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BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher


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Eu sei quando as coisas começam a despencar pro lado negro.

Começa com uma desculpa estúpida pra faltar uma aula importante, pra poder voltar pra casa e dormir em plena tarde, passa por uma série de ligações no celular ignoradas e mensagens não-respondidas, atinge o ápice em uma crise de choro histérico quando a mãe liga pra dar oi, e termina o dia em um cinema vazio em dia de semana, assistindo a um filme sobre um personagem depressivo, bebendo vinho barato e concluindo que não há nada mesmo de grandioso esperando no fim da jornada.

Com vocês, amigos, o começo de uma deprê, parte 9.879.026.353.486.

Thais Mendes

http://thaismendes.blogspot.com

http://fimdamente.org/clouds



- Postado por: Zezé Limeira às 09h16 PM
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Todas as pessoas

se sentem bem

com o elogio.

Ainda que falso.


(Maria José Limeira)



- Postado por: Zezé Limeira às 01h06 PM
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DOS NOSSOS MALES
Mário Quintana


A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...



- Postado por: Zezé Limeira às 01h21 PM
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Em Português

DIZEM QUE FELICIDADE EXISTE

Maria José Limeira

 

 Ouvi dizer que há lua.

Estrelas rútilas giram revoltas,

sacudindo o céu.

Pássaros cruzam os

 ares.

A terra dorme

e amanhece.

 

 Tardes são fagueiras

e manhãs, gloriosas.

Na boca,

o gosto é firmamento,

o sal é doce

e o sol, zangão.

 

Ouvi dizer que há dias  insones

e noites perdizes.

Dizem que o Paraíso existe,

morada de todos os felizes.

 

 Então, diga-me

-diga-me!-

por que é que

eu tenho de viver,

ao  contrário,

no meu inferno,

particular e único,

longe de você?



- Postado por: Zezé Limeira às 03h04 AM
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Em Espanhol

DICEN QUE LA FELICIDAD EXISTE

Maria José Limeira

 

(Traducción: E. Antonio Torres Glez)

 

Escuché decir que hay luna.

Estrellas relucientes que giran revueltas,

sacudiendo el cielo.

Pájaros que cruzan los aires.

La tierra duerme

y amanece.

 

Las tardes son ternura

y las mañanas, gloriosas.

En la boca,

el gusto es firmamento,

dulce la sal

y zángano, el sol.

 

 Escuche decir que hay

 días insomnes

y noches perdidas.

Dicen que el Paraíso existe,

morada de todos los felices.

 

 Entonces, dígame

-¡dígame!-

¿por qué es que

tengo que vivir

en lo contrario,

en mi infierno,

particular y único,

tan lejos de usted?



- Postado por: Zezé Limeira às 02h58 AM
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Um mini

 

meu desejo de poesia

é querer tom de rouxinol

boca de profeta

métrica de bailarinos

e ausência de mim.

(Dora Vilela)

http://pretensoscoloquios.zip.net/index.html



- Postado por: Zezé Limeira às 02h23 AM
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BANHEIRO PÚBLICO

Maria José Limeira

 

Se um dia eu me sentasse

na bacia sanitária

para pensar em sexo,

ou em como as pessoas

literalmente se comem,

uma frase filosófica

comporia:

 

Nem mesmo sinfonia

inacabada,

por mais afinada que fosse,

me levaria

a tomar banho de chuveiro

sozinha.

 

Apesar de que, a água

é sempre boa companhia...

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h13 AM
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PEDRA NO LUGAR DO CORAÇÃO

Maria José Limeira

 

Quero janela aberta, onde eu me debruce, para ver o tempo passar.

Pintarei portas azuis onde não houver nenhuma.

Estações terminais superlotadas são adeuses.

Quando abrigo é prisão, o dia não vem.

Não te peço mais do que me pedirias: devolve minha paz!

Quando a palavra tem dono, os cárceres se enchem de presos políticos.

