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BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher


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Suporta-se com paciência a cólica do próximo.
                     Machado de Assis



- Postado por: Zezé Limeira às 11h41 PM
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ponto de vista

líria porto


uma partícula
um cisco
não teria importância
e nada mudaria
se não tivesse caído
no meu olho



- Postado por: Zezé Limeira às 11h33 PM
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Que cada um faça a sua parte.Clique no link abaixo e Assine a Carta ao presidente.
 
http://cartaaopresidente.zip.net/
 
Obs. Repasse aos seus contatos. É o mínimo que podemos fazer.
 
Dira Vieira




- Postado por: Zezé Limeira às 11h08 PM
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Feche o seu Blog no dia 29/06

 

Obs. Clique nas tarjas pretas e assine a Carta ao Presidente

 



- Postado por: Zezé Limeira às 06h17 PM
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O CAMINHO DAS ESTRELAS

Maria José Limeira

 

Uma palavra a mais, um brado, um grito: eu poderia ouvir-te, ao menos, se a opção fosse silêncio.

Agora, na distância (e tão longe!) não consigo dormir, ouvindo gritos pendurados nas paredes do meu quarto.

Era uma noite chuvosa quando partiste, porta a fora, e levaste meu coração.

É por isso que vagueio na escuridão, sem achar o caminho da volta.

Eu queria te ouvir dizer “não me abandones”, ao invés do “deixa-me ir” que me pediste então.

Não é somente no retrato, à minha mesa, que zombas da minha solidão.

Teu escárnio inda flutua na taça de vinho, na minha multidão, no meu deserto e vazio, no meu frio...

Se é verdade que eu não pude te reter, é verdade também que minha voz – neste disco vinil antigo, arranhado e tosco dizendo “Não te vás” – há-de alcançar-te, um dia, pela estrada de poeira e cascalho em direção às estrelas onde te escondeste.

Se nem mesmo assim eu puder te tocar de novo, ouvirás minha canção espraiada na cidade: a música dolorida que todo expatriado canta – uivo de lobo em noite de lua cheia – que o cruzeiro-do-sul asila e solfeja no escuro interior do escritório da saudade.

Ah desespero! Apagada chama!

Há uma bala de prata cravejada na agulha do revólver escondido na gaveta, para uma pessoa triste como eu, que odeia e ama...

 

(Do livro “ Crônicas do amanhecer”)

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.



- Postado por: Zezé Limeira às 10h06 PM
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ADEUS

 

Enquanto não te perco

Te saudo

Mulher de poesia ardente

E nunca esqueça

mais irreversível que o adeus é o presente

 

(Marcelo Bandeira)

.



- Postado por: Zezé Limeira às 12h53 AM
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Não é coisa de gênio,

mas de doido.

(Jornal A Gazeta)

 

Imagine uma coreografia no escuro.

Imagine agora um espetáculo inteiro

que se passe em plena escuridão.

(Jornal O Globo)

 

Lúmini – Companhia de Dança

http://www.lumini.art.br/



- Postado por: Zezé Limeira às 01h26 PM
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O COLIBRI E A SEMPRE-VIVA

Rosangela_Aliberti

 

Era uma vez um colibri que tinha um péssimo hábito... não sei se poderíamos chamar de ´p é s s i m o ´ (minhas crianças), quando as pessoas ignoram o valor da palavra bom senso, por vaidade ou auto-confiança diminuta. Só sei contar que o nosso beija-flor como todos tem conhecimento vem de uma família de aves que como manda o figurino sabe muito bem como beijar todas as flores... beijava as que podia e não podia... para se tornar saudável, e no final do dia se dirigia para um determinada sempre-viva para contar as peripécias que havia feito:

- Hoje bati O ´record´!!! Um campo de girassóis, dezenas de donas violetas, as dálias, mais algumas madames orquídeas, boninas primaveris,  terminei o dia em um enorme roseiral...

Trazia sempre no bico, o pequenino doce boêmio, uma lista imensurável, desenrolava a tal listagem com satisfação, parecendo criança no ínicio do mês de dezembro quando ainda acredita na existência do Papai Noel.

Todos os santos dias a sempre-viva com ar de confessionário, ouvia pacientemente uma a uma de suas mil e uma histórias...

Certo dia o colibri encontrou a sempre-viva beirando a morte, observou a amiga com olhar de espanto e a beijou... em troca, com um fiapo de voz a sempre-viva lhe disse:

- Infelizmente nosso tempo passou... era para você me beijar... em VIDA!!! Talvez assim sobreviveria por mais algum tempo, você não o fez, bem sei, que irei me tornar num belo arranjo especialmente colocado no centro da mesa nos dias de Páscoa, porém não passarei de uma terna miragem para você, está na hora de você procurar outra flor... será que você encontrará outra ´igualzinha´ a mim?! Lembre-se de uma frase que um jardineiro uma vez disse para mim, de Maria José Limeira: "O estado de adeus é irreversível". 

