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Meu perfil BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, MANGABEIRA, Mulher |
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CORTINAS FECHADAS
Maria José Limeira
Ao final do baile,
é hora de voltar para casa,
reencontrar lembranças
na sala de jantar,
no fogo apagado,
nas portas fechadas,
no silêncio
onde a noite guarda
a lágrima
que o dia colhe.
REVIDE
Maria José Limeira
Se me for dado
reencontrar-te em outra vida,
farei a coisa certa:
plantarei a mão na tua cara.
Será uma bofetada e tanto!
PELOS CAMINHOS DO MEU DESERTO
Maria José Limeira
Vaga estrela
da noite densa.
Não sabes que estou
a te seguir faz tempo.
Vai!
NATUREZA INDÔMITA
Maria José Limeira
O mar
é um excesso
de liberdade
que dá medo...
ESTÁ CERTO!
Maria José Limeira
O verso torto está certo.
Inverso é que está errado.
O que está longe está perto.
O fim está acabado.
Se o verso desentorta
e a rima fica engrolada,
bate com a cara na porta
quem ama a pessoa errada.
Mas, amor é coisa vadia.
Não escolhe a quem amar.
Troca noite pelo dia
e depois tem que acabar.
Amor acabado dói.
Produz uma rima incerta.
O verso tritura e mói.
Atropela sem alerta!
MORCEGOS INSONES
Maria José Limeira
Para Joaquim Evónio
Os morcegos são insones.
Não dormem mais sossegados.
No horizonte, ciclones.
Na cama, lençóis molhados.
De dia, são meio capengas.
À noite, pensam no escuro.
Gostam de pegar as quengas.
Não ficam em cima do muro.
Ah, morcegos tresloucados,
cujos presentes são beijos.
À noite, alvoroçados.
Durante o dia, desejos...
A outra é puta ou puta é a outra?
Saibam por que a puta quer ser a outra e a outra quer
ser a puta. O texto "Incisiva", de Dira Vieira, em
discussão em nossa Oficina Literária:
http://oficinaliteraria.zip.net
Ah-ah!
Saludos.
Maria José Limeira
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DEVANEIO |
DOR DE MEMÓRIAS
Maria José Limeira
Para Amina Ruthar
A roda do tempo rói
como pedra de amolar.
A dor de memórias dói.
Escondo-me em lugares
impossíveis,
onde ninguém pode
me achar.
Não adianta.
Os cadáveres emergem
à sombra dos rios,
conversam comigo,
contam ontens
e antigamentes.
Mas, não sabem dizer
o que for
e como será...
SE DÓI TANTO ASSIM, QUE ASSIM SEJA
Maria José Limeira
Ao amigo Wellington Farias
Em tuas crestas mãos plantaste nozes.
Em teu olhar-deslumbre, luz-sereno.
Em tua canção una, ouço vozes.
Em teu caminho-trilha, um aceno.
Em que vereda amarga o jamais
juntou teus pés às solas desvalidas?
Nas guerras mais ferozes, és a paz.
Das balas mais cruentas, as feridas.
Em teus braços abertos, o sim e o nego.
Em teu coração pleno, amor e jura.
Em teus vãos e desertos, eu me navego.
Em teu sentir acerbo, a alma pura.
Em que rota encrespada a dor rasteja
que não sabes mais dizer onde é o cais?
Se dói tanto assim, que assim seja.
Pois só assim tu podes cantar mais.
Maria José Limeira
Durante mais de vinte anos,
aspirei poeira
de beira-de-estrada,
naftalina,
fumaça de óleo-diesel,
venenos para ratos,
misturados com estricnina.
Não consegui
reencontrar-te.
Nem te esquecer.
DESABAFO
Rosane Coelho
Faz três meses que eu chutei o balde. Não dava mais: muita cobrança, muita pergunta, muita reclamação: uma prisão. Ficamos casados 4 anos. No início a gente acreditava que amar era: eu só vou onde você for; se você ficar eu não vou! Isso não é amor, meu irmão, é um pacto simbiôntico com anulação de identidade. Eu fazia de conta que adorava a novela das oito e ela ia ao Maracanã com a camisa do meu time. E a individualidade se desmanchava como o rímel do olho dela, depois de se debulhar em lágrimas porque eu esqueci o dia do aniversário do primeiro beijo. O cerco foi apertando e eu me sentindo cada dia mais sufocado. Nem a cervejinha de fim de tarde eu podia mais tomar. Se não fosse do trabalho direto pra casa, o celular não parava de tocar. Queria saber onde eu estava, com quem, fazendo o quê. Até parece que se eu estivesse no motel ia dizer: ah! tô aqui mergulhado na hidro, tomando um champanhe e fazendo amor com a Drica ! Eu chegava em casa e ela sempre arranjava um jeito de olhar pro relógio. Todo dia, quando eu saía do banho, as reclamações eram as mesmas: toalha embolada dentro da pia, cueca no chão do box, piso do banheiro molhado, xixi na tampa do vaso... E o futebol de sábado? Era ofensa pessoal. Ela estava sendo trocada por um monte de marmanjos de pernas cabeludas. Ia me esquecendo do cachorro! Claro, tinha a gracinha do totó que ela trouxe da casa da mãe e que não ia com a minha cara. Aliás, por falar na mãe, não era só o cachorro que não ia com a minha cara, não. A diferença é que a sogra não comia os meus sapatos.