A pessoa que estou esperando não vai chegar nunca.

A quem vou entregar a alma, para liquidar minhas dívidas?

Estou envergonhada de ter-me doado a quem não merecia.

Há certas coisas que, quando se quebram, não tem mais conserto.

Quando não restar mais nada do meu mundo, há-de ficar um resto de mim.

Espero que não encontrem pedra no lugar do meu coração quando realizarem autópsia.

Encostei ponta do lápis no papel, para escrever poema, mas um muro bloqueou minha passagem.

Quando a gente não pode esquecer, chora.

No monólogo, o deserto se amplia.

Todos são iguais perante a lei. Mas, por que eu sou tão diferente?

Não preciso de roupa nova para ficar elegante.

A crítica só existe se o texto valer a pena.

No meu jardim, não existem apenas ervas daninhas.

Para cada pessoa que está contra mim, há uma outra que me apóia.

Mesquinharia rima com mediocridade.

Viver não é problema. É desafio.

Não aceito a derrota como ponto final. Tentarei de novo, até que tudo dê certo.

Quando me perguntarem “Como vai você?”, responderei sempre: - Maravilhosamente bem!

Todas as pessoas se sentem bem com o elogio. Ainda que falso.

Se eu começar a cavar minha própria sepultura, logo estarei enterrada nela.

Quem se lembra continuamente da pobreza, será sempre pobre.

Não aceitarei a etiqueta de preço que foi colocada em mim.

Princípio capitalista: sucesso não é cortar despesas. É aumentar vendas.

Jamais conheci alguém que tivesse enriquecido por economizar palitos de fósforos...

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.

 

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 01h09 AM
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TESTANDO
Maria José Limeira

No teste em laboratório,
ratinho solitário
mandou recado a el-rei:
-Um dia eu hei-de!



- Postado por: Zezé Limeira às 02h28 AM
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TODOS OS DIAS PARES E ÍMPARES

Eu não sonho

Eu só tenho pesadelos

Quando eu acordo

É o pior deles

(Rodrigo de Souza Leão)

http://lowcura.zip.net

http://pesa-nervos.zip.net



- Postado por: Zezé Limeira às 12h22 AM
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DE-SISTÊNCIA

Maria José Limeira

 

Se é verdade

que a solidão

vai tomar assento

junto de mim,

na estação espacial

onde pretendo morar,

o melhor que eu tenho a fazer

é desistir da viagem...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h36 PM
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VER-TENTE

Maria José Limeira

 

Há uma linha quadrada

entre o obtuso e o absurdo,

onde escorre o húmus

dos versos que esbarram em mim.

Desse patético fenece a flor,

nos dejetos da palavra fim.

 

Nem tudo que dói floresce.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 09h34 PM
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Não é possível enganar um coração!

(Ana Rosa Figueira)



- Postado por: Zezé Limeira às 02h18 AM
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SILÊNCIO DOS AMUADOS

Maria José Limeira

 

Quando um amigo

silencia,

está doente,

zangado

ou apaixonado...



- Postado por: Zezé Limeira às 01h21 AM
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Meus versos de boa-noite a todos:

 

O morcego que mora

no telhado do meu quarto,

olha-me com seu gesto

compassado.

 

Como pode me entender assim,

de cabeça para baixo?

 

Saludos!

Maria José Limeira

 



- Postado por: Zezé Limeira às 08h52 PM
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PRE-NÚNCIOS

Maria José Limeira

 

O corpo sabe

quanto o tempo dura,

quando vai chover,

e quão próximos estamos

da terra.

O corpo sabe

quando chega a hora

do adeus.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h48 PM
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DES-ENLACE

Maria José Limeira

 

Eu estava acostumada

a mau-humor,

reclamações,

palavras duras,

perseguições...

Agora no silêncio,

sem você,

com quem vou brigar?

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 07h44 PM
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Quem será esse amigo
que eu não tive,
que me daria
o tiro de misericórdia
no instante necessário?

