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PONTO DE FUGA
Que indagação faz
o umbigo feminino
quando aparece entre
uma peça e outra
da veste?
Intimidade
sensualidade.
Nem mesmo
a musicalidade dos pêlos
é maior que o apelo
da cicatriz do nascimento.
Almandrade
...................
Fonte:
Revista Digital PD-Literatura
Edição de Setembro de 2005
MENSAGEM DE JANDUHI
(E para quem quiser adquirir o livro”A gramática no cordel”, de Janduhi Dantas, olhe o email dele: jdantasn@yahoo.com.br)
...............................
Olá, Zezé!
muito obrigado pela gentileza da divulgação de meu livrinho! Ao ler sua biografia, deu-me um prazer danado saber que você lutou contra a ditadura militar! Que bonita e digna história de vida, com certeza, é a sua!
Mande-me, por favor, seu endereço postal para que eu possa lhe enviar o livro!
Muito obrigado!
Grande abraço!
Depois leio suas poesias! (Me perdoe a pressa: "É a alma dos nossos negócios...")
Seu novo amigo:
Janduhi
O CISNE DE TCHAIKOVSKY
Maria José Limeira
Eu vos dei asas.
Outros vos ensinarão a voar.
(José Américo de Almeida)
Quando a pessoa não tem mãe, chorar encostada na parede fria bem que alivia.
Deus nos livre de alcançar felicidade pisando em cima de cadáveres.
Minha asa quebrada.
Meu sonho de valsa.
Debaixo da sola do pé, há um caco de vidro encalhado.
Salsa!
Desse jeito, não vou conseguir ser bailarina...
O cisne de Tchaikovsky era um patinho feio: morreu engasgado no lago vazio.
Se não existissem atos de força, Comissões de Inquisição, banimento, expulsão, exílio e ostracismo, como é que os poderosos iriam se livrar das pessoas que incomodam?
Para realizar cerimônia de casamento, precisa-se apenas do sim diante do altar.
No divórcio, é preciso muito mais: audiência de tentativa de conciliação diante do juiz e, no mínimo, dois anos de disputa na divisão de filhos e bens.
E o desgaste é grande.
A palavra adeus não vai conseguir ser feliz nunca junto da palavra amor.
Há alguma coisa me doendo do lado esquerdo do peito.
Deve ser o último sinal de que ainda tenho coração.
Está certo que sou uma formiga que criou asas.
Mas, por que as andorinhas não me aceitam como boa companhia?
Quando há mágoa, aflição, melancolia, sombra, depressão, lástima e consternação, a noite é muito mais longa...
Do livro “Crônicas do amanhecer”.
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).
DESAFIOS II
Maria José Limeira / Haroldo P. Barboza
..........
O vestido que me serve
é traje de sol e lua.
A Poesia que é verve
me veste quando estou nua.
(Maria José Limeira)
..........
Quem cobre o corpo com peles
Camufla as curvas sinuosas
Quem guarda suas palavras
Esconde suas belas prosas.
Um simples suspiro demorado
Vale uma expressão corporal
Dedos leves no teclado
Moldam a mensagem virtual.
Até que o destino nos convide
A morar em um novo patamar
Devemos consumir da vida
Tudo o que ela nos ofertar.
(Haroldo P. Barboza)
Ao desafio não me nego.
Eu canto a bela rosa.
Quem tudo vê não é cego.
Quem entra no jogo goza.
Quem ao destino não ouve
na vida passa batido.
Almoço tem que ter couve.
Quem não come é comido.
Quem faz poesia em teclado
verte palavras em gotas.
Dá um suspiro dobrado
e recria rimas rotas...
(Maria José Limeira)
cheiro de sexo
(carlos assis)
acordo cedo
coração bate
desejo de calor
....................
CHEIRO DE FLOR
Maria José Limeira
Acordo tarde.
Mas, ainda em tempo
de ver o girassol
dançando em torno
de si mesmo,
à procura da luz...
DESAFIOS
Maria José Limeira / Haroldo P. Barboza
.....................
Erótico ou pornográfico?
Que importância tem isto?
