 30/04/2006
- 01/03/2006 a 31/03/2006
- 01/02/2006 a 28/02/2006
- 01/01/2006 a 31/01/2006
- 01/12/2005 a 31/12/2005
- 01/11/2005 a 30/11/2005
- 01/10/2005 a 31/10/2005
- 01/09/2005 a 30/09/2005
- 01/08/2005 a 31/08/2005
- 01/07/2005 a 31/07/2005
- 01/06/2005 a 30/06/2005
- 01/05/2005 a 31/05/2005
- 01/04/2005 a 30/04/2005
- 01/03/2005 a 31/03/2005
- 01/02/2005 a 28/02/2005
- 01/01/2005 a 31/01/2005
- 01/12/2004 a 31/12/2004



Outros sites:

- UOL - O melhor conteúdo
- Voando pelo Céu da Boca (Dira Vieira)
- Eduardo Gomes - Eróticos e Sensuais
- Luiz Alberto Machado - Eróticos
- Engrenagem - André Ricardo Aguiar
- Antonio Mariano
- Luiz de Aquino
- Simone Carneiro Maldonado
- Zumbi, escutando blues - Linaldo Guedes
- Joaquim Evónio - Varanda das Estrelícias
- Mauro Cassane
- André Chalom
- Green Peace
- Oficina Literária
- Ale Carvalho
- Analu
- Literatura clandestina
- Lúmini - Companhia de Dança
- Jornalista de Merda
- Contos sado-masoquistas
- A cena muda
- O Cárcere das Asas
- Amina Ruthar
- Boicote contra Bush
- Diego Remus - Hyperverve
- Educação - Blog da Cremilda
- Cavalo Verde
- Trabalho & Educação
- Carmen Neves
- J.T. Parreira
- Tulio Vianna
- Luciana Pessanha Pires
- Ensinando tolerância - Brasil
- Manuela Fialho
- Território Mulher
- Cibercultura
- Dicionário de Direitos Humanos


Votação:

- Dê uma nota para meu blog

Indique esse Blog


Contador:

Layout por



DIVAGAÇÕES EM TORNO DO NADA 

Maria José Limeira

 

            Homens são pássaros do passado engasgados nos dias atuais.

            No tempo em que rio me banhava, água era pura e cristalina.

            O ideal humano é a perfeição.

            Leite que se toma também se derrama e gera lágrimas amargas.

            Quem é esse morcego batendo asas?

            O que nos parece bom nem sempre o é.

            Uma chuva fina e persistente naufragou meu barco de papel.

            Quando amor se acaba, a gente se deita na cama e fica olhando o vazio do telhado.

            Uma folha de papel em branco é um convite irrecusável.

            A bomba de Hiroshima estourou na minha mão.

            Palavras não são apenas palavras.

            Quem sabe, um dia chegas.

            As pessoas tipo boas me assustam.

            Que significam homens, pássaros, rios de águas claras, morcegos batendo asas e barcos, amores acabados e o vazio que se segue, palavras só palavras ou salas de espera, senão a expressão do Nada?

            Quem quiser saber de mim, pergunte ao tédio...

(Do livro "Crônicas do amanhecer").



- Postado por: Zezé Limeira às 11h39 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O QUE EU MAIS GOSTO NO SEXO

Maria José Limeira

 

Na hora do sexo, todos os pecados são cabeludos.

Se Cristo me dissesse “Vai, e não peques mais”, ainda assim eu pecaria.

Quando as pernas se entrançam, os pêlos crescem.

Cabelos molhados umedecem o sexo.

Novelo de linha preta é sinal de luto?

Cabelo vermelho e pêlo-fumaça: incêndio na floresta.

Um pênis ereto e a vulva que o recebe: será esta a melhor solução?

Quando vejo homem charmoso, fico imaginando o que ele é capaz de fazer na cama.

Quando sombra anoitece, outro corpo encosta de mansinho, e a gente esquece.

Amor que recorta descaminhos nos rouba a paz.

No meu corpo gelado, ninguém toca mais.

       



- Postado por: Zezé Limeira às 03h25 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O que eu gosto - Final

Ainda ressoa dentro de mim teu último desejo.

