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Meu perfil BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher |
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Eu sei quando as coisas começam a despencar pro lado negro.
Começa com uma desculpa estúpida pra faltar uma aula importante, pra poder voltar pra casa e dormir em plena tarde, passa por uma série de ligações no celular ignoradas e mensagens não-respondidas, atinge o ápice em uma crise de choro histérico quando a mãe liga pra dar oi, e termina o dia em um cinema vazio em dia de semana, assistindo a um filme sobre um personagem depressivo, bebendo vinho barato e concluindo que não há nada mesmo de grandioso esperando no fim da jornada.
Com vocês, amigos, o começo de uma deprê, parte 9.879.026.353.486.
Thais Mendes
http://thaismendes.blogspot.com
http://fimdamente.org/clouds
Todas as pessoas
se sentem bem
com o elogio.
Ainda que falso.
(Maria José Limeira)
DOS NOSSOS MALES
Mário Quintana
A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...
DIZEM QUE FELICIDADE EXISTE
Maria José Limeira
Ouvi dizer que há lua.
Estrelas rútilas giram revoltas,
sacudindo o céu.
Pássaros cruzam os
ares.
A terra dorme
e amanhece.
Tardes são fagueiras
e manhãs, gloriosas.
Na boca,
o gosto é firmamento,
o sal é doce
e o sol, zangão.
Ouvi dizer que há dias insones
e noites perdizes.
Dizem que o Paraíso existe,
morada de todos os felizes.
Então, diga-me
-diga-me!-
por que é que
eu tenho de viver,
ao contrário,
no meu inferno,
particular e único,
longe de você?
DICEN QUE LA FELICIDAD EXISTE
Maria José Limeira
(Traducción: E. Antonio Torres Glez)
Escuché decir que hay luna.
Estrellas relucientes que giran revueltas,
sacudiendo el cielo.
Pájaros que cruzan los aires.
La tierra duerme
y amanece.
Las tardes son ternura
y las mañanas, gloriosas.
En la boca,
el gusto es firmamento,
dulce la sal
y zángano, el sol.
Escuche decir que hay
días insomnes
y noches perdidas.
Dicen que el Paraíso existe,
morada de todos los felices.
Entonces, dígame
-¡dígame!-
¿por qué es que
tengo que vivir
en lo contrario,
en mi infierno,
particular y único,
tan lejos de usted?
Um mini
meu desejo de poesia
é querer tom de rouxinol
boca de profeta
métrica de bailarinos
e ausência de mim.
(Dora Vilela)
http://pretensoscoloquios.zip.net/index.html
BANHEIRO PÚBLICO
Maria José Limeira
Se um dia eu me sentasse
na bacia sanitária
para pensar em sexo,
ou em como as pessoas
literalmente se comem,
uma frase filosófica
comporia:
Nem mesmo sinfonia
inacabada,
por mais afinada que fosse,
me levaria
a tomar banho de chuveiro
sozinha.
Apesar de que, a água
é sempre boa companhia...
PEDRA NO LUGAR DO CORAÇÃO
Maria José Limeira
Quero janela aberta, onde eu me debruce, para ver o tempo passar.
Pintarei portas azuis onde não houver nenhuma.
Estações terminais superlotadas são adeuses.
Quando abrigo é prisão, o dia não vem.
Não te peço mais do que me pedirias: devolve minha paz!
Quando a palavra tem dono, os cárceres se enchem de presos políticos.
A pessoa que estou esperando não vai chegar nunca.
A quem vou entregar a alma, para liquidar minhas dívidas?
Estou envergonhada de ter-me doado a quem não merecia.
Há certas coisas que, quando se quebram, não tem mais conserto.
Quando não restar mais nada do meu mundo, há-de ficar um resto de mim.
Espero que não encontrem pedra no lugar do meu coração quando realizarem autópsia.
Encostei ponta do lápis no papel, para escrever poema, mas um muro bloqueou minha passagem.
Quando a gente não pode esquecer, chora.
No monólogo, o deserto se amplia.
Todos são iguais perante a lei. Mas, por que eu sou tão diferente?
Não preciso de roupa nova para ficar elegante.
A crítica só existe se o texto valer a pena.
No meu jardim, não existem apenas ervas daninhas.
Para cada pessoa que está contra mim, há uma outra que me apóia.
Mesquinharia rima com mediocridade.
Viver não é problema. É desafio.
Não aceito a derrota como ponto final. Tentarei de novo, até que tudo dê certo.