(Maria José Limeira, in "O lado escuro do espelho")



- Postado por: Zezé Limeira às 08h59 PM
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ESTAÇÕES DA ALMA

Maria José Limeira

 

Lobos, coiotes e mulheres rebeldes têm destinos iguais.

A História saqueou, queimou e destruiu os redutos escondidos da mulher, para que ela agradasse aos outros, esquecendo-se de si própria.

Para se encontrar de novo, a alma feminina tem que cavar-se  e cantar sobre os escombros.

Mulher tem que ter coragem para enfrentar os predadores.

Meu ser se alimenta de trovões e relâmpagos.

Milharais, girassóis e plantas selvagens estalam e conversam comigo na minha trilha.

Os regatos me lavam.

Sou artista.

Meu lugar no mundo é vagar a esmo.

Depois que o sol se põe, converso com a Natureza  e ouço o farfalhar.

Conto estórias que os adultos não podem ouvir.

Toda morte é repentina.

Borboletas voam no alto da minha cabeça.

Vagalumes são jóias da noite e brilham como pulseiras enfeitiçadas.

A pele tem vida própria.

Abro meu espaço em árvores, cavernas, bosques e gavetas de armários.

Sou ampla, e o céu é meu lugar.

Danço na floresta.

Cato meu lixo interior, onde está o melhor de mim.

A palavra escrita é meu verdadeiro lar.

A perda é tão profunda quanto a beleza.

Sou ruptura.

Não caibo dentro das regras.

São sete os oceanos do universo onde navego.

Existe luz no meu abismo.

Nunca esqueço os motivos que me fizeram nascer  e por que continuo vivendo.

Jamais me calarei enquanto estiver ardendo.

O que regula o estado do corpo humano é o coração.

Quando inicio uma viagem, vou até o fim. Ainda que sofra.

A função criadora fertiliza a aridez.

Meu território é a matilha.

Minha linguagem é o sonho.

- Postado por: Zezé Limeira às 01h47 AM
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Estações da alma - Final

Saí de casa à procura de mim mesma e descobri, espantada, que o Eu mora dentro de mim.

Depois da noite e da treva, nasce a luz.

Sou fundo de poço, início dos tempos, lágrima, oceano e árvore.

Sou o verde no meio da neve, e clarão na paisagem dolorida da seca.

As histórias curam minhas dores.

A arte é feita de estações da alma.

Deixarei na terra um mapa detalhado de mim,  para que outros encontrem o tesouro que me faz feliz.

Em cada fragmento de mim, existe a lembrança do todo.

O vento sopra no meu espírito.

Quando encontrei o sonho, meus ferimentos pararam de sangrar...

 

(Do livro”Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.

- Postado por: Zezé Limeira às 01h46 AM
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CHAT OU CHATOS?

Jazon Pereira

 

Numa dessas noites quentes de verão a insônia tomou conta de mim, então resolvi que iria navegar um pouco procurar uma dessas salas de bate-papo, que tanto se falam por aí para espairecer e tentar encontrar o sono que havia perdido não sei como.