Dito e feito dona sempre-viva suspirou... dando a última  piscada... e, se foi.

O colibri olhou para a flor naturalmente ressequida, interrogando o azul do céu:

- O que andei fazendo com as sempre-vivas...!?!

 

São Paulo, 26.VI.05

www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br



- Postado por: Zezé Limeira às 10h26 AM
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Podemos nos livrar

de uma neurose,

mas não podemos nos curar

de nós mesmos.

(Jean-Paul Sartre)



- Postado por: Zezé Limeira às 10h10 AM
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ERA UMA VEZ E NÃO ERA UMA VEZ

Maria José Limeira

 

Tudo que acontece na terra tem raízes no sub-solo.

Mesmo na seca mais intensa, sempre haverá uma flor vermelha para ser colhida.

Existe um opositor cruel e assassino dentro de cada um de nós. Preso na coleira.

Toda encruzilhada se transforma em beco sem saída.

Tem gente que gosta de perseguir a luz alheia.

Dicas para lidar com alguém atacado pelo orgulho ferido: se for maior do que você, fuja; se for mais fraco, comece a pensar o que fazer; se ele estiver doente, deixe-o na paz de Deus; se tiver espinhos, recue e ande na direção oposta; se ele estiver cercado de garras pontiagudas, passe ao largo...

Dupla imperfeita: doce ingenuidade e escuridão covarde.

Mulher que se casa com homem destrutivo pensando em curá-lo está apenas brincando de casinha.

Não tenho medo de treva. Enxergo no escuro.

Se eu não escapar do que me oprime, serei sempre escrava.

Não existe silêncio na tortura.

Quando descobri a armadilha, já estava presa nela.

As coisas não são o que parecem.

Toda história de Trancoso começa assim: Era uma vez e não era uma vez...

Animais que vivem na escuridão convivem com assombrações.

Devemos deixar morrer o que deve morrer.

Ser boazinha não vai fazer minha vida florescer.

A recompensa de ser boazinha é ser mais maltratada.

Para ser aceita por meus inimigos, eu seria obrigada a fazer três coisas: primeira, ter, pelo menos, dois cursos de doutorado; segunda, ficar pendurada no Monte Everest de cabeça pra baixo; terceira, voar sozinha de ultraleve, sem saber guiá-lo.

Se eu ficar parada servindo de saco de pancada, não crescerei nunca.

Não há coisas mais lindas neste mundo que pôr-do-sol, Bolero de Ravel, e dia amanhecendo.

Na cidade que construí, as casas dançam.

Os homens têm medo do poder da mulher.

Cultivar jardim é uma prática de meditação.

Quando consigo ouvir minha voz interior, saio das trevas.

Uma lágrima escorre nos olhos de quem sonha.

Amar é viver uma série de mortes e renascimentos.

Estou cansada de pedir às pessoas o que elas não têm para me dar.

Procuro um lugar onde possa me abrigar e viver em paz.

Não preciso pedir licença a ninguém para sonhar.

Quando corpo morre, alma sobe ao céu. Sonha!

Quando desisto, perco o sentido de mim mesma.

Sentimento do exílio é mais antigo do que se pensa.

Não tenho talento. Não sou importante. Não posso fazer nada. Não sei como fazer, nem quando. Não tenho tempo. – São desculpas que inventamos para justificar nossa omissão...

Não entendo Poeta que empresta seu nome para a prática de atos de vilania.

“A mão que afaga é a mesma que apedreja”... É por esta – e por outras coisas  – que Augusto dos Anjos é o Poeta do Meu Coração...

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.



- Postado por: Zezé Limeira às 09h29 PM
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O QUE ACONTECEU & O QUE NÃO HAVERÁ

Maria José Limeira

 

Fui uma criança torturada. Não me deixarei mais torturar. Por ninguém.

Andei de bonde. Trotei em cavalo. Dirigi carro. Fui passageira de avião. Não viajarei em ônibus espacial.

Morei em mansão. O casarão da minha infância tinha quase vinte cômodos e um quintal enorme. Mudei-me para casa pobre. Algumas vezes, não tive lar, quando me abrigava debaixo da ponte. Não residirei em plataforma sideral.

Andei com muitos homens. Amei apenas um na vida. Não me deixarei mais amar.