Quantas vidas eu tiver, serei a mesma mulher apaixonada.

Quando meu namorado me mandou embora, arranjei outro na hora.

Cama abriga sono e gozo. Nasce filho todo ano.

Distribui pernas entre vários amantes.

Viça a rosa no jardim. Viço eu. Viça você. Viçamos.

Quando tua língua desliza em minha barriga, instiga.

Teu corpo enche meu espaço, que outro deixou ausente.

Homem só presta duro.

Quando teu sexo entra em mim, colhemos madrugada.

Teus dedos no meu corpo recolhem rosa doada.

Quando termina ato sexual, homem é enxurrada. Mulher, madrugada.

Ao final do caso, homem esquece. Mulher envelhece.

Quando amor começa, homem se excita. Mulher ressuscita.

Desejo em segredo masturba o medo.

Cama range, quando as pessoas se amam.

Mulher quando ama faz comida na cozinha. Na cama, grita.

Pedi a Deus regeneração. Ele disse: - Não!

Quero voltar a chorar e orar. Os homens não deixam!

Sexo é como livro. Tem que ser usado, lambido e gozado.

É bom sonhar com príncipe encantado. Apesar do cadeado.

Na via pública, desfilam todos os objetos sexuais.

Gozo múltiplo faz bem ao coração.

O que mais gosto no sexo é a oralidade.

 

(Do livro "Crônicas do amanhecer").

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.



- Postado por: Zezé Limeira às 03h21 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




ONDE VAI REPOUSAR MINHA SAUDADE?
Maria José Limeira

Quando eu conseguir esquecer, escreverei minha história.
Só vai ser possível se o esquecimento se consumar.
Enquanto eu me lembrar, a dor não vai passar.
Primeiro, se apagarão nomes e números.
Não quero saber de datas.
Houve uma festa no dia em que nasci?
De que cor era a primeira camisa pagã que vesti?
E, depois, se bem me lembro, eu babava tomando leite.
Por que não havia festa no dia do meu aniversário?
O nome da minha primeira boneca era Crisálida.
Tinha olhos azuis, fixos.
Minha boneca não dormia nunca.
Nisto, se parecia comigo.
Minha infância passou rápido.
Minha casa era um quintal.
Eu não era triste assim.
Fui crescendo, crescendo, até crescer.
Minha vida tem horas alegres, e dias nebulosos.
Tenho que esquecer o primeiro namorado, de mão frias.
Minhas mãos são quentes.
Frio é meu estômago.
As dores que eu conhecia eram diferentes das que sinto hoje.
Quando eu caía no chão, subia no ar um cheiro de terra úmida.
Depois, o sangue escorria do joelho.  Dava para lambê-lo.
Sangue tem gosto de ferrugem.
Essas dores de queda são lembranças boas de vento zunindo nos cabelos.
O que eu sinto hoje é desigual.
É dor sem nome, dor difusa, que a gente não sabe explicar como é.
Deve ser o traste de re-viver.
Minhas lembranças são ferrenhas.
Fogaréus que sobem me queimando toda.
Enquanto persistirem, não poderei escrever minhas des-memórias.
Tenho que esquecer os homens.
De como fui tomada por eles.
E quanto os amei, e  amo ainda.
Consigo amá-los todos aos mesmo tempo.
Os homens são minha crucificação.
Essas coisas são difíceis de apagar da lembrança.
Deixam marcas no corpo.
São feridas que abrem as portas do insondável.
Lembranças não podem ser curadas com mercúrio-cromo, algodão, gaze e esparadrapo, como os rombos nos joelhos das crianças.
Não há quem consiga esquecer o adeus.
O adeus é tão medonho e irremediável, que parece o fundo do mar, onde a escuridão submerge, como cadáver insepulto da vítima de assassinato.
As lembranças constituem perturbações, mesmo que o tempo tenha desabado sobre elas, e restem como carcaças.
São tralhas-troços do nunca-mais, que seguem incomodando.
São os olhos insones da comadre Crisálida, fixos na minha história.
Ou o olhar triste do primeiro namorado, que deslizava  os dedos frios sobre a quentura da minha pele.
Dói lembrar.
Talvez esquecer pese muito mais ainda.
A noite é sombria, como a morte.
A manhã é alegre, como o pássaro.
O pôr-do-sol é profunda melancolia, como o último acorde do canto da cigarra.
O céu muda de cor: é azul, branco, negro, luz e sombra, como os humores da alma.
Minha Poesia é estrela radiante, que ninguém vai apagar.
Um dia, quando eu conseguir enterrar as lembranças, em que tumba repousará minha saudade?