Hoje eu sou livre. Ninguém vigia a hora que eu chego nem quantas cervejas eu tomo. Transo com quem eu quero. Jogo a toalha de banho molhada dentro da pia e a cueca no box. O chão do banheiro é um perigo: sempre molhado. O vaso tá uma nojeira: não consigo acertar aquele buraco. Antes de sair pro trabalho levo um tempão pra arranjar uma roupa mais limpa e menos amassada, que combine com os sapatos roídos pelo cachorrinho. Comida, só de restaurante, desde o dia que a panela de pressão explodiu e a tampa quase rachou a minha cabeça. Quando volto pra casa, pior do que encontrar tudo do jeito que eu deixei, é não ter ninguém nem pra brigar.
Ontem telefonei pra ela. Convidei pra comer uma pizza à noite. Ela disse que já tinha programa. Programa? À noite? Com quem? Onde?
..........
Fonte:
Comunidade “Fábrica de Letras”
www.orkut.com/
SEM AVINAGRAR
líria porto
quisera envelhecer qual vinho bom
deitar em taça fina o findo tempo
deixar levitar cor veludo bouquet
depois tingir o linho num tropeço
VIRANDO O BARCO
Maria José Limeira
Chutei o pau da barraca.
Entornei caldo.
Foi até o fundo a faca.
Este o saldo:
Barco virado.
Ratos correndo
pelas coxias.
Um samba virando fado
e uma longa noite
que se estendeu
por dias e dias...
Incisiva
melhor que tu cases
com a outra
e tenhas com ela
filhos barrigudinhos e de nariz escorrendo
porque mais vale
o amor da outra
que esse meu amor
de puta
(cansei de lavar, passar e parir poemas inúteis)
Dira Vieira
http://www.madamemin.zip.net
http://www.ocisco.net/dira.htm
http://oficinaliteraria.zip.net
REPÚDIO
Maria José Limeira
Cansada de viver
comigo,
dei um basta.
Bati na lata:
-Adeus, ingrata!
POESIA
Maria José Limeira
Poesia tem saia curta.
Não obedece a ninguém.
Rimas e versos ela furta.
Viaja em cima do trem.
Quanto mais dor, mais se exalta.
Quanto mais fel, mais tem sede.
Quanto mais pede, mais falta.
Quanto mais toadas, rede.
Ah poesia problemática.
Meu verso doce e azedo.
Minha rima livre, enfática.
Meu sobrosso e meu medo.
Quando estou triste, consola.
Na alegria, se derrama.
É terra que seca assola.
É chuva na minha cama...
Ilustração: APOIO: Clube de Gravura da Paraíba (http://clubedagravura.blig.ig.com.br)
Gravura de José Costa Leite, gentilmente cedida pelo Clube da Gravura
Belvedere Bruno convida a todos
para uma visita ao seu blog super maravilhoso.
Não esqueçam de adicionar aos FAVORITOS!!!!!!!Abraços
http://belvederebruno.blog.uol.com.br/
NÃO VAMOS DEIXAR QUE ISSO ACONTEÇA!
Moçada, estão querendo acabar com a oficina do João Silvério Trevisan no SESC e com
o Balaio de Textos. Por favor, vejam a notícia na íntegra e façam sua
adesão, enviando um mail de protesto aos (ir)responsáveis.
http://rosebud.rose.bud.zip.net/index.html
beijuuuus
Thaty Marcondes
CONTO E/OU NÃO CONTO?
Maria José Limeira
Eu conto história comprida.
Canto tangos e baiões.
Conto o que dói na ferida,
e quantos são os anões.
Não conto o meu passado,
nem a perda do amigo.
Canto quem está do meu lado,
e quem me beija o umbigo...
Poema Obsceno
(by Mel)
Bolina
essa menina
de virilha depilada
Olhar inocente
acinte indecente
vulva molhada
Mulher
que brinca
de ser devorada
Fausto Rodrigues Valle
Ó imensidão!
Jamais logrei compreender-te,
porque buscava-te além das estrelas.
Agora sei que estavas sempre aqui,
roendo como um rato solerte o reino
do meu universo, em sua pequenez
imensa.
(Do livro “Aldeia absurda”)