O que importa é o tráfico
do nu em que me desvisto.
(Maria José Limeira)
....................
Uma folha branca está nua
Até cair nas mãos de Limeira
Que com suas belas palavras
Mostra ser boa cerzideira.
Costura palavras com vírgulas
Arremata com belo ponto
Basta-lhe um pulsar do coração
E o vestido está pronto.
Juntando as frases reluzentes
Logo se forma um lindo conto
Quem não entendeu o epílogo
Bebeu muito e ficou tonto.
(Haroldo P. Barboza)
Das folhas, há quantidade.
Há de trevo e de parreira.
O que vale é qualidade
e não o que está na beira.
Costureira aperta ponto.
Cerzideira dá o nó.
Todo dentista é odonto.
O autista fala só.
O vestido que me serve
é traje de sol e lua.
A Poesia que é verve
me veste quando estou nua...
(Maria José Limeira)
A Minha Casa
A pedra, o que se cumpre, a volição, o centro,
O palco, um Deus impune, a corrosão, e dentro
Da minha casa arruinada cresce o medo,
Em cada quarto asas rasgadas entre os dedos,
E na sala uma garrafa adormecida me conforta.
A queda, o movimento, a agonia e o corpo lasso,
O tédio, um Deus mais lento, a idolatria do cansaço,
E a minha casa é fenestrada e não tem portas,
Em cada canto da cozinha uma esperança pende morta,
Enquanto apago a minha vida num cinzeiro do terraço.
(Celso)
Quarta-feira, Agosto 10, 2005
http://ocarceredasasas.blogspot.com
uma mulher
nunca fica totalmente nua
até que lhe suguem
a última gota
do batom.
Leonora Silva
PERDIDA NO TEMPO
Maria José Limeira
Eu conto histórias antigas.
Conto lidas e canções.
Desenterro velhas brigas.
Desenferrujo canhões.
Quando se trata de amor,
não conto em que resultou...
ORAÇÕES
Maria José Limeira
Rezei rosários ligeiros.
Ajoelhei-me aos pés do altar.
Esperei dias inteiros.
Ninguém veio me buscar.
CINZAS AO VENTO
Maria José Limeira
(Para a amiga Ale Carvalho)
Cinzas voam com o ao léu.
Espalham nossas feridas.
Pedaços vão para o céu.
As outras dores, fingidas.
Adeus
escrevi silêncio
com sabor a maresia
mais a nostalgia
daquele último adeus
sem beijo de despedida
joaquim evónio
19 AGO 05
Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias
www.joaquimevonio.com
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NÃO VÁS. FICA!
Maria José Limeira
Quem diz adeus vai partir.
Quem fica vai ser feliz.
Tanto faz lá como aqui.
Quem vai partir não o diz.
È melhor se acomodar
na cama do ser amado
do que adeus ensaiar
e ficar meio amuado.
É melhor abrir sorriso,
dar caso por encerrado.
Quando dói o dente siso,
melhor é vê-lo arrancado...
AMAR É BOM PARA OS CABELOS
carlos assis
tarde da noite no quarto escuro
depois do pesadelo
o fantasma se olha no espelho
..........
NOSSOS PÊLOS
Maria José Limeira
O fantasma que me fita
dá urros na madrugada.
Em silêncio, mais me irrita.
Quando fala, não diz nada.
Tem perfume nos cabelos.
Tem flores quentes na mão.
Misturamos nossos pêlos
na palavra solidão.
Quando o chamo, ele some.
Se não peço, ele vem.
Com sede, diz que tem fome.
Ele é um e mais de cem.
DESAFIOS
Maria José Limeira
Responderei com Poesia
a todos os desafios.
Erotismo é luz do dia.
O resto, teias e fios.
Não tentemos separar
e enganar literatura.
O que é bom tem que brilhar.
Todo ruim é amargura.
Erótico ou pornográfico?
Que importância tem isto?
O que importa é o tráfico
do nu em que me desvisto
GAVETAS
Maria José Limeira
Abro gavetas, os guardados
são flores já esquecidas.
