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Meu perfil BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher |
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DIVAGAÇÕES EM TORNO DO NADA
Maria José Limeira
Homens são pássaros do passado engasgados nos dias atuais.
No tempo em que rio me banhava, água era pura e cristalina.
O ideal humano é a perfeição.
Leite que se toma também se derrama e gera lágrimas amargas.
Quem é esse morcego batendo asas?
O que nos parece bom nem sempre o é.
Uma chuva fina e persistente naufragou meu barco de papel.
Quando amor se acaba, a gente se deita na cama e fica olhando o vazio do telhado.
Uma folha de papel em branco é um convite irrecusável.
A bomba de Hiroshima estourou na minha mão.
Palavras não são apenas palavras.
Quem sabe, um dia chegas.
As pessoas tipo boas me assustam.
Que significam homens, pássaros, rios de águas claras, morcegos batendo asas e barcos, amores acabados e o vazio que se segue, palavras só palavras ou salas de espera, senão a expressão do Nada?
Quem quiser saber de mim, pergunte ao tédio...
(Do livro "Crônicas do amanhecer").
Na hora do sexo, todos os pecados são cabeludos.
Se Cristo me dissesse “Vai, e não peques mais”, ainda assim eu pecaria.
Quando as pernas se entrançam, os pêlos crescem.
Cabelos molhados umedecem o sexo.
Novelo de linha preta é sinal de luto?
Cabelo vermelho e pêlo-fumaça: incêndio na floresta.
Um pênis ereto e a vulva que o recebe: será esta a melhor solução?
Quando vejo homem charmoso, fico imaginando o que ele é capaz de fazer na cama.
Quando sombra anoitece, outro corpo encosta de mansinho, e a gente esquece.
Amor que recorta descaminhos nos rouba a paz.
No meu corpo gelado, ninguém toca mais.
Quantas vidas eu tiver, serei a mesma mulher apaixonada.
Quando meu namorado me mandou embora, arranjei outro na hora.
Cama abriga sono e gozo. Nasce filho todo ano.
Distribui pernas entre vários amantes.
Viça a rosa no jardim. Viço eu. Viça você. Viçamos.
Quando tua língua desliza em minha barriga, instiga.
Teu corpo enche meu espaço, que outro deixou ausente.
Homem só presta duro.
Quando teu sexo entra em mim, colhemos madrugada.
Teus dedos no meu corpo recolhem rosa doada.
Quando termina ato sexual, homem é enxurrada. Mulher, madrugada.
Ao final do caso, homem esquece. Mulher envelhece.
Quando amor começa, homem se excita. Mulher ressuscita.
Desejo em segredo masturba o medo.
Cama range, quando as pessoas se amam.
Mulher quando ama faz comida na cozinha. Na cama, grita.
Pedi a Deus regeneração. Ele disse: - Não!
Quero voltar a chorar e orar. Os homens não deixam!
Sexo é como livro. Tem que ser usado, lambido e gozado.
É bom sonhar com príncipe encantado. Apesar do cadeado.
Na via pública, desfilam todos os objetos sexuais.
Gozo múltiplo faz bem ao coração.
O que mais gosto no sexo é a oralidade.
(Do livro "Crônicas do amanhecer").
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
DIGRESSÃO
Simone Maldonado
Algumas palavras sobre o poema de ontem. Veio-me à inspiração em lembranças de adolescente, do meu primeiro namorado.Um amor lindo. Ele foi como voluntário na Força Expedicionária de Suez na década de 50. Eu o conheci depois, mas sonhava com suas aventuras. Pirâmides, o frio intenso do deserto depois do veranico do dia, os árabes, o sonho dele. Eu tinha o poster e o retrato dele uniformizado, de perfil. Ficava olhando, sabe...A vida tbém é feita de coisas simples assim. Os amores dos soldados e o sonho das meninas!Depois eu fiquei sabendo que a tarefa do meu "mercenário" era transportar alfaces num caminhãozinho do acampamento!Ainda achei mais heróico! Dig´aí! Sair da sua terra pra outra metade do mundo, pra transportar alfaces pra salada dos companheiros. Isso é bom demais!!Sobretudo hoje que a tempestade ruge, que os ventos não são mansos, que tanto já se foi e o amor insiste em não se deixar esquecer...