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.




- Postado por: Zezé Limeira às 12h50 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




DIGRESSÃO

Simone Maldonado

 

     Algumas palavras sobre o poema de ontem. Veio-me à inspiração em lembranças de adolescente, do meu primeiro namorado.Um amor lindo. Ele foi como voluntário  na Força Expedicionária de Suez na década de 50. Eu o conheci depois, mas sonhava com suas aventuras. Pirâmides, o frio intenso do deserto depois do veranico do dia, os árabes, o sonho dele. Eu tinha o poster e o retrato dele uniformizado, de perfil. Ficava olhando, sabe...A vida tbém é feita de coisas simples assim. Os amores dos soldados e o sonho das meninas!Depois eu fiquei sabendo que a tarefa do meu "mercenário" era transportar alfaces num caminhãozinho do acampamento!Ainda achei mais heróico! Dig´aí! Sair da sua terra pra outra metade do mundo, pra transportar alfaces pra salada dos companheiros. Isso é bom demais!!Sobretudo hoje que a tempestade ruge, que os ventos não são mansos, que tanto já se foi e o amor insiste em não se deixar esquecer...

 

Fonte: http://jardinsdecoral.zip.net

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h12 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




ENTRE NESTA BRIGA!

 

Se você encontrar

uns poetas trocando tapas

no meio da rua,

não chame a Polícia.

Entre na briga também!

 

Vamos brigar juntos

pelos bons textos.

 

Veja:

http://oficinaliteraria.zip.net

 

Para entrar

em nossa Oficina Literária

mande e-mail em branco para:

oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br

 

Saludos!

Maria José Limeira



- Postado por: Zezé Limeira às 08h42 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




DECÚBITO DORSAL

Maria José Limeira

 

O gosto amargo afunda em sua boca.

O céu da vida finda sobre a mesa.

A arma espalha o tiro que espoca.

Ergue-se a luz da vela acesa...



- Postado por: Zezé Limeira às 12h20 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




EM MEMÓRIA DE JOSÉ ANTÓNIO GONÇALVES – JAG:

 

Aspecto da "Varanda das Estrelícias"

 

Grande Amigo José António,

Regressei finalmente à "Varanda das Estrelícias".

Era daqui, deste espaço para que tanto contribuíste, que queria escrever-te em Clave de Saudade.

Sem menosprezo para ninguém, o vazio do teu verbo diário, persistente e valioso, não encontra contrapartida nas centenas de textos que perpassam por esta janela virada ao mar.

Diziam os românticos que o pior que nos pode acontecer é desaparecer da memória daqueles que nos são queridos. Estou certo de que, na mente e no coração de todos quantos tiveram a alegria intelectual de conviver contigo, a tua presença será uma realidade cada vez mais recorrente.

Não estou à altura de elaborar uma apreciação crítica da tua obra literária, pois para mim sempre foste o Mestre que se admira mas que não se consegue seguir ou imitar.

Quanto às tuas qualidades pessoais, pela generosidade, disponibilidade e solidariedade, só posso considerar-te um extraordinário Ser Humano.

Através da tua iniciativa, sempre portentosa em todos os campos em que a aplicaste, dei os primeiros passos nas lides internéticas. Estabeleceste contactos e desbravaste caminhos para que este modesto conterrâneo iniciasse uma inolvidável viagem por quase todo o mundo lusófono.

Por essa altura, há cerca de um ano e meio, sem soltar as amarras da nossa Madeira, a tua obra já havia transposto as fronteiras nacionais, tornando-se universal e ecuménica. Que mais poderia desejar um cultor e divulgador das nossas Letras e Cultura?

No dealbar das tuas actividades jornalísticas, conheceste o meu Pai, o então já veterano Mota de Vasconcelos, cujas Memórias sempre me incentivaste a divulgar, como foi acontecendo ao longo da vigência, involuntariamente interrompida e a retomar brevemente, da minha Página Pessoal.