Os presentes já passados
são lembranças encardidas..
A Gramática no Cordel
Olá, amigos? Grande novidade aqui na Paraíba. Já está na quarta edição
o livro do professor Jandhui Dantas, ensinando, em cordel, a usar bem a
Língua Portuguesa. Esse professor reside no município de Patos, a 400
quilômetros da Capital João Pessoa. Mas seu livro já atravessou as
fronteiras e foi tema de matérias e artigos na grande imprensa do Sul. A
quarta edição foi publicada pela editora Sal da Terra, com apoio do Banco
do Nordeste do Brasil.
Uma das estrofes do livro:
Colocar acento em coco
é um erro bem danado!
Principalmente no fim
se o acento é colocado
pois ninguém está maluco
de beber "cocô gelado"!
(Jandhui Dantas)
Outro trecho do livro de Jandhui Dantas:
"CLÍtoris" ou "cliTÓris"?
Uma questão que persiste,
que fica sempre em aberto:
"É clitóris ou é clítoris?"
(pra dizer, qual o esperto?) -
dizer "clítoris" é errado,
"clitóris" é o nome certo!
(Jandhui Dantas)
Email do autor:
jdantasn@yahoo.com.br
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Saludos!
Maria José Limeira
SAUNA
Maria José Limeira
Numa noite de verão,
teu corpo quente
encostou-se ao meu.
Eras pêlos,
apelos
e céu estrelado.
Tive um orgasmo daqueles.
E nem havias chegado ainda!
EU CONTO...
Maria José Limeira
Conto flores no jardim.
Vermelhas ou amarelas.
Conto do começo ao fim.
Conto portas e janelas.
Não conto o que dói em mim...
SEXO ESPECIAL
Luciana Barreto **
Entre “deficientes”
Mesmo que as pupilas de um cego sejam feitas de vidro, é difícil enxergar algum brilho em seus olhares.
Também não se imagina um deficiente mental apaixonado, ainda que sua cabeça esteja sempre nas nuvens. E nunca se dirá que o corpo de um tetraplégico é escultural, mesmo que seja imóvel como uma estátua de mármore. No imaginário da sociedade, a cama do deficiente é sempre um lugar de repouso, leito de tratamento que uma pobre alma necessita para enfrentar seus males. Nunca é espaço de diversão, templo de impulsos lúbricos onde os lençóis desarrumados são a memória recente de que
ali houve noites bem melhores.
Se sexo ainda é tabu, imagine quando ocorre entre eles. Eles, que, para a ciência, são deficientes
mentais, visuais, auditivos, físicos. Eles, que para os politicamente corretos, são portadores de
necessidades especiais. Eles que, para o senso comum, são cegos, surdos, dementes, aleijados. Eles, que são sempre “eles”, pronome na terceira pessoa que os torna ainda mais párias. Apesar de alguns avanços, a sexualidade dos deficientes ainda é pouco discutida em escolas, famílias, hospitais, na imprensa, nas pesquisas das universidades, e mesmo nas artes. Não é simples preconceito. Parece mais uma cegueira coletiva - o mundo ainda não enxerga que muitos deficientes também se apaixonam, têm desejo e podem, sim, ter vida sexual.
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Leia o resto em:
Texto Vivo
http://www.textovivo.com.br/
Saludos!
Maria José Limeira
AO REDOR DO FOGO
Maria José Limeira
(Para Diego Remus)
Há mais criatividade
no chimarrão punk
(saliva ou cuspe?)
do que nas discussões
acadêmicas
dos professores
da USP...
BILHETE SEM DATA
Maria José Limeira
Na distância,
é bem mais fácil ouvires
o que meu silêncio
jamais ousara dizer-te...
OFERTÓRIO
Maria José Limeira
Vai, minha saudade.
Diz-lhe que viver
é possível ainda.
Ainda que em sonolência
e nudez...
DEVOLUÇÃO
Maria José Limeira
São os ventos,
os pássaros e as flores,
pombos-correio
da saudade
que me doaste,
que te devolvo
em dobro...
SOU DESAGRADÁVEL
Maria José Limeira
Reconheço: sou uma pessoa desagradável.