Tive filhos. Senti dor de parto várias vezes. Não dá mais para me re-nascer.

Perdi consciência. Sei o que quer dizer pré-coma. Vi a morte de frente. Não haverá mais uma próxima vez.

Caí. Levantei-me. Tornei a cair. Talvez não haja mais tempo para nova reconstrução.

Eu disse Não, quando deveria dizer Sim. O positivo transformou-se em negação. Eu disse Sim, quando a resposta certa seria Não. Não haverá mais opção.

Quando fui prisioneira, voei. Meu céu era uma grande prisão. Liberdade foi somente sonho impossível. Não existe mais amplidão.

Meus super-heróis foram Che Guevara, Fidel Castro e Tiradentes. No futuro, terei apenas um pássaro morto, no túmulo da minha mão.

Fui dona-de-casa, empregada domestica, secretária de diretor de grande empresa, talvez doce jornalista, chefe de redação. Comecei de baixo, servi cafezinho. Fui executiva, diretora, peão. Não há mais futuro para mim.

Nem bem saí da infância, já era menina-moça, depois adolescente. Em seguida, adulta.

Quis mais do que me coube. Até aprender que o mundo era pequeno demais para mim.

O por-vir estava sempre correndo à minha frente, numa maratona em que eu sabia que seria perdedora. Perder foi meu cansaço e minha maldição. Não vai demorar muito, e outros me perderão.

Um texto bonito tem virgula, ponto e vírgula, dois pontos, reticências, exclamações, interrogações. Quando tem ponto final, é porque a vida perdeu o sentido.

O estado de adeus é irreversível.

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.



- Postado por: Zezé Limeira às 11h32 PM
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Você sabe como é o nome do Juiz

que censurou o livro “ Na toca dos leões”,

de Fernando Morais, colocando uma mordaça

neste escritor, para não ter que ouvir reclamações?

 

Veja aqui:

www.glx.com.br/literaturaclandestina



- Postado por: Zezé Limeira às 11h35 PM
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O ADEUS DE QUEM FICA

Maria José Limeira

 

Dizem que quem parte

vai embora.

Quem fica, chora.

Não é verdade.

Quem fica se despede

com a alma que sai

de porta a fora...



- Postado por: Zezé Limeira às 01h26 AM
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DESPEDIDA

Eugenio de Andrade

 

Junho chegara ao fim, a magoada

luz dos jacarandás, que me pousava

nos ombros, era agora o que tinha

para repartir contigo,

e um coração desmantelado

que só aos gatos servirá de abrigo.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 03h38 PM
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Mais Plágio

VELHOS, MULHERES E CRIANÇAS, PARA TRÁS!

Maria, a Plagiadora

 

Sou Poetisa Moderna.

Plagiei o terceiriz.

Mas, se o barco aderna,

o destino é quem me diz.

Sai da frente, minha gente,

que eu vou me salvar primeiro.

Velho, mulher e criança

que fiquem por derradeiro!

 

 

EU AINDA MORRO DISSO!

Maria, a Plagiadora

 

Esse negócio de massa

querer se posicionar,

é melhor fazer a cassa, 

o mal na raiz tirar.

Plagio o general.

Copio o lambe-botas.

E quem me der o quinal

vai ficar sem suas rotas!

 

 

É FÁCIL TER DUAS CARAS!

Maria, a Plagiadora

 

Na frente do Rei, sou doce.

Por trás, me transformo em cobra.

Se plágio bonito fosse,

faria mais de uma obra.

Quem não sabe escrever,

copia o que vier.

O meu nome é você

E você não sei quem é...

 

 

QUEM NÃO VAI POR MIM CHEGA AO FIM

Maria, a Plagiadora

 

Quem não concorda comigo

vai pra rua da amargura.

Corre o mais sério perigo

com água até a cintura.

A ordem aqui é expulsar

o plágio melhor que o meu.

Quem não quiser aceitar

se afoga no Mar Egeu.



- Postado por: Zezé Limeira às 01h09 PM
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Calo-me

Piso mas tudo o que percebo é o calo de mim mesmo.

(Edison Veiga Júnior)

...........

www.cronopolitano.blogspot.com



- Postado por: Zezé Limeira às 12h02 PM
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VENTO & CURVA

Maria José Limeira

 

Onde vento faz a curva

houve grande explosão.

Minha vista ficou turva.

Em seguida, escuridão.

 

Na curva do vento, luz.

No turvo das águas, lodo.

Na panela tem cuscuz.

Do pedaço quero o todo.

 

Quando amo, faz clarão.

Quando não amo, vazio.

No ódio, tem solidão.