Só tive o prazer de conhecer-te pessoalmente no passado dia 25 de Novembro de 2004, aquando da tua deslocação a Lisboa para participares no programa televisivo "Clube dos Jornalistas". Logo ocorreu a reunião de alguns amigos que nos proporcionaram agradáveis momentos em ambiente tertuliar. Recordo também com muita saudade a tua presença em casa da minha família e guardo com veneração "As Sombras no Arvoredo" e a amiga dedicatória que ali exaraste.

- Postado por: Zezé Limeira às 10h19 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Em memória de JAG - 2

Amigo José António,

Poucos poderão dizer, como tu, "Missão cumprida!"

Nasceste no mesmo dia de Fernando Pessoa. Tal como ele, deixas uma obra inacabada, clamando por seguidores que parecem não existir. E não são porventura tão belas as "Capelas Imperfeitas"?

Ao teu Marco Gonçalves e ao seu talento, particularmente, felicidades na germinação de tão fecundas sementes.

À tua linda Família, Gilda, Marco, Natacha e Arabela, um grande e solidário abraço.

À Intelectualidade madeirense e a todos os Amigos unidos pelas auto-estradas da comunicação, que não faltem a vocação e o tempo para continuar o diálogo iniciado.

 

Tudo fizeste. Foste o coração e a alma dinâmica das mais valiosas iniciativas.

Mesmo que alguns contemporâneos, como é costume entre nós, queiram inadvertidamente colocar qualquer eventual reticência à dimensão da tua Obra a Posteridade aí vem com a sua indelével consagração.

Para ti, caríssimo José António, todas as Estrelícias desta humilde "Varanda".

 

Lisboa, Varanda das Estrelícias, 11 de Maio de 2005

joaquim evónio

 

Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias

www.joaquimevonio.com


- Postado por: Zezé Limeira às 10h15 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




FOLHETINS DO SEXO VIRTUAL

Maria José Limeira

 

De pé, de banda ou deitado,

fazer sexo é salutar.

Homem que fica ao meu lado

não tem de que se queixar.

 

Quem gosta faz pela frente.

Procura tesouro em mina.

Se for por trás, minha gente,

há que se usar vaselina!

 

Distância não é dilema.

Pois criaram um tal de sites,

onde amar não é problema,

e o sexo lateja em bytes.

 

Quem está distante rima.

Chora olhando o monitor.

Acha que mangueira é lima.

Chama corvo de meu amor...

 

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h15 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




FOLHETINS LIRIAIS

Maria José Limeira

..........

 

BANDEIRA DE LUTA

Maria José Limeira

 

O lírio brota da terra.

O lírio é linda flor.

O lírio não faz a guerra.

Faz amor!...

 

 

PLAGIANDO LUIZ GONZAGA

Maria José Limeira

 

Eu plantei um lírio doce

no jardim da encruzilhada.

Por mais bonito que fosse,

não deu em nada!

 

 

OS TEMPOS MUDARAM

Maria José Limeira

 

É bom dizer o que quer

e não receber resposta.

Foi-se o tempo em que mulher

transava com quem não gosta.

 

 

COMEÇO, MEIO E FIM

Maria José Limeira

 

No lirial do jasmim.

No cordão umbilical.

O começo está no fim

da notícia de jornal.

 

 

CABRA SAFADO

Maria José Limeira

 

Cabra que é bom tem vergonha.

Cabra ruim só leva peia.

Mulher não presta enfadonha.

Aranha é quem tece teia.

- Postado por: Zezé Limeira às 11h18 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




VERSO INACABADO

Maria José Limeira

 

Comecei a escrever o poema.

O maior da minha vida.

Mas, onde escrevia amor,

chorava sobre a solidão.

 

Adormeci memórias...



- Postado por: Zezé Limeira às 12h29 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




GUARDA-CHUVA 

(Rogério Viana)

 

Um guarda-chuva

nos uniu na

tarde molhada

e fria.

 

Depois você para

um lado, eu para

outro.

Todo dia.

- Postado por: Zezé Limeira às 09h15 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




GUARDA-PÓ

Maria José Limeira

 

Guarda-chuva nos resguarda.