Adoro sinceridade.
Abomino os falsos amigos.
Acho que todo ladrão-colarinho branco é elegante e tem a fala macia.
Não gosto de pavões. São, no mínimo, ridículos.
Na minha opinião, é mais bonito um homem nu do que de máscara.
A falsa moral me incomoda. A moral tradicional, também.
Em todo sepulcro caiado existe um padre enrustido. É o que penso.
Toda notícia tem, no mínimo, duas versões. Presumo que é nisto que se apóia o bom jornalismo.
Democracia não sobrevive sem Oposição.
“Panelinha” e “máfia”, pra mim, têm outro nome: “gangue”.
Quando as pessoas se juntam para fazer mal a alguém, praticam o crime de “formação de quadrilha”. Está escrito num famoso livro chamado “Código Penal Brasileiro”. Meu livro de cabeceira.
Não entendo escritor que empresta seu nome para atos de vilania.
Acho que Poesia é um elo de ligação entre seres humanos, e não pomo da discórdia.
Julgamento onde o réu não tem direito de defesa é execução sumária.
Recuso-me a ser bode expiatório.
Não aceito convite para viver a Idade Média em pleno Século XXI.
Pessoas que me classificam como “desagradável” não são desagradáveis também. São apenas enfadonhas.
Acho linda aquela música de Chico Buarque (atualíssima!), que diz: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia...”
(Do livro “Crônicas do amanhecer”).
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
Blogueiros, uni-vos!!!
Prezados, navegando outras praias, outras comunidades orkut e foruns de discussão, ouvi idéias interesssantes sobre as pessoas que usam blogs.
Dizem as más línguas que a internet está tomada por blogueiros besteiróis, que usam esse espaço para se promover pessoalmente, sendo os blogs somente um desfile de "vaidades" e "umbigos"...
O que vocês acham?
Por que as pessoas usam os blogues, na sua opinião, e pra quê?
Aguardo respostas.
Saludos.
A PALAVRA SOLIDÃO
Maria José Limeira
Como se faz
para escrever um texto
bonito
sem a palavra solidão?
POEMETO NORDESTINO
Maria José Limeira
(Ao amigo e Poeta do Meu Coração Joaquim Evónio)
Armo rede na varanda.
Balanço-me até mais ver.
Numa roda de ciranda,
o meu amor é você!
NAS COXAS
Maria José Limeira
Cultivei o meu jardim.
Nasceram tulipas roxas.
Quem quiser gostar de mim
acaricie minhas coxas.
O bolo de milho em casa
tem um gosto de rotina.
Melhor cigarro é Plaza.
Melhor samba é na esquina.
Quem quiser ficar comigo
que não use calças frouxas.
Tem que beijar meu umbigo,
encaixar-se em minhas coxas.
O canto do pássaro, pio.
O popular, pocotó.
Evite filho com diu.
E não queira ficar só...
RE-VOLTA
Maria José Limeira
O caos, minha poesia.
O abraço, meu caminho.
Rotina, meu dia-a-dia.
Minha re-volta, carinho.
QUARTO ESCURO
Maria José Limeira
No meu quarto
escuro,
o instante
dura mais
que o pousar
da mosca
no monturo...
A cena muda.
Um romance erótico:
http://geocities.yahoo.com.br/mangel_arlt/eroticapag.htm
PRAZER
Maria José Limeira
Uma palavra.
Um toque apenas.
Um olhar opaco.
Um vazio.
Uma amplidão.
Um céu azul.
Ou uma noite escura.
Nessa voragem,
fecham-se os olhos
e o mundo deixa
de existir.
Agora dorme, vai.
COMUNHÃO
Maria José Limeira
Beber o pão.
Embargar o vinho.
Bem que eu gostaria
de ter nascido leoa.
Não precisaria
de calcinhas,
soutiãs,
essas coisinhas
ridículas,
que só atrapalham
na hora do sexo!
MEIA-ESTAÇÃO
Maria José Limeira
Dias cinzentos.
Nem sóis.
Nem luas.