Quando me perguntarem “Como vai você?”, responderei sempre: - Maravilhosamente bem!
Todas as pessoas se sentem bem com o elogio. Ainda que falso.
Se eu começar a cavar minha própria sepultura, logo estarei enterrada nela.
Quem se lembra continuamente da pobreza, será sempre pobre.
Não aceitarei a etiqueta de preço que foi colocada em mim.
Princípio capitalista: sucesso não é cortar despesas. É aumentar vendas.
Jamais conheci alguém que tivesse enriquecido por economizar palitos de fósforos...
(Do livro “Crônicas do amanhecer”).
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
TESTANDO
Maria José Limeira
No teste em laboratório,
ratinho solitário
mandou recado a el-rei:
-Um dia eu hei-de!
TODOS OS DIAS PARES E ÍMPARES
Eu não sonho
Eu só tenho pesadelos
Quando eu acordo
É o pior deles
(Rodrigo de Souza Leão)
http://lowcura.zip.net
Maria José Limeira
que a solidão
vai tomar assento
junto de mim,
na estação espacial
onde pretendo morar,
o melhor que eu tenho a fazer
é desistir da viagem...
Maria José Limeira
Há uma linha quadrada
entre o obtuso e o absurdo,
onde escorre o húmus
dos versos que esbarram em mim.
Desse patético fenece a flor,
nos dejetos da palavra fim.
Nem tudo que dói floresce.
Não é possível enganar um coração!
(Ana Rosa Figueira)
SILÊNCIO DOS AMUADOS
Maria José Limeira
Quando um amigo
silencia,
está doente,
zangado
ou apaixonado...
Meus versos de boa-noite a todos:
O morcego que mora
no telhado do meu quarto,
olha-me com seu gesto
compassado.
Como pode me entender assim,
de cabeça para baixo?
Saludos!
Maria José Limeira
Maria José Limeira
O corpo sabe
quanto o tempo dura,
quando vai chover,
e quão próximos estamos
da terra.
O corpo sabe
quando chega a hora
do adeus.
Maria José Limeira
Eu estava acostumada
a mau-humor,
reclamações,
palavras duras,
perseguições...
Agora no silêncio,
sem você,
com quem vou brigar?
Quem será esse amigo
que eu não tive,
que me daria
o tiro de misericórdia
no instante necessário?
(Maria José Limeira, in "O lado escuro do espelho")
ESTAÇÕES DA ALMA
Maria José Limeira
Lobos, coiotes e mulheres rebeldes têm destinos iguais.
A História saqueou, queimou e destruiu os redutos escondidos da mulher, para que ela agradasse aos outros, esquecendo-se de si própria.
Para se encontrar de novo, a alma feminina tem que cavar-se e cantar sobre os escombros.
Mulher tem que ter coragem para enfrentar os predadores.
Meu ser se alimenta de trovões e relâmpagos.
Milharais, girassóis e plantas selvagens estalam e conversam comigo na minha trilha.
Os regatos me lavam.
Sou artista.
Meu lugar no mundo é vagar a esmo.
Depois que o sol se põe, converso com a Natureza e ouço o farfalhar.
Conto estórias que os adultos não podem ouvir.
Toda morte é repentina.
Borboletas voam no alto da minha cabeça.
Vagalumes são jóias da noite e brilham como pulseiras enfeitiçadas.
A pele tem vida própria.
Abro meu espaço em árvores, cavernas, bosques e gavetas de armários.
Sou ampla, e o céu é meu lugar.
Danço na floresta.
Cato meu lixo interior, onde está o melhor de mim.
A palavra escrita é meu verdadeiro lar.
A perda é tão profunda quanto a beleza.
Sou ruptura.
Não caibo dentro das regras.
São sete os oceanos do universo onde navego.
Existe luz no meu abismo.
Nunca esqueço os motivos que me fizeram nascer e por que continuo vivendo.
Jamais me calarei enquanto estiver ardendo.
O que regula o estado do corpo humano é o coração.
Quando inicio uma viagem, vou até o fim. Ainda que sofra.
A função criadora fertiliza a aridez.
Meu território é a matilha.
Minha linguagem é o sonho.
Saí de casa à procura de mim mesma e descobri, espantada, que o Eu mora dentro de mim.
Depois da noite e da treva, nasce a luz.
Sou fundo de poço, início dos tempos, lágrima, oceano e árvore.
Sou o verde no meio da neve, e clarão na paisagem dolorida da seca.
As histórias curam minhas dores.
A arte é feita de estações da alma.