Na raiva, curto pavio...



- Postado por: Zezé Limeira às 04h51 AM
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CÓDIGO ZERO

Maria José Limeira

 

Eras tão humanamente

impossível

que, para te alcançar,

fui obrigada

a multiplicar-te,

zero à esquerda...



- Postado por: Zezé Limeira às 04h38 AM
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AVISO: POETRIX, NUNCA MAIS!

Maria José Limeira

 

Aviso aos meus amigos que retirem dos seus sites todos os meus textos referentes ao Movimento Poetrix.

Estou recebendo insistentes apelos, via on-line e por telefone, para que deixe de escrever Poetrix, e suspenda a publicação do meu livro “Poetrix Imorais”, alegando que não é bom investimento.

Foi suspensa, também, a distribuição do meu livro de Poetrix “Amar Amar Amar”, recém-lançado. Quem recebeu, recebeu. Quem não recebeu, não recebe mais. Estão suspensas todas as autorizações dadas anteriormente para divulgação dos meus Poetrix via on-line, livro ou através da imprensa falada e escrita.

Não autorizo ninguém mais a vincular meu nome ao Movimento Poetrix, do qual me desliguei, definitivamente.

Aos meus amigos pessoais, estou explicando, por carta, telefone e Internet as razões que me levaram ao afastamento desse Movimento, e dando nomes aos bois.

Meus textos de Poetrix, milhares deles, estão impressos, e agora são relíquias, ficando, doravante, apagados da minha biografia literária. Estão bem guardados no cofre, que só será aberto após a minha morte.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

 

Fonte: www.usinadeletras.com.br - 05.03.2002



- Postado por: Zezé Limeira às 04h01 AM
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Manifesto em defesa do Plágio

 

Bem, amigos. Depois de ler tim-tim-por-tim tudo que se disse até agora sobre o Plágio e suas Derivações, tomei uma decisão. Decidi apoiar, descaradamente, o Plágio. Aderi ao MIP – Movimento Internacional de Plagiadores.  E estou lançando um Manifesto neste sentido, assinado por "Maria, a Plagiadora" (eu mesma).

Estes meus textos, que assino com o codinome citado, foi inspirado nos meus amigos poetas de João Pessoa, com quem divido o palco nos eventos culturais e saraus literários, quando morremos de dar risadas com meus textos imorais. Qualquer semelhança com pessoas vivas (ou mortas) terá sido mera coincidência. Como diz o leão da Metro. Saludos. E aguardo críticas. Maria José Limeira.



- Postado por: Zezé Limeira às 01h45 AM
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Plágio - Continuação

ORGULHO DE SER PLAGIADORA

    (Maria, a Plagiadora) 

 

Orgulho-me de ser plagiadora.

Se eu fosse escrever versos

da minha lavra,

não teria palavra.

Ninguém prestaria atenção

em mim.

E minha brilhante

vocação de poeta

não atingiria

todos os universos.

Seria meu fim.

 

Meu verso chinfrim

não serve nem pra mim.

Tenho que roubá-los

de alguéns, vendendo-os

por dois vinténs.

 

Camões,

Pantaleões,

Perjúrios!

Oh  flores do Lacio,

catapultas e trelas!

Musas de navios

naufragados

dos quatro costados

e dos sete mares!

 

Correi!

Vinde assistir

ao espetáculo

do meu tentáculo

subtraindo letras

dos verdadeiros vates.

 

Plagiemos caras,

bocas

& bundas!

Fifós de candeeiro

sem manga de vidro!

 

Bem-vindo oh lixo internáutico!

 

Plagiadores do mundo inteiro,

uni-vos! 

(Do livro "Folhetins imorais")



- Postado por: Zezé Limeira às 01h37 AM
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Um conto cruel

MALU, A CADELINHA QUE VIROU POETA

Maria José Limeira

 

Estava um jovem casal em lua-de-mel, quando encontrou, no meio da rua, uma cadelinha triste e rabugenta, num canto de parede, na calçada.

Penalizados, levaram a pobre para casa, onde, bem tratada, voltou a brilhar, tornando-se o centro das atrações.

Um ano após, era Malu quem mandava no ambiente, com suas graças, seu dengo e sua meiguice.

Porém, ocorreu que a jovem moça, um dia, chegou-se ao bom esposo, e contou-lhe a novidade: estava grávida.

Houve festa, nesse dia.

Malu ficava num canto, escutando as conversas, sem entender por que suas gracinhas não faziam mais sucesso, e ninguém queria saber de cão dentro de casa.

Era enxotada para o quintal e para a área de serviço, onde dormia sozinha. Não sem reclamar.