Nos finais de inverno,
ninguém
nas ruas...
ATO DE CRIAÇÃO
Maria José Limeira
Deus criou céus e terra.
Fez da lua casa das estrelas.
Do homem, fez a mulher.
Povoou desertos.
Transformou fogo em luz
Mas, eu nasci da tristeza,
como se fosse loba
uivando na escuridão...
SILÊNCIO & GRITO
Maria José Limeira
Quem sofre calado
leva o mundo nas costas
como fardo.
Quem diz a verdade
não pode ser condenado
a perder as asas...
ONDE VAI REPOUSAR MINHA SAUDADE?
Maria José Limeira
Quando eu conseguir esquecer, escreverei minha história. Só vai ser possível se o esquecimento se consumar. Enquanto eu me lembrar, a dor não vai passar.
Primeiro, se apagarão nomes e números. Não quero saber de datas.
Houve uma festa no dia em que nasci?
De que cor era a primeira camisa pagã que vesti? E depois, se bem me lembro, eu babava tomando leite.
Por que não havia festa no dia do meu aniversário?
O nome da minha primeira boneca era Crisálida. Tinha olhos azuis, fixos. Minha boneca não dormia nunca. Nisto, se parecia comigo.
Minha infância passou rápido.
Minha casa era um quintal.
Eu não era triste assim.
Fui crescendo, crescendo, até crescer.
Minha vida tem horas alegres, e dias nebulosos.
Tenho que esquecer o primeiro namorado, de mãos frias.
Minhas mãos são quentes.
Frio é meu estômago.
As dores que eu conhecia eram diferentes das que sinto hoje.
Quando eu caia no chão, subia ao ar um cheiro de terra úmida. Depois, o sangue escorria do joelho. Dava para lambê-lo. Sangue tem gosto de ferrugem. Essas dores de queda são lembranças boas de vento zunindo nos cabelos.
O que sinto hoje é desigual. É dor sem nome, dor difusa, que a gente não sabe explicar como é. Deve ser o traste de re-viver.
Minhas lembranças são ferrenhas. Fogaréus que sobem me queimando toda. Enquanto persistirem, não poderei escrever minhas des-memórias.
Tenho que esquecer os homens. De como fui tomada por eles. E quanto os amei, e amo ainda. Consigo amá-los todos, ao mesmo tempo. Os homens são minha crucificação.
Essas coisas são difíceis de apagar da lembrança. Deixam marcas no corpo. São feridas que abrem as portas do insondável.
Lembranças não podem ser curadas com mercúrio-cromo, algodão, gaze e esparadrapo, como os rombos nos joelhos das crianças.
Não há quem consiga esquecer o adeus. O adeus é tão medonho e irremediável, que parece o fundo do mar, onde a escuridão submerge, como cadáver insepulto da vítima de assassinato.
As lembranças constituem perturbações, mesmo que o tempo tenha desabado sobre elas, e restem como carcaças. São tralhas-troços do nunca-mais, que seguem incomodando. São os olhos insones da comadre Crisálida, fixos na minha história. Ou o olhar triste do primeiro namorado, que deslizava os dedos frios sobre a quentura da minha pele.
Dói lembrar. Talvez esquecer pese mais ainda.
A noite é sombria, como a morte. A manhã é alegre, como pássaro. O pôr-do-sol é profunda melancolia, como o último acorde do canto da cigarra.
O céu muda de cor: é azul, branco, negro, luz e sombra, como os humores da alma.
Minha Poesia é estrela radiante, que ninguém vai apagar.
Um dia, quando eu conseguir enterrar as lembranças, em que tumba repousará minha saudade?
(Do livro “Crônicas do amanhecer”)
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
Caminhada Virtual
(Repassem)
Eu estou participando da e-indignação, a caminhada virtual rumo a Brasília contra a corrupção. Serão 506 mil pessoas chegando ao Planalto Central para registrar a indignação dos brasileiros com o cenário político atual. Participe do maior manifesto on-line contra a corrupção do Brasil.
Acesse www.e-indignacao.com.br.
Saludos!
Maria José Limeira.