Então digitei um desses endereços www.seilaoque.com.br e encontrei a palavra mágica num canto da pagina "chat" cliquei nela e então vi inúmeras opções, namoro, amizade, idade, cidades, encontro, sexo era uma vasta lista cliquei então em uma delas vou ver o que esse pessoal tem de bom para deletar essa insônia, de cara me deparei com os apelidos ou como dizem, os nicknames, paudoce, xanademel, suasosua, vem, querocu ... confesso ter ficado surpreso pois entrei com meu nome verdadeiro, e num cantinho havia uma janelinha dizendo reservado, cliquei lá também, pois queria ter um papo discreto, mas vi que eles não tinham muito a esconder, uns perguntavam coisas sem nexo, e, as respostas eram piores ainda, vi um apelido que me chamou a atenção se não me falha a memória era Paula, perguntei se queria trocar textos comigo? Prontamente veio a resposta, podemos sim de od vc tc? Não entendi nada do que ela escrevia, perguntei pra ela, de onde você esta escrevendo? Crédulo de que estava fazendo a coisa certa, ela então me respondeu d mt? Então achei meio estranho, pois ela tudo que escrevia faltava uma ou duas letras, ou colocava uma grafia diferente nas palavras que acabavam sendo entendidas, mas com um certo grau de dificuldades, fiquei penalizado achando que ela era uma analfabeta funcional, que tivera uma chance de ligar o computador da patroa enquanto a patroa viajava de férias para uma região do nordeste brasileiro ou sei lá, então novamente enviei a mensagem a ela com o seguinte enunciado, posso te perguntar uma coisa? Você não ira se ofender? Rapidamente a resposta veio, afirmando, claro pode sim, mas se é a cor da minha calcinha é vermlh, minus-kula e totalmente transparente que vc pode tira-la se quiser. E se quiser poderá fazer-me de sua escrava sexual. Não, não era isso que iria te perguntar, era... antes que terminasse de escrever a próxima mensagem recebi uma nova mensagem dela, então iria perguntar como gosto de transar? Nesse momento recorri a Deus, meu Deus aonde vim parar? Ela continuou respondendo ao que eu não havia perguntado gosto de sexo do jeito que você gostar só te peço uma coisa gosto de apanhar, arregalei os olhos, pensando não estar enxergando bem e num ímpeto de querer ajudar essa pobre alma achando se tratar de uma garota de programas ou coisa do gênero voltei a perguntar: Você trabalha em que? Apaguei e refiz a pergunta, pois não queria que ela se ofendesse com minha curiosidade, então achei melhor entrar no nível de linguagem que ela usava, o que faz da vida mina? A surpresa foi ainda bem maior quando ela devolveu a resposta; sou advogada e estou fazendo doutorado na University The California, estarei me formando no próximo mês se puder ir sinta-se convidado, nesse momento minhas pupilas ensaiaram um mergulho no nada fugindo da situação a qual eu as estava obrigando, educadamente pedi lhe desculpas, da forma como havia entrado no tal chat sai da sala no www.seilaoque.com.br desliguei o micro, fui até a minha velha estante retirei um também velho e empoeirado livro escrito por Nelson Rodrigues, cujo titulo é "Flor de Obsessão", livro que até então nunca havia lido por achar que seu conteúdo é um tanto quanto pornográfico, ou talvez por motivos que eu mesmo desconheça que involuntariamente o censurara, depois de ler varias páginas, pus-me então a refletir, e conclui que se ele, Nelson estivesse vivo e navegando na net mudaria sua frase - O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: — o da imaturidade. Com certeza diria que o computador tem todos os defeitos de uma maquina e um a mais: – consegue dilacerar a inocência da humanidade.

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h42 AM
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O QUE DEIXAMOS PARA TRÁS

Maria José Limeira

 

Quando a mágoa rói por dentro, dói como ave em vôo lento, cujo canto esboroa o último alento que sopra em mim.

Tiro dispara na direção do infinito, onde meu sonho se esconde.

No dia em que você foi embora, eu estava de camisola olhando-me no espelho.

Seu vulto arrumando a mala ainda vaga em mim, nós dois quase sem fala.

Chove torrencialmente na dor. A água transborda e escorre na calçada.

Renuncio ao meu direito de vingança. Peço canção de ninar. Ainda sou capaz de perdoar.

Ouço música derradeira do pássaro que mora dentro de mim e está morrendo.

Peito é voragem que deságua sobre o que deixamos para trás.

Através da névoa, vejo o duplo de nós em movimento, dentro do espelho gasto.

Você desenhou becos sem saída no meu corpo.

Silêncio é grito que invade o mundo, dividindo-o em dois: antes e depois de você.

Na manhã fria que vem chegando, parece que eternidade é só um instante.