Deixarei na terra um mapa detalhado de mim, para que outros encontrem o tesouro que me faz feliz.
Em cada fragmento de mim, existe a lembrança do todo.
O vento sopra no meu espírito.
Quando encontrei o sonho, meus ferimentos pararam de sangrar...
(Do livro”Crônicas do amanhecer”).
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.CHAT OU CHATOS?
Jazon Pereira
Numa dessas noites quentes de verão a insônia tomou conta de mim, então resolvi que iria navegar um pouco procurar uma dessas salas de bate-papo, que tanto se falam por aí para espairecer e tentar encontrar o sono que havia perdido não sei como.
Então digitei um desses endereços www.seilaoque.com.br e encontrei a palavra mágica num canto da pagina "chat" cliquei nela e então vi inúmeras opções, namoro, amizade, idade, cidades, encontro, sexo era uma vasta lista cliquei então em uma delas vou ver o que esse pessoal tem de bom para deletar essa insônia, de cara me deparei com os apelidos ou como dizem, os nicknames, paudoce, xanademel, suasosua, vem, querocu ... confesso ter ficado surpreso pois entrei com meu nome verdadeiro, e num cantinho havia uma janelinha dizendo reservado, cliquei lá também, pois queria ter um papo discreto, mas vi que eles não tinham muito a esconder, uns perguntavam coisas sem nexo, e, as respostas eram piores ainda, vi um apelido que me chamou a atenção se não me falha a memória era Paula, perguntei se queria trocar textos comigo? Prontamente veio a resposta, podemos sim de od vc tc? Não entendi nada do que ela escrevia, perguntei pra ela, de onde você esta escrevendo? Crédulo de que estava fazendo a coisa certa, ela então me respondeu d mt? Então achei meio estranho, pois ela tudo que escrevia faltava uma ou duas letras, ou colocava uma grafia diferente nas palavras que acabavam sendo entendidas, mas com um certo grau de dificuldades, fiquei penalizado achando que ela era uma analfabeta funcional, que tivera uma chance de ligar o computador da patroa enquanto a patroa viajava de férias para uma região do nordeste brasileiro ou sei lá, então novamente enviei a mensagem a ela com o seguinte enunciado, posso te perguntar uma coisa? Você não ira se ofender? Rapidamente a resposta veio, afirmando, claro pode sim, mas se é a cor da minha calcinha é vermlh, minus-kula e totalmente transparente que vc pode tira-la se quiser. E se quiser poderá fazer-me de sua escrava sexual. Não, não era isso que iria te perguntar, era... antes que terminasse de escrever a próxima mensagem recebi uma nova mensagem dela, então iria perguntar como gosto de transar? Nesse momento recorri a Deus, meu Deus aonde vim parar? Ela continuou respondendo ao que eu não havia perguntado gosto de sexo do jeito que você gostar só te peço uma coisa gosto de apanhar, arregalei os olhos, pensando não estar enxergando bem e num ímpeto de querer ajudar essa pobre alma achando se tratar de uma garota de programas ou coisa do gênero voltei a perguntar: Você trabalha em que? Apaguei e refiz a pergunta, pois não queria que ela se ofendesse com minha curiosidade, então achei melhor entrar no nível de linguagem que ela usava, o que faz da vida mina? A surpresa foi ainda bem maior quando ela devolveu a resposta; sou advogada e estou fazendo doutorado na University The California, estarei me formando no próximo mês se puder ir sinta-se convidado, nesse momento minhas pupilas ensaiaram um mergulho no nada fugindo da situação a qual eu as estava obrigando, educadamente pedi lhe desculpas, da forma como havia entrado no tal chat sai da sala no www.seilaoque.com.br desliguei o micro, fui até a minha velha estante retirei um também velho e empoeirado livro escrito por Nelson Rodrigues, cujo titulo é "Flor de Obsessão", livro que até então nunca havia lido por achar que seu conteúdo é um tanto quanto pornográfico, ou talvez por motivos que eu mesmo desconheça que involuntariamente o censurara, depois de ler varias páginas, pus-me então a refletir, e conclui que se ele, Nelson estivesse vivo e navegando na net mudaria sua frase - O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: — o da imaturidade. Com certeza diria que o computador tem todos os defeitos de uma maquina e um a mais: – consegue dilacerar a inocência da humanidade.
O QUE DEIXAMOS PARA TRÁS
Maria José Limeira
Quando a mágoa rói por dentro, dói como ave em vôo lento, cujo canto esboroa o último alento que sopra em mim.