Veio a data fatal, quando viu adentrar na sala a dona da casa com um bebezinho nos braços, cheia de felicidade.

A coisa piorou. Ninguém queria mais saber de Malu hora nenhuma. E até a ração de comida diminuiu. Às vezes, faltava.

A cadela que era dócil e obediente, jurou vingança.

Ao primeiro descuido, avançou no bebêzinho que dormia no meio da cama.

Malu agora era um caso de polícia.

Foi levada de carro para longe e deixada no mesmo canto de calçada onde fora encontrada.

Ali, abandonada, Malu arquitetou outro plano de vingança: ser Poeta.

De longe, ouço-lhe os grunhidos...

 

(Do livro “Contos cruéis”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.



- Postado por: Zezé Limeira às 11h26 PM
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FOLHETINS TRISTES

Maria José Limeira / Carlos Assis

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ORDEM E CONTRA-ORDEM

Maria José Limeira

 

Na ordem do Universo,

a palavra em primeiro lugar.

Em seguida, vem o homem.

A mulher não tem onde se sentar.

A direita do Deus-Pai

está sempre ocupada.

 

 

ORDEM E DESORDEM

(Carlos Assis)

 

No Caos verdadeiro

A luz vem primeiro

Em seguida vem a mulher

Ver a bagunça

Ela tem lugar por herança

No colo do Criador



- Postado por: Zezé Limeira às 10h01 AM
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Folhetins tristes - Cont.

EXCESSO DE ORDEM & POUCA OBEDIÊNCIA

Maria José Limeira

 

Na ordem natural

das coisas,

o que está adiante

não fica atrás.

Rei pressupõe vassalos.

Cada escravo tem seu preço.

Valores da vida humana

são banais...

 

 

FRUTO DO HOMEM

(Carlos Assis)

 

A natureza escolhe o forte

Sem amor nem sorte

A pancada fere

Deixa a carne obediente

E voz calada



- Postado por: Zezé Limeira às 09h57 AM
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Folhetins tristes - Cont.

PREOCUPAÇÃO

Maria José Limeira

 

Eu só queria saber

por que as pessoas

me usam

como bode expiatório.

Deve ser por causa

dessa minha cara

de virgem...

 

 

DESPREOCUPAÇÃO

(Carlos Assis)

 

Quando a pessoa não sabe, mente

E a chuva parece não saber

Mas a terra espera a semente

Antes do fruto nascer



- Postado por: Zezé Limeira às 09h54 AM
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Folhetins tristes - Cont.

RE-ENCARNAÇÃO

Maria José Limeira

 

O que nasce frutifica.

O que morre pode voltar.

Mas caroço de manga

não pode virar semente

de maracujá...

 

 

DENTRO DO CAIXÃO

(Carlos Assis)

 

Preparo a volta

Olhando uma vitrine

Escolho a cor

Enquanto o verme infame

Desce pela boca



- Postado por: Zezé Limeira às 09h51 AM
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Folhetins tristes - Cont.

LINHA OCUPADA

Maria José Limeira

 

Para quem

eu tentaria telefonar

se estivesse morrendo

de overdose?

 

 

LINHA CORTADA

(Carlos Assis)

 

O numero de Deus busquei

Na lista não encontrei

Para o CVV tentei ligar

Mas como sinal não havia

Palavrão falei



- Postado por: Zezé Limeira às 09h48 AM
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Folhetins tristes - Cont.

ARREPENDIMENTO DE ÚLTIMA HORA

Maria José Limeira

 

O que alguém deve fazer,

entre o chão e o ar,

depois que se joga

do décimo terceiro andar?

 

 

ABRINDO AS ASAS

(Carlos Assis)

 

Se flutua não é carne

Se afunda não é pluma

Faço uma oração leve

O chão se aproxima



- Postado por: Zezé Limeira às 09h45 AM
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Folhetins tristes - Cont.

DISCAGEM DIRETA À DISTÂNCIA

Maria José Limeira

 

Acontecem coisas

na madrugada.

Uma das mais irritantes

é que a Telemar resolve

fazer manutenção,

na rede telefônica,

justamente no momento

em que aquela pessoa

decide, finalmente,

dizer que me ama...

 

 

DDD

(Carlos Assis)

 

Mexo na papelada

Tento ficar sem sono

Esperando a madrugada

Para fazer um interurbano

Mas nunca sei o que falar

E para quem ligar



- Postado por: Zezé Limeira às 09h41 AM
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Folhetins tristes - Cont.

DISCAGEM DIRETA INTERNACIONAL

Maria José Limeira

 

Tentei me casar

com o noivo japonês.