Mesmo que me encarcerem, tapem-me a boca, estourem meus tímpanos, fechem-me os olhos e tentem matar minh´alma, continuarei escrevendo versos em paredes nuas e sujas.

Nada ou ninguém: ninguém vai-me impedir de amar.

Tudo que me resta dizer eu já lhe disse mil vezes, em todas as línguas:

- I love you.

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.

- Postado por: Zezé Limeira às 11h06 PM
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FORA DO TREM

Carlos Nejar

 

O exílio é te porem para fora do trem,

quando ainda te achavas útil

ao equilíbrio dos vagões.

 

E pesa igual a um corpo

atirado no rio.

 

Pesa e é incômodo também

aos que te exilaram.

 

Um peso em cima

dos que não suportam

o teu tamanho. E não

descansarão, quando

descansares. São tão justos,

misericordiosos em torno

de si mesmos. Não descansarão

porque o exílio mudou de efígie.

 

Quando a justiça como pedra

sobre eles cair, tu te levantarás.

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h47 PM
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Fica decretado que, a partir deste instante,

haverá girassóis em todas as janelas,

que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra;

e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

abertas para o verde onde cresce a esperança.

(Thiago de Mello)

 



- Postado por: Zezé Limeira às 11h36 PM
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Infeliz de quem,

para chegar ao topo,

vai pisando em cadáveres

pelo meio do caminho...

(Maria José Limeira)



- Postado por: Zezé Limeira às 01h05 PM
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DESPE-ME

Maria José Limeira

 

Despe-me.

Lambe-me todinha.

Estou deitada

em minha caminha.

 

Passa mãos

em minhas orelhas.

Às parelhas.

 

Desce linhas

de teus dedos

no meu pescoço,

em alvoroço.

 

Beija-me ombros

e escombros.

Beija.

 

No meu regaço,

chora.

Implora.

 

Dá-me tudo mais,

meu rapaz.

Mais do que pode ser.

Até depois do morrer.

 

Amassa-me seios

com fortes mãos.

Sente curvas,

mamilos,

vãos.



- Postado por: Zezé Limeira às 01h24 AM
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Despe-me - Cont.

Auréolas rosadas

são casas pintadas,

onde pássaros alegres

guardam ninhadas.

 

São bicos

patéticos,

que adentram

em tua boca,

onde desemboca

encontro dos meus rios.

 

Mata sede,

fome,

ânsia,

desvarios.

Sente minha reentrância,

à altura do umbigo,

lugar de perigo.



- Postado por: Zezé Limeira às 01h22 AM
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Despe-me - Cont.

Desce-me pelo ventre,

indecente.

Aspira meu cheiro áspero.

Encontra aceiro

de todo meu desespero.

 

Deixa-me gritar,

até o sol raiar,

o quanto te amo,

meu gamo.

 

Quanto mais grito,

mais brames,

meu mar.

 

Quanto mais me ames,

muito mais te amarei,

meu rei.

 

Todo meu ser-rainha

cabe por inteiro

em tua mão,

meu zangão.

 

Quando não for possível

suportar.

Quando loucura

nos tomar,

vem.

 

A porta está aberta.

Entra logo,

Que a hora é esta.

Já amanhece

em nossa festa.



- Postado por: Zezé Limeira às 01h18 AM
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Despe-me - Final

Desembesta.

Igual cavalo brabo

no prado,

meu gado.

 

Sendo dois,

somos um só,

em do-re-mi

e si-bemol,

meu arrebol.

 

E nosso intenso desejo

se consome

no amor que mata

nossa fome.

 

Formigas

de todos os formigueiros

nos comem,

meu homem...



- Postado por: Zezé Limeira às 01h16 AM
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RECADO AO AMIGO QUE RESOLVEU SE SUICIDAR

Maria José Limeira

 

Bondoso amigo.