Fonte: http://jardinsdecoral.zip.net
ENTRE NESTA BRIGA!
Se você encontrar
uns poetas trocando tapas
no meio da rua,
não chame a Polícia.
Entre na briga também!
Vamos brigar juntos
pelos bons textos.
Veja:
http://oficinaliteraria.zip.net
Para entrar
em nossa Oficina Literária
mande e-mail em branco para:
oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br
Saludos!
Maria José Limeira
DECÚBITO DORSAL
Maria José Limeira
O gosto amargo afunda em sua boca.
O céu da vida finda sobre a mesa.
A arma espalha o tiro que espoca.
Ergue-se a luz da vela acesa...
EM MEMÓRIA DE JOSÉ ANTÓNIO GONÇALVES – JAG:
Aspecto da "Varanda das Estrelícias"
Grande Amigo José António,
Regressei finalmente à "Varanda das Estrelícias".
Era daqui, deste espaço para que tanto contribuíste, que queria escrever-te em Clave de Saudade.
Sem menosprezo para ninguém, o vazio do teu verbo diário, persistente e valioso, não encontra contrapartida nas centenas de textos que perpassam por esta janela virada ao mar.
Diziam os românticos que o pior que nos pode acontecer é desaparecer da memória daqueles que nos são queridos. Estou certo de que, na mente e no coração de todos quantos tiveram a alegria intelectual de conviver contigo, a tua presença será uma realidade cada vez mais recorrente.
Não estou à altura de elaborar uma apreciação crítica da tua obra literária, pois para mim sempre foste o Mestre que se admira mas que não se consegue seguir ou imitar.
Quanto às tuas qualidades pessoais, pela generosidade, disponibilidade e solidariedade, só posso considerar-te um extraordinário Ser Humano.
Através da tua iniciativa, sempre portentosa em todos os campos em que a aplicaste, dei os primeiros passos nas lides internéticas. Estabeleceste contactos e desbravaste caminhos para que este modesto conterrâneo iniciasse uma inolvidável viagem por quase todo o mundo lusófono.
Por essa altura, há cerca de um ano e meio, sem soltar as amarras da nossa Madeira, a tua obra já havia transposto as fronteiras nacionais, tornando-se universal e ecuménica. Que mais poderia desejar um cultor e divulgador das nossas Letras e Cultura?
No dealbar das tuas actividades jornalísticas, conheceste o meu Pai, o então já veterano Mota de Vasconcelos, cujas Memórias sempre me incentivaste a divulgar, como foi acontecendo ao longo da vigência, involuntariamente interrompida e a retomar brevemente, da minha Página Pessoal.
Só tive o prazer de conhecer-te pessoalmente no passado dia 25 de Novembro de 2004, aquando da tua deslocação a Lisboa para participares no programa televisivo "Clube dos Jornalistas". Logo ocorreu a reunião de alguns amigos que nos proporcionaram agradáveis momentos em ambiente tertuliar. Recordo também com muita saudade a tua presença em casa da minha família e guardo com veneração "As Sombras no Arvoredo" e a amiga dedicatória que ali exaraste.Amigo José António,
Poucos poderão dizer, como tu, "Missão cumprida!"
Nasceste no mesmo dia de Fernando Pessoa. Tal como ele, deixas uma obra inacabada, clamando por seguidores que parecem não existir. E não são porventura tão belas as "Capelas Imperfeitas"?
Ao teu Marco Gonçalves e ao seu talento, particularmente, felicidades na germinação de tão fecundas sementes.
À tua linda Família, Gilda, Marco, Natacha e Arabela, um grande e solidário abraço.
À Intelectualidade madeirense e a todos os Amigos unidos pelas auto-estradas da comunicação, que não faltem a vocação e o tempo para continuar o diálogo iniciado.
Tudo fizeste. Foste o coração e a alma dinâmica das mais valiosas iniciativas.
Mesmo que alguns contemporâneos, como é costume entre nós, queiram inadvertidamente colocar qualquer eventual reticência à dimensão da tua Obra a Posteridade aí vem com a sua indelével consagração.
Para ti, caríssimo José António, todas as Estrelícias desta humilde "Varanda".