Tiro dispara na direção do infinito, onde meu sonho se esconde.
No dia em que você foi embora, eu estava de camisola olhando-me no espelho.
Seu vulto arrumando a mala ainda vaga em mim, nós dois quase sem fala.
Chove torrencialmente na dor. A água transborda e escorre na calçada.
Renuncio ao meu direito de vingança. Peço canção de ninar. Ainda sou capaz de perdoar.
Ouço música derradeira do pássaro que mora dentro de mim e está morrendo.
Peito é voragem que deságua sobre o que deixamos para trás.
Através da névoa, vejo o duplo de nós em movimento, dentro do espelho gasto.
Você desenhou becos sem saída no meu corpo.
Silêncio é grito que invade o mundo, dividindo-o em dois: antes e depois de você.
Na manhã fria que vem chegando, parece que eternidade é só um instante.
Mesmo que me encarcerem, tapem-me a boca, estourem meus tímpanos, fechem-me os olhos e tentem matar minh´alma, continuarei escrevendo versos em paredes nuas e sujas.
Nada ou ninguém: ninguém vai-me impedir de amar.
Tudo que me resta dizer eu já lhe disse mil vezes, em todas as línguas:
- I love you.
(Do livro “Crônicas do amanhecer”).
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.Carlos Nejar
O exílio é te porem para fora do trem,
quando ainda te achavas útil
ao equilíbrio dos vagões.
E pesa igual a um corpo
atirado no rio.
Pesa e é incômodo também
aos que te exilaram.
Um peso em cima
dos que não suportam
o teu tamanho. E não
descansarão, quando
descansares. São tão justos,
misericordiosos em torno
de si mesmos. Não descansarão
porque o exílio mudou de efígie.
Quando a justiça como pedra
sobre eles cair, tu te levantarás.
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
(Thiago de Mello)
Infeliz de quem,
para chegar ao topo,
vai pisando em cadáveres
pelo meio do caminho...
(Maria José Limeira)
DESPE-ME
Maria José Limeira
Despe-me.
Lambe-me todinha.
Estou deitada
em minha caminha.
Passa mãos
em minhas orelhas.
Às parelhas.
Desce linhas
de teus dedos
no meu pescoço,
em alvoroço.
Beija-me ombros
e escombros.
Beija.
No meu regaço,
chora.
Implora.
Dá-me tudo mais,
meu rapaz.
Mais do que pode ser.
Até depois do morrer.
Amassa-me seios
com fortes mãos.
Sente curvas,
mamilos,
vãos.
Auréolas rosadas
são casas pintadas,
onde pássaros alegres
guardam ninhadas.
São bicos
patéticos,
que adentram
em tua boca,
onde desemboca
encontro dos meus rios.
Mata sede,
fome,
ânsia,
desvarios.
Sente minha reentrância,
à altura do umbigo,
lugar de perigo.
Desce-me pelo ventre,
indecente.
Aspira meu cheiro áspero.
Encontra aceiro
de todo meu desespero.
Deixa-me gritar,
até o sol raiar,
o quanto te amo,
meu gamo.
Quanto mais grito,
mais brames,
meu mar.
Quanto mais me ames,
muito mais te amarei,
meu rei.
Todo meu ser-rainha
cabe por inteiro
em tua mão,
meu zangão.
Quando não for possível
suportar.
Quando loucura
nos tomar,
vem.
A porta está aberta.
Entra logo,
Que a hora é esta.
Já amanhece
em nossa festa.
Desembesta.
Igual cavalo brabo
no prado,
meu gado.
Sendo dois,
somos um só,
em do-re-mi
e si-bemol,
meu arrebol.
E nosso intenso desejo
se consome
no amor que mata
nossa fome.
Formigas
de todos os formigueiros
nos comem,
meu homem...
RECADO AO AMIGO QUE RESOLVEU SE SUICIDAR
Maria José Limeira
Bondoso amigo.
Peço-lhe, por favor
que, se quiser se matar,
não o faça na minha frente,
com arma de fogo.
Eu tenho verdadeiro horror
a sangue!
Maria José Limeira
O vago da bacia em que me deito.
O claro da coxia em que me deixo.
O céu da nostalgia em frio leito.
A porta-alegoria em que me fecho.
O sino da matriz em que me ouço.
A vida assim me diz que me disfarço.
O verso de aprendiz no calabouço.
O grito ecoa bis em vil esgarço.
A cela da noturna em que negrejo.
O ar de minha furna que respinga.
A face da soturna em que me vejo.
O claro da diurna na restinga.