Peço-lhe, por favor

que, se quiser se matar,

não o faça na minha frente,

com arma de fogo.

Eu tenho verdadeiro horror

a sangue!



- Postado por: Zezé Limeira às 02h06 AM
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VAGA LUZ NOSTÁLGICA

Maria José Limeira

 

O vago da bacia em que me deito.

O claro da coxia em que me deixo.

O céu da nostalgia em frio leito.

A porta-alegoria em que me fecho.

 

O sino da matriz em que me ouço.

A vida assim me diz que me disfarço.

O verso de aprendiz no calabouço.

O grito ecoa bis em vil esgarço.

 

A cela da noturna em que negrejo.

O ar de minha furna que respinga.

A face da soturna em que me vejo.

O claro da diurna na restinga.

 

O sol-covil-desgraça em alameda.

A lua a quem confio meu arremesso.

O brado do assovio que rasga seda.

A luz do desvario em que me esqueço...

 



- Postado por: Zezé Limeira às 10h53 PM
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FOLHETINS DO INVERNO

Maria José Limeira

 

Do frio que em mim perpassa

nasce uma flor solitária.

Na minha fosca vidraça

a saudade escorre vária.

 

Na temperatura, o gelo

corta veias e transpassa.

Emite um agudo apelo

o olhar que  lágrima embaça. 

 

No escuro, o céu  encobre

horizonte que se apaga.

E antes que o sino dobre,

um resto de dor divaga.

 

Não há pássaro, nem trinado.

O tempo em si se fecha.

No acorde final do fado,

o adeus de quem me deixa.

 

O cinza mancha a pintura

da paisagem, fria sorte.

O mal que não tem mais cura

rasga o profundo corte.

 

Há sonolência, fastio.

No prado, ninguém campeia.

Dentro de mim, nostalgio

sobre o que sobrou da ceia.

 

No inverno, eis o que resta.

Sonhar com o novo arrebol

é adormecer na sesta

e acordar inda mais só...

 

 



- Postado por: Zezé Limeira às 12h21 AM
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ALGO DE ERRADO

Maria José Limeira

 

Tem algo errado comigo.

É que não consigo esquecer.

Eu devia deixar morrer o que deve morrer.

Passar uma borracha nas coisas

que não deveriam ter acontecido comigo.

Fechar a porta atrás de mim

e adormecer tranqüila.

Mas, não.

Ao invés, fico remoendo.

Deixar morrer seria uma maneira democrática

de convivência pacífica com  o inusitado...



- Postado por: Zezé Limeira às 10h21 AM
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CONVITE

Venha participar de nossa Linda Lista

Alameda Santo Antonio.

Sem censura, sem auto-censura

ou censura-prévia.

Não mantemos em nosso espaço

nenhuma Comissão de Inquisição

para perseguir poetas na Internet.

Aqui, você pode dizer o que pensa

sem o risco de expulsão

ou banimento.

Vamos discutir Poesia da maneira

que ela merece:

com todas as letras!

 

Para participar basta

mandar email para:

 

amedasantoantonio-subscribe@yahoogrupos.com.br

 

Saludos, e boa sorte!

Maria José Limeira, Owner



- Postado por: Zezé Limeira às 11h14 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]

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A pergunta

ALGUÉM AÍ?

Maria José Limeira

 

A noite afunda

em meu travesseiro,

onde guardo

baratas,

escorpiões,

morcegos...

 

Gozado...

Como as coisas mudam.

Antigamente,

eu guardava

em minha cama

apenas homens...

- Postado por: Zezé Limeira às 10h41 PM
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A resposta

ALGUÉM EM LINHA?

 

Os tempos mudaram

os homens já escasseiam

 

as mulheres sós

são paradigmáticas e platónicas,

mais pletóricas e aristotélicas,

esqueceram-se do grande Balzac...

 

Inda serão esmoleres...

 

 - Pode ceder-me um homem, por favor?

 - Agora não temos trocos...