Mas o  fuso horário

não permitiu.

Enquanto lá era dia,

eu aqui dormia.

Desse jeito,

era impossível saber

se daríamos certo na cama...

 

VIA INTERNET

(Carlos Assis)

 

Reúno a força

Que nem sei de onde vem

Faço do olhar

Um punhal feroz

Vontade de atravessar seu peito

Rasgar sua carne

Ver o sangue nas mãos

E lhe dar um beijo



- Postado por: Zezé Limeira às 09h38 AM
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Folhetins tristes - Cont.

NEW YORK

Maria José Limeira

 

Lá do alto

do décimo-terceiro andar,

olhei para baixo.

Vi minha solidão passando

feliz da vida,

na Quinta Avenida.

 

 

FREGUESIA DO Ó

(Carlos Assis)

 

De manhã, a neblina

Cobre as antenas das casas,

As ruas sinuosas

E os eucaliptos do colégio

Nas sombras

Parecem gigantes

Esvoaçantes

Esperando o sol



- Postado por: Zezé Limeira às 09h34 AM
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Folhetins tristes - Cont.

NADA MAIS IMPORTA

Maria José Limeira

 

Quando a gente está só,

o que menos interessa

é saber

que depois da morte

todo mundo vira pó...

 

 

A ESCURIDÃO É PARA SEMPRE

(Carlos Assis)

 

Da esquina para a outra ponta

Minuto a minuto

Beijo a beijo

Me sinto seu

Duro como um tijolo



- Postado por: Zezé Limeira às 09h31 AM
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Folhetins tristes - Cont.

RIO DE JANEIRO

Maria José Limeira

 

Naquela segunda-feira

de Carnaval,

minha dor desfilava

na avenida,

dançando e cantando,

fantasiada de mestre-sala

e  porta-bandeira.

Como se nada tivesse acontecido...

 

 

NA PORTA DO BANHEIRO

(Carlos Assis)

 

Com a toalha enrolada

Ela me olhava despreocupada

Mexia nos cabelos molhados

E eu como um palhaço

Meio sem graça

Imóvel, sem ar

Com ela queria dançar

O seu corpo apertar



- Postado por: Zezé Limeira às 09h27 AM
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Folhetins tristes - Cont.

NÚPCIAS

Maria José Limeira

 

Na noite de núpcias,

é muito difícil entender

o que fazer primeiro:

A noiva deve cantar?

Noivo tem que ficar nu?

Não seria melhor

que ambos se deitassem na cama,

cada um para o seu lado,

e dormissem sossegados?

 

 

FOGO DE PAIXÃO

(Carlos Assis)

 

Sendo homem

Nada devo falar

Apenas pegar

A carne e amar



- Postado por: Zezé Limeira às 09h18 AM
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Folhetins tristes - Cont.

CONSTATAÇÃO

Maria José Limeira

 

Descobri

qual a coisa mais certa

deste mundo:

-Eu não vou mais ser feliz.

 

 

DISPOSIÇÃO

(Carlos Assis)

 

Toda manhã

Espero algo de bom

Arranjar dinheiro

Encontrar você

Esta é a minha felicidade



- Postado por: Zezé Limeira às 09h14 AM
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Folhetins tristes - Final

IN-FELICIDADE

Maria José Limeira

 

Se ser feliz fosse fácil,

não teríamos que enfrentar,

no dia a dia,

o Serasa,

o SPC,

as contas

de água,

luz

e telefone...

 

 

DESEJOS MENTIROSOS

(Carlos Assis)

 

Sem dinheiro

Sem sorte no jogo

Sem amor

Sou poeta

Tenho o coração

Duro

 

 

VELHAS CARTAS DE AMOR

Maria José Limeira 

 

Quem é poeta não nega.

Quem é louco se atrapalha.

Dentro da guerra, refrega.

Em velho baú, tralha.



- Postado por: Zezé Limeira às 09h11 AM
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Te amo - Em Português

TE AMO...

E. Antonio Torres Glez

 

(Tradução: Maria José Limeira)

 

Olha mulher, que te amo desde a lua

até o mar, do caminho ao caminhar,

da sombra aos teus luares,

amante entre os amantes,

amo teus seios

          de sal.

Teus sabores a pecado amo sem arrepender-me

e só posso dizer-te que não me assusta o inferno,

se em vida ardi por teu corpo

          que mais pode me acontecer...

Amo teu corpo desnudo

          ardente e aprisionado

meu futuro e teu passado entre minhas mãos afloram

pacientes quando laboram na aurora de teu corpo mulher,

assalta teu porto, minha fragata... hora após hora.