Pingo d'água dá um nó.

Amor que espero não tarda.

Estrada tem pedra e pó.

 

Chuva forte surpreende.

Chuva fraca lava os pés.

Na floresta, tem duende.

No interior, coronéis...

 

No guarda roupa, vestidos.

Na gaveta, tem calcinhas.

Os ontens são tempos idos.

E os hojes,  louvaminhas.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h10 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




TODOS OS SERES COMUNS

Maria José Limeira

 

Quando estou triste, os passarinhos se calam, as rosas murcham, a terra chora sob meus passos, o ar pesado se liquefaz. Tudo é lugar-comum.

Quando a tristeza desaba seu manto escuro sobre mim, vou para o canto do muro, lugar-comum do sem-fim.

Há um cálice de fel guardado para quem ama demais, escondido no engradado de todas as doses fatais.

As aves migram. Os animais (bípedes e quadrúpedes) aleitam.

Fauna e flora se multiplicam.

Chove. Faz sol. Escurece e clareia.

As famílias são nobres. As canções, dolentes.

Os povos são pobres. As Nações, carentes.

O sol se deita e se levanta há milhares de anos.

Mas sei que não vou me acostumar com todos esses panos.

Ora... ora... ora.

Quero ser nua!

Quando fui expulsa dos lugares, parti para outros mares.

Vi céus escuros. Vivi exílios.

Mudei de perfil. Mascarei rosto.

Cerrei coração. Colhi delírios...

Tudo é tão simples, genérico e comum.

Só eu que sou assim: complicada!

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”)

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h09 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




FOLHETINS FATAIS

Maria José Limeira

 

Cansada

de mim mesma,

dei um basta:

-Adeus, ingrata!

 

O mais difícil

na convivência da gente

com a gente mesma

é que as paredes

não falam...

 

Olhei ao redor.

Vi que estava sozinha,

e não havia multidão.

Para onde foram todos?

 

Ultimato à minha sombra:

-Por que você não fica

na minha frente,

para nos olharmos

cara a cara?

 

O pior

da solidão a dois:

saber que isto

é o que nos une.

 

Quando ele apontou

a arma na direção

da minha cabeça

e gritou:

- “Não corra ou eu lhe mato!”,

eu corri.



- Postado por: Zezé Limeira às 02h52 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________





BIOGRAFIA
Maria José Limeira (Ferreira) nasceu em João Pessoa-PB, Brasil, fez curso (incompleto) de Filosofia Pura na UFPB. Presa, em 1964, pelas forças da repressão, no Quartel do 15RI, abandonou seus estudos superiores,auto-exilando-se nas cidades do Rio e São Paulo, onde conviveu com os escritores Aguinaldo Silva, Vinicius de Moraes, Assis Brasil, José Edson Gomes. Conheceu, no Rio, o poeta português e crítico literário Arnaldo Saraiva, da cidade do Porto, que dedicou a ela seu livro ""Encontros/Des-encontros, amizade que perdura até hoje. Retornou à Paraíba nos anos 70, quando ingressou no Jornalismo, começando como repórter até chegar a ocupar cargos de Direção em diversos jornais, inclusive no semanário "O Momento", que ajudou a fundar...

Livros publicados:
"Margem", "Aldeia virgem além", "As portas da cidade ameaçada", "O lado escuro do espelho" (contos); "Olho no vidro"(novelas) e "Luva no grito" (romance). Escreveu também peças teatrais, como "Os maloqueiros", "O transplante" e "O alcoólatra". A peça "Os maloqueiros" recebeu Menção Honrosa em concurso de âmbito nacional promovido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte-MG. Atualmente, escreve um livro de "Memórias".

Outros textos inéditos:
"Contos da escuridão" (contos), "Todos os seres" (poemas longos), "Crônicas do amanhecer" (crônicas). Foi uma das fundadoras, na Paraíba, do Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA-Pb), num esforço conjunto com outras entidades pela promulgação da anistia ampla, geral e irrestrita no Brasil. Atualmente reside em João Pessoa-PB.
Quer entrar em contato comigo? Então escreva:
Email: mlimeira_blog@yahoo.com.br