 - Mas só queria por um bocadinho...

 - Um bocadinho p'ra quê?

 - Eu sei lá! P'ra que é que eles servem?

 - Também já não me lembro!

 

 - Sim! O melhor é viver mesmo de alternativas...

    Com uma grande vantagem: Se for ao Bestiário não engravida

    e garante boa companhia...

 - Será esse o futuro?

 - Quem sabe? Pergunte ao Orientador de Família, é para isso que o         

  Estado lhe paga.

 - Vou pensar.

 

 - Olhe que isso é um exercício doloroso e os medicamentos não são

        subvencionados!

 - E esta conversa não é uma grande estupidez?

 - Só agora é que reparou? Eu sou exactamente pago para isso!!!

 

Minha cara Amiga, eu estou bem, a ouvir as esplêndidas canções do meu  sogro, o grande Alberto Ribeiro.

 

Bjs e abraços morcegais do amigo 

joaquim evónio 

 

Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias

www.joaquimevonio.com

- Postado por: Zezé Limeira às 10h40 PM
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Nudismo

Nova Iorque inaugurou, recentemente, um restaurante só para Nudistas. Vejam as fotos. Saludos! Maria José Limeira.

 

http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI474650-EI1141,00.html

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Imagino que a próxima moda seja a de se fazer sexo com roupa.

(André Chalom)

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Questões que não calam:

1 - onde levam o dinheiro? a la Pappilon?

2 - já pensou derrubar sopa quente?

3 - os garçons (e garçonetes, espero) tb estão pelados?

4 - os cozinheiros (e as cozinheiras, espero) - arghhh! tb estão pelados? E são peludos?

5 - o preço é de deixar até as calças?

(José Nunes)

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Em outra comunidade, estávamos discutindo sobre o casamento gay. Foram tantas as defesas que o tema apresentou que um dos cadastrados disse: No futuro, será proibido o casamento entre heterossexuais... Ah-ah! Saludos. Maria José Limeira.

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 Fonte: Comunidade Oficina Literária

www.orkut.com/



- Postado por: Zezé Limeira às 12h17 AM
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BIOGRAFIA
Maria José Limeira (Ferreira) nasceu em João Pessoa-PB, Brasil, fez curso (incompleto) de Filosofia Pura na UFPB. Presa, em 1964, pelas forças da repressão, no Quartel do 15RI, abandonou seus estudos superiores,auto-exilando-se nas cidades do Rio e São Paulo, onde conviveu com os escritores Aguinaldo Silva, Vinicius de Moraes, Assis Brasil, José Edson Gomes. Conheceu, no Rio, o poeta português e crítico literário Arnaldo Saraiva, da cidade do Porto, que dedicou a ela seu livro ""Encontros/Des-encontros, amizade que perdura até hoje. Retornou à Paraíba nos anos 70, quando ingressou no Jornalismo, começando como repórter até chegar a ocupar cargos de Direção em diversos jornais, inclusive no semanário "O Momento", que ajudou a fundar...

Livros publicados:
"Margem", "Aldeia virgem além", "As portas da cidade ameaçada", "O lado escuro do espelho" (contos); "Olho no vidro"(novelas) e "Luva no grito" (romance). Escreveu também peças teatrais, como "Os maloqueiros", "O transplante" e "O alcoólatra". A peça "Os maloqueiros" recebeu Menção Honrosa em concurso de âmbito nacional promovido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte-MG. Atualmente, escreve um livro de "Memórias".

Outros textos inéditos:
"Contos da escuridão" (contos), "Todos os seres" (poemas longos), "Crônicas do amanhecer" (crônicas). Foi uma das fundadoras, na Paraíba, do Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA-Pb), num esforço conjunto com outras entidades pela promulgação da anistia ampla, geral e irrestrita no Brasil. Atualmente reside em João Pessoa-PB.
Quer entrar em contato comigo? Então escreva:
Email: mlimeira_blog@yahoo.com.br