E sem saber a razão,

minhas carícias se perguntam

quando os corpos se juntam  algo se deve explicar?

E não tenho a resposta, mulher, amante nua,

se isto desfaz a dúvida:

          te amo só por amar...



- Postado por: Zezé Limeira às 10h26 AM
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Te amo - Em Espanhol

TE AMO...

 

Mira mujer, que te amo desde la luna

hasta el mar, del camino al caminar

de la sombra a tus lunares,

amante entre los amantes, amo

 tus senos

               de sal.

Tus sabores a pecado amo sin arrepentirme

y sólo puedo decirte que no me arredra el infierno,

si en vida ardí por tu cuerpo

                                   qué más me puede pasar...

Amo tu cuerpo desnudo

                                  ardiente y aprisionado

mi futuro y tu pasado entre mis manos afloran

pacientes cuando laboran en la aurora de tu cuerpo

mujer, asalta tu puerto, mi fragata... hora tras hora.

Y sin saber la razón, mis caricias se preguntan

cuando los cuerpos se juntan ¿ algo se debe explicar?

y no tengo la respuesta, mujer, amante desnuda

si esto despeja la duda:

                               te amo sólo por amar.

 

E. Antonio Torres Glez.



- Postado por: Zezé Limeira às 10h24 AM
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CANTO VERDE

Luiz Alberto Machado

 

Convém lembrar, companheiro, a vida

Para os olhos de todas as manhãs

Não permitindo ao fedor das sentenças

Vender o dia às trevas.

 

Convém lembrar, companheiro, a terra

Onde pisam os pés de todas as cores, raças e crenças;

O rio de todas as canoas, de todos os peixes,

De todas as cachoeiras que assobiam prá gente

Um outro sentido de vida;

O sol, manifestação real da própria existência.

 

Convém lembrar, companheiro,

Do sopro de todos os ventos,

Das matas de todas as flores,

Do quintal de todas as infâncias,

De todas as várzeas, todos os campos,

Todas as selvas dos bichos de todas as feras e mansas;

Das águas de todos os mares,

Todos os brejos, lagos e lagoas.

 

Convém lembrar, acima de tudo,

O direito de viver e deixar viver.

 

© Luiz Alberto Machado.

Direitos reservados. In: Primeira Reunião.

Recife: Bagaço, 1992.

http://www.luizalbertomachado.com.br



- Postado por: Zezé Limeira às 03h41 PM
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BEAUCOUP DE MONDE CHANTE ENCORE
                 Un conte de Maria José Limeira

                 Version française d´Ademar Ribeiro

                       En ce jeudi de janvier, je quitte la maison le matin, entraînée par un rayon d´amertume, et je m´élance dans la rue. Où les enfants s´amusent et la douleur rampe. Le soleil brille par-dessus la misère de tous.
..........

Veja a tradução completa do meu conto "Muita gente ainda canta" no seguinte endereço. Do meu livro de contos "O lado escuro do espelho", publicado em 1985, em Português.

www.lapageblanche.com

contact@lapageblanche.com
..........

Saludos!
Maria José Limeira.


- Postado por: Zezé Limeira às 03h38 PM
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LENÇÓIS

Maria José Limeira

 

As marcas gravadas

nos lençóis

cheiros,

manchas,

caracóis...

São restos

de nós dois

que ficamos

atrasados

nos ontens,

nos hojes

e nos depois...



- Postado por: Zezé Limeira às 12h44 PM
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RECEITA DE AMOR CASEIRO

Maria José Limeira

 

Para realizar o amor,

há que abrir as pernas,

sacudir fora as peias,

rasgar bandeiras e calcinhas,

fechar os olhos,

fazer figa,

correr atrás

... e esperar pelo melhor



- Postado por: Zezé Limeira às 12h41 PM
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NA HORA DE FICAR

Maria José Limeira

 

Preparei vestido de gala.

Acendi velas azuis.

A mesa posta.

Vesti calcinha vermelha.

Perfumei-me em corpo

e alma.

Um cenário de amor

estava pronto.

O telefone tocou

(oh dor!)

e uma voz me disse:

-Tudo acabado.

 

Inteiramente nua,

no sofá da sala,

voltei à novela mexicana.

Sem fala!



- Postado por: Zezé Limeira às 12h39 PM
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À ABORDAGEM
 
Tomar-te,
morder teus lábios sangrentos,
saborear
seios erectos e firmes de prazer,
navegar
em incursões nos domínios profundos
do sentir mais sensual...
Fazendo brotar
sensações
as mais belas do Universo,
tão puras como um verso
ou suave corpo de mulher...
 