Lisboa, Varanda das Estrelícias, 11 de Maio de 2005
joaquim evónio
Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias
www.joaquimevonio.comFOLHETINS DO SEXO VIRTUAL
Maria José Limeira
De pé, de banda ou deitado,
fazer sexo é salutar.
Homem que fica ao meu lado
não tem de que se queixar.
Quem gosta faz pela frente.
Procura tesouro em mina.
Se for por trás, minha gente,
há que se usar vaselina!
Distância não é dilema.
Pois criaram um tal de sites,
onde amar não é problema,
e o sexo lateja em bytes.
Quem está distante rima.
Chora olhando o monitor.
Acha que mangueira é lima.
Chama corvo de meu amor...
FOLHETINS LIRIAIS
Maria José Limeira
..........
BANDEIRA DE LUTA
Maria José Limeira
O lírio brota da terra.
O lírio é linda flor.
O lírio não faz a guerra.
Faz amor!...
PLAGIANDO LUIZ GONZAGA
Maria José Limeira
Eu plantei um lírio doce
no jardim da encruzilhada.
Por mais bonito que fosse,
não deu em nada!
OS TEMPOS MUDARAM
Maria José Limeira
É bom dizer o que quer
e não receber resposta.
Foi-se o tempo em que mulher
transava com quem não gosta.
COMEÇO, MEIO E FIM
Maria José Limeira
No lirial do jasmim.
No cordão umbilical.
O começo está no fim
da notícia de jornal.
CABRA SAFADO
Maria José Limeira
Cabra que é bom tem vergonha.
Cabra ruim só leva peia.
Mulher não presta enfadonha.
Aranha é quem tece teia.VERSO INACABADO
Maria José Limeira
Comecei a escrever o poema.
O maior da minha vida.
Mas, onde escrevia amor,
chorava sobre a solidão.
Adormeci memórias...
GUARDA-CHUVA
(Rogério Viana)
Um guarda-chuva
nos uniu na
tarde molhada
e fria.
Depois você para
um lado, eu para
outro.
Todo dia.GUARDA-PÓ
Maria José Limeira
Guarda-chuva nos resguarda.
Pingo d'água dá um nó.
Amor que espero não tarda.
Estrada tem pedra e pó.
Chuva forte surpreende.
Chuva fraca lava os pés.
Na floresta, tem duende.
No interior, coronéis...
No guarda roupa, vestidos.
Na gaveta, tem calcinhas.
Os ontens são tempos idos.
E os hojes, louvaminhas.
Maria José Limeira
Quando estou triste, os passarinhos se calam, as rosas murcham, a terra chora sob meus passos, o ar pesado se liquefaz. Tudo é lugar-comum.
Quando a tristeza desaba seu manto escuro sobre mim, vou para o canto do muro, lugar-comum do sem-fim.
Há um cálice de fel guardado para quem ama demais, escondido no engradado de todas as doses fatais.
As aves migram. Os animais (bípedes e quadrúpedes) aleitam.
Fauna e flora se multiplicam.
Chove. Faz sol. Escurece e clareia.
As famílias são nobres. As canções, dolentes.
Os povos são pobres. As Nações, carentes.
O sol se deita e se levanta há milhares de anos.
Mas sei que não vou me acostumar com todos esses panos.
Ora... ora... ora.
Quero ser nua!
Quando fui expulsa dos lugares, parti para outros mares.
Vi céus escuros. Vivi exílios.
Mudei de perfil. Mascarei rosto.
Cerrei coração. Colhi delírios...
Tudo é tão simples, genérico e comum.
Só eu que sou assim: complicada!
(Do livro “Crônicas do amanhecer”)
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
Maria José Limeira
Cansada
de mim mesma,
dei um basta:
-Adeus, ingrata!
O mais difícil
na convivência da gente
com a gente mesma
é que as paredes
não falam...
Olhei ao redor.
Vi que estava sozinha,
e não havia multidão.
Para onde foram todos?
Ultimato à minha sombra:
-Por que você não fica
na minha frente,
para nos olharmos
cara a cara?
O pior
da solidão a dois:
saber que isto
é o que nos une.
Quando ele apontou
a arma na direção
da minha cabeça
e gritou:
- “Não corra ou eu lhe mato!”,
eu corri.