Sou, pois,
o pirata
que viola, sequestra ou mata,
espadachim
com mosquete, punhal, amor sem fim...
 
E a mulher,
sorriso terno,
só sabe rir p'ra mim
d'amor consentido e sentido
onde a violência é verdade
e retórica...
 
E a alma sensível,
pletórica d'amor, fantasia, ilusão,
viveu mais num só dia
que em séculos ou anos
de penitência e contrição!
 
joaquim evónio
(do Baú)
 
Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias
www.joaquimevonio.com



- Postado por: Zezé Limeira às 10h46 PM
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FOLHETINS LIRIAIS

(E.Antonio Torres Glez / Maria José Limeira)

...........

 

LIRA

(E. Antonio Torres Glez)

 

 Tu corazón paloma

 vuela a la sombra de mi juramento

 y siento que se asoma

 tu vuelo polvoriento

 al precipicio donde muere el viento.

  

 

 

MIRA-ME

Maria José Limeira

 

Quando coração voa,

é sinal de boa chuva.

Quando a gente chora,

chove lá fora,

onde vento encurva.

-Olha-me, amor.

Molha-me.

Diz-me por que

não tens pena

de mim!...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h58 PM
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AINDA TE AMO

Maria José Limeira

 

Eu hoje fui desenterrar arquivos e encontrei as cartas que você escrevia dizendo o quanto me queria. Estavam todas juntas, num cofre velho na garagem, amarradas com um laço de fita vermelha.

Cartas da minha vergonha.

Vinham do passado e do esquecimento, a me dizerem o quanto sou infeliz hoje.

Eu devia tê-las abominado antes, como hoje. Para não repetir nossa história.

Lá estavam suas letrinhas bonitas, plantadas em envelopes amarelados, com os selos do Plano Cruzado, a cola gasta se despregando, as cores verde-amarelo do Brasil, meio apagadas.  País de ontem, que hoje não é mais.

Cartas da mentira, que apelidávamos de sonho.

Quando o laço de fita se desfez, o passado espalhou-se no chão, as letras virando pó em que nosso amor tão lindo se transformou.

Cartas da minha covardia.

Na primeira que reli, uma frase repetida se destacou, mais denúncia e acusação do que sentimento: “Te amo... Te amo... Te amo...”

Cartas da minha rendição.

Peguei fósforos, uma garrafa de álcool.

No meio do quintal, as cartas se consumiram em labaredas.

Entre as chamas, seu rosto aparecia sorrindo, zombando das últimas palavras que eu lhe disse antes, e repito agora:

-Não faz isso comigo. Ainda te amo...

 

(Do livro "Crônicas do amanhecer").

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.

- Postado por: Zezé Limeira às 10h49 PM
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BIOGRAFIA
Maria José Limeira (Ferreira) nasceu em João Pessoa-PB, Brasil, fez curso (incompleto) de Filosofia Pura na UFPB. Presa, em 1964, pelas forças da repressão, no Quartel do 15RI, abandonou seus estudos superiores,auto-exilando-se nas cidades do Rio e São Paulo, onde conviveu com os escritores Aguinaldo Silva, Vinicius de Moraes, Assis Brasil, José Edson Gomes. Conheceu, no Rio, o poeta português e crítico literário Arnaldo Saraiva, da cidade do Porto, que dedicou a ela seu livro ""Encontros/Des-encontros, amizade que perdura até hoje. Retornou à Paraíba nos anos 70, quando ingressou no Jornalismo, começando como repórter até chegar a ocupar cargos de Direção em diversos jornais, inclusive no semanário "O Momento", que ajudou a fundar...

Livros publicados:
"Margem", "Aldeia virgem além", "As portas da cidade ameaçada", "O lado escuro do espelho" (contos); "Olho no vidro"(novelas) e "Luva no grito" (romance). Escreveu também peças teatrais, como "Os maloqueiros", "O transplante" e "O alcoólatra". A peça "Os maloqueiros" recebeu Menção Honrosa em concurso de âmbito nacional promovido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte-MG. Atualmente, escreve um livro de "Memórias".

Outros textos inéditos:
"Contos da escuridão" (contos), "Todos os seres" (poemas longos), "Crônicas do amanhecer" (crônicas). Foi uma das fundadoras, na Paraíba, do Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA-Pb), num esforço conjunto com outras entidades pela promulgação da anistia ampla, geral e irrestrita no Brasil. Atualmente reside em João Pessoa-PB.
Quer entrar em contato comigo? Então escreva:
Email: mlimeira_blog@yahoo.com.br